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Maria José Alves é Gente de Far

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“Querer é poder”. Quem nunca ouviu essa frase? Pode parecer até clichê, mas essa citação define muito a nossa entrevistada do Gente de Far, que começou sua carreira na unidade, em 2005, como auxiliar de serviços gerais, e, sempre que limpava algum laboratório, se imaginava trabalhando naquele local. Com muito esforço, se formou em Biologia e há 9 anos atua na Seção de Controle Microbiológico, dentro do laboratório, analisando medicamentos, matérias-primas, materiais de embalagem, água e o ambiente fabril. Conheça a história e a trajetória profissional de Maria José Alves.

Uma mistura da mãe e do pai, tanto no nome quanto na personalidade. Zezinha, Zezi, Zequinha, Zé, Zezé… cheia de apelidos, ela revela que, quando criança, não gostava do nome. “Eu não gostava do meu nome e sempre dizia que, quando eu crescesse, que tivesse 18 ou 19 anos, eu iria mudá-lo. Teve uma época que eu queria me chamar Gabriela, depois Marisa. Inclusive, na oitava série, eu assinava as provas como Marisa e os professores ficavam loucos, pois não havia ninguém com esse nome na turma. Minha mãe foi chamada na escola e eu apanhei por isso”.

Zezé com os irmãos durante encontro da família

Criada no bairro de Vargem Grande, onde mora até hoje, a filha da dona Nair Maria e do seu José teve uma infância simples. Ela e seus sete irmãos, sendo uma antes da caçula, cresceram em um sítio, onde seu pai mantinha uma plantação de banana para garantir o sustento da família. Com carinho, ela relembra dessa época:

“Minha mãe era do lar e meu pai, feirante. Ele plantava banana e vendia na feira da Rocinha. Éramos pobres, mas felizes. Eu era muito levada e apanhava todos os dias da minha mãe. Já fiz muita arte, como jogar pedra no telhado do vizinho e tacar fogo no galinheiro. Naquela época, não tínhamos muitos recursos e brinquedos como hoje, mas a gente se divertia muito. Eu gostava de brincar de cozinhar usando um fogão improvisado de pedra e panelas feitas com latas de sardinha e de leite. Também brincava de pique lateiro, amarelinha… Eu tive uma infância muito boa”, conta.

E se tinha algo que Zezé detestava, quando nova, era estudar. Sua mãe sempre falava da importância dos estudos, mesmo sem muita instrução, mas ela nunca deu atenção. Inclusive, ela ficou 22 anos longe da escola por opção (algo que se arrepende).  Mas sua percepção mudou quando entrou em Far, onde vislumbrou a oportunidade de retomar seus estudos e crescer na instituição, tornando-se uma referência para sua família, sendo a primeira com ensino superior.

“Imagina a honra da minha mãe se ela estivesse viva. Logo eu, a rebelde, que fugiu da escola, ser a primeira a se formar. Na verdade, a única entre os meus irmãos. Ela ficaria muito orgulhosa”, ressalta.

Mas antes de falarmos sobre essa história de superação, precisamos retomar a sua trajetória no Instituto. Emocionada, Zezé narra como chegou aqui:

“Eu entrei aqui, em 2005, para trabalhar como auxiliar de Serviços Gerais. Eu fiquei impressionada com o que vi (um lugar grande e cheio de computadores), algo que eu não estava acostumada. Eu limpava as salas, mas o que mais chamava a minha atenção eram os laboratórios. Eu me imaginava trabalhando em um deles. Com o tempo, o interesse aumentava e foi aí que decidi investir nos estudos. Eu havia terminado o segundo grau, em 2002, e, com o dinheiro que sempre sobrava do meu salário, e com o incentivo dos meus colegas de trabalho, comecei a fazer faculdade de Biologia na Souza Marques. O mais engraçado é que, quando eu era pequena, eu era fascinada por essa instituição de ensino, eu amava o uniforme e sonhava em estudar lá, mas meus pais não tinham condições. Depois de tanto tempo, eu consegui”.

