Categoria: Educação (Página 19 de 21)

Fevereiro teve Produtos Naturais e cromatografia

Além do Carnaval, o mês trouxe a II edição da Escola de Verão, que extrapolou o número de inscrições dos cursos e uniu alunos de diversas áreas e lugaresRead More


Simone no PN4 demonstra a capela e complementa a explicação feita em sala de aulaA II edição da Escola de Verão mostrou que fevereiro não é só o mês do Carnaval, mas também de se atualizar e adquirir mais conhecimentos. Não só as temperaturas estão elevadas, mas os números das inscrições também surpreenderam, sendo mais que o dobro de vagas nos dois cursos, que aconteceram entre os dias 13 e 17 de fevereiro, no Container de Pesquisa, em Manguinhos.

O curso de Atualização em extração e isolamento de produtos naturais ocorreu no período da manhã, com aulas da Doutora em Química Orgânica, pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), Simone Valverde, do Laboratório de Produtos Naturais. Simone falou da heterogeneidade da área de Produtos Naturais e do curso. “Em Produtos Naturais, atuam farmacêuticos, biólogos e químicos, e como este conteúdo é mais distribuído nas disciplinas do curso de farmácia, nós observamos que os nossos próprios alunos de iniciação conheciam pouco sobre o assunto e ensinávamos um a um. Fiz um aprofundamento em Metabolismo primário – secundário de plantas, vimos como, porque e pra quê os vegetais produzem estas substâncias e fizemos as classificações químicas. A partir daí, exploramos o conteúdo de extração e isolamento”, detalhou Simone. No curso, participaram doutores, alunos de doutorado, mestrado e graduação, e técnicos formados.

Ela ainda reforçou a importância de explorar os casos reais em sala e os alunos perceberem não só a aplicação, mas também algumas ferramentas, principalmente de cromatografia e espectroscopia, e verem os resultados obtidos com os extratos e frações. Além das aulas teóricas, os conteúdos foram largamente explorados nos Laboratórios de Produtos Naturais, com aulas práticas. “Para compor a aula teórica de extração de óleos essenciais, fomos no Laboratório PN4, que tem a capela de corpo inteiro, a qual chamamos de Walk-in. Ela é ideal porque é bem alta, para montarmos um aparelho sobre o outro, como a manta, um balão, um aparelho de extração de óleos essenciais e depois dois condensadores”, detalhou. Os alunos também visitaram o PN2, onde Simone atua, para prática de cromatografia em camada preparativa, que foi escolhida pelos próprios alunos.

“Estamos aqui para servir e eu penso que tem que ser gratuito mesmo, abrindo as portas para o público em geral. A Fiocruz é um celeiro, com oportunidades de crescimento e precisamos disseminar a pesquisa e explorar mais a área de ensino. Eles tem que acompanhar e sempre buscar estes cursos, que a Fundação disponibiliza no site”, ressaltou Simone.

André Luiz Aurélio, estudante de Licenciatura em Química, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Marcelo Barreto, Bacharelado em Química, em 2011, na Unigranrio, souberam do curso por alunos do Curso de Nivelamento, para a prova do Mestrado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto de Pesquisa de Produtos Naturais. André destacou os pontos altos do curso. “Achei o conteúdo e a troca entre químicos, biólogos e farmacêuticos muito interessantes. Além da oportunidade de fazer este curso gratuito, em uma instituição de renome no país e ainda conhecer o campus”, frisou. Marcelo completou falando sobre as aulas. “Foi muito enriquecedor, com conhecimentos novos, ampliando a nossa visão e o aprofundamento no assunto, que é o meu foco. Achei muito importante nós podermos ver os equipamentos e saber como funciona a parte prática”, disse.

