Transferência de tecnologia avança com medicamento imunossupressor produzido totalmente em solo brasileiro e amplia soberania nacional
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Representantes da Fiocruz participaram, nesta terça-feira (17/3), do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos. A iniciativa, celebrada em cerimônia realizada no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, cria um espaço estratégico de articulação entre o Poder Legislativo, a comunidade científica, movimentos sociais e instituições públicas.

A Frente Parlamentar representa um passo importante para o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao setor no país e a participação de instituições estratégicas, como é o caso da Fiocruz, é um dos grandes destaques do projeto. Na ocasião, a Fundação foi representada pelo vice-presidente adjunto de Produção e Inovação em Saúde, Marco Nascimento, a diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, e a diretora do INCQS, Mychelle Alves.
Para Silvia, o lançamento marca um momento simbólico e estratégico, consolidando uma iniciativa que integra ciência, biodiversidade e saúde. Essa é uma pauta que defendemos em Farmanguinhos, pois entendemos a importância de fortalecer o SUS também por meio da valorização dos saberes tradicionais e do desenvolvimento sustentável. Existem desafios, mas com escuta ativa e parcerias consistentes, é possível avançar significativamente na inovação em fitoterápicos e estamos à disposição para contribuir com evidências e soluções que qualifiquem essa discussão, atuando na pesquisa, no desenvolvimento e na produção de medicamentos”, afirmou a diretora.
Além de integrar dimensões produtivas, científicas e socioculturais, o projeto promove o cultivo orgânico e agroecológico de plantas medicinais, o avanço da pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico de fitoterápicos e a valorização dos conhecimentos tradicionais associados.
O evento contou ainda com a presença de lideranças políticas, como o deputado federal Welter, presidente da Frente; a deputada Célia Xakriabá, vice-presidenta; a deputada Jack Rocha, secretária-geral; e o deputado Airton Faleiro, coordenador da Região Amazônica.

Ações de Farmanguinhos para a inovação em fitoterápicos
O Instituto tem contribuído de forma contínua para o debate e o desenvolvimento de fitoterápicos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Essas ações abrangem desde a formação especializada, como o curso de Inovação em Medicamentos da Biodiversidade, até a produção direta de medicamentos, como é o caso do primeiro fitoterápico industrializado desenvolvido a partir da Phyllanthus niruri (popular quebra-pedra), tradicionalmente utilizada no tratamento de distúrbios urinários.
Essas iniciativas se somam à atuação cotidiana da instituição na defesa e promoção da pesquisa, da inovação e da valorização dos saberes tradicionais. Por meio do Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde (CIBS), das RedesFito e de diversos laboratórios de pesquisa, Farmanguinhos/Fiocruz tem investido em projetos que integram investigação científica, produção e formulação de políticas públicas.
Entre as ações mais recentes, destacam-se: a revisão da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF); a elaboração de um relatório técnico para o Ministério da Saúde após o evento internacional sobre Inovação em Medicamentos da Biodiversidade na Perspectiva Ecológica; e a articulação de encontros entre os diferentes agentes que compõem as RedesFito, fortalecendo iniciativas locais de promoção da cultura tradicional e de estudos com plantas medicinais.
Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)
Foram assinadas (21/2) duas parcerias com instituições indianas nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação de medicamentos imunossupressores e para o câncer, doenças raras e doenças negligenciadas
A Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) assinou, em 3/2, um Memorando de Entendimento para Cooperação Internacional entre a Fundação e a Universidade Lusófona, localizada em Lisboa, Portugal. As instituições, referências em pesquisa e educação nos respectivos países, visam desenvolver projetos de cooperação nos campos da ciência, tecnologia e inovação em saúde, incluindo pesquisas, desenvolvimento, intercâmbios de informação e acadêmico e organização de seminários científicos. O Memorando foi assinado por meio da Cooperativa de Formação e Animação Cultural (Cofac), uma organização educativa sem fins lucrativos e não financiada pelo Estado português, com foco na formação cooperativa, científica e pedagógica.

