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Dia Mundial de Combate à Tuberculose

A data 24 de março é mundialmente conhecida como o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. Esta doença é considerada um sério problema da saúde pública, que, por ser infecciosa e transmissível, atinge cerca de 8,8 milhões de pessoas, provocando 1,1 milhões de mortes por ano no mundo. Embora seja uma enfermidade passível de ser prevenida, tratada e mesmo curada, ainda mata cerca de 4,7 mil pessoas todos os anos no Brasil.

A alta taxa de infectados se deve a inúmeros fatores, como contágio pelo ar, através da tosse, espirros e fala da pessoa doente, à alta incidência em grandes aglomerações humanas e em habitações insalubres e, ainda, à quantidade de comprimidos e longevidade do tratamento, que dura cerca de seis meses.

Farmanguinhos possui uma importante atuação, pois oferece para o Sistema Único de Saúde (SUS) um único comprimido, chamado 4 em 1, com os quatro princípios ativos usados no tratamento: isoniazida, rifampicina, etambutol, pirazinamida. Esta Dose Fixa Combinada (DFC) facilita a rotina do paciente, que substitui os quatro comprimidos diferentes por somente um, motivando-o a seguir com o tratamento até a cura da doença.

Este medicamento já está sendo oferecido ao SUS, através da Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), entre Farmanguinhos e o laboratório indiano Lupin.  É importante ressaltar que a etapa de Controle de Qualidade já foi totalmente internalizada e, já em 2019, quatro milhões de unidades farmacêuticas foram distribuídas na rede pública, ampliando o acesso da população ao tratamento. A previsão é de que, em julho de 2019, o Instituto fabrique os lotes-piloto já no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) de Farmanguinhos.

Além disso, alguns medicamentos tuberculostáticos são produzidos na Unidade, como etionamida, isoniazida e o composto isoniazida + rifampicina, e outros estão em fase de pesquisa e desenvolvimento, a fim de chegar a novas formulações para a tuberculose.

Saiba mais sobre a tuberculose:

Quais os sintomas da doença?

O principal sintoma da tuberculose é a tosse na forma seca ou produtiva. Por isso, recomenda-se que todo sintomático respiratório que é a pessoa com tosse por três semanas ou mais, seja investigada para tuberculose. Há outros sinais e sintomas que podem estar presentes, como:

  • febre vespertina
  • sudorese noturna
  • emagrecimento
  • cansaço / fadiga

Os pulmões são os órgãos mais afetados, mas pode acometer ainda os rins, a pele, os ossos e os gânglios. O contágio ocorre pelo ar, através da tosse, espirro e fala da pessoa que está doente, que lança os bacilos no ambiente. Quem convive próximo ao doente aspira esses bacilos e pode também adoecer. Sabe-se que o bacilo pode permanecer no ambiente por um período de até 8 horas, ainda mais quando o domicílio não é ventilado e arejado.

Existe prevenção?

A prevenção deve ser feita através da vacina BCG, que diminui as formas mais graves da doença, como a meningite tuberculosa, porém não é eficaz contra a tuberculose pulmonar. Essa vacina deve ser dada às crianças ao nascer, ou, no máximo, até 04 anos, 11 meses e 29 dias.

Outra maneira de prevenir a doença é a avaliação de contatos de pessoas com tuberculose, que permite identificar a Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis, o que possibilita prevenir o desenvolvimento de tuberculose ativa. Em outras situações específicas, pessoas que são diagnósticas com a infecção latente da tuberculose também tem indicação de receber tratamento para prevenir o adoecimento. Neste caso, é necessário procurar uma unidade de saúde para avaliação.

Além disso, outra medida de prevenção da doença, é manter ambientes bem ventilados e com entrada da luz solar. Objetivamente, a forma mais eficaz é a descoberta das pessoas doentes e o início rápido do tratamento.

Como é o tratamento?

