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A Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) assinou, em 3/2, um Memorando de Entendimento para Cooperação Internacional entre a Fundação e a Universidade Lusófona, localizada em Lisboa, Portugal. As instituições, referências em pesquisa e educação nos respectivos países, visam desenvolver projetos de cooperação nos campos da ciência, tecnologia e inovação em saúde, incluindo pesquisas, desenvolvimento, intercâmbios de informação e acadêmico e organização de seminários científicos. O Memorando foi assinado por meio da Cooperativa de Formação e Animação Cultural (Cofac), uma organização educativa sem fins lucrativos e não financiada pelo Estado português, com foco na formação cooperativa, científica e pedagógica.
Representantes da Fiocruz, Universidade Lusófona e Cofac se reúnem para assinatura de acordo. (Foto: Divulgação)
O evento contou com a presença do presidente da Fundação, Mario Moreira, da diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, e do coordenador da missão de Farmanguinhos em Portugal, Jorge Magalhães. Representando a Universidade, estiveram presentes o presidente do Conselho de Administração, Manuel de Almeida Damásio, a vogal do Conselho de Administração da COFAC, Maria da Conceição Soeiro, e o reitor da Universidade Lusófona, José Bragança de Miranda.
A união de conhecimentos e competências institucionais ampliará o intercâmbio acadêmico e científico entre Brasil e Portugal. Para a diretora de Farmanguinhos/Fiocruz, Silvia Santos, a parceria reforça o compromisso das instituições com o avanço científico e a cooperação internacional. “Ao oficializarmos este memorando, iniciamos uma parceria importante que unirá instituições multidisciplinares, com 28 anos de atuação, como a Lusófona, e uma história de quase 50 anos de Farmanguinhos, voltada para a saúde pública. Será uma oportunidade única de fomentar o ensino, a ciência e a cultura, aproximando e desenvolvendo a população de nossos países”, afirmou.
Representantes da Fiocruz, Universidade Lusófona e Cofac se reúnem para assinatura de acordo. (Foto: Divulgação)
A Universidade Lusófona, desde 1998, é referência no ensino superior em Portugal e se destaca pelo caráter interdisciplinar voltado ao desenvolvimento dos países e povos de língua portuguesa. Farmanguinhos atua de forma estratégica no fortalecimento da saúde pública no Brasil e em outros países, com foco na pesquisa, no desenvolvimento e na produção de fármacos, medicamentos e tecnologias em saúde, além da formação de profissionais para ciência e tecnologia no setor. O Instituto e a Universidade possuem sólida experiência em cursos de pós-graduação, com a oferta de mestrado e doutorado, e profissionais e docentes especializados, que contribuirão para futuras parcerias.
A assinatura do memorando reforça a estratégia da Fiocruz de ampliar parcerias internacionais, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento de ações conjuntas voltadas à inovação e à melhoria das condições de saúde da população.
Missão de Farmanguinhos em Portugal
Durante a visita ao país, o Instituto se reuniu com instituições parceiras para alinhar sobre o andamento de projetos antigos e prospectar novas atividades com outras organizações. A agenda da comitiva contemplou reuniões com Icnas Pharma e reitoria da Universidade de Coimbra, para a apresentação do andamento do registro da primaquina em Portugal, e ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), da Universidade NOVA de Lisboa, para entendimento do ponto de situação do acordo de cooperação e a oferta de cursos.
Além disso, foram programadas visitas à Sociedade Técnico-Medicinal (Tecnimede), grupo farmacêutico português, e ao Laboratório Nacional do Medicamento do Exército Português.
Em um compromisso com a população brasileira, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) preza pela melhoria contínua de seus produtos. Um assunto que ganha ainda mais relevância quando analisado o portfólio da instituição voltado para os tratamentos das chamadas Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) ou Doenças Determinadas Socialmente, comumente presentes em regiões de vulnerabilidade social.
Ao todo, 20 patologias correspondem ao grupo de DTNs, sendo elas hanseníase, dengue, leishmaniose, esquistossomose, raiva humana, escabiose (sarna), doença de Chagas, parasitoses intestinais e tracoma. Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) não classifique tuberculose e malária estritamente como negligenciadas, essas continuam sendo doenças determinadas socialmente, afetando populações mais pobres em quadros graves de coinfecção. E Farmanguinhos oferece 14 tipos de tratamentos para quatro dessas enfermidades.
