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Delegação de Farmanguinhos cumpre agenda em Portugal e Alemanha

A equipe se reuniu com órgãos governamentais e universidades a fim de fomentar cooperações nas áreas acadêmica e de fornecimento de medicamentos

Jorge Mendonça e delegação do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) cumpriram agenda de compromissos em Portugal e Alemanha. A viagem incluiu reuniões com instituições acadêmicas e órgãos do governo português, além da participação da unidade na CPhI, principal feira internacional nas áreas farmacêutica e farmoquímica que, neste ano, foi realizada em Frankfurt, importante centro econômico e industrial alemão.

A CPhI é a principal feira internacional voltada para as indústrias farmacêutica e farmoquímica. Anualmente, o evento reúne fabricantes e fornecedores de máquinas, equipamentos e embalagens, abrangendo todas as etapas da cadeia de suprimentos farmacêuticos. O diretor Jorge Mendonça, a vice-diretora de Operações e Produção (VDOP), Elda Falqueto, a coordenadora de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), Alessandra Esteves, o vice-diretor de Gestão da Qualidade (VDGQ), Rodrigo Fonseca e o pesquisador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), Jorge Magalhães, representaram a unidade no estande da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), onde puderam apresentar o Instituto e estreitar relacionamentos com fornecedores do segmento.

Parcerias em Portugal – A delegação de Farmanguinhos em Portugal foi composta pelo diretor Jorge Mendonça, pelas servidoras Tereza Santos e Daniela Rangel – da Coordenação de Empreendedorismo e Assistência Farmacêutica (Ceaf), Soraya Mileti (coordenadora de Assuntos Regulatórios), e pelo servidor Jorge Magalhães (coordenador do acordo de Farmanguinhos com as instituições portuguesas).

A agenda no país lusitano incluiu reunião com o Ministério da Saúde português e a Embaixada do Brasil, na qual se discutiu o acordo já estabelecido entre a unidade, a Fiocruz e instituições portuguesas, além do projeto de fornecimento de medicamentos para Portugal. Total apoio foi dispensado a Farmanguinhos.

No segundo dia, Mendonça ministrou palestra no Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) da Universidade Nova de Lisboa sobre o tema “Do protótipo ao medicamento: Farmanguinhos/Fiocruz – Instituição de ciência, tecnologia, educação e produção para o Sistema Único de Saúde (SUS)”. A palestra foi dirigida aos acadêmicos em geral sob direção do Professor Catedrático Henrique Silveira da Unidade de Ensino e Investigação do IHMT. O vice-diretor do IHMT, Miguel Viveiros, agradeceu a presença e parceria de longa data com Farmanguinhos. A delegação se reuniu ainda com representantes da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal. O dirigente da entidade, Heldér Mota, se colocou à disposição para auxiliar nas articulações.

Na Universidade de Aveiro, a comitiva de Far se encontrou com vice-reitores de diferentes pastas, em cuja reunião foram reafirmados o acordo existente, o apoio às potencialidades de Farmanguinhos presentes no fornecimento de medicamentos. Foram também estreitados estudos iniciais na área de mercado e afins, já em andamento, com disposição para que se intensifique uma agenda comum até o primeiro trimestre de 2023.

Ainda no país ibérico, a equipe de Farmanguinhos visitou o Infarmed – Autoridade Nacional de Medicamentos e Produtos de Saúde, vinculada ao Ministério da Saúde – similar à Agência Regulatória brasileira (Anvisa). Na ocasião, os diretores apresentaram e esclareceram todos os procedimentos referentes a registro, comercialização, farmacovigilância e demais temas regulatórios com vistas ao fornecimento de medicamentos para Portugal e União Europeia. O presidente do órgão, Rui Santos Ivo, colocou toda equipe à disposição para os avanços que se fizerem necessários para a unidade.