Marcelo Barreto e André Aurélio com olhares atentos às explicações da professora no PN2

Gabriele Neves é servidora de Far, atuando no PN4, e além de fazer mestrado na unidade, participou dos dois cursos

Gabriele Neves, farmacêutica e servidora de Far há dois anos, atua no Laboratório de Produtos Naturais 4, e comenta sobre o diferencial da unidade em estimular o aprendizado dos profissionais. “Foi uma grande oportunidade de me aperfeiçoar, aprender coisas novas e estar em contato com outros profissionais. Para mim, é muito interessante podermos fazer este tipo de qualificação dentro da empresa, pois facilita muito. Certamente estou saindo diferente de quando entrei”, afirmou a servidora, que também é aluna do Mestrado em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento na Indústria Farmacêutica de Farmanguinhos e participou do curso da Escola de Verão, que aconteceu no turno da tarde.

Este outro curso sobre Atualização em Cromatografia Gasosa (CG) e Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE) foi ministrado pelo pesquisador em saúde pública, que trabalha com desenvolvimento de fitoterápicos, Davyson Moreira, com participação da professora convidada Alessandra Valverde, da Universidade Federal Fluminense (UFF). A CG e CLAE são métodos científicos usados para analisar amostras e a concentração de moléculas nela. Embora a ideia seja a mesma, os métodos possuem várias diferenças, conceitos, definições e aplicações, que foram abordadas ao longo do curso. O conteúdo é importante para Controle da qualidade de indústrias químicas e farmacêuticas, laboratórios de pesquisas, fábricas de vacinas, imunoderivados, produtos de origem biológica, entre outros.

Davyson comentou sobre a diversidade da turma e a importância de contribuir como pesquisador e docente. “A Escola de Verão permite uma troca de experiência entre alunos de graduação, pós-graduação e profissionais do ambiente de Far e do público em geral. Eles ainda tiveram a oportunidade de conhecer as instalações de nossa plataforma analítica”, explicou. Ele também ressaltou o fato dos alunos poderem ter aulas ministradas por professoras de outras instituições, como a Dra Alessandra Valverde da UFF e a Mestra Marta Rodrigues, da Shimadzu, empresa japonesa.

O Coordenador do Projeto, professor Davi Tabak, contou sobre o interesse e processo para a criação do curso de CG-CLAE. “Há um bom tempo, estávamos verificando a possibilidade de fazer um curso com estes temas. Resolvemos eliminar a parte prática, para que não fosse tão avançado, e que fosse mais inicial, de atualização. Tivemos uma procura grande, com 80 interessados e só tínhamos 25 vagas, devido ao limite da sala. Conseguimos estender até uns 35 alunos e pretendemos a em um segundo momento, dar novamente este mesmo curso, sem abrir novas inscrições, dando a possibilidade de todos os interessados participarem”, destacou. Tabak ainda ressaltou que quando o ensino mudar para Manguinhos, a sala do novo Container será bem maior que a atual, possibilitando mais vagas para este tipo de curso.

Segundo Tabak, 11 alunos se inscreveram nos dois cursos, porque para fazer a extração e isolamento dos produtos naturais, é importante que conheça a cromatografia gasosa e de alta eficiência. “Para quem faz produtos naturais, um complementa o outro. E a cromatografia é muito mais ampla, abrangendo as pessoas de síntese e diversas áreas”, lembrou.

Renata Castro e Carolina Martins buscaram o curso com o intuito de relembrar teorias da CG-CLAE para aplicação na tese de doutorado e no dia a dia do trabalhoRenata Castro, da Farmacologia de Far, em Manguinhos, utilizará a técnica na tese do doutorado que está fazendo na UFRJ. “É uma oportunidade imensurável, pelo valor agregado e o desenvolvimento das atividades, já que é uma disciplina que é muito abrangente. Comecei a trabalhar com esta técnica analítica na minha tese de doutorado e estou tendo uma chance de rever a teoria associada à prática”, contou Renata.