“Essas doenças ainda representam um grande desafio para a saúde pública mundial, especialmente em regiões marcadas por vulnerabilidades sociais. E é com excelência técnica que investimos regularmente na produção, pesquisa e desenvolvimento para a ampliação da qualidade dos produtos que oferecemos. Uma missão em que seguiremos firmes para entregar medicamentos essenciais para quem precisa”, disse a diretora da unidade, Silvia Santos.
Um exemplo disso é a recente finalização de protótipos otimizados das formulações de rifapentina e da dose fixa combinada pediátrica isoniazida + rifampicina, projeto conduzido pela Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) do Instituto.
A rifapentina integra as novas Terapias Preventivas da Tuberculose (TPTs) de curta duração, destacando-se como uma alternativa terapêutica relevante. Quando associada à isoniazida, possibilita a redução do tempo de tratamento de 9 meses, com administração diária, para apenas 3 meses, com doses semanais, totalizando 12 doses. O projeto de Farmanguinhos, então, visa uma maior efetividade na prática clínica, uma vez que os tratamentos de longa duração são comprometidos por interrupções frequentes e irregularidades no uso dos medicamentos, causando o surgimento de resistência e dificuldade em controlar a doença.
Esses tuberculostáticos entram, agora, em fase de desenvolvimento industrial, plenamente integrados ao Sistema de Qualidade Farmacêutica, em uma prática que reafirma a capacidade interna de desenvolvimento tecnológico. Além dos medicamentos para tuberculose, formulações contendo benznidazol também estão em fase avançada de desenvolvimento tecnológico, ampliando o papel estratégico de Farmanguinhos para o enfrentamento da doença de Chagas.
“Esses projetos ampliam, de maneira estratégica, o portfólio de medicamentos para tuberculose de Farmanguinhos. Algo que reforça o papel do Instituto como produtor público essencial no desenvolvimento e na garantia de acesso a tratamentos para doenças negligenciadas, em alinhamento com as necessidades do SUS e com as políticas públicas”, explica a coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos, Juliana Johansson.
Inovação e Pesquisa
Para além dos produtos já disponibilizados, Farmanguinhos atua no desenvolvimento de pesquisas voltadas à avaliação de métodos inovadores para o tratamento dessas doenças.
Como exemplo, estão o projeto de desenvolvimento de fitoterápicos para tratamento tópico adjuvante da leishmaniose tegumentar, com ação na redução da parasitemia e na aceleração da cicatrização; o projeto de reposicionamento de fármacos, novas associações terapêuticas e formulações inovadoras para o tratamento da tuberculose multirresistente; e a estratégias voltadas para o mascaramento do sabor de fármacos já utilizados para o tratamento pediátrico da malária.
No âmbito do Laboratório de Síntese de Fármacos (Lasfar), também são estruturados projetos estratégicos voltados ao fortalecimento do enfrentamento da Doença de Chagas. Estudos recentes indicaram que substâncias desenvolvidas pelo laboratório apresentam maior potência terapêutica e menor toxicidade quando comparadas aos fármacos atualmente disponíveis, como é o caso do LASFAR-DC-04, que passa pela etapa de desenvolvimento pré-clínico, com foco na farmacocinética in vitro e in vivo.
O Lasfar também conduz pesquisas focadas no desenvolvimento de um novo processo produtivo para o benznidazol, único fármaco aprovado no Brasil para o tratamento da Doença de Chagas, priorizando métodos mais ágeis, com maior rendimento, menor custo e impacto ambiental reduzido.
Essa mesma estratégia é aplicada a pesquisas voltadas às infecções fúngicas sistêmicas, por meio do desenvolvimento de novas estruturas químicas com potencial para eliminar diferentes espécies de fungos patogênicos.
Atendimento à demanda internacional
É por meio do desenvolvimento contínuo de processos internos que Farmanguinhos transforma compromisso público em reconhecimento internacional.