Fotos do período em que trabalhava como auxiliar de Serviços Gerais

Em 2007, com o término do contrato da empresa de limpeza, Zezé saiu de Far. “Eu não queria sair daqui de jeito nenhum, mas a empresa que entrou estava oferecendo um salário muito baixo. Eu precisava manter meus estudos”, conta.

No ano de 2009, ela recebe um convite para voltar ao CTM. Desta vez, para trabalhar no restaurante, como auxiliar administrativo. “Eu nem acreditei que eu estava voltando a trabalhar em Farmanguinhos. Quando cheguei aqui, quase que eu beijei o chão! Eu agradeci tanto a Nossa Senhora da Penna (igreja que fica no alto de uma pedra e que conseguimos ver aqui do CTM). Chorei e tudo, pois tenho paixão e orgulho em trabalhar nessa instituição, de contribuir, de alguma forma, com a saúde da população”, revela.

Mas a atuação no restaurante durou apenas um ano. Em 2010, por intermédio da sua chefe imediata do restaurante, Ivana, conseguiu transferência para a Microbiologia, onde passou a atuar como auxiliar de laboratório e a colocar em prática os ensinamentos que estava obtendo na faculdade. E lá se vão 9 anos se dedicando as análises de cada etapa do processo produtivo.

No Laboratório de Microbiologia, ao lado das amigas Patrícia e Carla.

Engana-se quem pensa que Zezé sempre sonhou em ser bióloga. “Eu fiz auxiliar de Primeiros Socorros e auxiliar em Enfermagem, na Cruz Vermelha. Gostei tanto de Enfermagem, que resolvi fazer o Técnico no Curso Tavares Lira.  Queria fazer faculdade, mas era muito cara. Por indicação, optei pela Biologia, já que também me permitiria trabalhar na área de saúde e atuar em laboratório. Comecei a pesquisar e me interessei. Além disso, também contei com o incentivo de amigos de Far, como a Neuza Orlando, Jorge Alexandre (que não trabalha mais aqui), Patricia Costa e Carla Mororó. Essas últimas, me ajudaram muito. Tudo o que eu sei, eu aprendi com elas. Ao final, eu acabei me identificando com a Biologia. Entretanto, em Far, eu consigo atuar nas minhas demais áreas de conhecimento, uma vez que faço parte da Brigada de Incêndio da unidade. Uma oportunidade para ajudar e ainda fazer o que gosto”, expõe. 

Orgulhosa, Zezé mostra os resultados obtidos após uma análise de água.

Sobre a sua rotina, ela explica como funciona a atuação da Microbiologia: “Imagina que você precisa fazer um bolo. Você tem que avaliar a forma, os ingredientes… assim é a Microbiologia, para produzir um medicamento, é necessário analisar tudo que irá compô-lo, não só as matérias-primas, como também os maquinários e o local da fabricação”.

Maria José fazendo análises dentro da Sala de Testes

Quando questionada sobre o seu maior desafio profissional, ela não titubeia e responde: “A primeira vez que eu trabalhei sozinha na sala de teste, onde os produtos são avaliados, foi muito desafiador. Na ocasião, analisei o xarope Sulfato Ferroso. Fiquei receosa no início, pois são muitas informações e detalhes que precisam de atenção, mas no fundo eu sabia que eu podia, que eu estava preparada. Por isso que eu digo que todo mundo é capaz de aprender alguma coisa, mesmo com toda dificuldade. Se você quer, você pode”.

E quem disse que ela está satisfeita? Em relação ao futuro, Zezé anuncia seus planos: “Quero retomar a pós-graduação em Microbiologia e fazer faculdade de Química”.

“ Sem o esforço da busca é impossível a alegria do encontro”.
Autor desconhecido

Por fim, após compartilhar a sua frase preferida, ela faz uma reflexão sobre a sua história:  “Na minha vida, tudo que eu pensei que eu sonhei, se concretizou. Algumas coisas levaram tempo, mas consegui. Quem diria que eu estudaria na Souza Marques, que eu voltaria a trabalhar em Far, que eu atuaria com microbiologia e dentro de um laboratório? Querer é poder!”, conclui.

