Autor: Arielle Oliveira Curti (Página 1 de 21)

Diretor do Ministério da Saúde celebra aula inaugural de Farmanguinhos 

Nélio Cezar Aquino destacou a importância dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais para a manutenção da Assistência Farmacêutica  

O ano acadêmico de 2026 do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) começou, oficialmente, na quarta-feira (25/3). Para celebrar esse momento, foi organizada aula inaugural liderada pelo diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Nélio Cezar Aquino, que debateu o papel da produção pública de medicamentos na gestão da assistência farmacêutica.  

“O que somos hoje, enquanto unidade, reforça a nossa sinergia e o nosso entendimento de quem somos. Somos uma unidade estratégica para o Ministério da Saúde, que entrega não somente medicamentos, mas formação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Então, é com muito orgulho que recebemos o doutor Nélio para essa abertura do ano acadêmico, pois nos coloca também como parte integrante para a estruturação de um sistema de saúde mais robusto”, comentou a diretora de Farmanguinhos/Fiocruz, Silvia Santos.

“A existência de laboratórios públicos que atuem em parceria com o Ministério da Saúde é essencial para o funcionamento do Sistema Único de Saúde. Farmanguinhos é um exemplo dessa atuação, uma vez que sem o trabalho do Instituto, enfrentaríamos grandes desafios na gestão de pacientes com doenças negligenciadas e outras enfermidades de alta relevância. Isso, principalmente, pela forte integração da unidade com a política de saúde, orientada por uma visão ampla do contexto da saúde pública e por uma atuação estratégica onde ela é mais necessária”, elogiou o diretor, Nélio Cezar Aquino, antes de iniciar a palestra. 

O evento aconteceu no auditório do contêiner da unidade, no campus Manguinhos, no Rio de Janeiro. Entre os pontos abordados, estiveram a organização do Sistema Único de Saúde (SUS) para a garantia do acesso aos medicamentos; dados e orçamento da assistência farmacêutica no país; e a importância das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) para fortalecer e sustentar o sistema. Além disso, o diretor trouxe dados importantes para o avanço de fitoterápicos dentro do sistema público, que contou com investimento recorde e crescimento cinco vezes maior, segundo a série histórica. 

Na ocasião, também foram apresentados os novos coordenadores do programa acadêmico de Farmanguinhos, André Sampaio e Ana Paula Matos, agora, responsáveis pela gestão do programa de Pesquisa Translacional em Fármacos e Medicamentos no Instituto. 

Centro de excelência e educação 

Em 2026, Farmanguinhos/Fiocruz celebra 50 anos de trajetória, sendo reconhecido por seu compromisso com a saúde pública. “O apoio de cada docente e discente desse programa é o que faz dele único. Teremos um ano letivo intenso, devido aos inúmeros eventos que devem ocorrer ao longo de 2026, mas acredito que em conjunto nós consigamos fazer algo extraordinário”, disse a vice-diretora de Educação, Pesquisa e Inovação, Elaine Rosas.

Além do seu papel essencial na produção de medicamentos, na pesquisa de novas moléculas e no desenvolvimento tecnológico, o Instituto atua como um centro de excelência na educação, contando com dois programas de pós-graduação stricto sensu, voltados para a Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento na Indústria Farmacêutica e para a Pesquisa Translacional em Fármacos e Medicamentos; quatro programas lato sensu, uma residência multiprofissional e diversas iniciativas de formação, como as escolas de verão e inverno, os centros de estudos e as cooperações internacionais.  

“Não existe um detentor apenas do saber. Por isso, reafirmo constantemente que os protagonistas deste programa são os alunos. Afinal, são eles que vão ocupar os cargos prática e ensino nos anos que virão.  Espero que esse seja um ano acadêmico inspirador, para que possamos crescer juntos e aproveitar esse momento”, evidenciou o coordenador do Departamento de Educação, Eduardo Sousa.  

Far na apresentação dos resultados finais dos estudos de implementação clínica do arpraziquantel

O Projeto do Consórcio Praziquantel Pediátrico reuniu as instituições parceiras entre os dias 25 e 27/2, em Utrecht, na Holanda, para a apresentação dos resultados finais dos estudos de implementação clínica do arpraziquantel, medicamento produzido no Brasil por Farmanguinhos para o tratamento da esquistossomose.

O encontro contou com a participação da Coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico, Juliana Johansson, e do responsável pelo projeto arpraziquantel em Far, Daniel Lacerda, que representaram o Instituto no evento.