Pesquisa de Farmanguinhos na Rio Innovation Week

Equipe do Laboratório de Farmacotécnica Experimental (LabFE) apresenta a tecnologia de impressão 3D de medicamentos no evento internacional

Equipe do Laboratório de Farmacotécnica Experimental (LabFE) apresentou a tecnologia de impressão 3D no estande da Fiocruz (Arquivo LabFE)

O Laboratório de Farmacotécnica Experimental (LabFE), liderado pela pesquisadora Alessandra Viçosa, participou da Rio Innovation Week (RIW). A presença foi organizada em conjunto com a equipe do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT). Esta é a segunda edição do evento, que foi realizado neste mês na zona portuária do Rio de Janeiro.

O RIW é focado em compartilhar experiências e conhecimento, apresentando novas estratégias para negócios entre empreendedores, investidores, estudantes, pesquisadores, agricultores, executivos e representantes do governo. A proposta é vislumbrar o futuro das profissões e da educação, de modo a impulsionar negócios, ideias e startups.

Neste sentido, a equipe de Farmanguinhos foi composta por colaboradores da Vice-diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI), que se juntaram a outros integrantes da Fiocruz no estande localizado na Arena Health Tech. A unidade apresentou a tecnologia de impressão 3D de medicamentos com exposição de uma impressora 3D e protótipos (em plástico) para ilustrar a tecnologia que vem sendo desenvolvida no LabFE. Os visitantes da feira puderam conferir também o vídeo sobre a aplicação dessa tecnologia inovadora no segmento farmacêutico.

Ana Paula Matos representou a unidade na mesa redonda sobre Tecnologias a favor da inclusão na saúde (Arquivo LabFE)

“Foi possível fazer contatos com outras empresas, outros institutos da própria Fiocruz, representantes do governo, estudantes e pesquisadores de diferentes universidades e áreas visando a possíveis parcerias para desenvolvimento de projetos em colaboração”, ressalta a pesquisadora Ana Paula Matos.

Ela explica ainda que foi possível fazer contatos fomentando clientes para a futura plataforma 3D de medicamentos, denominada Plataforma de Manufatura Aditiva de Medicamentos e Insumos para Saúde (PLAMEDIS) vinculada à rede de Plataformas da Fiocruz.

Ana Paula Matos representou o LabFE em uma das mesas redondas da Arena Health Tech, intitulada Tecnologias a favor da inclusão na saúde. Ela abordou a importância da tecnologia de impressão 3D de medicamentos voltados para público pediátrico.

No estande da Fiocruz, a equipe do LabFE apresentou a impressora 3D de medicamentos e protótipos (em plástico) para ilustrar a tecnologia que vem sendo desenvolvida na unidade (Arquivo LabFE)

Ações de Farmanguinhos para enfrentamento da Aids

Além de fornecer nove antirretrovirais, o Instituto desenvolve novas formulações e firma cooperações para absorção de tecnologias inovadoras para tratamento e prevenção da doença

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) reitera a cada ano seu compromisso com pessoas que vivem com HIV/aids. A unidade produz nove antirretrovirais da terapia anti-HIV, desenvolve novas formulações e firma cooperações para absorção de tecnologias inovadoras para o tratamento da doença. Neste Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro, a instituição reafirma seu protagonismo no fornecimento dessa categoria de medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Protagonismo – Farmanguinhos é pioneiro na produção de antirretrovirais, medicamentos que agem na inibição e multiplicação do HIV no organismo, evitando assim o enfraquecimento do sistema imunológico. Para se ter uma ideia da importância da unidade no histórico da doença, em 1999, o Instituto produziu o primeiro antirretroviral, a zidovudina (AZT). Outro grande marco para o país foi a produção e distribuição do efavirenz, fruto do primeiro caso de licenciamento compulsório realizado no Brasil. Tal feito garantiu a soberania nacional quanto a este medicamento, até então importado. Esse protagonismo permitiu ao Brasil se tornar referência mundial no acesso universal a antirretrovirais.

