Instituto da Fiocruz contribui diretamente para ampliação do acesso a medicamentos e para soberania nacional
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) comemora, em 23 de abril, 50 anos de dedicação à pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos que chegam à população de norte a sul do Brasil pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade técnico-científica da Fiocruz fornece soluções estratégicas para programas do Ministério da Saúde, voltados para o tratamento de doenças negligenciadas e de alto custo, como HIV/aids, tuberculose, malária, doença de Chagas, doença de Parkinson, entre outras enfermidades. Somente em 2025, cerca de 809 milhões de unidades farmacêuticas foram fornecidas pelo Instituto.
Ao longo dos anos, o Instituto contribuiu para a ampliação do acesso da população brasileira aos medicamentos e para o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional, com a internalização de novas tecnologias.
“O Instituto da Fiocruz completa meio século de contribuição para a ampliação do acesso da população brasileira aos medicamentos pelo SUS, fortalecendo o Complexo Econômico e Industrial da Saúde [Ceis]”, destaca o presidente da Fiocruz, Mario Moreira.
Com mais de 30 medicamentos em seu portfólio, Farmanguinhos acompanhou as necessidades da saúde pública, inclusive durante epidemia de influenza, com a produção do oseltamivir, para tratar a gripe H1N1. A diretora Silvia Santos destaca a trajetória da instituição para cuidar da saúde pública brasileira. “Farmanguinhos é muito além de uma fábrica de medicamentos. Fazemos ciência que transforma vidas. Pesquisamos, desenvolvemos, produzimos, inovamos e estivemos juntos da sociedade, em momentos importantes. Ao longo destes 50 anos, fortalecemos a saúde pública nacional e seguimos em busca de novas soluções para mantermos o nosso compromisso com a saúde da população”, afirma.
Farmanguinhos tem um protagonismo na produção de antirretrovirais, desde o primeiro medicamento, conhecido como AZT, zidovudina, para pessoas que vivem com HIV. O Instituto fez história também em 2007, quando realizou o licenciamento compulsório do efavirenz, permitindo que outras indústrias produzissem o medicamento e, com isso, contribuiu diretamente para a redução de custos e para a ampliação do acesso.
O compromisso com a luta pela Aids se manteve e, por meio das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP), Farmanguinhos internalizou medicamentos inovadores para facilitar a continuidade dos tratamentos e proporcionar mais qualidade de vida à população, com o fornecimento, por exemplo, do dolutegravir e da dose combinada, dos antirretrovirais dolutegravir + lamivudina. Em 2026, são produzidos mais de 10 tipos de antirretrovirais, inclusive para a prevenção do vírus, com a Profilaxia Pré-exposição (PrEp).
O laboratório público oficial também produz os principais medicamentos do SUS para o tratamento de tuberculose e malária. Somente de 2017 a 2025, foram distribuídos 307 milhões unidades farmacêuticas de tuberculostáticos e 37 milhões de antimaláricos.
Atualmente, o Instituto fornece, também, tratamentos de alto custo para pessoas que fizeram transplantes de órgãos, com a produção nacional do tacrolimo. Com parcerias com indústrias privadas, o medicamento está em processo de internalização também do insumo farmacêutico ativo (IFA), para a produção 100% em solo brasileiro, ampliando a soberania nacional. Existem também parcerias em andamento para a ampliação de outros imunossupressores, como o everolimo e o sirolimo, geralmente utilizados em combinação com outros medicamentos da mesma classe.
Comprovando a qualidade e excelência dos processos e dos produtos fabricados em Farmanguinhos, o Instituto possui 12 medicamentos reconhecidos como referência pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Isso significa que toda indústria farmacêutica que queira produzir tais medicamentos, deve seguir o padrão de eficácia, segurança e qualidade estipulado pela unidade.
A capacidade fabril e o conhecimento técnico adquirido ao longo dos anos refletiram em certificações importantes para o Instituto, que atualmente possui certificado de Boas Práticas de Fabricação e foi aprovado pela Agência Europeia de Medicamentos para distribuição de medicamento pediátrico para esquistossomose, arpraziquantel. Este foi desenvolvido pelo Consórcio Praziquantel Pediátrico e está em análise pela Anvisa para registro no Brasil.
O compromisso com a sustentabilidade é um dos valores institucionais e Farmanguinhos foi a primeira autarquia pública a obter a certificação ambiental, ISO 14001, em 2015. Atualmente, o Instituto trata 100% do efluente industrial e sanitário da instituição e possui programas de reciclagem para resíduos sólidos e orgânicos. O pioneirismo segue também na implementação de processos de compras 100% sustentáveis, a partir de 2024.
Farmanguinhos trabalha com foco no desenvolvimento sustentável e possui projetos de pesquisa e acordos com parceiros para pesquisar, desenvolver e registrar medicamentos a partir da biodiversidade brasileira. O Instituto respeita os pilares de conservação da diversidade biológica e do uso sustentável da biodiversidade.
Com um complexo industrial de 43 mil m², localizado em Jacarepaguá, Farmanguinhos possui infraestrutura para a produção de outras classes terapêuticas e avança com acordos para internalizar tecnologias inovadoras, como injetáveis.
Reforçando o compromisso com a saúde da população, o Instituto rompeu as barreiras do país e realizou parcerias com instituições internacionais, como universidades e centros de pesquisa portugueses, para desenvolvimento conjunto de medicamentos, fármacos e tecnologia, além da capacitação acadêmica, internacionalização da produção e pesquisas sobre doenças negligenciadas.