A tuberculose tem cura. O tratamento da tuberculose é realizado com o 4 em 1, dura, no mínimo, seis meses, é gratuito e disponibilizado no SUS.

Logo nas primeiras semanas de tratamento, o paciente se sente melhor e, por isso, precisa ser orientado pelo profissional de saúde a realizar o tratamento até o final, independentemente da melhora dos sintomas. É importante lembrar que o tratamento irregular pode complicar a doença e resultar no desenvolvimento de tuberculose drogarresistente.

Clique aqui e confira as informações completas do Ministério da Saúde.

Farmanguinhos produz lote de desempenho do Pramipexol

Nesta etapa, são realizados testes do processo produtivo deste medicamento contra doença de Parkinson. A previsão é de que, em maio, sejam fabricados os lotes-piloto para a inclusão da unidadecomo local de fabricação.

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) deu início ao lote de desempenho do dicloridrato de pramipexol, medicamento utilizado no tratamento de Doença de Parkinson. A produção é fruto de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), assinada em 2011, com o laboratório alemão Boehringer Ingelheim.

Nesta etapa são feitos testes nos equipamentos para checar os parâmetros, as características e o aspecto do produto, ajustando todos os itens que envolvem a produção, para garantir que o medicamento seja fabricado corretamente.

Para acompanhar de perto todo o processo e auxiliar na absorção da tecnologia, dois representantes da empresa parceira estão em Famanguinhos, os farmacêuticos Thilo Jahr e Ralf Dauksch.

Representantes da Boehringer Ingelheim, ao centro, participam do teste de desempenho

Estando tudo certo, começa a produção do lote-piloto com vistas à inclusão de Farmanguinhos como local de fabricação, cuja produção está prevista para maio deste ano. Com isso, toda a produção será executada no Complexo Tecnológico de Medicamentos. Estima-se que cerca de 20 mil pessoas sejam beneficiadas. Uma grande conquista!

‘Medicamento não deveria ser um luxo, é um direito’, diz diretora de campanha da ONG Médicos Sem Fronteiras

Els Torreele denuncia indústria farmacêutica por restringir acesso a remédios para obter lucro

O Globo / Ana Paula Blower

RIO- Medicamentos não deveriam ter preços exorbitantes, mas serem acessíveis aos pacientes e sistemas de saúde. Este é um dos preceitos da Campanha de Acesso a Medicamentos, um departamento de advocacy da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF). Quando começaram, há 20 anos, o foco era nas doenças negligenciadas, como a de Chagas, que não recebiam atenção da indústria farmacêutica para terem melhores tratamentos. Hoje, o problema parece maior: pacientes com doenças crônicas, como diabetes, também sofrem com altos preços de drogas básicas em países ricos.

Ao GLOBO, a diretora da Campanha, Els Torreele, fala sobre a iniciativa e a importância de o Brasil seguir com ações de pesquisa e desenvolvimento de remédios.

A campanha completa 20 anos. Por que ela começou?

Começamos para assegurar que os pacientes dos projetos de MSF, e além deles, tivessem acesso aos medicamentos, diagnósticos e vacinas dos quais precisam. Naquele momento, surgiam novos tratamentos para HIV/ Aids em países ricos mas muito caros para os em desenvolvimento. Tentávamos, então, encontrar formas de dizer que medicamentos são um direito, não deveriam ser um luxo ou commoditie. Fomos atrás de formas de baixar os preços e percebemos os entraves nisso. Os valores não têm a ver com custo de produção ou pesquisa, mas com quanto as farmacêuticas podem lucrar. Há 20 anos, doenças negligenciadas, como de Chagas e leishmaniose, sequer tinham tratamento. As empresas não as achavam lucrativas o bastante. Sempre nos preocupamos em garantir que essas doenças tivessem a atenção necessária: se não fosse pelas grandes companhias, que encontrássemos outras ferramentas.

O foco da campanha mudou?