Zezé durante viagem ao Chile

Divisão de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico (DGDT)

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Carla Justino, do Laboratório de Validação e Métodos Analíticos (LDVA), realiza o perfil de dissolução do isoniazida + rifampicina, em fase de desenvolvimento

Farmanguinhos é um laboratório ímpar no país, por abarcar toda a cadeia produtiva de um medicamento, desde a pesquisa de base até o produto final. A instituição é um braço estratégico do Ministério da Saúde, inclusive na condução das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Apesar de toda a importância que essa política de estado representa para o país, a unidade atua também no desenvolvimento interno de novos produtos.

Neste sentido, a Divisão de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico (DGDT), vinculada à Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), é a área que congrega todas as atividades inerentes à realização de estudos internamente, ou seja, não provenientes de PDP. “São projetos de desenvolvimento a médio e longo prazo, que envolvem um grau de incerteza intrínseco ao desenvolvimento tecnológico, o que é diferente da transferência de tecnologia”, ressalta Juliana Johansson, coordenadora da área.

Ela tem a importante tarefa de coordenar uma área que envolve quatro setores, sendo o Escritório de Projetos e três laboratórios. Em relação ao Escritório de Projetos, além de Juliana, o setor é composto por mais três profissionais, que executam a função de gerentes de projetos: Lucyenne Barbosa, Graça Guerra e Daniel Lacerda. Eles são responsáveis por acompanhar todos os projetos em seu ciclo de desenvolvimento tecnológico.

Esses projetos internos são elencados a partir de demandas do Ministério da Saúde. Para se ter uma ideia, atualmente, o Instituto conta com 18 projetos institucionais de desenvolvimento ou redesenvolvimento de medicamentos, ou seja, estudos realizados internamente. “São projetos de desenvolvimento e redesenvolvimento com diversos objetivos específicos em seu escopo”, ressalta a coordenadora.

A estrutura do DGDT é composta ainda por dezenas de profissionais alocados em seus respectivos laboratórios: Laboratório de Tecnologia Farmacêutica (LTF), Laboratório de Validação e Métodos Analíticos (LDVA) e o Laboratório de Estudos do Estado Sólido (LEES). “O desenvolvimento tecnológico propriamente dito ocorre nesses três laboratórios. O LTF desenvolve as formulações e os processos produtivos; o LDVA desenvolve e valida as metodologias analíticas; e o LEES é responsável por todo o estudo de caracterização do estado sólido”, salienta a servidora.

Daniel Lacerda, Juliana Johansson, Thiago Costa, do LTF, Rafael Seiceira, do LEES, Graça Guerra, Lucyenne Barbosa, e Diogo Dibo, do LDVA

Ela observa que os projetos de absorção tecnológica, isto é, proveniente de PDP, também passam também pela DGDT, uma vez parte do suporte técnico é fornecido pelos laboratórios vinculados à área. “Contribuímos no processo operacional das transferências de tecnologia, principalmente pela atuação do LTF e do LEES, e a gestão das PDP é realizada pela AGPAT (Acompanhamento da Gestão de Absorção Tecnológica)”.

Atividades – Com essas funções definidas, a DGDT fica responsável pelo desenvolvimento e redesenvolvimento internos de formulações, processos produtivos e metodologias analíticas. Além disso, há também projetos com parcerias externas, dentre os quais, o Praziquantel Pediátrico, cuja formulação está sendo viabilizada por meio de uma cooperação entre empresas de diferentes países, grupo esse denominado Consórcio Internacional Praziquantel Pediátrico.

