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Fiocruz integra comitiva do MS e firma parcerias na Índia

Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)
Foram assinadas (21/2) duas parcerias com instituições indianas nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e inovação de medicamentos imunossupressores e para o câncer, doenças raras e doenças negligenciadas

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Fiocruz e Universidade Lusófona, de Portugal, firmam memorando de entendimento para pesquisa, desenvolvimento e inovação em saúde

A Fiocruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) assinou, em 3/2, um Memorando de Entendimento para Cooperação Internacional entre a Fundação e a Universidade Lusófona, localizada em Lisboa, Portugal. As instituições, referências em pesquisa e educação nos respectivos países, visam desenvolver projetos de cooperação nos campos da ciência, tecnologia e inovação em saúde, incluindo pesquisas, desenvolvimento, intercâmbios de informação e acadêmico e organização de seminários científicos. O Memorando foi assinado por meio da Cooperativa de Formação e Animação Cultural (Cofac), uma organização educativa sem fins lucrativos e não financiada pelo Estado português, com foco na formação cooperativa, científica e pedagógica.

Representantes da Fiocruz, Universidade Lusófona e Cofac se reúnem para assinatura de acordo. (Foto: Divulgação)

O evento contou com a presença do presidente da Fundação, Mario Moreira, da diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, e do coordenador da missão de Farmanguinhos em Portugal, Jorge Magalhães. Representando a Universidade, estiveram presentes o presidente do Conselho de Administração, Manuel de Almeida Damásio, a vogal do Conselho de Administração da COFAC, Maria da Conceição Soeiro, e o reitor da Universidade Lusófona, José Bragança de Miranda.

A união de conhecimentos e competências institucionais ampliará o intercâmbio acadêmico e científico entre Brasil e Portugal. Para a diretora de Farmanguinhos/Fiocruz, Silvia Santos, a parceria reforça o compromisso das instituições com o avanço científico e a cooperação internacional. “Ao oficializarmos este memorando, iniciamos uma parceria importante que unirá instituições multidisciplinares, com 28 anos de atuação, como a Lusófona, e uma história de quase 50 anos de Farmanguinhos, voltada para a saúde pública. Será uma oportunidade única de fomentar o ensino, a ciência e a cultura, aproximando e desenvolvendo a população de nossos países”, afirmou.

Representantes da Fiocruz, Universidade Lusófona e Cofac se reúnem para assinatura de acordo. (Foto: Divulgação)

A Universidade Lusófona, desde 1998, é referência no ensino superior em Portugal e se destaca pelo caráter interdisciplinar voltado ao desenvolvimento dos países e povos de língua portuguesa. Farmanguinhos atua de forma estratégica no fortalecimento da saúde pública no Brasil e em outros países, com foco na pesquisa, no desenvolvimento e na produção de fármacos, medicamentos e tecnologias em saúde, além da formação de profissionais para ciência e tecnologia no setor. O Instituto e a Universidade possuem sólida experiência em cursos de pós-graduação, com a oferta de mestrado e doutorado, e profissionais e docentes especializados, que contribuirão para futuras parcerias.

A assinatura do memorando reforça a estratégia da Fiocruz de ampliar parcerias internacionais, promovendo a troca de experiências e o fortalecimento de ações conjuntas voltadas à inovação e à melhoria das condições de saúde da população.

Missão de Farmanguinhos em Portugal

Durante a visita ao país, o Instituto se reuniu com instituições parceiras para alinhar sobre o andamento de projetos antigos e prospectar novas atividades com outras organizações. A agenda da comitiva contemplou reuniões com Icnas Pharma e reitoria da Universidade de Coimbra, para a apresentação do andamento do registro da primaquina em Portugal, e ao Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), da Universidade NOVA de Lisboa, para entendimento do ponto de situação do acordo de cooperação e a oferta de cursos.

Além disso, foram programadas visitas à Sociedade Técnico-Medicinal (Tecnimede), grupo farmacêutico português, e ao Laboratório Nacional do Medicamento do Exército Português.

Farmanguinhos investe em melhorias para tratamentos voltados para Doenças Tropicais Negligenciadas

Em um compromisso com a população brasileira, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) preza pela melhoria contínua de seus produtos. Um assunto que ganha ainda mais relevância quando analisado o portfólio da instituição voltado para os tratamentos das chamadas Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) ou Doenças Determinadas Socialmente, comumente presentes em regiões de vulnerabilidade social.

Ao todo, 20 patologias correspondem ao grupo de DTNs, sendo elas hanseníase, dengue, leishmaniose, esquistossomose, raiva humana, escabiose (sarna), doença de Chagas, parasitoses intestinais e tracoma. Embora a Organização Mundial de Saúde (OMS) não classifique tuberculose e malária estritamente como negligenciadas, essas continuam sendo doenças determinadas socialmente, afetando populações mais pobres em quadros graves de coinfecção. E Farmanguinhos oferece 14 tipos de tratamentos para quatro dessas enfermidades.

