Autor: Alexandre Matos (Página 8 de 28)

Farmanguinhos abre inscrições para residência multiprofissional

Aprovado pelo Ministério da Educação, o curso oferecido pela instituição abrangerá profissionais para atuação na área de insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS)

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) divulgou o edital para Residência Multiprofissional em Tecnologias Aplicadas à Industria Farmacêutica (ResidTAIF). Serão oferecidas cinco vagas com bolsas de R$3.330,46, a serem concedidas pelo Ministério da Saúde a profissionais recém-formados em Farmácia, Biologia e Medicina Veterinária. Os interessados podem se inscrever de 3 a 6 de fevereiro na plataforma Sigals da Fiocruz.

Aprovada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), a residência multiprofissional de Farmanguinhos é a primeira do Brasil com um escopo voltado para formação intensiva de profissionais para atuarem na área de insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

“As primeiras residências eram uniprofissionais, principalmente aquelas com especializações médicas. Mas devemos lembrar que o SUS é mais do que somente assistência primária, abrange também a área de insumos para a saúde, como é o caso dos laboratórios farmacêuticos oficiais. Nesse sentido, a proposta do nosso curso é formar profissionais para atuarem neste segmento”, ressalta a coordenadora de Educação da unidade, Mariana Conceição de Souza.

Ainda segundo a coordenadora, a criação dessa residência no Rio de Janeiro, especificamente em Farmanguinhos, é estratégica, uma vez que poderá atender aos laboratórios farmacêuticos oficiais (públicos) que, em sua maioria, localiza-se no sudeste do país. “Esse curso consolida ainda mais Farmanguinhos como hub educacional na área de indústria farmacêutica brasileira, um campo de estudo que é tão negligenciado, mas ao mesmo tempo extremamente importante para o nosso desenvolvimento econômico e social”, frisa.

Parceria com outros laboratórios – O plano de estudo teórico-prático acontecerá dentro dos setores de Gestão da Qualidade, Produção e Desenvolvimento Tecnológico da instituição. Além das dependências de Farmanguinhos, os residentes terão a oportunidade de usar estruturas de outros laboratórios públicos, que se uniram à unidade, como campo de prática, para ajudar na formação desses profissionais.

Dentre eles estão o Instituto Vital Brazil (IVB), localizado em Niterói, o Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM) e o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx), ambos na cidade do Rio de Janeiro. “Essa iniciativa será ótima para os residentes e também para estreitar as relações entre esses laboratórios oficiais”, observa Mariana.

Essa iniciativa demonstra a preocupação de Farmanguinhos em preparar profissionais cada vez mais qualificados para atuarem na indústria farmacêutica – Eduardo Sousa, coordenador da residência multiprofissional.

Bolsas e seleção – Segundo o coordenador da Residência Multiprofissional em Tecnologias Aplicadas à Indústria Farmacêutica de Farmanguinhos, Eduardo Gomes Rodrigues de Sousa, o processo seletivo contará com provas objetivas e entrevistas. Os aprovados deverão fazer matrículas nos dias 27 e 28 de fevereiro para iniciarem as atividades no dia 2 de março.

 “Serão oferecidas cinco vagas no total. Destas, três são para farmacêuticos, sendo uma destinada às ações afirmativas da Fiocruz – 10% das vagas são destinadas a candidatos que se declararem pessoa com deficiência ou que se autodeclararem negros (pretos e pardos) ou indígenas”, afirma.

As bolsas de R$3.330,46 para pagamentos dos residentes serão concedidas pelo Ministério da Saúde, por meio de edital nº 2 de 16 de janeiro, já que se trata de um curso de dedicação exclusiva e, por esta razão, é obrigatória a concessão desses recursos para os profissionais. 

O coordenador explica que a Residência terá duração de dois anos, num total de 5760 horas. Essa carga horária será dividida entre atividades práticas e teóricas. “Esses profissionais estarão inseridos na unidade, tanto no campo prático (treinamento em serviço), como no teórico, de forma a possibilitar a problematização da realidade por meio de orientações específicas, seminários, estudos de caso, aulas dialogadas e expositivas além de outras abordagens de ensino, como o Campus Virtual Fiocruz”, ressalta Eduardo Sousa.

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Juliana Johansson é Gente de Far

Juliana com parte da equipe da CDT: Graça Guerra, Alessandra Esteves, Luciene Barbosa (Arquivo pessoal)

A paixão por Farmácia começou muito cedo. Quando criança, lia bulas de medicamentos e admirava os profissionais que inventavam essas fórmulas da cura para incontáveis patologias. Os anos se passaram, ela cresceu e esse amor irremediável só aumentou. Porque, na verdade, ela nasceu para fazer medicamento!

