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“O acaso encontra sempre quem saiba aproveitar-se dele” – Jean-Cristophe

Os antigos dizem que o acaso não existe. No entanto, o servidor Rodrigo Gualandi tem um aparte a fazer: A atual vida profissional que exerce, realmente, é uma casualidade.

O Oceanógrafo parou na Metrologia

Sem saber ao certo qual faculdade cursar e sem ter uma matéria específica que o fizesse tender para uma direção, Rodrigo escolheu aquela que achou mais generalista, por envolver várias áreas.

– Eu admiro as pessoas que sentem suas vocações desde cedo e vão ao encalço delas. Eu nunca tive isso. Foi um pouco complicado até mesmo para escolher a minha graduação. Na verdade foi meio que por acaso. Me formei em Oceanografia. Nessa graduação fiquei envolvido com Biologia, Geologia, Química, Física…

Formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o capixaba, após terminar o mestrado em Oceanografia Ambiental, veio para o Rio de Janeiro ajudar o pai nos negócios no ramo de madeira para marcenaria.

O Oceanógrafo passou a ser Assistente Técnico de Gestão em Saúde, foi trabalhar na área de Metrologia sem saber se o que tinha aprendido em sua graduação serviria para alguma coisa.

– Assim que eu cheguei, até tentei pesquisar se tinha algo aqui dentro que eu pudesse utilizar da minha graduação porque no meu mestrado trabalhei com cultivo de micro crustáceo pensando na cultivação de animais marinhos que pudessem ser utilizados virando um possível medicamento natural. Como existem linhas de pesquisa nesse sentido e como Farmanguinhos tem uma atuação forte em pesquisa, eu cogitei a possibilidades. Porém, eu me encontrei na Metrologia e lá, acabo utilizando coisas que eu vi por lidar com instrumentos de medição na Oceanografia.

Encontrei em Farmanguinhos pessoas comprometidas a fazerem um serviço de qualidade

Considerando que o primeiro emprego foi com o pai, Farmanguinhos acabou sendo a primeira experiência fora de uma relação familiar.

– Eu encontrei aqui uma outra família, com pessoas excelentes, grandes amigos. Pessoas comprometidas a fazerem um serviço de qualidade. Me surpreendi, pois eu conhecia o “castelo” de nome. Mas, verdadeiramente não sabia a atuação da instituição. Comecei a conhecer um pouco mais nos estudos para prestar o concurso. Eu não sabia que tinha unidades fora de Manguinhos e nem de todo o aparato que cada uma tinha e suas áreas de atuação. Hoje, me sinto privilegiado de fazer parte do quadro de servidores de Far.

Com o cenário de redução de custos na unidade e a necessidade de melhorar os nossos processos internos, internalizamos a calibração.

Mudando alguns processos, a área de Metrologia está desenvolvendo um serviço de excelência na instituição

– Isso não foi requisitado em nenhum momento ao setor. Foi uma iniciativa nossa diante de uma necessidade e de uma insatisfação prática que nós estávamos lidando. Estamos num processo de internalização da nossa demanda. Desta forma, geramos eficiência e economia pra a unidade. Antigamente, nosso processo era só enviar para calibração, analisar o resultado obtido e informar para o usuário se estava aprovado ou não. Hoje, continuamos fazendo isso. Mas, numa escala menor. Demos um passo à frente. Nós começamos a executar as calibrações. Já calibramos balança de até 15kg e estamos avançando para outras grandezas. Tudo está sendo feito com muito cuidado para não ocorrer deslizes nem na qualidade e nem na quantidade de serviço que Farmanguinhos pode absorver.

– As pessoas dentro da unidade não sabem a abrangência da Seção de Metrologia. Esse setor atende a várias áreas de Farmanguinhos: Produção, Desenvolvimento, Pesquisa e Controle da Qualidade. Por exemplo, a pesquisa é contemplada com o serviço de calibração, com a análise de certificado, com o nosso serviço de aferição das balanças. Desta forma, a Metrologia, hoje, garante as equipes de Pesquisa que as medições que elas estão fazendo são o mais próximo da verdade possível ou pelo menos relata o quão longe da verdade aquele resultado está.

Percebi que nasci para ser marido e pai

Caseiro, Rodrigo fala um pouco de sua história e de como está enxergando o mundo

Religioso e caseiro é como o servidor se define. Criado dentro das igrejas católicas lá no Espirito Santo, seus princípios estão embasados dentro da religião que escolheu para seguir.

– Sou católico praticante. Eu era catequista da crisma. Mas, precisei sair. Sou ministro da Sagrada Comunhão. Eu tenho uma vida religiosa ativa. Eu sou o que sou por amor a Deus. Amo a Deus no meu matrimônio, na minha paternidade e reconheço que isso tudo é fruto da minha religiosidade. Eu vivo para a minha família porque eu acredito que essa expressão de amor, é uma forma de amar a Deus sobre todas as coisas. Mas, eu gosto de muita coisa fora igreja. Gosto de ir à praia, e jogar futebol. Se tivesse mais um pouquinho de tempo, jogaria meu futebol semanal. Já o mergulho, é um esporte um pouco mais caro e aí depende de você fazer uma programação. Esse é o tipo de passeio que fica em standby. Mas, o mergulho recreativo de snorkel, quando é possível, a gente faz. Não posso deixar de dizer que eu estou feliz, pois faço uma nova graduação: Direito. Já estou no sexto período. Identificar, realmente o que você gosta de fazer, é muito bom. Estudar Direito, além de ser a possibilidade de expansão da minha família, me dará condições de explorar novos desafios.

– Minha família é o meu tesouro. Sempre senti que minha vocação era o matrimônio e isso me enchia de alegria. Ser casado e viver essa condição me dá muito prazer. Aos poucos eu fui gerando a expectativa de ser pai. Hoje tenho uma filhinha chamada Rebeca de 1 ano e 4 meses. Achei essa experiência muito interessante porque eu percebi que não é apenas virar a chave e dizer: “agora eu sou pai”. Junto vem as preocupações e a responsabilidade. Eu confesso que fiquei um pouco atordoado sim. Ver como está a fralda, se está respirando, como está a temperatura… Percebi que nasci para ser pai e em relação a isso, não procuro me limitar. Se pudesse, teria muitos filhos, tantos quantos fossem possíveis. Porém, minha pretensão é ter mais dois.

Maior sonho

– Apesar do mundo em que vivemos, meu maior sonho é ter uma família numerosa. Mas, para alcançar esse sonho, primeiro preciso terminar a faculdade, conseguir uma colocação melhor dentro do mercado ou quem sabe fazer outro concurso público e passar para uma carreira jurídica. Tudo isso requer um longo caminho de estudo até que se consiga. Tenho essa consciência de que não é nada muito fácil.

Acreditando que o mundo só melhorará com pessoas melhores, Rodrigo Gualandi entende que se a situação atual tem alguma falha na formação dos indivíduos.

– Creio que núcleo disso tudo é a família. Não digo que, deliberadamente, as famílias deixaram de educar, mas, eu creio que a escola não é lugar para educar os filhos. Uma das funções dos pais é preparar o filho para ser uma boa pessoa para que viva nesse mundo como um ser do bem e não se amoldar ao mundo como está, mas, viver de uma forma virtuosa e honesta.