“Essas doenças ainda representam um grande desafio para a saúde pública mundial, especialmente em regiões marcadas por vulnerabilidades sociais.  E é com excelência técnica que investimos regularmente na produção, pesquisa e desenvolvimento para a ampliação da qualidade dos produtos que oferecemos. Uma missão em que seguiremos firmes para entregar medicamentos essenciais para quem precisa”, disse a diretora da unidade, Silvia Santos.

Um exemplo disso é a recente finalização de protótipos otimizados das formulações de rifapentina e da dose fixa combinada pediátrica isoniazida + rifampicina, projeto conduzido pela Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT) do Instituto.

A rifapentina integra as novas Terapias Preventivas da Tuberculose (TPTs) de curta duração, destacando-se como uma alternativa terapêutica relevante. Quando associada à isoniazida, possibilita a redução do tempo de tratamento de 9 meses, com administração diária, para apenas 3 meses, com doses semanais, totalizando 12 doses. O projeto de Farmanguinhos, então, visa uma maior efetividade na prática clínica, uma vez que os tratamentos de longa duração são comprometidos por interrupções frequentes e irregularidades no uso dos medicamentos, causando o surgimento de resistência e dificuldade em controlar a doença.

Esses tuberculostáticos entram, agora, em fase de desenvolvimento industrial, plenamente integrados ao Sistema de Qualidade Farmacêutica, em uma prática que reafirma a capacidade interna de desenvolvimento tecnológico. Além dos medicamentos para tuberculose, formulações contendo benznidazol também estão em fase avançada de desenvolvimento tecnológico, ampliando o papel estratégico de Farmanguinhos para o enfrentamento da doença de Chagas.

“Esses projetos ampliam, de maneira estratégica, o portfólio de medicamentos para tuberculose de Farmanguinhos. Algo que reforça o papel do Instituto como produtor público essencial no desenvolvimento e na garantia de acesso a tratamentos para doenças negligenciadas, em alinhamento com as necessidades do SUS e com as políticas públicas”, explica a coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos, Juliana Johansson.

Inovação e Pesquisa

Para além dos produtos já disponibilizados, Farmanguinhos atua no desenvolvimento de pesquisas voltadas à avaliação de métodos inovadores para o tratamento dessas doenças.

Como exemplo, estão o projeto de desenvolvimento de fitoterápicos para tratamento tópico adjuvante da leishmaniose tegumentar, com ação na redução da parasitemia e na aceleração da cicatrização; o projeto de reposicionamento de fármacos, novas associações terapêuticas e formulações inovadoras para o tratamento da tuberculose multirresistente; e a estratégias voltadas para o mascaramento do sabor de fármacos já utilizados para o tratamento pediátrico da malária.

No âmbito do Laboratório de Síntese de Fármacos (Lasfar), também são estruturados projetos estratégicos voltados ao fortalecimento do enfrentamento da Doença de Chagas. Estudos recentes indicaram que substâncias desenvolvidas pelo laboratório apresentam maior potência terapêutica e menor toxicidade quando comparadas aos fármacos atualmente disponíveis, como é o caso do LASFAR-DC-04, que passa pela etapa de desenvolvimento pré-clínico, com foco na farmacocinética in vitro e in vivo.

O Lasfar também conduz pesquisas focadas no desenvolvimento de um novo processo produtivo para o benznidazol, único fármaco aprovado no Brasil para o tratamento da Doença de Chagas, priorizando métodos mais ágeis, com maior rendimento, menor custo e impacto ambiental reduzido.

Essa mesma estratégia é aplicada a pesquisas voltadas às infecções fúngicas sistêmicas, por meio do desenvolvimento de novas estruturas químicas com potencial para eliminar diferentes espécies de fungos patogênicos.

Atendimento à demanda internacional

É por meio do desenvolvimento contínuo de processos internos que Farmanguinhos transforma compromisso público em reconhecimento internacional.

Em 2025, o Instituto assinou a formalização da parceria que inicia o processo de lançamento, em Portugal, da primaquina. Utilizado no combate à malária, o medicamento desenvolvido por Farmanguinhos/Fiocruz é considerado referência, no Brasil, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A parceria realizada com a Universidade de Coimbra (UC) e o ICNAS Pharma, visa a colaboração entre as instituições para o auxílio no processo de validação, em território português.

A unidade também possui parcerias para o tratamento de esquistossomose em comunidades endêmicas, como é o caso de países da África Subsaariana. O arpraziquantel foi desenvolvido especificamente para a faixa etária de três meses a seis anos, como parte do projeto Consórcio Pediátrico Praziquantel (https://www.pediatricpraziquantelconsortium.org/), ao qual Farmanguinhos integra como membro. O primeiro tratamento foi administrado em Uganda, como parte do programa ADOPT, além de ser introduzido em países como Costa do Marfim, Quênia, Tanzânia e Senegal.

Estudos deste medicamento também estão sendo realizados no Brasil, enquanto o processo regulatório para a distribuição em território nacional evolui na Anvisa. Anteriormente, o arpraziquantel já havia recebido parecer científico positivo da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), em dezembro de 2023, e foi incluído na Lista de Medicamentos Pré-qualificados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em maio de 2024, o que traz boas perspectivas para o processo de avaliação junto à Agência.