“Esse projeto traz muito conhecimento para Farmanguinhos, principalmente sobre a dinâmica internacional de registro. Ele abre horizontes de conhecimento e pode nos auxiliar também na qualificação de outros produtos nossos. Adquirimos muitos conhecimentos em procedimentos para fazer um desenvolvimento tecnológico que, desde o início, sela elaborado com formato que nos permita conseguir registros internacionais, ou uma pré-qualificação mais rapidamente junto à Organização Mundial da Saúde (OMS)”.

Além desta importante iniciativa internacional, Farmanguinhos, por meio da DGDT, tem parceria com o René Rachou (CPRR/Fiocruz Minas) para o desenvolvimento do gel de paramomicina, antibiótico para leishmaniose cutânea.

Além destes, há a iniciativa para o desenvolvimento de um antirretroviral para as crianças que vivem com o vírus HIV/Aids. “O trabalho do meu Doutorado é o desenvolvimento do atazanavir pediátrico para atender a uma demanda do Ministério da Saúde. Ainda não estamos com o projeto oficialmente aberto, mas a tendência é que, com o amadurecimento do estudo, e constatada a viabilidade desse investimento, é possível que se torne oficial. Estamos buscando patrocínio em agências de fomento para tentar viabilizar mais este desenvolvimento”, destaca Juliana.

A servidora argumenta que esse medicamento foi uma demanda do Ministério da Saúde e que esse projeto está sendo trabalhado em parceria com outras unidades da Fiocruz e outras instituições, como a UFRJ, por exemplo.

“A DGDT trabalha com pesquisa voltada para atender a saúde pública a médio prazo. Os projetos de pesquisa básica são muito relevantes, mas têm um olhar mais de longo prazo. Nossa missão é desenvolver pesquisas aplicadas, por meio de desenvolvimento tecnológico, para gerar produto em um prazo menor. É com essa visão que estou buscando capacitar a equipe e fortalecê-la para trabalharmos a fim de concretizar entregas ao Ministério num cenário mais próximo”, argumenta.

Além da visão estratégica para atender as demandas do Ministério da Saúde, a DGDT atua também no redesenvolvimento de produtos, processos e métodos analíticos que requerem melhorias, através dos laboratórios que dão suporte à área produtiva. Trata-se da atuação em pós-registro, que inclui implementações de melhorias, alteração de equipamentos e otimizações, sejam tecnológicas, produtivas ou econômicas.

“A DGDT nos permite estudar o tempo todo, é uma área que não esgota a formação nunca. Temos uma equipe multidisciplinar. O LTF é composto exclusivamente por Farmacêuticos. Já nos laboratórios analíticos (LDVA e LEES), a formação é variada, englobando farmacêuticos, químicos, engenheiros químicos, técnicos em química, dentre outros profissionais. É muito interessante ter diferentes profissionais também contribuindo, uma vez que a visão analítica de um farmacêutico é diferente da do químico. Portanto, essa multidisciplinaridade dentro de um laboratório só agrega para a instituição”, frisa.

Desafios e perspectivas – A Divisão de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico tem se articulado para viabilizar os projetos. A área discute o desenvolvimento de tecnologias de implementação imediata, que requer menos investimentos. Apesar de o país atravessar uma fase econômica adversa, a área tem recorrido a agências de fomento para conseguir recursos para desenvolver tecnologias e produtos mais modernos.

É com essa postura estratégica que a Divisão de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico tem atuado, sempre com o propósito de atender as demandas do Ministério da Saúde e, consequentemente, oferecer os melhores tratamentos para os pacientes assistidos pelo SUS.



Farmanguinhos exporta Vitamina A para a Guatemala

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Pela primeira vez, a unidade exporta um medicamento por meio de venda direta. A Vitamina A será distribuída para crianças de seis a onze meses como suplementação preventiva

Com o propósito de expandir suas vias de negociação e ampliar sua atuação no mercado internacional, pela primeira vez, Farmanguinhos exportou um medicamento por meio de venda direta.

A oportunidade de levar um pouquinho do Instituto para outro país surgiu por meio de um edital da Organização Pan Americana da Saúde (OPAS/OMS) para o fornecimento de Vitamina A de 100.000 UI, em cápsulas, para a Guatemala. A comercialização contemplou a solicitação de 394.500 mil unidades farmacêuticas.