O evento contou com a presença do presidente da Fundação, Mario Moreira, da diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, e do coordenador da missão de Farmanguinhos em Portugal, Jorge Magalhães. Representando a Universidade, estiveram presentes o presidente do Conselho de Administração, Manuel de Almeida Damásio, a vogal do Conselho de Administração da COFAC, Maria da Conceição Soeiro, e o reitor da Universidade Lusófona, José Bragança de Miranda.
A união de conhecimentos e competências institucionais ampliará o intercâmbio acadêmico e científico entre Brasil e Portugal. Para a diretora de Farmanguinhos/Fiocruz, Silvia Santos, a parceria reforça o compromisso das instituições com o avanço científico e a cooperação internacional. “Ao oficializarmos este memorando, iniciamos uma parceria importante que unirá instituições multidisciplinares, com 28 anos de atuação, como a Lusófona, e uma história de quase 50 anos de Farmanguinhos, voltada para a saúde pública. Será uma oportunidade única de fomentar o ensino, a ciência e a cultura, aproximando e desenvolvendo a população de nossos países”, afirmou.

A Universidade Lusófona, desde 1998, é referência no ensino superior em Portugal e se destaca pelo caráter interdisciplinar voltado ao desenvolvimento dos países e povos de língua portuguesa. Farmanguinhos atua de forma estratégica no fortalecimento da saúde pública no Brasil e em outros países, com foco na pesquisa, no desenvolvimento e na produção de fármacos, medicamentos e tecnologias em saúde, além da formação de profissionais para ciência e tecnologia no setor. O Instituto e a Universidade possuem sólida experiência em cursos de pós-graduação, com a oferta de mestrado e doutorado, e profissionais e docentes especializados, que contribuirão para futuras parcerias.
A assinatura do memorando reforça a estratégia da Fiocruz de ampliar parcerias internacionais, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento de ações conjuntas voltadas à inovação e à melhoria das condições de saúde da população.

Missão de Farmanguinhos em Portugal
Durante a visita ao país, o Instituto se reuniu com instituições parceiras para alinhar sobre o andamento de projetos antigos e prospectar novas atividades com outras organizações. A agenda da comitiva contemplou reuniões com Icnas Pharma e reitoria da Universidade de Coimbra, para a apresentação do andamento do registro da primaquina em Portugal, e ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), da Universidade NOVA de Lisboa, para entendimento do ponto de situação do acordo de cooperação e a oferta de cursos.
Além disso, foram programadas visitas à Sociedade Técnico-Medicinal (Tecnimede), grupo farmacêutico português, e ao Laboratório Nacional do Medicamento do Exército Português.




Em um compromisso com a população brasileira, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) preza pela melhoria contínua de seus produtos. Um assunto que ganha ainda mais relevância quando analisado o portfólio da instituição voltado para os tratamentos das chamadas Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) ou Doenças Determinadas Socialmente, comumente presentes em regiões de vulnerabilidade social.

