Autor: Viviane Oliveira (Página 83 de 84)

De volta pra casa

Para acelerar a repatriação de dados sobre a biodiversidade brasileira, pesquisadores do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr) desenvolveram uma ferramenta capaz de recuperar todos os registros de maneira automatizada. Com isso, 850.491 novos registros foram repatriados ao SiBBr em apenas um dia. Os dados estavam no Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade (GBIF, na sigla em inglês).

O SiBBR é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) para consolidar uma plataforma de dados e conteúdos sobre biodiversidade. Segundo a diretora-geral do sistema, Andrea Portela Nunes, a ferramenta foi desenvolvida para resgatar informações sobre a biodiversidade brasileira publicada em outros países. Ela cita, por exemplo, os museus de história natural da Europa e dos Estados Unidos, que possuem enormes coleções de dados sobre a flora e a fauna brasileiras.

“Quando eles informatizam esses dados e vão para o sistema lá do museu, ficamos sem ter o dado aqui. Para poder ‘puxar’ o dado para cá, normalmente fazíamos um processo manual de busca e indexação de dados, que demora bastante. A ferramenta que desenvolvemos faz isso de forma automatizada”, explica Portela, que é coordenadora-geral de Gestão de Ecossistemas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). “O sistema busca dados sobre biodiversidade brasileira em todas as bases de dados do Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade e automaticamente faz a indexação para a nossa base de dados.”,

Desde 2014, quando começou a repatriação de dados sobre a biodiversidade brasileira, 1.608.875 registros já foram recuperados. São informações coletadas no Brasil e publicadas em 36 países. Com os dados resgatados pela nova ferramenta, o SiBBr já disponibiliza 2.459.366 ocorrências repatriadas do sistema global.

Segundo Andrea Portela, 50 mil novos registros sobre a biodiversidade brasileira são publicados por outros países mensalmente no Sistema Global de Informação sobre Biodiversidade. Ela lembra que, em novembro de 2015, o SiBBr completou um ano com 6 milhões de registros sobre a biodiversidade.

A expectativa é atingir nove milhões até o final do ano. “Temos quase dois milhões de dados que estão prontos para serem integrados ao SiBBr. Ou seja, com os 6,3 milhões que temos, chegaremos facilmente aos 9 milhões.”

Fonte: Agência Gestão CT&I, com informações do MCTIC

Brasil elimina transmissão do sarampo

O sarampo está eliminado no Brasil. O anúncio foi feito durante visita ao Brasil da presidente do Comitê Internacional de Especialistas de Avaliação e Documentação da Sustentabilidade do Sarampo nas Américas (CIE), Merceline Dahl-Regis: o último caso relatado no país foi no Ceará, em julho de 2015. A expectativa agora é que, até o final de 2016, o Brasil receba o certificado de eliminação do sarampo pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – e com isso ficará reconhecida a eliminação da transmissão da doença em todo o continente americano, que será a primeira região do mundo onde isso acontece. O mesmo ocorreu, em 2015, com a rubéola e a síndrome da rubéola congênita.

Dahl-Regis elogiou o trabalho integrado e exitoso do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde (SES) do Ceará, parabenizando todo o processo de vigilância epidemiológica realizado durante a situação. “O Ministério da Saúde, junto com a Secretaria Estadual e municipais de Saúde no Ceará, buscaram sempre agir de forma oportuna para enfrentar e garantir a interrupção da cadeia de transmissão do sarampo. Isso demonstra a eficiência do trabalho integrado feito pelo monitoramento e a vigilância dentro do Sistema Único de Saúde do Brasil”, explicou o secretário Executivo, Antonio Nardi, durante evento na Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em Brasília, onde foram discutidos também os progressos realizados no sentido de garantir a sustentabilidade da interrupção da transmissão do vírus no sarampo.

Histórico – No Brasil, o Sarampo é uma doença de notificação compulsória desde 1968. Desde 1999, a vigilância do sarampo é integrada à vigilância da rubéola, tornando oportuna a detecção de casos e surtos e a efetivação das medidas de controle adequadas.

Desde a implantação do Plano de Eliminação do Sarampo, em 2000, a doença apresentou baixa morbimortalidade. No ano 2000 foram confirmados os últimos surtos autóctones nos estados do AC e MS. A partir de 2001 ocorreram casos importados, mas sem grande magnitude e controlados pelas ações de prevenção e controle.