O Consórcio é uma parceria público-privada internacional dedicada a reduzir o estigma global da esquistossomose e promover melhorias na saúde infantil. A nova opção de tratamento pediátrico, é um comprimido dispersível de 150 mg desenvolvido especificamente para crianças de três meses a seis anos. É palatável e facilmente administrado a crianças em idade pré-escolar.

Além de revisitar a trajetória e as conquistas alcançadas ao longo do projeto, o encontro destacou as estratégias adotadas nas diferentes fases de desenvolvimento do arpraziquantel e promoveu a troca de conhecimentos sobre os estudos de implementação, incluindo a seleção da plataforma e o desenvolvimento do conjunto de ferramentas que sustentam essa etapa.

Saiba mais sobre o projeto: link

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Farmanguinhos investe em melhorias para tratamentos voltados para Doenças Tropicais Negligenciadas

Em um compromisso com a população brasileira, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) preza pela melhoria contínua de seus produtos. Um assunto que ganha ainda mais relevância quando analisado o portfólio da instituição voltado para os tratamentos das chamadas Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) ou Doenças Determinadas Socialmente, comumente presentes em regiões de vulnerabilidade social.

Ao todo, 20 patologias correspondem ao grupo de DTNs, sendo elas hanseníase, dengue, leishmaniose, esquistossomose, raiva humana, escabiose (sarna), doença de Chagas, parasitoses intestinais e tracoma. Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) não classifique tuberculose e malária estritamente como negligenciadas, essas continuam sendo doenças determinadas socialmente, afetando populações mais pobres em quadros graves de coinfecção. E Farmanguinhos oferece 14 tipos de tratamentos para quatro dessas enfermidades.

“Essas doenças ainda representam um grande desafio para a saúde pública mundial, especialmente em regiões marcadas por vulnerabilidades sociais.  E é com excelência técnica que investimos regularmente na produção, pesquisa e desenvolvimento para a ampliação da qualidade dos produtos que oferecemos. Uma missão em que seguiremos firmes para entregar medicamentos essenciais para quem precisa”, disse a diretora da unidade, Silvia Santos.

Um exemplo disso é a recente finalização de protótipos otimizados das formulações de rifapentina e da dose fixa combinada pediátrica isoniazida + rifampicina, projeto conduzido pela Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) do Instituto.

A rifapentina integra as novas Terapias Preventivas da Tuberculose (TPTs) de curta duração, destacando-se como uma alternativa terapêutica relevante. Quando associada à isoniazida, possibilita a redução do tempo de tratamento de 9 meses, com administração diária, para apenas 3 meses, com doses semanais, totalizando 12 doses. O projeto de Farmanguinhos, então, visa uma maior efetividade na prática clínica, uma vez que os tratamentos de longa duração são comprometidos por interrupções frequentes e irregularidades no uso dos medicamentos, causando o surgimento de resistência e dificuldade em controlar a doença.

Esses tuberculostáticos entram, agora, em fase de desenvolvimento industrial, plenamente integrados ao Sistema de Qualidade Farmacêutica, em uma prática que reafirma a capacidade interna de desenvolvimento tecnológico. Além dos medicamentos para tuberculose, formulações contendo benznidazol também estão em fase avançada de desenvolvimento tecnológico, ampliando o papel estratégico de Farmanguinhos para o enfrentamento da doença de Chagas.

“Esses projetos ampliam, de maneira estratégica, o portfólio de medicamentos para tuberculose de Farmanguinhos. Algo que reforça o papel do Instituto como produtor público essencial no desenvolvimento e na garantia de acesso a tratamentos para doenças negligenciadas, em alinhamento com as necessidades do SUS e com as políticas públicas”, explica a coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos, Juliana Johansson.

Inovação e Pesquisa

Para além dos produtos já disponibilizados, Farmanguinhos atua no desenvolvimento de pesquisas voltadas à avaliação de métodos inovadores para o tratamento dessas doenças.

Como exemplo, estão o projeto de desenvolvimento de fitoterápicos para tratamento tópico adjuvante da leishmaniose tegumentar, com ação na redução da parasitemia e na aceleração da cicatrização; o projeto de reposicionamento de fármacos, novas associações terapêuticas e formulações inovadoras para o tratamento da tuberculose multirresistente; e a estratégias voltadas para o mascaramento do sabor de fármacos já utilizados para o tratamento pediátrico da malária.