“Quando eu era criança, ficava lendo bula de medicamentos. Coisa de gente louca, né? Mas eu achava interessante. Eu lia aqueles nomes e ficava pensando em quem fez aquilo (medicamento) e o quanto devia ser difícil. Imaginava que a pessoa tinha de estudar muito. Então, eu sempre gostei dessa área de saúde e, especificamente, ligada a medicamentos, desde sempre. E quando eu fiz Farmácia, já fui sabendo o que eu queria. Não tinha maturidade ainda para entender o que era um desenvolvimento tecnológico, mas, naquela minha cabecinha lá de trás, eu queria era fazer remédio”, frisa Juliana Johansson Soares Medeiros.

Usar os recursos tecnológicos, a capacitação de um grupo de pessoas para promover a saúde, trazer o bem-estar, a cura para doenças, saber que o meu trabalho afeta de maneira positiva a saúde das pessoas, isso é uma recompensa de vida

“Como andei desde a minha formação, sempre motivada pelo crescimento profissional. Quando eu me formei, logo saí de Curitiba, porque o mercado farmacêutico não era aquecido, principalmente a área na qual eu queria atuar. Passei por todos esses lugares, entrei no concurso que, por coincidência, fiz a prova foi no dia do meu aniversário, em 24 de outubro de 2010. E nesse meio tempo, eu comecei a namorar um cearense que morava aqui”, relembra a servidora que, como presente, segurou o 1º lugar numa concorrência de 99 pessoas por vaga.

Juliana e Daniel Lacerda em viagem a países africanos para acompanhar mais uma etapa do projeto de desenvolvimento do Praziquantel pediátrico (Arquivo pessoal)

Lacônica com as palavras e um fenômeno profissional. Apesar das conquistas, prefere atribuir o sucesso à dedicação e às habilidades profissionais. “Inteligência para mim tem vários conceitos. Nessa abordagem de inteligência múltipla, eu me considero habilidosa para a área que eu trabalho. Mas eu não sou inteligente em todas as áreas. Esse estereótipo, na verdade, a gente deve desconstruir. Um jogador de futebol, por exemplo, pode ser extremamente inteligente no contexto da habilidade dele: tem visão de estratégia, percepção espacial, enfim. Então, a gente tem que desconstruir esse estereótipo da inteligência”, ressalta.

Ela não mediu esforços para alcançar os objetivos. Formou-se farmacêutica industrial pela Universidade Federal do Paraná, em 2002. Desde então, atua na área de desenvolvimento tecnológico. “A faculdade de Farmácia naquela época tinha uma grade básica de três anos e, a partir daí, havia uma divisão em que se optava por Farmácia Industrial ou Análises Clínicas. Eu fiz Farmácia Industrial já pensando em ir para a indústria, em aprender os conceitos técnicos da área, pensar em trabalhar com desenvolvimento tecnológico”, explica.

Para fazer aquilo que a vocação pré-determinara lá na infância, teve de buscar oportunidades longe de casa. Assim que se formou, deixou o Paraná, seu estado natal. Foi para o polo farmacêutico de Anápolis, em Goiás, de onde seguiu para Minas Gerais anos mais tarde. Depois migrou para o Rio Grande do Sul até, finalmente, chegar ao Rio de Janeiro, mais precisamente em Farmanguinhos. O passaporte foi a aprovação no concurso público da Fiocruz de 2010.

Essa habilidade tem sido empregada na Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), área que ela atua da chegada ao Instituto até hoje, desde a formação, na verdade. “Desde que eu vim para Farmanguinhos, eu atuo na Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico. Entrei no LTF (Laboratório de Tecnologia Farmacêutica), como farmacotécnica. Essa área me fascina, sabe? Usar os recursos tecnológicos, a capacitação de um grupo de pessoas para promover a saúde, trazer o bem-estar, a cura para doenças, saber que o meu trabalho afeta de maneira positiva a saúde das pessoas, isso é uma recompensa de vida”.

Desenvolvimento tecnológico é uma paixão que transcende os limites do universo profissional. “Isso sempre foi um objetivo que se tornou uma satisfação de vida. É diferente, já que se trata de perseguir um objetivo para atingir metas pessoais e trabalhar com uma área que traz muita satisfação e muito retorno pessoal. Eu fiz o concurso como uma das estratégias para vir para o Rio, para uma instituição super admirada, que é a Fiocruz”, salienta.