Também foi realizada Campanha de Seguimento contra o Sarampo em todos os municípios brasileiros no período de 08 a 28 de Novembro de 2014. Com as medidas adotadas foi constatada a interrupção da circulação do vírus do sarampo no Brasil. A partir desse cenário, particularmente nos estados de PE e CE – onde ocorreram surtos em 2013, 2014 e 2015 – foi elaborado, em 2014 o Plano de Contingência Para Resposta às Emergências em Saúde Pública para o Sarampo. Em 2015, considerando o cenário da disseminação do Zika vírus país, foi elaborado o Protocolo de Vigilância e Resposta à Ocorrência de Microcefalia – Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional. Atualizado de acordo com as necessidades e o cenário epidemiológico.

Apesar dos grandes avanços obtidos no mundo, os surtos continuam ocorrendo mesmo em países que apresentam alta cobertura vacinal, o que requer que sejam mantidas as estratégias estabelecidas no Plano de Sustentabilidade da Eliminação do Sarampo, Rubéola e SRC e  manutenção da Comissão Nacional de Especialistas do Sarampo.

Mesmo após a interrupção dessa transmissão, é importante a manutenção do sistema de vigilância epidemiológica da doença, com o objetivo de detectar oportunamente todo caso de sarampo importado, bem como adotar todas as medidas de controle ao caso.

O Programa Nacional de Imunizações estabelece a meta de 95% da cobertura vacinal de forma homogênea em todas as localidades no município. Para avaliar e monitorar essa cobertura local, o Monitoramento Rápido de Cobertura (MRC) deve ser realizado de forma sistemática, com articulação entre as equipes de vigilância epidemiológica, laboratorial e imunizações, Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e da Estratégia de Saúde da Família (ESF).

Os últimos casos autóctones de sarampo ocorreram no ano 2000 e, desde então, todos os casos confirmados no País eram importados ou relacionados à importação.

(Agência Saúde)

Credenciamento da Fiocruz

A Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação (VPEIC) agradece a toda comunidade Fiocruz pela participação e o esforço coletivo dos profissionais e alunos no processo de credenciamento da Fundação como Escola de Governo, reflexo do compromisso em prol da qualidade e excelência dos cursos oferecidos pela principal instituição não-universitária de formação de recursos humanos na área da saúde no país. O processo, iniciado em maio de 2015, regularizará a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu, presenciais e a distância, realizados por todas as unidades da instituição.

Em encontros realizados com profissionais da Fiocruz e, em especial, na reunião de encerramento da visita, os avaliadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) destacaram a forma como a Fiocruz se preparou para o processo, ressaltando a construção do Plano de Desenvolvimento Institucional 2016-2020 – instrumento importante para o fortalecimento da capacidade de definição sobre o futuro dos cursos lato sensu na Fundação – e o engajamento demonstrado pelos trabalhadores da instituição de diversos segmentos durante os três dias de visita.

Os resultados preliminares da avaliação apontam para o grande êxito do processo de credenciamento da Fiocruz como Escola de Governo, que garantirá maior governabilidade institucional para o planejamento da oferta de cursos lato sensu, possibilitando a definição de metas institucionais para este segmento do ensino.

A VPEIC continua acompanhando o processo de avaliação da instituição como Escola de Governo nos trâmites estabelecidos pelo Inep, Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres/MEC), Conselho Nacional de Educação (CNE) e, posteriormente, homologação pelo Ministério da Educação. Novas informações sobre o processo serão divulgadas nos veículos de Comunicação da Fundação.

Clique aqui e confira os vídeos dos profissionais da área de ensino da Fiocruz falando sobre o processo de credenciamento da Fundação, pelo MEC.

Para tratar crianças com esquistossomose

Daniel Lacerda no estande do Consórcio Praziquantel Pediátrico em Congresso Internacional realizado na Suíça em 2015 (foto: arquivo)

Daniel Lacerda no estande do Consórcio Praziquantel Pediátrico em Congresso Internacional realizado na Suíça em 2015 (foto: arquivo)

Uma criança da Costa do Marfim tomou a primeira pílula da fase II do estudo clínico que está testando uma formulação pediátrica para o praziquantel. Seguro e eficaz contra a esquistossomose, este medicamento, entretanto, estava disponível apenas na formulação para crianças maiores que seis anos e adultos. Esta etapa começou na semana passada (16/6) e envovle cerca de 500 crianças do país do oeste africano.