Entregue no início desse mês, o medicamento será distribuído para crianças de seis a onze meses como suplementação preventiva, uma vez que essa vitamina é essencial às funções ligadas ao sistema visual, crescimento e sistema imune.

Segundo a chefe da Divisão de Assistência Farmacêutica da unidade (DAF), Vanessa Lordello, o envio desse produto para o exterior traz legitimidade e reconhecimento para Farmanguinhos como fornecedor de medicamentos para as Américas, abrindo possíveis janelas de oportunidades para novas demandas, principalmente da OPAS, a outros países e fundos internacionais específicos na compra e distribuição de medicamentos na região.

Neste sentido, a comercialização corrobora com a missão e a visão institucional, de modo a ressaltar Farmanguinhos no cenário internacional, sobretudo no campo de Doenças Negligenciadas. “Diante disso, esta exportação representa não só uma conquista, como também um grande passo para Instituição rumo ao objetivo de expandir suas relações para o âmbito internacional”, observa.

Juliana Johansson é Gente de Far

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Juliana com parte da equipe da CDT: Graça Guerra, Alessandra Esteves, Luciene Barbosa (Arquivo pessoal)

A paixão por Farmácia começou muito cedo. Quando criança, lia bulas de medicamentos e admirava os profissionais que inventavam essas fórmulas da cura para incontáveis patologias. Os anos se passaram, ela cresceu e esse amor irremediável só aumentou. Porque, na verdade, ela nasceu para fazer medicamento!

“Quando eu era criança, ficava lendo bula de medicamentos. Coisa de gente louca, né? Mas eu achava interessante. Eu lia aqueles nomes e ficava pensando em quem fez aquilo (medicamento) e o quanto devia ser difícil. Imaginava que a pessoa tinha de estudar muito. Então, eu sempre gostei dessa área de saúde e, especificamente, ligada a medicamentos, desde sempre. E quando eu fiz Farmácia, já fui sabendo o que eu queria. Não tinha maturidade ainda para entender o que era um desenvolvimento tecnológico, mas, naquela minha cabecinha lá de trás, eu queria era fazer remédio”, frisa Juliana Johansson Soares Medeiros.

Usar os recursos tecnológicos, a capacitação de um grupo de pessoas para promover a saúde, trazer o bem-estar, a cura para doenças, saber que o meu trabalho afeta de maneira positiva a saúde das pessoas, isso é uma recompensa de vida

“Como andei desde a minha formação, sempre motivada pelo crescimento profissional. Quando eu me formei, logo saí de Curitiba, porque o mercado farmacêutico não era aquecido, principalmente a área na qual eu queria atuar. Passei por todos esses lugares, entrei no concurso que, por coincidência, fiz a prova foi no dia do meu aniversário, em 24 de outubro de 2010. E nesse meio tempo, eu comecei a namorar um cearense que morava aqui”, relembra a servidora que, como presente, segurou o 1º lugar numa concorrência de 99 pessoas por vaga.

Juliana e Daniel Lacerda em viagem a países africanos para acompanhar mais uma etapa do projeto de desenvolvimento do Praziquantel pediátrico (Arquivo pessoal)

Lacônica com as palavras e um fenômeno profissional. Apesar das conquistas, prefere atribuir o sucesso à dedicação e às habilidades profissionais. “Inteligência para mim tem vários conceitos. Nessa abordagem de inteligência múltipla, eu me considero habilidosa para a área que eu trabalho. Mas eu não sou inteligente em todas as áreas. Esse estereótipo, na verdade, a gente deve desconstruir. Um jogador de futebol, por exemplo, pode ser extremamente inteligente no contexto da habilidade dele: tem visão de estratégia, percepção espacial, enfim. Então, a gente tem que desconstruir esse estereótipo da inteligência”, ressalta.