Juntas, essas são práticas que evidenciam o papel ativo de Farmanguinhos/Fiocruz no cumprimento de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, como os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação), além das metas para a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que visam o controle e a eliminação dessas enfermidades.  

Dia Mundial das Doenças Tropicais Negligenciadas

Celebrada no dia 30/1, a data foi estabelecida pela OMS para a conscientização sobre doenças comumente presentes em regiões de vulnerabilidades sociais. A iniciativa visa incentivar a mobilização para o controle, o tratamento e a pesquisa, com foco na integração de ações e no envolvimento comunitário para eliminação dessas enfermidades.

Geralmente causadas por vírus, bactérias, parasitas, fungos e toxinas, essas doenças ameaçam mais de 1 bilhão de pessoas apenas no continente americano, segundo o Ministério da Saúde, podendo causar até 1 milhão de mortes por ano

Solução sustentável gera economia de mais de R$ 112 mil para Farmanguinhos

Iniciativa já encaminhou 4.760m³ de asfalto para destinação adequada

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) adotou uma solução sustentável para a destinação de resíduos provenientes da revitalização do asfalto do Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM). A instituição implementou medidas de descarte alternativas que permitem o processamento e a reinserção desses materiais no mercado da construção civil, o que gerou uma economia de mais de R$ 112 mil em apenas 5 meses.

A redução de custos está relacionada com a substituição do descarte convencional em aterro sanitário por uma prática de reaproveitamento. De julho a dezembro de 2025, o volume encaminhado para destinação adequada foi de 4.760 m³ de asfalto, o que corresponde a cerca de sete toneladas de material.

“Esse projeto reduz o consumo de energia e a emissão de gases de efeito estufa associados à extração e ao transporte de materiais, colaborando diretamente para o combate às mudanças climáticas. Além disso, o processo de reciclagem de resíduos de construção civil consome menos energia e água em comparação à produção de materiais a partir de matérias-primas virgens, contribuindo para a eficiência energética e hídrica. É um orgulho a efetivação dessa ação tão importante para preservação ambiental” destaca a gestora do Centro de Segurança do Trabalho e Gestão Ambiental (CSTGA), Denise Barone.

Esse processo é realizado em conjunto com uma empresa responsável por execução de obras, que utiliza os resíduos do pavimento retirado, em serviços de nivelamento e regularização do solo, contribuindo para a eficiência das etapas iniciais dos projetos.

O sucesso da iniciativa está diretamente ligado à cooperação entre diferentes atores, ressalta o gestor do Departamento de Projetos e Obras (DEPO), Sergio Castro. “A destinação correta dos resíduos só é possível quando há alinhamento e parceria entre as áreas internas da instituição e os parceiros externos envolvidos na obra. Esse trabalho conjunto garante soluções mais eficientes, sustentáveis e em conformidade com as boas práticas ambientais”, frisou.

Além do impacto financeiro, a iniciativa fortalece a promoção da economia circular e reduz a necessidade de extração de recursos naturais. A ação reforça o compromisso do Instituto com a responsabilidade ambiental e a implementação de práticas sustentáveis.

 

Curso com abrangência internacional debate integridade científica

Iniciativa de Farmanguinhos aconteceu presencialmente no campus Manguinhos e remotamente pela plataforma Zoom

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) realizou o curso “Construindo um sistema de pesquisa responsável: a integridade científica na formação de pesquisadores em início de carreira”. A formação de abrangência internacional combinou exposições teóricas, discussões de casos reais e hipotéticos, dinâmicas em grupo e momentos de síntese e reflexão coletiva.

A iniciativa aconteceu de 12 a 16/1, no campus Manguinhos, e teve o objetivo de oferecer ferramentas para o enfrentamento dos desafios do sistema de pesquisa e contribuir para a tomada de decisões éticas e responsáveis no desenvolvimento de projetos científicos.

A formação foi desenvolvida para alunos de pós-graduação, especialmente aqueles em início de trajetória no mestrado e no doutorado, valorizando a troca de experiências entre participantes com diferentes níveis de conhecimento. A proposta pedagógica participativa estimula o aprendizado colaborativo, de modo que a construção do conhecimento ocorra de forma dinâmica entre os próprios alunos, com mediação da equipe docente”, destacou a representante de Farmanguinhos e uma das coordenadoras do curso, Carmen Penido.

O curso foi ministrado pela docente internacional Dra. Anna Armond, da University of Ottawa Heart Institute, e contemplou temas centrais da integridade em pesquisa, como valores e princípios da prática científica, conflitos e dilemas, relação aluno–orientador, transparência e reprodutibilidade na ciência, entre outros.

Para a elaboração e realização do curso, o Instituto contou com o apoio da Coordenação Geral de Ensino (CGE), da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC). As atividades também foram realizadas de forma remota, por meio da plataforma Zoom, ampliando o alcance e possibilitando a participação de pesquisadores de diferentes instituições e localidades.

 

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