Daniel Lacerda no estande do Consórcio Praziquantel Pediátrico em congresso internacional realizado na Suíça em 2015 (Foto: arquivo)Destinada aos pequenos na faixa etária de três meses e seis anos de idade, a nova formulação, concebida para desmanchar na boca (orodispersível), é fruto de iniciativa de um consórcio internacional, denominado Consórcio Praziquantel Pediátrico, que reúne, dentre outros laboratórios, Merck e o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz). O projeto conta com financiamento da Fundação Bill e Melinda Gates e do Fundo Global de Inovação para a Saúde.

Representante de Farmanguinhos no Consórcio, o farmacêutico Daniel Lacerda, que atua na Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da unidade, explica que esta fase do estudo clínico definirá qual formulação de praziquantel pediátrico seguirá em desenvolvimento (são testadas duas opções paralelamente). “Além disso, no fim deste ano, os pesquisadores definirão também a dose ideal do medicamento. A previsão é de que no início do ano que vem seja concluída esta etapa do estudo”, ressalta.

Lacerda mostra-se otimista devido ao começo da nova fase do estudo clínico, e com o avanço do consórcio que resultará em uma formulação mais apropriada ao tratamento infantil. “Esta é uma iniciativa muito importante para o controle desta doença”, diz. “Terminando esta etapa, o desenvolvimento seguirá para a fase III, que comprovará a eficácia do medicamento em um grupo maior de crianças”, assinala o farmacêutico.

Farmanguinhos é credenciado pelo Inea

Inea

Certificado de credenciamento tem validade até maio de 2018

O Centro de Tecnologia Ambiental (CTA), da Gerência de Segurança, Meio Ambiente e Sustentabilidade (GSMS) do Instituto de Tecnologia em Fármacos – Farmanguinhos, foi o primeiro laboratório da Fiocruz a receber o Certificado de Credenciamento de Laboratório (CCL) do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Com este credenciamento, o laboratório está autorizado a analisar e emitir laudos do efluente tratado. O CTA foi criado em 2010 e realizava um monitoramento interno dos resíduos industriais, sendo gerenciado por uma empresa que possuía credenciamento junto ao Inea, para realizar estas análises e emitir os laudos. A partir de 2014, foi iniciado o processo de credenciamento, obtendo em maio de 2016, o referido credenciamento.

A gerente da GSMS, Denise Barone, e a Engenheira Química responsável pela Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), Érica Duarte, explicaram os processos de desterceirização. “Antes era uma empresa de fora quem gerenciava tanto a (ETE) quanto o CTA. E em 2014, surgiu a proposta de assumirmos a ETE e reduzirmos assim o custo com a terceirização deste serviço. A partir de fevereiro de 2015, passamos a gerenciar toda a rotina de trabalho da ETE, mantendo somente as análises terceirizadas”, disse Érica.

“Um novo desafio foi lançado para a obtenção do credenciamento do CTA junto ao Inea. Agora, com este credenciamento, podemos analisar e emitir os laudos do nosso efluente tratado. Já estamos aptos a fazer, e autorizados pelo Inea”, completou o chefe de Serviço, Luciano Melo. Segundo Melo, este processo é imprescindível para Farmanguinhos, pois a Licença de Operação possui condicionantes, que são normas ambientais específicas que o Inea exige, para garantir que a fábrica não vá poluir o meio ambiente. Algumas delas voltadas à qualidade do efluente lançado no rio. O atendimento a essas condicionantes é primordial, pois, sem a licença de operação, a unidade não pode fabricar.

A redução de custos é uma das vantagens principais do credenciamento, pelo fato de grande parte das análises poderem ser feitas internamente. “Noventa por cento dos parâmetros, nós que faremos e reportaremos ao Inea. Os outros 10% restantes, como por exemplo ecotoxicidade, ainda vamos pagar para fazer, pois teríamos mais exigências a cumprir. Mas corresponde somente a 1/3 do valor que pagávamos anteriormente. Então, temos uma grande economia”, contou Denise.

A permissão do CCL tem validade de dois anos, com vigência até 27 de maio de 2018. Após este prazo, Farmanguinhos terá que solicitar renovação e, segundo o responsável pelo CTA, Damázio Santos, será a oportunidade de aumentar o escopo do credenciamento, incluindo novos parâmetros e serviços, como por exemplo, análise de solo, caso seja de interesse da Unidade.

