Categoria: Destaques

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Webinar apresenta estudos sobre praziquantel pediátrico

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Tecnologia em tempos de pandemia

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No terceiro episódio da série “O que eu fiz durante a Pandemia?”,  Ivan Araújo, do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), conta como tem sido o trabalho da área durante essa nova realidade e os aprendizados e resultados obtidos nesse período

A pandemia de Covid-19 pegou a todos de surpresa. Durante as primeiras semanas de isolamento social, a equipe do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI) teve que se reinventar para manter as atividades de Farmanguinhos em funcionamento de forma remota, total ou parcialmente, utilizando os recursos disponíveis ou buscando novas soluções.

Para saber como foi esse processo de adaptação da área à nova realidade e também conhecer os trabalhos desenvolvidos ao longo desse período, confira abaixo o nosso bate-papo com o gestor do setor, Ivan Araújo.

Ivan, que atua como Gestor do Departamento de Tecnologia da Informação desde 2016, lidera uma equipe com 23 colaboradores. (Foto: Tatiane Sandes)

Como tem sido a rotina de trabalho do Departamento durante a pandemia?

No começo foi bastante desafiador, devido à urgência da necessidade de disponibilizar recursos de TI para os colaboradores exercerem suas atividades remotamente.

A comunicação inicial se deu pelo grupo de WhatsApp da área. Depois, passamos a utilizar o recurso de reunião e chat do Teams, nossa principal ferramenta hoje. 

Assim como as demais áreas, estamos em regime de escala para a maioria dos colaboradores. Porém, devido à demanda, que já era grande, ter aumentado ainda mais durante a pandemia, parte da equipe está trabalhando presencialmente de forma integral.

Quais foram os principais desafios enfrentados para o desempenho das atividades em home office?

Problemas com a Internet dos colaboradores, seja pela qualidade ou pela indisponibilidade (causada por vários fatores, como o furto de cabo por exemplo), profissionais que não possuem computador ou cujas máquinas têm capacidade inferior ao necessário para o desempenho das atividades. Além desses problemas, posso destacar a compatibilização pessoal com o profissional, afinal o restante da família também está em home office.

Como vocês fizeram para manter as atividades diante dessa nova realidade?

As equipes de TI já estão acostumadas a atuar em projetos com consultores trabalhando remotamente, com reuniões por videochamadas e demais interações. Portanto, é algo natural para a equipe.

O desafio que tivemos foi principalmente de infraestrutura, pois os projetos antes da pandemia se davam em uma dinâmica em que tanto os nossos colaboradores quanto os colaboradores das empresas parceiras estavam em um ambiente empresarial com recursos de internet e computação que garantiam a qualidade das atividades.

Com todos operando de casa essa dinâmica ficou bastante prejudicada.

Ações implementadas – Além do apoio dado aos colaboradores em trabalho presencial ou remoto para o desempenho de suas funções, o DTI também desenvolveu projetos e atividades relevantes à instituição durante esse período de pandemia. Confira, abaixo, algumas dessas ações.

(Ilustração: Gestão à Vista VDGI)

Atualmente, quais são os projetos em andamento?

Estamos atuando em vários projetos, dentre eles: ampliação do nosso sistema de atendimento (GLPI)  para dar suporte a outras áreas (RH, Logística e Comunicação), melhorias no SAP (reimplementação do módulo HCM TIME, inclusão de casa decimal no campo quantidade de medida grama, reestruturação de SD e implementação dos módulos de custos e demonstrativo do BPC), aumento de capacidade da caixa de e-mail, dentre outros.

Equipe do DTI durante reunião virtual da área

O que você destacaria como aprendizado/ganho obtido nesse período?

Melhoria na comunicação com a equipe e maior independência dos nossos colaboradores, com as atividades sendo delegadas e executadas de maneira remota, gerando um sentimento maior de responsabilidade. Também houve ganho de qualidade de vida, principalmente para os colaboradores que moram distantes do trabalho e puderam usufruir do home office ainda que parcialmente.

Sobre Ivan Araújo – Formado em Redes de Computadores pela Universidade Estácio de Sá, é também pós-graduado em Segurança de Redes de Computadores pela mesma universidade.  Entrou em Farmanguinhos em 2013, como Tecnologista em Saúde Pública, e desde 2016 atua como Gestor do Departamento de Tecnologia da Informação, cuja equipe é composta por 23 colaboradores.