No âmbito do Laboratório de Síntese de Fármacos (Lasfar), também são estruturados projetos estratégicos voltados ao fortalecimento do enfrentamento da Doença de Chagas. Estudos recentes indicaram que substâncias desenvolvidas pelo laboratório apresentam maior potência terapêutica e menor toxicidade quando comparadas aos fármacos atualmente disponíveis, como é o caso do LASFAR-DC-04, que passa pela etapa de desenvolvimento pré-clínico, com foco na farmacocinética in vitro e in vivo.

O Lasfar também conduz pesquisas focadas no desenvolvimento de um novo processo produtivo para o benznidazol, único fármaco aprovado no Brasil para o tratamento da Doença de Chagas, priorizando métodos mais ágeis, com maior rendimento, menor custo e impacto ambiental reduzido.

Essa mesma estratégia é aplicada a pesquisas voltadas às infecções fúngicas sistêmicas, por meio do desenvolvimento de novas estruturas químicas com potencial para eliminar diferentes espécies de fungos patogênicos.

Atendimento à demanda internacional

É por meio do desenvolvimento contínuo de processos internos que Farmanguinhos transforma compromisso público em reconhecimento internacional.

Em 2025, o Instituto assinou a formalização da parceria que inicia o processo de lançamento, em Portugal, da primaquina. Utilizado no combate à malária, o medicamento desenvolvido por Farmanguinhos/Fiocruz é considerado referência, no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A parceria realizada com a Universidade de Coimbra (UC) e o ICNAS Pharma, visa a colaboração entre as instituições para o auxílio no processo de validação, em território português.

A unidade também possui parcerias para o tratamento de esquistossomose em comunidades endêmicas, como é o caso de países da África Subsaariana. O arpraziquantel foi desenvolvido especificamente para a faixa etária de três meses a seis anos, como parte do projeto Consórcio Pediátrico Praziquantel (https://www.pediatricpraziquantelconsortium.org/), ao qual Farmanguinhos integra como membro. O primeiro tratamento foi administrado em Uganda, como parte do programa ADOPT, além de ser introduzido em países como Costa do Marfim, Quênia, Tanzânia e Senegal.

Photo credits: Kibuuka Makisa/Candid Local

Estudos deste medicamento também estão sendo realizados no Brasil, enquanto o processo regulatório para a distribuição em território nacional evolui na Anvisa. Anteriormente, o arpraziquantel já havia recebido parecer científico positivo da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), em dezembro de 2023, e foi incluído na Lista de Medicamentos Pré-qualificados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em maio de 2024, o que traz boas perspectivas para o processo de avaliação junto à Agência.

Juntas, essas são práticas que evidenciam o papel ativo de Farmanguinhos/Fiocruz no cumprimento de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, como os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação), além das metas para a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que visam o controle e a eliminação dessas enfermidades.  

Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas

Celebrada no dia 30/1, a data foi estabelecida pela OMS para a conscientização sobre doenças comumente presentes em regiões de vulnerabilidades sociais. A iniciativa visa incentivar a mobilização para o controle, o tratamento e a pesquisa, com foco na integração de ações e no envolvimento comunitário para eliminação dessas enfermidades.

Geralmente causadas por vírus, bactérias, parasitas, fungos e toxinas, essas doenças ameaçam mais de 1 bilhão de pessoas apenas no continente americano, segundo o Ministério da Saúde, podendo causar até 1 milhão de mortes por ano

Projeto transforma blísteres de Farmanguinhos/Fiocruz em móveis planejados

Parceria com startup reforça os valores voltados para a responsabilidade socioambiental defendida pela unidade

Embalagens de medicamentos do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) estão sendo transformadas em móveis ecológicos. Iniciativa recolhe blísteres que são descartados após o ajuste das máquinas, durante a etapa fabril, sem ter qualquer contato com os medicamentos ou apresentar risco de contaminação.

Para isso, o Instituto conta com a parceria da startup Menzani. A conexão entre as instituições se deu por meio de empresa especializada que já recebia os blísteres de Farmanguinhos, para a realização do processo de micronização e separação do PVC e alumínio, que compõem os blísteres, e posterior encaminhamento a empresas fabricantes de móveis ecológicos.

Além de gerar economia financeira para a instituição, a prática reduz o envio de materiais com potencial de reciclagem para aterros sanitários e reforça a responsabilidade socioambiental defendida pelo Instituto. “Nós buscamos parcerias para a reutilização desse material, promovendo um impacto ambiental positivo, alinhado aos valores da nossa instituição. Trata-se do retorno ao ciclo de vida de um material que, até então, não possuía reaproveitamento, gerando benefícios ambientais significativos”, explica a gestora do Centro de Segurança do Trabalho e Gestão Ambiental de Farmanguinhos, Denise Barone.

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