Carolina Martins também Farmacêutica, atua na Farmácia do Instituto Nacional do Câncer (Inca), liberando medicamentos para pacientes internados e faz um paralelo entre o curso e o trabalho. “Quero tentar pôr em prática a parte de análises de pacientes, dando mais segurança ao tratamento dos pacientes e contribuir para o resultado. É importante buscar a técnica para melhorar o nosso trabalho. Estava aguardando uma oportunidade para fazer este curso, relembrar química, adquirir conhecimentos que eu não tinha e ver a aplicação do CLAE em situações que eu nem imaginava”, concluiu.

Tabak explicou que não foi realizada nenhuma seleção técnica, fazendo com que os primeiros que entregassem toda a documentação fossem homologados. Ele ainda falou da importância do comprometimento de após ter se matriculado, não desistir do curso, pois o aluno ocupa uma vaga de alguém que teria interesse e não pode participar do curso. Nos próximos meses, será divulgado o edital da II Escola de Inverno.

Professor Davyson Moreira falou sobre Cromatografia Gasosa (CG) e Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (CLAE), que abrange diversas áreas e teve um grande números de inscritos

 

Fotos: Edson Silva

Candidatos homologados

Foram divulgadas as listas com os nomes dos aprovados para os cursos, que acontecerão de 13 a 17 de fevereiro. Confira


A Coordenação de Ensino, da Vice-Diretoria de Ensino, Pesquisa e Inovação (VDEPI), divulgou a lista dos candidatos homologados para os cursos da II Escola de Verão, do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos).

 

Clique aqui e confira os aprovados para o curso de Atualização em Extração e Isolamento de Produtos Naturais. Os demais candidatos estarão na lista de espera. O curso será de 13 a 17 de fevereiro, das 8h às 12h, no Auditório do Container da Pesquisa, em Manguinhos.

 

Clique aqui e acesse a lista dos selecionados para o curso de Atualização em CG – CLAE. Os demais candidatos estarão na lista de espera. O curso acontecerá de 13 a 17 de fevereiro, das 13h às 17h, no Auditório do Container da Pesquisa, em Manguinhos.

 

É importante lembrar que só receberão o certificado os alunos que apresentarem 75% de frequência nas aulas.

 

Contatos da Secretaria Acadêmica – Departamento de Ensino
Telefones: 3348-5058/ 3348-5062/ 3348-5044
(Elizabeth Santos, Cristiane Leite ou Eliane Dib)
E-mail: secensino@far.fiocruz.br

II Escola de Verão de Farmanguinhos

Inscrições até 02/02 para os cursos de extração e isolamento de produtos naturais e CG – CLAE


Editais

Atualização em extração e isolamento de produtos naturais

Atualização em CG – CLAE

 

IIEscolaVerao

Gestão da Inovação em Fitomedicamentos

Especialização abre nova Chamada, com inscrições até o dia 15/01. São poucas vagas. Inscreva-se.

fito_2017_novasinscricoes

Mais frutos do Mestrado Profissional de Farmanguinhos

Estudo aponta para a possibilidade de inovação farmacêutica para tratar deficiência de micronutrientes

A deficiência de micronutrientes demonstra ser ainda um problema de saúde pública em âmbito mundial. Apesar de o Brasil ter elaborado políticas públicas para mitigar o problema, alguns casos dessa absorção inadequada ainda são muito comuns no país. A carência de novos produtos pode ser uma oportunidade a ser considerada pelo setor farmacêutico, é o que aponta o estudo Micronutrientes: uma oportunidade de inovação para a Indústria Farmacêutica, realizado por Heros Teixeira Rabelo. Trata-se do tema da dissertação defendida em novembro no Mestrado Profissional em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento na Indústria Farmacêutica do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz).