Duas bolsistas de Farmanguinhos concorrerão ao Prêmio Destaque CNPq

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Hellen Souza e Carolina Farias estão entre os cinco estudantes da Fiocruz selecionados para a premiação anual, oferecida aos bolsistas do CNPq em instituições de ensino e pesquisa de todo o Brasil

Ao longo de sua história, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) fez importantes contribuições à saúde pública e ao conhecimento científico. Neste ano, mais uma vez, a unidade se destaca pela sua atuação na área de pesquisa: duas de suas bolsistas, Hellen Souza e Carolina Farias, foram indicadas para concorrer ao 18º Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O resultado será divulgado pela instituição até 15 de junho.

As bolsistas Laboratório de Síntese de Fármacos (LASFAR) estão entre os cinco alunos que foram selecionados por um comitê de avaliação constituído pelos coordenadores dos Programas de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) e Iniciação Tecnológica e Inovação (Pibiti), vinculados à Vice-presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz. Foram avaliados vários critérios de mérito, tais como relevância e qualidade do relatório final, originalidade e inovação, aplicação prática da pesquisa para a solução de problemas concretos e com resultados finais, histórico, dentre outros.

Hellen Souza, orientada pelo pesquisador Lucas Hoelz, foi indicada para a categoria Pibic.  A bolsista vem atuando em Modelagem Molecular, utilizando técnicas computacionais para investigar os fatores envolvidos no processo de inibição da enzima cruzaína, do parasito Trypanosoma cruzi, que é o causador da doença de Chagas, enfermidade parasitária que mais mata no Brasil e no restante da América do Sul.

 

Já para a categoria Pibiti, a selecionada foi Carolina Farias, orientada pela pesquisadora Núbia Boechat e coorientada pelo Dr. Frederico Branco. A estudante tem atuado na síntese de novos derivados análogos ao benznidazol, também para a doença de Chagas. O benznidazol é um fármaco antigo, que causa muitos efeitos colaterais, mas é o único aprovado no país para tratar esta doença. O objetivo do projeto é o desenvolvimento, através de técnicas de química medicinal, de novas substâncias que possam ser candidatas a fármaco e que, apesar de serem parecidas com o benznidazol, possam ser mais eficazes e menos tóxicas.

 

Notoriedade – De acordo com a vice-diretora de Educação, Pesquisa e Inovação da unidade, Núbia Boechat, as pesquisas do Instituto têm características menos acadêmicas e mais voltadas à geração de novos produtos e soluções que possam ter impacto direto ao Sistema Único de Saúde (SUS), o que o torna relevante para a Fiocruz.

“Considerando que Farmanguinhos é a única unidade com vasta experiência nas áreas de síntese química e de produção e desenvolvimento de medicamentos, a nossa pesquisa se destaca dentro do universo da Fiocruz e mantém a nossa Fundação em evidência nesses campos tão importantes para o SUS”, ressalta.

A vice-diretora também destaca a importância dessa indicação para as estudantes e para a instituição.

“O maior ganho para o aluno é, sem dúvidas, o reconhecimento de seu trabalho e desempenho no início de sua longa jornada na carreira científica. Já para Farmanguinhos, mostra o quão o Instituto é reconhecido também como uma unidade que faz ciência. Realmente, é gratificante e me deixa muito feliz, pois denota a grande dedicação das duas alunas. É importante ressaltar que a maioria dos nossos alunos de mestrado e doutorado, assim como muitos dos nossos pesquisadores, antes de alcançarem esse nível profissional, fizeram iniciação científica e tecnológica em nossos laboratórios. Desta forma, isso reafirma também o nosso papel de formação de cientistas que sejam cientes do seu papel e de sua importância para atender as demandas do SUS e de nossa população”, frisa.

Sobre o Prêmio – A bolsa de Iniciação Científica é uma modalidade concedida pelo CNPq desde sua fundação, em 1951. Inicialmente, o principal objetivo da bolsa era despertar jovens talentos para a ciência. Ao longo do tempo, os objetivos dessa modalidade foram ampliados e diversificados. Atualmente, a Iniciação Científica e Tecnológica é concedida por meio de programas institucionais via Chamadas Públicas de propostas lançadas periodicamente e por quotas ao pesquisador PQ.

