Download PDF
image_print

Farmanguinhos atua na promoção da saúde e na qualidade de vida do entorno do CTM, com a transformação do local pelos próprios artistas locais

Realidade encontrada antes do evento na Avenida Comandante Guaranys

Antes, viam-se lixo e abandono na Avenida Comandante Guaranys. Nos dias 23 e 24 de novembro, o Festival de Arte Urbana levou história, cultura, arte, vida, cuidado, esperança e resistência para o local e os moradores do entorno, da comunidade da Cidade de Deus.

Ao todo, foram 350m² de muro com painéis criados pelos artistas da comunidade, que retrataram origem da comunidade, personalidades, religiosidade e as paisagens e vozes dos moradores da favela, que completa 50 anos. O mutirão paisagístico da Comlurb, com o projeto Rio Novo Olhar, utilizou flores e materiais reciclados para decorar a praça e parceiros realizaram diversas atividades culturais no local.

Quinze artistas da Cidade de Deus participaram da criação dos painéis, retratando origem da comunidade, personalidades, religiosidade, paisagens e vozes dos moradores

De maneira educativa e interativa, o evento contribuiu na revitalização paisagística e arquitetônica do território e reiterou o compromisso de Farmanguinhos de promoção da saúde. Magali Portela, da Assessoria de Gestão Social, destacou os benefícios do festival.

“Este projeto teve ganhos tangíveis, como a recuperação do espaço, a redução dos agravos à saúde e ao meio ambiente, causados pelo lixo, e também tivemos os intangíveis, que foram a valorização dos artistas urbanos e periféricos e a autoestima da comunidade. Enquanto o muro ia ganhando cores e formas, os moradores conheciam sua história, fotografavam o painel e valorizavam os talentos locais. Foi gratificante ouvir das crianças e idosos os agradecimentos pela “moral que estávamos dando a comunidade”, contou Magali.

O evento contou com apresentações musicais, como o grupo da Comlurb “Chegando de surpresa”, que trouxe a alegria e o samba do ilustre gari, Renato Sorriso, a dança do projeto Uma das folhas, a apresentação da poesia slam do Flávio, com batalha de rimas e poesia, e a animação do rapper Minny e do DJ Evaldo da Bariri. Os projetos Ecotampas e Ecorede fizeram oficinas de educação socioambiental e o Projeto Pintando na Praça realizou oficina de recreação e de contação de histórias para as crianças.

Fátima Loroza, da Assessoria de Gestão Social de Farmanguinhos, e Nélio Fernando, artista plástico e morador da comunidade, retratou a década de 60 no painel

Nélio Fernando, artista plástico da Cidade de Deus, que apoiou Rosalina Brito na confecção do painel da década de 60, ressaltou o privilégio de fazer parte do evento como artista e morador do local. “O Festival é uma galeria de céu aberto. Tem uma fundamental importância para os artistas se expressarem, mas mais ainda para os moradores do local, que podem ver a história, podem ter o pertencimento ao local. Um homem sem memória, é um homem sem futuro. Reconhecendo o espaço, o local que moramos, começamos a cuidar mais, com uma consciência maior, mais cor, mais verde, mais limpeza, mais sabedoria, mais amor”, concluiu.

Realizado por Farmanguinhos e pela Sociedade de Promoção da Casa de Oswaldo Cruz, o Festival de Arte Urbana foi pensado de forma ampliada e integrada, com o envolvimento de diversos atores públicos do território e a participação da comunidade, criando soluções em rede. Impulsionado pela lei de incentivo à cultura ISS e com patrocínio da AMIL Saúde, o projeto conta ainda com a parceria da Superintendência de Jacarepaguá e Barra, Comlurb, Dimensional Engenharia e GB Logística.

Além dos painéis, a Comlurb e o Projeto Rio Novo Olhar fizeram a limpeza do espaço e revitalização, com plantas e brinquedos com materiais reciclados