Autor: Tatiane Sandes (Página 22 de 24)

Vanildo Ferreira é Gente de Far

“O que você vai ser quando você crescer?”

Dentre muitas indagações que temos que responder durante a nossa vida consta a questão do nosso futuro profissional, bem retratada na música “Pais e Filhos” de Renato Russo. Mas nem sempre sabemos, de fato, o que dizer. Isso porque escolher uma carreira não é algo tão fácil, já que há tantas possibilidades. Nosso entrevistado também se viu indeciso: pensou em ser engenheiro, militar, jogador de futebol, mas foi na área de logística que ele se encontrou e tem permeado sua trajetória, sendo 35 anos dedicados ao segmento farmacêutico. Conheça Vanildo Ferreira, Supervisor do Serviço de Almoxarifado.

Nascido no Rio de Janeiro, o filho mais velho do Sr. Djalma e da dona Beatriz teve uma infância simples no bairro de Bento Ribeiro. Arteiro, além de soltar pipa e jogar bola na rua, cuidava dos três irmãos e fazia algumas tarefas domésticas para ajudar os pais. Com isso, Nildo, como é conhecido, passou a ter responsabilidade, criou um elo forte com os irmãos e, aos poucos, com as experiências e desafios do dia a dia, foi se tornando o “cabeça” da família e um homem cheio de sonhos.

“Quando mais novo, eu pensava em ser engenheiro, pois eu gostava de construir coisas, mas eu não tinha condições de pagar a faculdade. Eu também queria ser atleta. Cheguei a jogar futebol de salão e a ser campeão carioca pelo Grajaú (1977), além de jogar futebol de campo, como juvenil, no Fluminense e no Madureira, mas não me profissionalizei. Com as intempéries da vida, precisei trabalhar para ajudar a minha família e foi aí que comecei a trabalhar na área de logística e não parei mais”, conta.

Vanildo em um dos corredores do Almoxarifado de Farmanguinhos

Em 1981, Vanildo obteve sua primeira oportunidade profissional como auxiliar de Almoxarifado na indústria farmacêutica Moura Brasil (fabricante de colírios), onde trabalhou por 12 anos. Em seguida, trabalhou no Laboratório Veterinário Bravet, depois na Companhia Brasileira de Antibióticos –CIBRAN até, em 2005, chegar em Farmanguinhos. 

“Eu não esperava atuar em Logística, aconteceu. Eu precisava trabalhar e meu tio arrumou um emprego para mim na Moura Brasil. Mas eu me identifiquei muito com a área e decidi me especializar. Fiz Gestão em Logística, na Universidade Castelo Branco, e pós-graduação em Logística, na Veiga de Almeida, além de diversos cursos de capacitação na área. Cada empresa em que eu trabalhei, eu pude aprender, me desenvolver e crescer. Eu gosto muito do que eu faço”, revela.

Quando questionado sobre Farmanguinhos, ele não poupa elogios: “Entrei em Farmanguinhos como auxiliar de Almoxarifado. Embora, pela minha experiência, eu não fosse mais auxiliar, optei por encarar esse desafio porque vi na instituição uma oportunidade de crescer, de encarar novos desafios, de ter autonomia e de me desenvolver. Além disso, é uma instituição diferente das outras. Tenho muito prazer e orgulho em trabalhar aqui”.

Sobre seus momentos mais marcantes na carreira, ele destaca duas situações em Far: a auditoria da OMS e a sua promoção como supervisor do Serviço de Almoxarifado. “O fato de não ter passado na primeira auditoria mexeu muito comigo, pois havíamos nos empenhado bastante e tínhamos uma perspectiva muito boa do resultado. Mas não aconteceu e muitos culpavam o Almoxarifado. Isso me abalou muito, mas foi um aprendizado. A equipe se reuniu, fez levantamento de tudo, realizou as alterações necessárias e, na segunda inspeção, passamos e fomos muito elogiados. Outra ocasião memorável foi quando o Denílson Bastos me convidou para ser o responsável pelo Almoxarifado. Isso demonstrou confiança no meu trabalho e também reconhecimento”. 

