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Descarte inadequado de medicamentos: perigo à vista

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Simone Evangelista

Pesquisadora luta por conscientização sobre descarte adequado. Foto: Alex Mansour/Farmanguinhos

Além de materiais como óleo de cozinha ou pilhas, outro item merece atenção especial dos consumidores na hora de ser descartado: o medicamento. O problema é que muita gente não sabe como proceder quando um remédio perde a validade ou não pode mais ser utilizado por outros motivos. O mais comum é jogá-lo diretamente no lixo ou no sistema de esgoto, práticas que oferecem perigo a outras pessoas e ao meio ambiente.

Para a farmacêutica industrial de Farmanguinhos Elda Falqueto, mestre em Saúde Pública e uma das autoras do livro O que você precisa saber sobre medicamento - manual básico, ainda há pouca informação difundida sobre o descarte adequado de remédios: “Se você jogar no lixo sem qualquer precaução, outras pessoas podem fazer uso, o que é especialmente perigoso no caso dos medicamentos controlados. Além disso, o lençol freático fica contaminado. Quem prefere dissolver os remédios e jogá-los na pia vai contaminar a água de consumo, pois o sistema de tratamento de esgoto não é capaz de eliminar todas as substâncias químicas presentes”, explica.

Os poluentes mais perigosos, de acordo com a pesquisadora, são os medicamentos que contêm antibióticos (geram bactérias super-resistentes) e hormônios (podem causar diversas alterações endócrinas em animais e seres humanos). “As substâncias entram na cadeia alimentar, e as consequências são imprevisíveis”, diz Elda.

O descarte correto de um medicamento deve ser feito através de incineração industrial ou disposição em um aterro sanitário preparado para resíduos químicos perigosos. O ideal, segundo Elda, é que as farmácias recolham o material e o encaminhem para os locais adequados. “O problema é que, para isso, as farmácias precisam de suporte do governo, porque o tratamento adequado desses resíduos custa muito caro. Nem todos os municípios têm condições de arcar com as despesas”.

Para saber se uma cidade possui postos de coleta de medicamentos vencidos ou que sofreu algum dano que impossibilite seu uso, basta ligar para a Vigilância Sanitária do município. Muitas vezes, lembra Elda, o serviço existe, mas é difícil levar a população a fazer a sua parte. “Falta divulgação e conscientização das pessoas sobre a importância de descartar corretamente os medicamentos inutilizados”.  

Os cidadãos também não devem ficar de braços cruzados caso os postos sejam inexistentes. “É muito importante pressionar as vigilâncias municipais. Se o serviço não for uma demanda da população, vai continuar ausente”.

Economia é a melhor solução

No entanto, melhor do que descartar corretamente é não desperdiçar. Uma ação capaz de reduzir significantemente o problema é a aprovação do projeto de lei 7.029/06, que torna obrigatória a produção de medicamentos fracionados e está parado na Câmara dos Deputados desde 2006.

Enquanto isso, é possível tomar medidas simples para diminuir o desperdício, como prestar atenção à data de validade dos medicamentos e conservá-los adequadamente. A principal delas, porém, é evitar o consumo exagerado. “Antes de comprar um medicamento, devemos pensar: ‘Estamos precisando mesmo disso?’. Em geral, não temos necessidade de consumir tanto quanto consumimos”, afirma Elda.

Após analisar o processo de descarte de medicamentos por parte dos profissionais de saúde em seu mestrado – trabalho que deu origem ao livro O que você precisa saber sobre medicamento - manual básico – Elda analisa formas de diminuir a geração de resíduos farmacêuticos para a sua tese de doutorado. Na opinião da pesquisadora, a solução para o problema passa longe do tratamento deste tipo de material. “Tratamento é coisa do passado, temos que pensar na geração zero”.
Última atualização ( Qui, 28 de Janeiro de 2010 15:21 )  

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