Ao tomar o Brasil como uma empresa que está muito mal das pernas e traçar um paralelo com uma instituição qualquer que visa atingir a excelência na gestão, o Presidente-Executivo da Fundação Nacional de Qualidade (FNQ), Jairo Martins, listou os aspectos estruturantes que precisam ser seguidos para alcançar esta espécie de sonho, mas que pode se transformar em realidade na vida corporativa. Dentre os que o especialista destacou, na palestra que marcou o início do Ciclo 2016-2017 do Programa de Excelência em Gestão do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), o PEG-Far, estão a promoção da competitividade e da sustentabilidade, a ética e a incorporação da cultura da excelência.

Após ter acesso à pontuação obtida por Farmanguinhos em 2015 no âmbito do Prêmio de Qualidade Rio (PQRio), em apresentação feita pela Coordenadora da Gestão da Qualidade (CGQ), Shirley Trajano, na Sala de Conferência do Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM), Martins propôs um desafio: que a Unidade se candidatasse ao Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ). Com a modéstia dos cautelosos, Shirley respondeu que ainda é cedo para isto, saudou o incentivo do convidado, mas reconheceu que, primeiramente, será preciso consolidar a categoria Ouro, obtida no ano passado.

A coordenadora, entretanto, não afastou a possibilidade de chegar ao topo da premiação, em futuro próximo, uma vez que quando falou sobre a categoria Prata do PQ-Rio, houve quem considerasse difícil conseguir aquela conquista, obtida em 2013. “Temos que ter como foco o PNQ. É um sonho, mas não é impossível, porque só depende da gente, e competência a gente tem e pessoas preparadas também”, observou Shirley. Ela frisou que, devido ao PEG-Far, nós melhoramos muitas coisas na administração. “Não estamos ainda aonde nós queremos não, mas podemos chegar lá”, avaliou a coordenadora.

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O diretor Hayne Felipe, ladeado (à esq.) pela Coordenadora de Qualidade da Fiocruz, Renata Almeida, e pela Coordenadora de Qualidade de Far, Shirey Trajano

Time excelente – “Preservar o conhecimento, olhar o futuro, gerir com ética, transparência e tomar decisões embasadas e não precipitadas”, foi uma das saídas apontadas por Martins para o que se fazer em tempos de crise. Para este engenheiro pernambucano que trabalhou durante oito anos na sede da Siemens, na Alemanha, e, atualmente, entre outras tarefas, dá aula no Instituto Mackenzie, em Campinas, interior de São Paulo, seremos sempre do tamanho da confiança que transmitirmos, máxima que, de acordo com ele, se aplica também às organizações.

Para o diretor de Farmanguinhos, Hayne Felipe, que deu as boas-vindas ao convidado e, por conta de agenda em Brasília, não pode ficar para ouvir Martins, na atual conjuntura em que está o Brasil, “nosso País precisa se reinventar, assim como os funcionários públicos. Dar repostas à nossa sociedade é o papel da Fiocruz, nossa responsabilidade”, afirmou.

Ao levar em consideração os números mostrados pela Shirley, Hayne incentivou a Unidade a buscar uma colocação melhor na pontuação, a fim de obter a Medalha do PQ-Rio. “Temos que chegar perto do limite máximo. À medida que colocarmos uma meta mais ousada, temos condições de alcançá-la, porque nosso time tem competência para isso. Fazer melhor o que a gente faz bem. O nosso time é excelente”, incentivou o diretor.

Nas mudanças que se avizinham na conjuntura nacional, observou Hayne, é preciso estarmos atentos para garantir espaço para a produção pública. E esta conquista, observou o diretor, só será mantida com a busca permanente da qualidade. “Sem qualidade, não conseguiremos sobreviver”, advertiu. Para ele, este é o momento de se aproveitar a junção de perigo e oportunidade do anagrama oriental, assim como lembrar de outro ensinamento expresso por um ditado muito comum naquela parte do planeta, e segundo o qual, um longo trajeto sempre começa pelo primeiro passo.

Para Jairo Martins, análises sistêmicas de cenários, tendência e riscos podem evitar crises na corporação

Para Jairo Martins, análises sistêmicas de cenários, tendência e riscos podem evitar crises na corporação

Cadeia de Valor – E já que Farmanguinhos está quase lá em termos de Excelência na Gestão, Martins disse que nas organizações é indispensável fazer mais com menos, mais rapidamente, mas sem deixar a qualidade de lado. E aconselhou: “É preciso se questionar o que não deve ser feito”, a fim de racionalizar recursos e ganhar em produtividade. “Fazer certo o que tem que ser feito para ser mais produtivo, sempre inovando, para melhorar e não apenas para gerar mais lucro”, observou o especialista.

Outro caminho apontado por Martins é a realização permanente de análises sistêmicas de cenários, tendências e riscos, a fim de evitar as crises. Avaliação, observou, que precisa ser feita através da Cadeia de Valor. “Por que não agir antes de os problemas ocorrerem ?”, questionou. Segundo ele, a má qualidade na gestão é a principal barreira para o sucesso das organizações. “A trajetória da excelência não é simples”, reconhece o especialista, mas é possível, garantiu. E disse isto com uma doce provocação para Farmanguinhos: “Quem sabe eu não posso apresentar o case de vocês no encontro internacional”?, referindo-se ao Fórum Internacional de Boas Práticas em Excelência da Gestão, que será realizado entre os dias 17 e 19 de outubro de 2016, no Rio Janeiro, e organização pelo PNQ.

Para ver as pontuações obtidas por Farmanguinhos no Prêmio de Qualidade Rio (PQ-Rio) e saber a quantidade de oportunidades de melhorias que podem ser feitas, clique aqui