Nas horas livres, Nildo gosta de assistir televisão, mais precisamente jogos de futebol. Mas engana-se que ele só vê os do Mengão, seu time de coração: “Amo futebol, principalmente os esquemas táticos. Por isso, gosto de acompanhar os jogos dos outros times e avaliar como os técnicos organizam suas equipes, o desempenho dos jogadores… e trago isso para o meu dia a dia, inclusive para o trabalho, buscando sempre a melhor estratégia para obter os resultados desejados”, evidencia.

A respeito do futuro, ele pensa em realizar o Mestrado para poder transferir todo o conhecimento e experiência obtidos ao longo desses anos para o público jovem:

“Quero mostrar para eles que a logística é uma área boa, com muitas perspectivas, e passar tudo aquilo que sei. Além disso, agora com as minhas filhas já formadas, quero comprar um carro, viajar com a esposa e curtir a vida”, expressa.

Conhecimento Popular de Plantas Medicinais do Extremo Sul da Bahia

Farmanguinhos participará do lançamento do livro Conhecimento Popular de Plantas Medicinais do Extremo Sul da Bahia. O evento será na próxima sexta-feira (26/4), às 9h, no Salão Internacional da Ensp/Fiocruz.

Coordenada pelo pesquisador Glauco Villas Bôas, do Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde (CIBS), a obra resulta do projeto Saúde e Plantas Medicinais em Sistemas Produtivos Agroecológicos no Extremo Sul da Bahia, que teve como objetivo a inserção de espécies medicinais em sistemas produtivos de assentamentos agroecológicos do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em quatro municípios daquela região.

Segundo o coordenador da publicação, “os autores do livro são 180 agricultores de assentamentos, acampamentos e comunidades tradicionais da região, que passaram a ser chamados de Sábios Guardiões do Conhecimento”, ressalta Villas Bôas.

Confira abaixo o convite e a programação do evento.

Confira a Revista Fitos – Volume 13 N.º 1 de 2019

A Revista Fitos Eletrônica, editada pelo Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde (CIBS) de Farmanguinhos, acaba de publicar seu mais recente número.

Nesta edição, o periódico aborda a Ciência Aberta, um tema relacionado à comunicação científica que vem sendo muito debatido pela Fiocruz e que coloca no centro da discussão os processos colaborativos, de compartilhamento e de reutilização na produção científica, mediante a evolução das tecnologias da informação e comunicação.

Um grande diferencial da revista são as publicações de artigos científicos originais sobre Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em medicamentos da biodiversidade.

Clique aqui e confira a edição completa.

Conheça o Serviço de Validação

Obter confiabilidade nos métodos utilizados e minimizar os riscos à qualidade do medicamento. Estes são alguns dos objetivos do Serviço de Validação (SV), departamento subordinado à Vice-Diretoria de Gestão da Qualidade (VDGQ), antes conhecido como Núcleo de Validação e Qualificação (NVQ).

A equipe do Serviço de Validação é composta por profissionais multidisciplinares

Para tornar essa garantia possível, o SV atua de forma preventiva, buscando detectar falhas e pontos de atenção, a fim de que as medidas pertinentes possam ser tomadas antes das corretivas. Isto porque qualquer problema durante o processo de fabricação, armazenamento ou transporte de um produto pode comprometer suas características físicas, químicas e biológicas, além de ocasionar desperdícios, aumento de custo e uso incorreto dos recursos. 

Por isso, o departamento age na qualificação dos equipamentos (térmicos e fabris) e utilidades (HVAC, ar comprimido e água purificada) e também na validação do processo de fabricação, limpeza de equipamentos e sistemas computadorizados, assegurando que tal metodologia seja capaz de fornecer, de forma constante, consistente e reprodutível, produtos que atendam às especificações farmacêuticas previstas.

E para atestar esse padrão, são utilizados programas de melhoria contínua, análises críticas, estatísticas e de riscos para avaliação e discussão dos resultados encontrados. Além disso, as ferramentas da qualidade são utilizadas em grande escala para manter o sistema da qualidade em constante funcionamento, por exemplo: controles de mudanças, desvios e CAPA (Ações Preventivas e Ações Corretivas).

