Principal produtor público de antirretrovirais, o Instituto fornece dez medicamentos para o SUS
O Brasil comemora 40 anos de resposta à Aids e a Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), integra os principais marcos históricos desta luta. O Instituto é pioneiro na produção nacional de antirretrovirais (ARVs), com zidovudina (AZT), primeiro medicamento para o tratamento da doença. Com pesquisas e parcerias inovadoras, Farmanguinhos se tornou o principal produtor público nesta classe de medicamentos, fornecendo, atualmente, dez tipos para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Em 1999, a história com os ARVs se iniciou com a produção do AZT para distribuição em todo o país. O Instituto manteve o protagonismo com o licenciamento compulsório do efavirenz, em 2007. O processo foi crucial para a redução de custos e permitiu o acesso universal.
Ao longo dos anos, a unidade participou de acordos de cooperação e Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP) que permitiram a internalização de novas tecnologias ao SUS, como ocorreu com o dolutegravir. Este é considerado um dos mais modernos para o tratamento de HIV no mundo e, fruto de uma Aliança Estratégica com a GSK e ViiV Healthcare, está sendo distribuído por Farmanguinhos desde 2022. A dose combinada do dolutegravir 50 mg + lamivudina 300 mg, que reúne duas substâncias em um único comprimido, também faz parte da transferência tecnológica e é fornecida desde 2023.
O Instituto também tem um papel fundamental na prevenção da doença com a distribuição do entricitabina 200 mg + tenofovir 300 mg, utilizado como Profilaxia Pré-Exposição, conhecido como PrEP. A estratégia é direcionada a pessoas com alto risco de exposição ao HIV e funciona como uma “barreira química” para a prevenção contra o vírus.
Atualmente, Farmanguinhos fornece dez ARVs ao Departamento de HIV/Aids do MS e somente de janeiro a outubro de 2025, foram distribuídas 392 milhões de unidades farmacêuticas ao SUS. Dentre eles, estão atazanavir 300 mg, efavirenz 600 mg, lamivudina 150 mg, nevirapina 200 mg, zidovudina 100 mg, dolutegravir 50 mg, dolutegravir 50 mg + lamivudina 300 mg, lamivudina 150 mg + zidovudina 300 mg, tenofovir 300 mg + lamivudina 300 mg e entricitabina 200 mg + tenofovir 300 mg. Confirmando a qualidade, segurança e eficácia destes produtos, nevirapina, zidovudina e efavirenz foram considerados referência de produção pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A diretora Silvia Santos destaca os esforços do Instituto em pesquisar, desenvolver e buscar soluções para o tratamento da doença no Brasil. “Esses 40 anos de resposta à Aids integram a nossa história, que está prestes a completar 50 anos. Temos um protagonismo com a produção de antirretrovirais para o SUS, mas a nossa contribuição vai muito além do fornecimento de unidades farmacêuticas à população. Ampliamos o acesso aos medicamentos, disponibilizamos tecnologias inovadoras, fortalecemos esse segmento da indústria nacional e reduzimos os custos ao governo. O compromisso com as pessoas com HIV é fortalecido na excelência de nossos produtos, em nossas pesquisas e em cada nova parceria para novas formulações. Tenho orgulho de perceber que fazemos a diferença nesse movimento e isso reforça o nosso propósito social”, explica.
Com equipamentos de alta tecnologia e profissionais qualificados, Farmanguinhos possui cerca de 12 projetos de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico para oferecer novas estratégias terapêuticas à população, inclusive para a prevenção da transmissão materno-infantil e para tratamentos pediátricos.
A pesquisadora Monica Macedo comenta sobre a evolução dos tratamentos ao longo dos anos. “Sempre ofertamos de forma contínua medicamentos recomendados como primeira linha de tratamento, contribuindo diretamente para a ampliação do acesso e para o fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento ao HIV/AIDS. Acompanhamos de perto as demandas globais para alinhar a produção às necessidades nacionais e investimos de maneira significativa em pesquisa e desenvolvimento, buscando novas opções terapêuticas que reforçam o nosso compromisso histórico com a saúde pública brasileira”, afirma.
Neste Dia Mundial de Luta Contra Aids, celebrado em 1º de dezembro, o Instituto reafirma o compromisso com a população que vive com HIV/Aids no Brasil e no mundo e segue determinado em oferecer tratamentos eficazes e de qualidade para contribuir com a eliminação da Aids e da transmissão do HIV como um problema de saúde pública até 2030.