Com parque fabril moderno e corpo técnico altamente qualificado, Farmanguinhos é o principal provedor destes medicamentos para o Ministério da Saúde. Ao todo, o portfólio é composto por nove produtos: atazanavir, efavirenz, lamivudina, zidovudina, nevirapina, lamivudina + zidovudina, fumarato de tenofovir desoproxila + lamivudina, dolutegravir sódico, entricitabina + fumarato de tenofovir desoproxila.

Além de garantir o abastecimento do SUS, a unidade desenvolve novas formulações, e atua em projetos de cooperação a fim de absorver tecnologias inovadoras. Desta forma, é possível garantir tratamentos mais modernos e melhorar a qualidade de vida da população assistida.

O Brasil é referência internacional no tratamento de HIV/aids e Farmanguinhos é fundamental na produção e distribuição de medicamentos para o SUS – Jorge Mendonça, diretor de Farmanguinhos.

O diretor Jorge Mendonça destaca a importância da atuação da unidade na condução da produção pública de antirretrovirais. “O Brasil é referência internacional no tratamento de HIV/aids e Farmanguinhos é fundamental na produção e distribuição de medicamentos para o SUS. Ao longo dos anos, realizamos parcerias e internalizamos muitos destes produtos, ampliando o acesso, garantindo melhores expectativas de vida e o controle da doença. Desenvolvemos pesquisas buscando resposta terapêutica contra a doença e fornecemos também um dos medicamentos usados na prevenção à infecção por HIV”, explica.

Trata-se do entricitabina + fumarato de tenofovir desoproxila, usado na Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP). A instituição é responsável pelo fornecimento deste medicamento, que combina dois princípios ativos em um único comprimido. Este esquema de prevenção à infecção por HIV consiste no uso diário do comprimido, que funciona como uma espécie de barreira química contra o vírus. Vale lembrar que o antirretroviral não substitui o uso de preservativos.

Absorção de novas tecnologias – Com o objetivo de incorporar novos produtos ao portfólio institucional, Farmanguinhos firma parcerias com instituições públicas e privadas, o que garante autonomia de fabricação e consequente diminuição dos custos para o Ministério da Saúde. Atualmente, o Instituto participa de quatro parcerias.

Uma delas visa à absorção tecnológica do dolutegravir 50 mg, que beneficiou pacientes que ainda não haviam iniciado o tratamento com outros antirretrovirais ou apresentaram resistência aos medicamentos anteriores.  O produto é fruto da Aliança Estratégica com as farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK, que prevê ainda o desenvolvimento conjunto de dolutegravir + lamivudina, antirretroviral composto em dose fixa combinada que confere mais conforto aos pacientes.

Já o entricitabina + fumarato de tenofovir desoproxila, usado na PrEP, é outro fruto de parceria que reúne dois princípios ativos em um único comprimido. A previsão é de que Farmanguinhos conclua a absorção tecnológica em 2024. Além desses, o atazanavir também resulta de uma parceria, cujo processo foi totalmente concluído e o medicamento é 100% produzido nas instalações da unidade.

Desenvolvimento interno – Com laboratórios modernos e profissionais qualificados, o Instituto usa todo seu potencial técnico-científico para o desenvolvimento de estudos internamente. Um dos projetos é a nova formulação de lamivudina na concentração 300 mg. A previsão é de que o medicamento entre na etapa industrial no primeiro semestre do ano que vem.

A responsável pelo Departamento de Desenvolvimento Tecnológico, Juliana Johansson, destaca que, além dos projetos de novas formulações, os laboratórios também trabalham no desenvolvimento de melhorias contínuas de medicamentos. “Um exemplo é a atuação junto ao produto lamivudina + fumarato de tenofovir desoproxila, que tem como objetivo triplicar a produtividade, reduzindo custos e tempo de produção. A instituição também realiza o estudo para a inclusão de fabricante de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) do antirretroviral nevirapina, garantindo assim a qualidade do produto a ser utilizado na fabricação do medicamento”, destaca a pesquisadora.

