Autor: Assessoria de Comunicação (Página 1 de 9)

Fiocruz, Merck e Nortec irão produzir medicamento oral para esclerose múltipla no Brasil

A Fiocruz, a Merck e a Nortec Química anunciaram um novo acordo de transferência de tecnologia que ampliará a autonomia nacional na produção de medicamentos para o tratamento de esclerose múltipla (EM). A cladribina oral, com o nome comercial Mavenclad®, passará a ser produzida no Brasil e distribuída para o Sistema Único de Saúde (SUS). Esta iniciativa fortalece o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis) e amplia o acesso dos pacientes brasileiros à terapia oral de curta duração, capaz de reduzir surtos e retardar a progressão da doença. O projeto é o segundo entre a Fiocruz e a Merck na área terapêutica.

“Para a Fiocruz este é um passo na sua estratégia de ampliar a carteira de produtos ofertados ao SUS. Ao mesmo tempo, estreita laços tecnológicos com seus parceiros nacionais e internacionais, diversificando sua rede de cooperações. Mais uma ação da Fundação em favor do acesso, neste caso, um medicamento contra a esclerose múltipla”, afirma o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. “Cerca de 40 mil brasileiros convivem com a doença, sendo 85% mulheres. A importância estratégica de um laboratório público é esta: consolidar o Ceis para garantir a sustentabilidade dos programas do SUS, gerando empregos especializados, reduzindo preços e mantendo a qualidade dos produtos”.

O medicamento é inovador por ser o primeiro tratamento oral de curta duração e eficácia prolongada para esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). Com administração de até 20 dias ao longo dois anos de tratamento, oferece benefício sustentado por até quatro anos, reduzindo recaídas e a progressão da doença. Atualmente, é o único tratamento para esclerose múltipla incluído na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde. A parceria de produção do medicamento será firmada entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e a Merck. 

Diretora de Farmanguinhos/Fiocruz, Silvia Santos destaca a relevância do medicamento para a saúde pública brasileira. “Para nós, participar dessa parceria com a Merck e a Nortec é reafirmar o nosso compromisso com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos inovadores, produzidos em território nacional. É um caminho importante para a transformação de políticas públicas em cuidado real para quem mais precisa”, observa. A cladribina será o primeiro medicamento disponibilizado pelo Instituto para o tratamento da esclerose múltipla, marcando a expansão do portfólio, que atualmente contempla terapias voltadas a doenças negligenciadas e de alto valor agregado.

Novas análises do estudo com cladribina oral foram apresentadas no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) e demonstraram que pacientes com EMRR tiveram a lesão neuronal reduzida em dois anos. Estudos recentes verificaram também que, ao longo de uma mediana de 11 anos de acompanhamento de 435 pacientes, 90% não precisaram de cadeira de rodas; 81,2% não necessitaram de qualquer apoio para caminhar; e 55,8% não precisaram fazer uso de nenhum outro medicamento para EM4.

A Merck tem mais duas parcerias com a Fiocruz em andamento no Brasil. Elas incluem a betainterferona 1a (Rebif®), também para o tratamento da esclerose múltipla, com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e Bionovis; e o arpraziquantel, para o tratamento da esquistossomose em crianças de três meses a seis anos, cuja tecnologia foi transferida para Farmanguinhos/Fiocruz no âmbito do Consórcio Praziquantel Pediátrico.

“A expertise da Merck em colaborar com o setor público é resultado de uma trajetória centenária no Brasil, marcada por inovação e compromisso com a saúde. Somos pioneiros no tratamento da esclerose múltipla e nosso propósito se fortalece com essa segunda transferência de tecnologia na área”, afirma a diretora-executiva da Merck Brasil, Maria Sol Quibel.

A colaboração entre Merck, Fiocruz e Nortec será formalizada com a assinatura de um termo de compromisso, integrando as ações prioritárias do Ceis. O Ceis é um pilar fundamental para garantir soberania sanitária, promover inovação tecnológica e assegurar o acesso universal a tratamentos eficazes por meio do SUS.

“A Nortec Química tem um longo histórico de cooperações com a Fiocruz, produzindo no Brasil Insumos Farmacêuticos Ativos [IFAs] essenciais para o SUS. A produção nacional de IFAs garante a autonomia do país no abastecimento desses produtos essenciais para a saúde pública, gera empregos, e aumenta a densidade tecnológica da indústria química no Brasil. A parceria com a Merck nos permite trazer mais este medicamento inovador e abre novas portas de pesquisa e desenvolvimento”, afirma o diretor-presidente da Nortec Química, Marcelo Mansur. 