A partir da esquerda: Marilena Correa, Paulo Bergo, Wanise Barroso, Heros Rabelo, Edmilson Migowski e Rafael Cisne de Paula (Foto: Arquivo)

A partir da esquerda: Marilena Correa, Paulo Bergo, Wanise Barroso, Heros Rabelo, Jorge Magalhães (por vídeo conferência), Edmilson Migowski e Rafael Cisne de Paula (Foto: Arquivo)

O estudo teve como objetivo apresentar os micronutrientes como uma alternativa atrativa de inovação para os Laboratórios Farmacêuticos. Dessa forma, foi realizada uma busca em diferentes bases de dados, tais como revistas indexadas, artigos nacionais e internacionais, guias específicos da área e de sociedades médicas, bem como documentos governamentais, publicações e legislações do setor público. O autor usou ainda documentos de um laboratório nacional privado.

Heros Rabelo foi orientado pela pesquisadora Wanise Barroso. A Banca de defesa contou com especialistas, tendo como avaliadores titulares os doutores Edimilson Ramos Migowski (professor adjunto, doutor e chefe do Serviço de Infectologia Pediátrica da UFRJ; e presidente do Instituto Vital Brazil); Paulo Bergo (docente do mestrado de Farmanguinhos); e Jorge Magalhães (coordenador e docente do curso).

“Também tivemos a honra da participação da defesa dos integrantes suplentes da banca, o Drº Rafael Cisne de Paula – diretor científico do IVB (Instituto Vital Brazil), e professor adjunto do Departamento de Morfologia da UFF (Universidade Federal Fluminense), e a Drª Marilena Correa (docente do Mestrado de Farmanguinhos e pesquisadora da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro)”, explicou Wanise Barroso. “Pelo fato de o Drº Jorge Magalhães estar em serviço em Portugal, devido a um projeto que envolve a Fiocruz e uma universidade portuguesa, ele utilizou o recurso de vídeo conferência pela primeira vez em uma defesa no mestrado de Farmanguinhos”, concluiu.

O estudo revela que os micronutrientes assumem funções metabólicas em humanos e sua deficiência despercebida, conhecida como fome oculta, pode provocar doenças ou disfunções. “Estima-se que esta deficiência aflija mais de 2 bilhões de pessoas no mundo. Estudos científicos publicados nos últimos anos demonstram que pode ser particularmente grave para gestantes, idosos e crianças, cujas necessidades nutricionais de alguns micronutrientes são inviáveis de se obter através de uma dieta normal”, disse Heros Rabelo.

Heros (primeiro plano) anota atentamente as observações do apontadas por Jorge Magalhães (Foto: Wanise Barroso)

Heros Rabelo (primeiro plano) anota atentamente as observações do apontadas por Jorge Magalhães (Foto: Wanise Barroso)

No Brasil, algumas iniciativas foram colocadas em prática para tratar esse problema de saúde pública, principalmente no que tange a alimentos. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, coordena as pesquisas em andamento sobre biofortificação de alimentos, para arroz, feijão, batata-doce, mandioca, milho, feijão-de-corda, trigo e abóbora.

De acordo com o autor, o setor farmacêutico é o mais inovador dentre todos os ramos industriais. No entanto, altos custos e dificuldades tecnológicas e regulatórias para inovações radicais têm levado as empresas do segmento a avaliarem oportunidades para inovar a partir de substâncias já conhecidas, tais como os micronutrientes. Essas substâncias são encontradas em forma de vitaminas em alimentos de diferentes origens, e até na luz solar.

Durante a realização do estudo, Rabelo constatou diversas oportunidades de inclusão de produtos no mercado. Alguns estão em fase final de desenvolvimento no laboratório onde atua como diretor de Marketing, com previsão de serem lançados dentro dos próximos seis meses.

“É importante lançar produtos inovadores utilizando-se micronutrientes em suas formulações como alternativa atraente para as indústrias farmacêuticas que desejam renovar seu portfólio de produtos. Essa alternativa é especialmente atraente para as que dispõem de recursos limitados para investimento em pesquisa e desenvolvimento”, assinalou Heros Rabelo.

 

Página 19 de 21