Atuação

Em Farmanguinhos, o SV tem por objetivo comprovar se os processos, equipamentos e sistemas encontram-se de acordo com o previsto. Contudo, além de constatar esta situação, toda verificação precisa ser documentada para ser considerada verídica. Assim, além de executar os testes de desafio, é necessário elaborar protocolos e relatórios que embasem as ações realizadas na íntegra. Todas as evidências observadas pela área buscam fornecer, com alto grau de confiança, que um processo específico gerará, de forma consistente, um produto que esteja de acordo com especificações pré-determinadas e com atributos de qualidade.

O setor também é responsável por realizar os estudos dos tempos de estocagem (holding time), que verifica se o medicamento se mantém estável durante todas as fases do processo produtivo, garantindo sua qualidade mesmo com paradas durante o processo, e as Revisões Periódicas de Produto (RPP), que examinam o ciclo de vida do produto e determinam se há necessidade de efetuar melhorias.

Organograma do Departamento

Maíra está à frente da equipe há 2 meses

Responsável pela área há pouco mais de dois meses, Maíra Santos é química e farmacêutica, com mais de 12 anos de experiência em indústrias farmacêuticas (nacionais e multinacionais), e com vasta atuação em validações (limpeza, processos, sistemas computadorizados, equipamentos e utilidades), Garantia da Qualidade e Controle de Qualidade Microbiológico.

Atualmente, o departamento é composto um grupo bastante capacitado e diversificado, com 11 profissionais formados em Farmácia, Química, Engenharia e Tecnologia da Informação.

Regulamentações

A qualificação e a validação são requisitos estabelecidos por diferentes regulamentos nacionais, em especial, para a área da saúde. As empresas com equipamentos, instalações e sistemas relacionadas à fabricação de medicamentos e que está em conformidade com os requisitos da RDC 17/2010 da Anvisa (refere-se a Boas Práticas de Fabricação de medicamentos), precisam qualificar e validar seus equipamentos e processos conforme um cronograma definido e manter os registros dos resultados dessas atividades. O departamento também atende as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como segue vários documentos compendiais e guias de referência utilizada pelo segmento farmacêutico (Guias da Anvisa, ISO e farmacopeias).

Estar em conformidade com as normas e regulamentos, principalmente os de Boas Práticas, não é apenas uma obrigação legal, mas um elemento de diferencial competitivo. Por meio desses ensaios, a instituição assegura a qualidade dos produtos que coloca no mercado e, consequentemente, preserva a integridade dos consumidores que farão uso dos medicamentos.

Desafios

Segundo Maíra, neste momento, os principais desafios do Serviço de Validação estão relacionados à mudança de cultura, melhoria contínua e tomada de decisões com base nos riscos. Quando questionada sobre o futuro, ela afirma: “Atualmente, estamos trabalhando em atividades de reestruturação de documentação, recursos e atividades dentro do setor. Estamos prevendo a internalização de algumas atividades e redução de retrabalho para os próximos meses. Além disso, estamos estudando a utilização de indicadores da qualidade e índices de avaliação de desempenho, para garantir maior visibilidade das atividades/ direcionamento de recursos para tal”.

Vinícius Costa é Gente de Far

“Se você não se sabe aonde quer chegar, qualquer caminho serve”.

Vinícius atua há 3 anos em Farmanguinhos

Essa frase é do clássico “Alice no País das Maravilhas”, dita pelo gato de botas à protagonista quando ela estava numa encruzilhada, com várias opções de destino, e ficou na dúvida de qual direção seguir. Entretanto, diferente da personagem do desenho, o colaborador Vinícius Costa, do Serviço de Validação, sabe muito bem aonde quer chegar. Foco e determinação são características marcantes. Percorra conosco por sua trajetória e conheça a história deste jovem e determinado profissional.

Cria de Caxias, onde mora até hoje, o filho caçula da dona Sueli e do Sr. Gerson teve uma infância simples, longe das tecnologias, mas cercado brinquedos, como pipas e bola de futebol, e livros! Ele era incentivado pelos pais a estudar e, principalmente, ter bons resultados. Por isso, antes da diversão, Vinícius tinha sempre que apresentar alguma contrapartida.