Síntese de novas moléculas – Desde 2001, o Laboratório de Síntese de Fármacos da unidade possui uma linha de pesquisa exclusivamente de novos desenvolvimentos para o combate do HIV, o que resultou em dezenas de artigos e patentes na área nesses 21 anos. O laboratório realizou diversas sínteses totais de antirretrovirais para o Ministério da Saúde, e identificou inúmeros compostos com atividades biológicas promissoras. A líder do laboratório, Mônica Macedo Bastos, explica que as pesquisas incluem modificações estruturais em fármacos já utilizados na terapia antirretroviral com o objetivo de obter análogos mais ativos, com menos eventos adversos e que sejam capazes de tratar as cepas virais resistentes.

“Nos últimos anos, o laboratório de Síntese tem trabalhado no desenvolvimento de produtos que sejam capazes de atuar em coinfecções como: HIV-TB (tuberculose) e HIV-criptococose, bem como na criação de modelos celulares que possam testar as atividades anti-HIV, anti-MTb e antifúngica de compostos, simultaneamente, tendo assim maior eficácia e economia em ensaios de triagem. Neste contexto, já foram obtidas substâncias com atividade dual HIV-TB, que atualmente encontram-se em avaliação pré-clínica. Com relação aos modelos celulares de coinfecção HIV-criptococose e HIV-TB, o primeiro será desenvolvido em colaboração com pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e o segundo foi finalizado no The Johns Hopkins Medical School, dos Estados Unidos, onde foram estabelecidas as condições ideais de infecção pelo MTb, bactéria causadora da tuberculose, e de coinfecção pelos dois patógenos”, explica Mônica Bastos. 

Uso de plantas medicinais – O Laboratório de Tecnologia para a Biodiversidade em Saúde (TecBio), da Vice-diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI), investiga o comportamento do látex liofilizado de uma planta medicinal muito usada popularmente para tratar vários tipos de doenças, algumas graves ou crônicas, dentre as quais a aids. Coordenada pelo pesquisador Antonio Carlos Siani, com colaboração do grupo de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderado pelo pesquisador Amílcar Tanuri, a pesquisa avalia os componentes ativos contidos em um látex medicinal como base conceitual para desenvolver um fitoterápico.

De acordo com Siani, essas moléculas do látex medicinal atuam nas células que estão em estado latente, mais especificamente dentro do núcleo celular. Tal mecanismo é denominado shock and kill (dar um choque e eliminar, na tradução livre do inglês). As substâncias que possuem essa propriedade são chamadas de Agentes Reversores de Latência.

Antônio Carlos Siani alerta que, uma vez desenvolvida e aprovada, a terapia a ser estabelecida terá caráter complementar. “O uso não prescindirá do tratamento com antirretrovirais utilizados. Um medicamento que livre as células do vírus latente pode significar a cura da aids ou, de maneira menos impactante, estabelecer posologias mais amenas para os pacientes atuais”, pondera.

Com a colaboração do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB/Fiocruz), Farmanguinhos já testou um lote quimicamente caracterizado em primatas não humanos (macaco-rhesus), o que resultou em boa tolerância para a ingestão de três doses distintas de um preparado do látex, com base nas mesmas doses preconizadas pelo uso popular. Ainda de acordo com o pesquisador, o projeto também avançou no planejamento e na contratação de laboratório credenciado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para realizar os testes de toxicologia aguda e subcrônica em roedores, conforme as exigências regulatórias. “Em paralelo, têm sido realizados testes de citotoxicidade com o Insumo Farmacêutico Ativo proposto, e a farmacocinética de uma das moléculas mais abundantes, isolada do látex. A conclusão dessas etapas de modo positivo permitirá planejar os futuros estudos clínicos”, assinala. 

Equidade já – Segundo dados da Unaids, mais de 38 milhões de pessoas em todo o mundo viviam com o vírus HIV no ano passado. De acordo com a entidade, ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), desde a descoberta da doença, em 1981, mais de 40 milhões de pacientes morreram por alguma enfermidade relacionada à aids.