Ela não mediu esforços para alcançar os objetivos. Formou-se farmacêutica industrial pela Universidade Federal do Paraná, em 2002. Desde então, atua na área de desenvolvimento tecnológico. “A faculdade de Farmácia naquela época tinha uma grade básica de três anos e, a partir daí, havia uma divisão em que se optava por Farmácia Industrial ou Análises Clínicas. Eu fiz Farmácia Industrial já pensando em ir para a indústria, em aprender os conceitos técnicos da área, pensar em trabalhar com desenvolvimento tecnológico”, explica.

Para fazer aquilo que a vocação pré-determinara lá na infância, teve de buscar oportunidades longe de casa. Assim que se formou, deixou o Paraná, seu estado natal. Foi para o polo farmacêutico de Anápolis, em Goiás, de onde seguiu para Minas Gerais anos mais tarde. Depois migrou para o Rio Grande do Sul até, finalmente, chegar ao Rio de Janeiro, mais precisamente em Farmanguinhos. O passaporte foi a aprovação no concurso público da Fiocruz de 2010.

Essa habilidade tem sido empregada na Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), área que ela atua da chegada ao Instituto até hoje, desde a formação, na verdade. “Desde que eu vim para Farmanguinhos, eu atuo na Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico. Entrei no LTF (Laboratório de Tecnologia Farmacêutica), como farmacotécnica. Essa área me fascina, sabe? Usar os recursos tecnológicos, a capacitação de um grupo de pessoas para promover a saúde, trazer o bem-estar, a cura para doenças, saber que o meu trabalho afeta de maneira positiva a saúde das pessoas, isso é uma recompensa de vida”.

Desenvolvimento tecnológico é uma paixão que transcende os limites do universo profissional. “Isso sempre foi um objetivo que se tornou uma satisfação de vida. É diferente, já que se trata de perseguir um objetivo para atingir metas pessoais e trabalhar com uma área que traz muita satisfação e muito retorno pessoal. Eu fiz o concurso como uma das estratégias para vir para o Rio, para uma instituição super admirada, que é a Fiocruz”, salienta.

Depois de formada, Juliana fez MBA em Gestão de projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Mestrado Profissional em Gestão, Pesquisa e desenvolvimento na Indústria Farmacêutica, por Farmanguinhos. Agora, encara novo desafio: está na primeira turma do Doutorado Profissional pioneiro do Brasil na área farmacêutica, também oferecido pelo Instituto.

Mesmo com toda essa demanda, a família é a maior prioridade.  “O mestrado foi bastante sacrificante, eu passava as madrugadas acordada, pois na minha vida pessoal só tinha lugar para meu filho. Eu faço questão de ser uma mãe presente, de dar atenção, de brincar, de ensinar. Daí, eu estudava depois que ele dormia. Agora no doutorado é assim também, só que em dose dupla. Eles dormem e eu começo a estudar”.

O Gabriel (seis anos) nasceu quando a mãe ainda estava no LTF. Na ocasião, Juliana defendeu a dissertação grávida da pequena Beatriz, com dois aninhos atualmente. Assim que terminou a licença maternidade, a servidora se transferiu para o Departamento de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico (DGDT). Orgulhosa do local onde trabalha, Juliana faz questão de apresentar a instituição aos filhos.  Sempre que há atividades abertas ao público, lá estão os pequenos, atentos a esse fantástico mundo da Ciência.

E quando Juliana não está desempenhando os papéis até aqui relatados, ainda consegue um espaço na agenda para dedicar-se a uma atividade recreativa, se é se pode chamar assim. “Nas horas vagas eu faço jardinagem. Adoro cuidar de plantas e procuro me dedicar a essa atividade como um lazer mesmo, é um prazer cuidar das plantas e faço há bastante tempo”, revela.

De fato, as coincidências continuam a surpreender. Afinal, família, jardinagem e ciência requerem vocação e dedicação. Assim, semeando ciência e cultivando com dedicação, Juliana Johansson vai colhendo as flores que planta ao longo da vida.