Tal exigência dos pais se transformou em estímulo. Ele passou a buscar por conhecimento de forma incessante e assim conheceu a Engenharia, área pela qual se identificou e tem trilhado seu caminho profissional. O primeiro passo foi o Técnico em eletrônica pela Escola Técnica Visconde de Mauá (Faetec), depois a graduação em Engenharia Mecânica pela Faculdade Souza Marques, o MBA em Gerenciamento de Projetos pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e, agora, a pós-graduação em Engenharia de Produção com foco em Lean manufacturing, também na UCP.

“Cresci numa família bastante unida e com poucos recursos. A minha infância foi boa, não tinha acesso às tecnologias, mas pude brincar bastante. Eu gostava de soltar pipa e jogar bola. Mas antes do lazer, eu tinha que mostrar que eu estava em dia com as minhas obrigações com os estudos”, revela.

Engana-se quem pensa que ele vai parar por aí: “Desde criança sempre pensei em ser engenheiro, embora eu não tenha sido aquela criança que desmontava os brinquedos e imaginava a mecânica deles. Mas eu achava a área interessante e meu pai, meu maior exemplo de tudo, mesmo sendo projetista, sempre tentava me explicar como certas coisas funcionavam. Isso me deslumbrava. Ele me convenceu a fazer técnico em eletrônica, mas não me identifiquei. Segui meu instinto e fui para a mecânica”, salienta.

Durante verificação do ar comprimido, uma das suas atividades (Foto: Tatiane Sandes)

“Foi na faculdade que pude conhecer as vertentes da Engenharia e a pensar no direcionamento da minha trajetória profissional. Com o apoio do meu pai, que atuava há mais de 15 anos em uma indústria farmacêutica e me explanava sobre os processos, e da experiência obtida por meio de estágio, passei a me especializar em Qualificação de utilidades. A partir disso, comecei a fazer cursos que pudessem agregar mais conhecimento a minha carreira e fazer com que, cada vez mais, eu me aprimorasse e tivesse um desempenho melhor, aplicando todo esse aprendizado na prática. Como sei que os processos e os maquinários vivem sendo aperfeiçoados, não meço esforços para acompanhar as mudanças e me manter atualizado. Depois da pós, pretendo continuar estudando… quem sabe o Mestrado”, frisa.

Antes de chegar em Farmanguinhos, em 2016, Vinícius passou por diversas empresas, tais como Petrobras, Camil e Hospital Federal da Lagoa, além de prestar serviço de qualificação para grandes indústrias farmacêuticas, dentre elas: Mantercorp, GSK, Abbott, Roch e Merck. No Instituto, o analista de Qualidade tem como principal atribuição qualificar os sistemas de Utilidades (água purificada, ar comprimido e HVAC – sigla em inglês para aquecimento, ventilação e ar condicionado). “Com a qualificação desses sistemas, dos equipamentos térmicos e fabris, além de outras validações e estudos de holding time (tempo de estocagem de produtos intermediários), podemos produzir os medicamentos em Far”, observa o colaborador.

Empolgado, ele ressalta a importância da instituição na sua carreira e destaca um dos momentos mais estimulantes que teve: “Farmanguinhos tem um grande diferencial: além de atender a população, de ter esse cunho humanitário, aqui a interface com as outras áreas torna o trabalho enriquecedor. Essa troca de experiência proporciona aprendizado, amplia o nosso conhecimento, tornando Far uma grande escola. Aqui, por exemplo, meu primeiro desafio foi, após a obra do prédio 70, qualificar todos os sistemas de utilidades, em um curto período de tempo, para receber as auditorias e começar a fabricar os medicamentos para atender as demandas. Além da exigência profissional, de toda expertise e know-how, foi preciso interagir com as demais áreas para que cumpríssemos todos os requisitos e prazos. Isso muito me agregou”.

E se no caminho houver percalços? Ele responde sem titubear: “nada está perdido! Se você tiver perseverança e persistência, você conseguirá mudar a situação”.

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