Depois de formada, Juliana fez MBA em Gestão de projetos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Mestrado Profissional em Gestão, Pesquisa e desenvolvimento na Indústria Farmacêutica, por Farmanguinhos. Agora, encara novo desafio: está na primeira turma do Doutorado Profissional pioneiro do Brasil na área farmacêutica, também oferecido pelo Instituto.

Mesmo com toda essa demanda, a família é a maior prioridade.  “O mestrado foi bastante sacrificante, eu passava as madrugadas acordada, pois na minha vida pessoal só tinha lugar para meu filho. Eu faço questão de ser uma mãe presente, de dar atenção, de brincar, de ensinar. Daí, eu estudava depois que ele dormia. Agora no doutorado é assim também, só que em dose dupla. Eles dormem e eu começo a estudar”.

O Gabriel (seis anos) nasceu quando a mãe ainda estava no LTF. Na ocasião, Juliana defendeu a dissertação grávida da pequena Beatriz, com dois aninhos atualmente. Assim que terminou a licença maternidade, a servidora se transferiu para o Departamento de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico (DGDT). Orgulhosa do local onde trabalha, Juliana faz questão de apresentar a instituição aos filhos.  Sempre que há atividades abertas ao público, lá estão os pequenos, atentos a esse fantástico mundo da Ciência.

E quando Juliana não está desempenhando os papéis até aqui relatados, ainda consegue um espaço na agenda para dedicar-se a uma atividade recreativa, se é se pode chamar assim. “Nas horas vagas eu faço jardinagem. Adoro cuidar de plantas e procuro me dedicar a essa atividade como um lazer mesmo, é um prazer cuidar das plantas e faço há bastante tempo”, revela.

De fato, as coincidências continuam a surpreender. Afinal, família, jardinagem e ciência requerem vocação e dedicação. Assim, semeando ciência e cultivando com dedicação, Juliana Johansson vai colhendo as flores que planta ao longo da vida.

 
 

Direção de Far se reúne com prefeito Marcelo Crivella

Encontro teve como objetivo criar uma agenda positiva para melhoria da infraestrutura e segurança na Av. Comandante Guaranys

Em reunião com o prefeito Marcelo Crivella, Jorge Mendonça e Vânia Dornellas cobraram um envolvimento da Prefeitura com as questões relacionadas à situação do entorno do CTM. O encontro no Gabinete do prefeito foi agendada pelo vereador Inaldo da Silva (direita)

Nesta segunda-feira (29/7), o diretor de Farmanguinhos, Jorge Mendonça, e a chefe de Gabinete, Vânia Dornellas, reuniram-se com o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, para discutir a situação do entorno do Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM). O encontro foi realizado no gabinete do prefeito, na sede da Prefeitura, a partir de um agendamento feito pelo vereador Inaldo da Silva, que esteve na unidade na semana passada acompanhando a Roda de Conversa sobre a Cidade de Deus.

A reunião teve como objetivo criar uma agenda positiva com a Prefeitura a fim de colocar em prática um plano de ação para recuperação da localidade. Neste sentido, o diretor entregou ao prefeito o relatório de segurança da unidade, explicou a situação do entorno e apresentou os projetos sociais que a instituição desenvolve na Cidade de Deus, especialmente o Se essa rua fosse minha, que tem como proposta principal a urbanização e ocupação do território por meio de educação, cultura, esporte e lazer.

Jorge Mendonça informou que Farmanguinhos e outras empresas próximas vêm enfrentando diversos problemas em razão da ausência do poder público. Ele destacou o potencial econômico da região e informou que algumas empresas têm encerrado as atividades por conta da violência, deixando de gerar emprego e renda na região, o que perpetua a condição de pobreza e dos problemas a ela relacionados.

Reunião no CTM – O diretor e a chefe de Gabinete cobraram o cumprimento de uma promessa de campanha do Crivella: a implantação da clínica da família no espaço em frente ao CTM. Crivella afirmou que vai abrir a clínica, inclusive já atribuiu um nome para o espaço. Além disso, o prefeito pediu para agendar uma reunião entre a unidade e os secretários da Prefeitura para detalhar em uma carta compromisso todas as demandas da localidade.

O encontro será realizado no CTM, em data a ser divulgada, e deverá ter a participação de empresários da região. O prefeito se comprometeu vir ao CTM para a assinatura dessa carta compromisso, firmando a intenção de atender as demandas levantadas.

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