Para mais informações, acesse: http://premios.cnpq.br/

 

 

Farmanguinhos no combate à Tuberculose

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Para marcar o Dia Mundial de combate à Tuberculose, o Instituto divulga suas iniciativas para o enfrentamento da doença

A tuberculose é um grave problema de saúde pública mundial. Embora seja passível de ser prevenida, tratada e mesmo curada, milhares de pessoas ainda adoecem e morrem devido à doença e suas complicações, principalmente pelo abandono do tratamento. Nesse cenário, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) vem desenvolvendo diversas ações que visam a combater a enfermidade, dentre as quais, pesquisas de novos fármacos, desenvolvimento de novas formulações e produção de medicamentos a serem distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em 2020, Farmanguinhos enviou mais de 16 milhões de unidades farmacêuticas de diferentes tuberculostáticos ao Ministério da Saúde. Os medicamentos foram distribuídos a todos os estados, de acordo com a necessidade de cada unidade federativa, a fim de garantir o acesso à população ao tratamento. Neste ano, a previsão é encaminhar cerca de 31 milhões de unidades no total.

O portfólio de tuberculostáticos é composto por quatro medicamentos: etionamida, isoniazida, isoniazida + rifampicina e o 4×1, chamado assim por reunir em um único comprimido quatro princípios ativos: isoniazida, rifampicina, etambutol, pirazinamida. Esta Dose Fixa Combinada (DFC) facilita a rotina do paciente, que substitui os quatro comprimidos diferentes por somente um, motivando-o a seguir com o tratamento até a cura da doença. O medicamento é fruto de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre Farmanguinhos e o laboratório indiano Lupin.

4×1: o medicamento reúne em um único comprimido quatro princípios ativos (Foto Thelma Vidales)

Pesquisas – Além dos medicamentos disponíveis, o Instituto desenvolve pesquisas a fim de chegar a novas formulações para a tuberculose. O grupo de Síntese de Substâncias no Combate à Doenças Tropicais (SSCDT), por exemplo, prioriza estudos científicos e tecnológicos para combate à enfermidade. Atualmente, a equipe tem trabalhado no reposicionamento do fármaco mefloquina e derivados sintetizados. Os resultados têm sido promissores, apresentando uma potente atividade antituberculose, inclusive em bactérias multirresistentes com sinergismo diante dos diferentes fármacos utilizados no tratamento dessa doença.

“Essa invenção foi patenteada e a próxima etapa é testar clinicamente esse fármaco. Outra invenção que tem apresentado bons resultados é a utilização do produto natural cânfora como matéria-prima na síntese e avaliação biológica de novas substâncias no combate à doença”, revela Marcus Nora, coordenador da equipe de pesquisa.​

Já o Laboratório de Síntese de Fármacos (LASFAR) tem atuado em duas linhas de pesquisa. A primeira delas compreende o processo de otimização da síntese da isoniazida, que é um fármaco de primeira escolha para o tratamento da forma ativa da tuberculose, tanto na fase intensiva quanto na fase de manutenção. Além disso, a isoniazida também é usada no tratamento da tuberculose latente e, portanto, é um fármaco essencial para o SUS. Esse projeto, que é realizado em parceria com o SENAI, tem objetivo de aumentar a eficiência e diminuir os custos de produção e já apresenta resultados preliminares positivos.  Outra linha de pesquisa está ligada ao desenvolvimento de uma nova geração de derivados da isoniazida, que visa a contornar alguns dos principais limitantes desse fármaco.

“Essas novas substâncias têm como objetivo diminuir a metabolização que a isoniazida sofre e que afeta a sua eficácia em alguns indivíduos. Além disso, esses novos derivados apresentam maior potência contra a bactéria que causa a tuberculose e possuem menor toxicidade celular, sendo ótimo potencial em modelo animal experimental. Por esse motivo, nós fizemos diversos pedidos de patente dessas novas substâncias, sendo que dois já foram concedidos: o americano e o indiano. Esse projeto foi considerado prioritário pela unidade e está recebendo investimentos para a realização de importantes etapas de desenvolvimento pré-clínico”, destaca o pesquisador Frederico Castelo Branco.

Fruto de um redesenvolvimento interno, o medicamento une Isoniazida e Rifampicina em um único comprimido. (Foto: Tatiane Sandes)

Desenvolvimento – Recentemente, o medicamento isoniazida + rifampicina passou por um projeto de redesenvolvimento, liderado pela Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos, para chegar a esta nova apresentação, com os dois princípios ativos em um único comprimido revestido. Além disso, a unidade também obteve êxito em seu pós-registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), permitindo a utilização do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) rifampicina do fabricante Sanofi para a produção do medicamento. Tal resultado viabiliza a produção em Farmanguinhos e a distribuição adequada para o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) do Ministério da Saúde.

Deste modo, seja por meio da pesquisa de novas formulações terapêuticas ou da produção de medicamentos essenciais para o tratamento dessa doença negligenciada, Farmanguinhos tem cumprido seu papel estratégico para o país, destacando-se como o maior laboratório público nacional e contribuindo ao longo dos anos para a saúde pública brasileira.