Tivemos avanços e os exemplos mudaram. Temos um tratamento para HIV/Aids acessível, 22 milhões de pessoas que hoje sobrevivem porque têm acesso a ele. Mas vemos que cada novo medicamento que entra no mercado passa pelo mesmo problema de preço. Antes a dificuldade de acesso a medicamentos era um problema de pessoas pobres vivendo em países em desenvolvimento, e, hoje, tornou-se uma questão global. Países como a Bélgica e outros da Europa Ocidental, por exemplo, estão tendo problemas com novas gerações de remédios para hepatite C, câncer, que estão inacessíveis para os sistemas públicos. A nossa luta pelo acesso se tornou global.

O problema se tornou maior?

Sim. A questão das patentes se tornou global e os tratamentos ficam cada vez mais caros. Quando começamos, o Brasil foi um caso piloto onde o governo decidiu que era responsabilidade pública oferecer tratamento gratuito para pessoas vivendo com HIV/Aids, além de produzir genéricos para baixar preços. Foi assim também em outros países, como Índia. Essa alternativa não é mais possível. Em 1995, com a Organização Mundial do Comércio e a assinatura do acordo tríplice (em que todos os países que assinassem teriam que reconhecer patente), decidiu-se que teria que esperar a patente expirar para produzir genéricos. Além disso, tratamentos para HIV/Aids estão mais caros. Os primeiros custavam US$ 10 mil, 15 mil por pessoa, por ano. Hoje, os novos custam US$ 100 mil, US$ 500 mil. Esse é o tipo de ganância da indústria farmacêutica, com preços exorbitantes. Hoje, até os países ricos terão seus sistemas públicos de saúde arruinados se continuarmos assim. Precisamos de uma solução global, não só uma “de caridade” para os países pobres.

Qual a solução, envolvendo a indústria e os governos?

Essa é uma questão de poder. Temos uma sociedade capitalista global onde as indústrias farmacêuticas têm muito poder em assegurar que as regras do jogo se adequem ao negócio e consigam o máximo de lucro. O papel dos governos é ditar as regras do jogo. Eles podem dizer: “Chega, já é o bastante. Vocês não podem extrair o máximo que podem de pacientes que estão morrendo”. Os governos podem determinar regras sobre monopólio, preços, transparência, sobre como as indústrias gastam em pesquisa, as razões pelas quais cobram altos preços. E isso não está acontecendo.

Quem sofre os efeitos disso?

O tratamento para hepatite C é um exemplo, foi um desafio para países como Estados Unidos, Japão, e há uma batalha em curso em países da América Latina com relação à isso, por ser muito caro. Em alguns países da África, ele nem é disponível. Outro exemplo é o que ocorre nos EUA com diabetes. Há casos constantes na imprensa de jovens que não conseguem custear insulina, uma droga básica. As companhias põe preços cada vez mais altos, que fazem com que jovens que estavam no plano de saúde de seus pais não sejam mais autorizados a ficar e, por isso, não conseguem pagar o medicamento. As empresas sabem que as pessoas estão morrendo e farão de tudo para comprar esses remédios.

Como está o Brasil?

Há no país, nos últimos 20 anos, um setor público de saúde forte com a perspectiva de que o acesso deve ser para todos. O governo investiu na produção de medicamentos, criando iniciativas como a Farmanguinhos, e nas de pesquisa, como a Fiocruz, para garantir a produção local. Mas não está claro qual será o direcionamento dessas políticas. Fala-se em mais poder ao setor privado na saúde, o que não dá certo. Se deixá-los no comando, vão cobrar preços cada vez mais altos. O Brasil tem ótimos exemplos, como a vacina contra dengue sendo desenvolvida no Butantã e a produção do genérico sofosbuvir contra hepatite C, na Fiocruz. Seria fantástico se o país se mantivesse forte nesta produção local e promovesse o exemplo ao resto do mundo.

Pesquisa comprova eficácia do sosfosbuvir para chikungunya

Estudo mostrou que o medicamento inibiu a replicação do vírus em testes com animais.

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