Além da redução dos custos, o credenciamento permitiu que o processo se tornasse muito mais rápido. Antes, uma análise de Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) ou de Demanda Química de

Técnicos do CTA, Sônia Amaral e Alexandre Gomes, realizam análise de óleo e graxas, na Manta Térmica

Técnicos do CTA, Sônia Amaral e Alexandre Gomes, realizam análise de óleo e graxas, na Manta Térmica

Oxigênio (DQO) demoravam em torno de 15 dias para o recebimento do resultado, fato este que não permitia tomar ações imediatas de controle, caso fosse necessário. Com o serviço sendo realizado por técnicos de Farmanguinhos, o tempo de espera reduziu para em torno de cinco dias o resultado da DBO, e de DQO, em torno de duas horas apenas. “Os métodos são longos, porém fazendo aqui temos a resposta imediata, com respaldo legal para emitir os laudos, reportar ao Inea e tomar ações corretivas, caso sejam necessárias. Com este credenciamento, podemos terceirizar para outras unidades da Fiocruz ou instituições externas, ficando a critério da direção o início desta prestação de serviços. Mas já estamos prontos para esta oportunidade”, ressaltou Damázio.

O processo até a conquista do credenciamento foi longo e teve a participação de diversos funcionários da GSMS. Métodos, documentos, visita ao laboratório do Inea, vistoria realizada pelos analistas da Gerência de Análises Laboratoriais (Gelab/Inea), para verificar se o laboratório de Farmanguinhos apresentava condições de efetuar os ensaios solicitados para credenciamento, foram algumas das etapas iniciais importantes. Após a emissão de um relatório do Inea com 90% de aprovações e algumas ações a ajustar, Farmanguinhos teve a documentação aceita e, no mês de abril deste ano, recebeu a amostra-padrão, conhecida por eles e desconhecida pelos técnicos do laboratório, para realizar todos os parâmetros que estávamos solicitando no credenciamento. Caso o resultado da análise fosse diferente do padrão, seria concedida uma segunda chance, com nova amostra. E caso a unidade não conseguisse replicar os resultados esperados, todo o processo seria cancelado.

A colaboradora do CTA, Sônia Amaral, contou a importância de fazer parte desta iniciativa. “Em 2013, comecei como estagiária no laboratório e, após nove meses, consegui ser contratada. Já era um trabalho sério com monitoramento interno, e, agora com o credenciamento, nos sentimos mais valorizados e podemos mostrar mais ainda o nosso trabalho. É um crescimento muito importante”, comemorou.

Responsável pelo CTA, Damázio Santos, e os técnicos químicos que analisarão as amostras e farão os laudos

Responsável pelo CTA, Damázio Santos, e os técnicos químicos que analisarão as amostras e farão os laudos

Damázio contou que, até setembro, a unidade tem contrato com a empresa que faz a análise do efluente tratado. “Vamos aproveitar este período para já realizar análises paralelas às da empresa, para que possamos comparar os resultados obtidos. É uma forma de podermos ver que os resultados estão em ordem de grandeza semelhantes, isto é, dentro da faixa permitida. Isto atesta a qualidade do nosso laboratório e do efluente (tratado) que despejamos no rio”, disse.

Após assumir estes desafios, Denise acredita que com a qualidade do efluente e da equipe envolvida, novas propostas surgirão. “Com a qualidade muito boa do nosso efluente, dá pena de não aproveitarmos e, então, surgiu o projeto para reúso dele. Pequeno ainda, mas que já tem testes e custos levantados, para que possamos acondicionar estes efluentes, tratar e reutilizar, primeiramente, nos jardins. Mas o importante é começar e depois pensamos em expandir. A gestão não faz nada sozinha, só tenho a agradecer esta equipe ótima e que está sempre disposta a novos desafios. Me sinto segura com esta equipe ao meu lado”, comemorou a gerente.

Damázio Santos, Guaraci Nascimento, Luciano Melo, Carlos Miranda, Denise Barone, Alexandre Gomes, Sônia Amaral e Erica Duarte

Damázio Santos, Guaraci Nascimento, Luciano Melo, Carlos Miranda, Denise Barone, Alexandre Gomes, Sônia Amaral e Erica Duarte

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