A unidade também possui parcerias para o tratamento de esquistossomose em comunidades endêmicas, como é o caso de países da África Subsaariana. O arpraziquantel foi desenvolvido especificamente para a faixa etária de três meses a seis anos, como parte do projeto Consórcio Pediátrico Praziquantel (https://www.pediatricpraziquantelconsortium.org/), ao qual Farmanguinhos integra como membro. O primeiro tratamento foi administrado em Uganda, como parte do programa ADOPT, além de ser introduzido em países como Costa do Marfim, Quênia, Tanzânia e Senegal.
Estudos deste medicamento também estão sendo realizados no Brasil, enquanto o processo regulatório para a distribuição em território nacional evolui na Anvisa. Anteriormente, o arpraziquantel já havia recebido parecer científico positivo da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), em dezembro de 2023, e foi incluído na Lista de Medicamentos Pré-qualificados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em maio de 2024, o que traz boas perspectivas para o processo de avaliação junto à Agência.
Juntas, essas são práticas que evidenciam o papel ativo de Farmanguinhos/Fiocruz no cumprimento de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, como os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação), além das metas para a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que visam o controle e a eliminação dessas enfermidades.
Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas
Celebrada no dia 30/1, a data foi estabelecida pela OMS para a conscientização sobre doenças comumente presentes em regiões de vulnerabilidades sociais. A iniciativa visa incentivar a mobilização para o controle, o tratamento e a pesquisa, com foco na integração de ações e no envolvimento comunitário para eliminação dessas enfermidades.
Geralmente causadas por vírus, bactérias, parasitas, fungos e toxinas, essas doenças ameaçam mais de 1 bilhão de pessoas apenas no continente americano, segundo o Ministério da Saúde, podendo causar até 1 milhão de mortes por ano
Parceria com startup reforça os valores voltados para a responsabilidade socioambiental defendida pela unidade
Embalagens de medicamentos do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) estão sendo transformadas em móveis ecológicos. Iniciativa recolhe blísteres que são descartados após o ajuste das máquinas, durante a etapa fabril, sem ter qualquer contato com os medicamentos ou apresentar risco de contaminação.
Para isso, o Instituto conta com a parceria da startup Menzani. A conexão entre as instituições se deu por meio de empresa especializada que já recebia os blísteres de Farmanguinhos, para a realização do processo de micronização e separação do PVC e alumínio, que compõem os blísteres, e posterior encaminhamento a empresas fabricantes de móveis ecológicos.
Além de gerar economia financeira para a instituição, a prática reduz o envio de materiais com potencial de reciclagem para aterros sanitários e reforça a responsabilidade socioambiental defendida pelo Instituto. “Nós buscamos parcerias para a reutilização desse material, promovendo um impacto ambiental positivo, alinhado aos valores da nossa instituição. Trata-se do retorno ao ciclo de vida de um material que, até então, não possuía reaproveitamento, gerando benefícios ambientais significativos”, explica a gestora do Centro de Segurança do Trabalho e Gestão Ambiental de Farmanguinhos, Denise Barone.
Neste primeiro número temático, a Revista Fitos apresenta o projeto de Validação Farmacológica de Plantas Medicinais utilizadas no Brasil entre os séculos XVII e XX, evidenciando a metodologia e os processos analisados a partir de cinco tratados médicos e farmacêuticos.
Entre os estudos presentes neste volume, destacam-se as validações farmacológicas, descritas nos tratados entre os séculos XVII e XX, do uso de Abarema cochliacarpos (Gomes), Acorus calamus (L.), Anchieta pyrifolia (Mart.) e Piper hispidum (Sw.).
Mais de 600 espécies investigadas pelas equipes do Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde (CIBS), do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), e do Consórcio Acadêmico Brasileiro de Saúde Integrativa (CABSIN) serão contempladas ao longo do projeto, que prevê outras publicações durante o ano.
O objetivo é ampliar o escopo de plantas medicinais validadas pelo uso tradicional, com segurança e eficácia, a fim de contribuir para o acesso da população brasileira e incentivar o desenvolvimento e a dispensação de fitoterápicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).