Esclerose múltipla – a doença crônica e degenerativa do sistema nervoso central afeta o cérebro e a medula espinhal, causando sintomas neurológicos. Caracterizada por ser inflamatória, a esclerose múltipla pode resultar danos significativos e incapacidade progressiva. A evolução, gravidade e sintomas não são uniformes, podendo ser graves ou leves, fazendo com que o paciente demore meses ou anos para procurar assistência médica.

A prevalência da doença tem mostrado variações significativas, associadas a fatores genéticos, ambientais e socioeconômicos. No Brasil, a EM afeta cerca de 35 mil pessoas, variando de região para região. Consideram-se fatores de risco idade, sexo, genética e exposições ambientais, como a deficiência de vitamina D e o tabagismo.

 

Reologia aplicada ao desenvolvimento de medicamentos é tema do Centro de Estudos

Saberes tradicionais e científicos se unem em fitoterápico para distúrbios urinários

Primeiro medicamento com a planta quebra-pedra é fruto da parceria entre MMA, Fiocruz e PNUD

(mais…)

Parceria entre Fiocruz e iniciativa privada obtém suplemento alimentar veterinário

Pesquisa para desenvolver fitoterápico humano à base de planta abriu portas para produto disponível para cães, gatos e equinos

(mais…)

Cerimônia em Portugal marca conclusão de curso em regulação de fármacos

Texto: Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)

Mais um passo na parceria de longa data entre a Fiocruz, a Universidade NOVA de Lisboa e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT). Na segunda-feira (28/4), em Lisboa, foi realizada a sessão de encerramento do curso Desenvolvimento, regulação e gestão de fármacos e medicamentos: desafios e oportunidades nos países de língua portuguesa, fruto de um acordo entre as instituições.

Curso em Portugal.
Cerimônia contou com a participação do diretor de Farmanguinhos/Fiocruz, Jorge Mendonça (foto: Divulgação)

No âmbito da cooperação com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a formação conjunta valorizou a produtividade na área científica, sendo concluída de forma híbrida com êxito, o que permitiu atender alunos em diferentes partes do mundo.

 A cerimônia contou com a participação do diretor do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), Jorge Mendonça, e do diretor do IHMT NOVA, Filomeno Fortes, que ressaltaram a importância estratégica da cooperação. Os alunos apresentaram seus trabalhos de conclusão de curso e debateram resultados.

Durante a cerimônia, Filomeno Fortes agradeceu os esforços de todos os envolvidos, desde os alunos aos professores, e disse esperar que esse seja um precursor de mais cursos no âmbito desta cooperação. Ele valorizou ainda a formação, que explicou passar por todas as etapas da regulação de fármacos, pela CPLP.

“Concluir esta parceria traz mais motivação para a construção de novos projetos em cooperação com o Instituto de Higiene e Medicina Tropical e a Universidade NOVA de Lisboa, principalmente voltados para a difusão do conhecimento. Este curso também proporcionou a qualificação de profissionais dos países africanos, onde Farmanguinhos iniciou o fornecimento de medicamentos para o tratamento da esquistossomose, e tem o interesse de em ampliar as ações para a cobertura de doenças negligenciadas em áreas endêmicas”, afirmou Jorge Mendonça. O diretor de Farmanguinhos/Fiocruz entregou certificados aos alunos pela conclusão da formação e os parabenizou pela dedicação.

Na chamada desta edição do curso, foram mais de 500 inscrições, sendo selecionadas e matriculadas 134 pessoas e, ao final, uma média de 80 participantes de países como Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Brasil. Foram ofertados 15 módulos, contemplando um total de 27 aulas.

Cooperação em educação

Farmanguinhos/Fiocruz e o IHMT NOVA têm um acordo de cooperação desde 2018 que abrange as áreas de pesquisa, desenvolvimento, inovação e educação. Foram publicados diversos artigos científicos e dois livros. Em 2024, foi ofertada e concluída disciplina internacional (Dinâmica da Inovação em Saúde e Empreendedorismo Social e Industrial) entre o curso de doutorado em Saúde Global do IHMT e os programas profissional e acadêmico de Farmanguinhos/Fiocruz, com apoio da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz).

Página 1 de 9