 
 

Farmanguinhos vacina crianças contra sarampo e promove dia repleto de atividades e serviços na Cidade de Deus

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Mais de 3 mil pessoas participaram do Fiocruz pra você, que ofereceu atendimentos de saúde, cidadania, educativos e culturais

Um dia voltado para imunização, serviços de saúde e cidadania, brincadeiras, atividades culturais e esportivas para a comunidade. Este foi o Fiocruz pra você 2019, realizado no último sábado (19/10), no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) de Farmanguinhos, localizado em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.  Durante o evento, foi disponibilizado a vacina tríplice viral, contra sarampo, rubéola e caxumba para crianças de seis meses a cinco anos incompletos, que era o grupo prioritário da campanha do Governo Federal. Os agentes de saúde realizaram quase 500 atendimentos e verificaram que a maioria do grupo focal estava com a caderneta em dia para a tríplice e passaram orientações sobre as vacinas que estavam pendentes.

O diretor de Farmanguinhos, Jorge Mendonça, comentou sobre a realização do evento na unidade, que acontece desde 2005. “O Fiocruz pra você é uma marca da Fundação. É o dia em que a instituição abre as portas para o público, proporcionando um dia de integração com a sociedade e mostrando todo o trabalho que ela tem e que pode oferecer para a sociedade. É um momento de comunhão entre a Fiocruz, sua parte científica, e a comunidade, que vem nos prestigiar e, obviamente, proteger seus filhos”, ressaltou.  

Ao longo do dia, a população da região teve acesso a serviços de saúde e cidadania, assim como diversas oficinas e atividades culturais e esportivas, oferecidas pelos parceiros envolvidos na realização do evento, que também contou com o apoio financeiro do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN) e da Fiotec.

Serviços de cidadania – A Fundação Leão XIII concedeu isenção (1ª e 2ª vias) de certidões de nascimento, casamento e óbito. Já o Detran, de identidade.  A Secretaria Municipal de Desenvolvimento, Emprego e Inovação (SMDEI) fez cadastro reserva para balcão de emprego e jovem aprendiz e agendamento para emissão de Carteira de Trabalho. O Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) orientou e encaminhou famílias para o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), além de atendimentos sociais, cadastramento e atualização no Cadastro único (CADÚNICO) e encaminhamento para a rede socioassistencial. A Secretaria Municipal de Ensino (SME) fez matrículas na Rede de Ensino para alunos de 4 a 12 anos. Tais serviços foram intermediados pelo programa Territórios Sociais, que atuou como articulador entre as secretarias e os órgãos públicos.  O SEBRAE esteve presente aconselhando empreendedores.

Natalia foi a primeira da fila para tirar os documentos. (Foto: Viviane Lopes)

Moradora da localidade conhecida como Brejo, na Cidade de Deus, Natalia Nunes foi a primeira da fila para tirar os documentos: “Eu soube do evento através da assistente social e vim porque hoje em dia é tudo pago e agendado, é mais difícil ter o documento em dia. Aqui eu tenho gratuidade e consigo resolver na hora. Já tirei a minha identidade, vou pedir a segunda via da minha certidão de nascimento e depois vou no balcão de empregos”, revelou.

Já Amanda Silva, além de aproveitar os serviços para emissão de documentos, trouxe a filha Sara, a caçula de sete meses, para se vacinar e os outros quatro filhos para aproveitar a programação. “É muito bom quando tem esse tipo de evento na comunidade, pois conseguimos tirar os documentos, se prevenir e ainda se divertir. Facilita muito a nossa vida e ainda distrai as nossas crianças, que saem um pouco desse foco de violência”, destacou.

