Além da função educativa, é fonte de alimento para as refeições dos estudantes suas respectivas famílias

Fruto do projeto “Se essa rua fosse minha”, coordenado pela Gestão Social de Farmanguinhos, a criação da horta contou com a parceria da Alfazendo. Agora, ficará disponível para a escola, que contará com o suporte do “Hortas Cariocas”.

Na última semana, Farmanguinhos concluiu mais uma etapa do projeto “Se essa rua fosse minha”. Trata-se da Horta Pedagógica implementada na Escola Municipal Joaquim Fontes, na Cidade de Deus, que beneficia cerca de 380 famílias da comunidade. A iniciativa vem sendo desenvolvida em parceria com a Subprefeitura de Jacarepaguá, a 7ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e o projeto Hortas Cariocas, vinculado às Secretarias Municipais de Educação e Meio Ambiente.

Responsável pela Assessoria de Gestão Social da unidade, Magali Portela explica que o projeto contempla quatro escolas municipais, e tem por objetivo exercer função pedagógica e funciona também como fonte de alimentos para as refeições dos estudantes e suas respectivas famílias. “Trata-se de uma questão de saúde pública, pois refere-se à alimentação balanceada e de qualidade. Além disso, este terreno, que estava ocioso e com aspecto de abandono pela dificuldade de se fazer a manutenção, conta agora com dez canteiros com capacidade para produzir alimento para a refeição das crianças aqui na escola e fornecer para suas respectivas famílias”, observa.

Magali explica que o projeto conta com apoio de parceiros: ONG Alfazendo, da Cidade de Deus, responsável pela metodologia pedagógica e construção dos canteiros; Hortas Cariocas (projeto das Secretarias Municipais de Educação e Meio Ambiente), que dará continuidade com suporte técnico e recursos humanos para realizar manejo dos canteiros.

Parte das equipes das instituições participantes do projeto

O estudo realizado pela Alfazendo analisou as espécies que deveriam ser plantadas, levando em consideração fatores como clima, solo, o tipo de cada vegetal e seus valores nutritivos. “O objetivo é que a escola não precise mais comprar os alimentos disponíveis na horta. Muitas crianças pensam que os alimentos nascem no mercado, não sabem que são plantados. As crianças precisam entender que o alimento não nasce já embalado no supermercado, mas são frutos da terra. Portanto, outra proposta deste projeto é transmitir para essas crianças a importância da relação delas com o meio ambiente”, destaca a coordenadora da Alfazendo, Iara Oliveira.

Vice-diretora da Escola, Angela Alves Conceição Galvão explica o funcionamento do processo educacional. “Cada uma das dez turmas é responsável por um canteiro. As crianças plantam, regam e cuidam da horta diariamente. Essa relação faz muito bem a elas, pois desperta a percepção do desenvolvimento, desde o cultivo até a colheita, e sabem que serão utilizadas no almoço saudável delas”, avalia a vice-diretora.

Cada turma é responsável pelo cultivo de um canteiro. São dez no total, com capacidade para fornecer alimento de qualidade para o almoço das crianças e às famílias dos estudantes.

A relação da sociedade urbana com o meio ambiente também é um fator trabalhado pela equipe do Hortas Cariocas. O coordenador do projeto ressalta que as hortas comunitárias, mais especificamente em escolas, têm como objetivo restabelecer a referência rural em centros urbanos. “A proposta é ocupar áreas consideradas frágeis a fim de deselitizar o consumo de alimentos orgânicos. Por isso, cerca de 50% de nossas hortas encontram-se em escolas a fim de alcançar o resultado desejado. Esta unidade aqui, por exemplo, tem potencial para expandir e produzir alimentos para centenas de famílias mensalmente”, afirma Barros.