Ao todo, 20 patologias correspondem ao grupo de DTNs, sendo elas hanseníase, dengue, leishmaniose, esquistossomose, raiva humana, escabiose (sarna), doença de Chagas, parasitoses intestinais e tracoma. Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) não classifique tuberculose e malária estritamente como negligenciadas, essas continuam sendo doenças determinadas socialmente, afetando populações mais pobres em quadros graves de coinfecção. E Farmanguinhos oferece 14 tipos de tratamentos para quatro dessas enfermidades.
“Essas doenças ainda representam um grande desafio para a saúde pública mundial, especialmente em regiões marcadas por vulnerabilidades sociais. E é com excelência técnica que investimos regularmente na produção, pesquisa e desenvolvimento para a ampliação da qualidade dos produtos que oferecemos. Uma missão em que seguiremos firmes para entregar medicamentos essenciais para quem precisa”, disse a diretora da unidade, Silvia Santos.
Um exemplo disso é a recente finalização de protótipos otimizados das formulações de rifapentina e da dose fixa combinada pediátrica isoniazida + rifampicina, projeto conduzido pela Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) do Instituto.
A rifapentina integra as novas Terapias Preventivas da Tuberculose (TPTs) de curta duração, destacando-se como uma alternativa terapêutica relevante. Quando associada à isoniazida, possibilita a redução do tempo de tratamento de 9 meses, com administração diária, para apenas 3 meses, com doses semanais, totalizando 12 doses. O projeto de Farmanguinhos, então, visa uma maior efetividade na prática clínica, uma vez que os tratamentos de longa duração são comprometidos por interrupções frequentes e irregularidades no uso dos medicamentos, causando o surgimento de resistência e dificuldade em controlar a doença.
Esses tuberculostáticos entram, agora, em fase de desenvolvimento industrial, plenamente integrados ao Sistema de Qualidade Farmacêutica, em uma prática que reafirma a capacidade interna de desenvolvimento tecnológico. Além dos medicamentos para tuberculose, formulações contendo benznidazol também estão em fase avançada de desenvolvimento tecnológico, ampliando o papel estratégico de Farmanguinhos para o enfrentamento da doença de Chagas.
“Esses projetos ampliam, de maneira estratégica, o portfólio de medicamentos para tuberculose de Farmanguinhos. Algo que reforça o papel do Instituto como produtor público essencial no desenvolvimento e na garantia de acesso a tratamentos para doenças negligenciadas, em alinhamento com as necessidades do SUS e com as políticas públicas”, explica a coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos, Juliana Johansson.
Inovação e Pesquisa
Para além dos produtos já disponibilizados, Farmanguinhos atua no desenvolvimento de pesquisas voltadas à avaliação de métodos inovadores para o tratamento dessas doenças.
Como exemplo, estão o projeto de desenvolvimento de fitoterápicos para tratamento tópico adjuvante da leishmaniose tegumentar, com ação na redução da parasitemia e na aceleração da cicatrização; o projeto de reposicionamento de fármacos, novas associações terapêuticas e formulações inovadoras para o tratamento da tuberculose multirresistente; e a estratégias voltadas para o mascaramento do sabor de fármacos já utilizados para o tratamento pediátrico da malária.
No âmbito do Laboratório de Síntese de Fármacos (Lasfar), também são estruturados projetos estratégicos voltados ao fortalecimento do enfrentamento da Doença de Chagas. Estudos recentes indicaram que substâncias desenvolvidas pelo laboratório apresentam maior potência terapêutica e menor toxicidade quando comparadas aos fármacos atualmente disponíveis, como é o caso do LASFAR-DC-04, que passa pela etapa de desenvolvimento pré-clínico, com foco na farmacocinética in vitro e in vivo.
O Lasfar também conduz pesquisas focadas no desenvolvimento de um novo processo produtivo para o benznidazol, único fármaco aprovado no Brasil para o tratamento da Doença de Chagas, priorizando métodos mais ágeis, com maior rendimento, menor custo e impacto ambiental reduzido.
Essa mesma estratégia é aplicada a pesquisas voltadas às infecções fúngicas sistêmicas, por meio do desenvolvimento de novas estruturas químicas com potencial para eliminar diferentes espécies de fungos patogênicos.
Atendimento à demanda internacional
É por meio do desenvolvimento contínuo de processos internos que Farmanguinhos transforma compromisso público em reconhecimento internacional.

Em 2025, o Instituto assinou a formalização da parceria que inicia o processo de lançamento, em Portugal, da primaquina. Utilizado no combate à malária, o medicamento desenvolvido por Farmanguinhos/Fiocruz é considerado referência, no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A parceria realizada com a Universidade de Coimbra (UC) e o ICNAS Pharma, visa a colaboração entre as instituições para o auxílio no processo de validação, em território português.
A unidade também possui parcerias para o tratamento de esquistossomose em comunidades endêmicas, como é o caso de países da África Subsaariana. O arpraziquantel foi desenvolvido especificamente para a faixa etária de três meses a seis anos, como parte do projeto Consórcio Pediátrico Praziquantel (https://www.pediatricpraziquantelconsortium.org/), ao qual Farmanguinhos integra como membro. O primeiro tratamento foi administrado em Uganda, como parte do programa ADOPT, além de ser introduzido em países como Costa do Marfim, Quênia, Tanzânia e Senegal.

Estudos deste medicamento também estão sendo realizados no Brasil, enquanto o processo regulatório para a distribuição em território nacional evolui na Anvisa. Anteriormente, o arpraziquantel já havia recebido parecer científico positivo da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), em dezembro de 2023, e foi incluído na Lista de Medicamentos Pré-qualificados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em maio de 2024, o que traz boas perspectivas para o processo de avaliação junto à Agência.
Juntas, essas são práticas que evidenciam o papel ativo de Farmanguinhos/Fiocruz no cumprimento de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, como os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação), além das metas para a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que visam o controle e a eliminação dessas enfermidades.



Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas
Celebrada no dia 30/1, a data foi estabelecida pela OMS para a conscientização sobre doenças comumente presentes em regiões de vulnerabilidades sociais. A iniciativa visa incentivar a mobilização para o controle, o tratamento e a pesquisa, com foco na integração de ações e no envolvimento comunitário para eliminação dessas enfermidades.
Geralmente causadas por vírus, bactérias, parasitas, fungos e toxinas, essas doenças ameaçam mais de 1 bilhão de pessoas apenas no continente americano, segundo o Ministério da Saúde, podendo causar até 1 milhão de mortes por ano