Amanda aproveitou o evento para vacinar a filha Sara. (Foto: Viviane Oliveira)

Serviços de Saúde – A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), através do Posto de Saúde Hamilton Land, imunizou crianças dentro da faixa da campanha, além de checar as cadernetas e dar orientações sobre vacinação. O órgão, ainda, promoveu uma oficina de planejamento familiar (com agendamento de preventivos e orientações sobre DIU), ofereceu orientações sobre tabagismo, doenças sexualmente transmissíveis e prevenção ao câncer, além de sessões de auriculoterapia. Através de uma parceria com o Fluminense Football Club, foram agendados alguns exames de mamografia, que serão realizados no dia 25 de outubro, no caminhão disponibilizado na Praça Júlio Grotem, na Cidade de Deus. O Departamento de Gestão da Saúde do Trabalhador de Farmanguinhos ofereceu os serviços de aferição de pressão arterial, medição de glicose, pesagem e orientações nutricionais.

Oficinas – Bijuterias e Acessórios foi o tema do ateliê do Sesc Rio. O Grupo Sons de Far, de Farmanguinhos, ensinou a criar e tocar instrumentos musicais com materiais recicláveis. O Grupo Alfazendo / Ecorede conscientizou as crianças sobre questões socioambientais, além de oferecer pinturas faciais, bolinha de sabão e mudas de plantas.

Crianças se divertem com as brincadeiras feitas pelo Sesc Rio (Foto: Viviane Oliveira)

Atividades de cultura, esporte e lazer – Além de realizar atividades educativas e de entretenimento com as crianças, como brincadeiras populares, oficinas esportivas de Badminton, jogos gigantes, mini tênis e frisbee, o Sesc Rio, unidade do Engenho de Dentro, também promoveu teatro circense com sonoplastia de uma sanfona.

Farmanguinhos, trouxe o mascote Zé Gotinha, acompanhado pelo coral Vozes de Far e pelo Sons de Far, formados por trabalhadores da instituição, que fizeram a criançada dançar músicas infantis, atuais e algumas paródias, que reforçaram o lema do evento #VacinaSim.

Zé Gotinha, acompanhado pelo coral Vozes de Far e pelo Sons de Far, fizeram a criançada cantar e dançar. (Foto: Tatiane Sandes)

A Associação Semente da Vida da Cidade de Deus (ASVI) e o Centro Social Quintanilha mostraram a alegria e cultura da Cidade de Deus, com apresentações de grupos de dança formados por crianças da região. As cores e a arte também extrapolaram o muro da unidade e foram para os tapumes, localizados em frente ao CTM, com o grafite feito pelo Benção, que criou um desenho destacando a relevância do Oswaldo Cruz e das vacinas para a saúde da população. A Secretaria de Esporte também participou com atividade física do grupo de terceira idade, que acontece na Mocidade Unida da Cidade de Deus.

Matheus Ferraz com os o time de futebol Canelinhas, da Cidade de Deus. (Foto: Viviane Oliveira)

Para abrilhantar o evento, o Fluminense trouxe um de seus craques, o zagueiro jogador Matheus Ferraz, que além de vestir a camisa da prevenção, conversou com os Canelinhas, tirou fotos, distribuiu e autografou as camisas do time, além de dar muitos brindes infantis, como chupetas e mamadeiras do tricolor.

Jaqueline Oliveira trouxe a sua filha Sofia, de 2 anos e 10 meses, para se vacinar e diz que não perde uma edição: “Eu venho todo ano porque é alegre. As crianças se divertem e é sempre muito bom. As pessoas que trabalham aqui passam aquela felicidade, energia boa. Eu gosto muito da atenção que a gente recebe de vocês”, enfatizou.

Jaqueline brincando com a filha Sara durante o evento. (Foto: Viviane Oliveira)

Estiveram no evento, a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, o chefe de Gabinete da Fundação, Valcler Rangel, o presidente da Asfoc-SN, Paulo Garrido, a vice-presidente da Asfoc, Mychelle Alves, o Superintendente da Prefeitura de Jacarepaguá, Leandro Marques, e representantes e presidentes das associações de moradores da Cidade de Deus.

Estima-se que mais de três mil pessoas participaram da programação, que contou com cerca de 2.500 atendimentos.

Confira algumas fotos do evento:

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