A Unaids atua em parcerias com os países na busca de soluções para o combate à aids. Tem como objetivo prevenir o avanço do HIV, prestar tratamento e assistência aos afetados pela doença e reduzir o impacto socioeconômico da epidemia. Neste ano, o tema de campanha é “Equidade Já” a fim de minimizar as desigualdades decorrentes deste grave problema de saúde pública global. Clique aqui e saiba mais sobre as ações.

Neste cenário desafiador, Farmanguinhos se apresenta como um parceiro estratégico do Brasil. A ampliação do portfólio, por meio de estudos realizados internamente e por absorção de tecnologias inovadoras, reitera o compromisso institucional em defesa da vida, e contribui para que o país continue como uma referência no tratamento da doença, concedendo acesso universal dos pacientes aos antirretrovirais.

Fiocruz e Instituto Servier firmam parceria para prêmio em oncologia

No total, serão destinados 150 mil euros (cerca de R$ 840 mil) para três projetos de pesquisas inovadores voltados para o tratamento do câncer. A previsão é de que o edital seja lançado até o final de janeiro de 2023

Ana Paula Blower (Agência Fiocruz de Notícias)

A Fiocruz e o Instituto Servier assinaram (23/11) um memorando de entendimento que estabelece as bases para a cooperação técnica para a realização da 2ª edição do Prêmio Internacional Fiocruz/Servier, sendo o primeiro no campo da oncologia. No total, serão destinados 150 mil euros (cerca de R$ 840 mil) para três projetos de pesquisas inovadores voltados para o tratamento do câncer. A previsão é de que o edital seja lançado até o final de janeiro de 2023. 

O prêmio, que é mais uma parceria entre a Fundação e o instituto francês, tem o objetivo de promover e incentivar a pesquisa, estimulando trabalhos que foquem no desenvolvimento de terapias para o benefício dos pacientes com câncer. O valor será destinado aos projetos selecionados para colaborar com o seu desenvolvimento ao longo de dois anos. A Sociedade Brasileira de Oncologia (SBOC) e o Instituto Nacional de Câncer (Inca) farão parte do processo de seleção dos vencedores. 

O memorando foi assinado pelo vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, e pelo vice-presidente global de Pesquisa e Desenvolvimento do Instituto Servier, Claude Bertrand. Uma delegação da Fundação e da instituição francesa acompanhou a cerimônia de assinatura, com a participação do diretor geral da Servier do Brasil, Mathieu Fitoussi, e de profissionais da área de Pesquisa. 

Reforço de parcerias – Na ocasião, Krieger fez uma apresentação da Fiocruz, expondo a complexidade de operações e de atuação da Fundação no sistema público de saúde brasileiro, da pesquisa básica até a produção de medicamentos e vacinas e o atendimento a pacientes em hospitais. Ele também destacou o histórico da cooperação entre a Servier e a Fiocruz e as perspectivas de avanço em parcerias estratégicas, como a expansão da parceria com o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) para a produção do medicamento Vastarel 80 para os novos medicamentos desenvolvidos em micropellets. Outra ampliação de parceria tem relação com a Open Innovation/TT da Pegaspargase, feita com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). Trata-se de uma transferência de tecnologia por meio de Inovação Aberta, ou seja a Fiocruz terá acesso ao portfólio de inovação da Servier, podendo participar das iniciativas.

“Com esse prêmio que vamos lançar, poderemos apoiar projetos iniciais não só na Fiocruz, mas em toda a área da oncologia, compreendendo todo o sistema de ciência, tecnologia e inovação brasileiro”, afirmou Krieger durante a cerimônia, ressaltando a parceria de mais de dez anos com a Servier: “Com mais esse projeto, formamos com a Servier um guarda-chuva muito importante de ações para a Fiocruz e para a sociedade brasileira”.

Diretor geral da Servier do Brasil, Mathieu Fitoussi também ressaltou as parcerias já em curso com a Fundação e as perspectivas da Servier Brasil para a cooperação, destacando a importância de seguirem ampliando e aprofundando os projetos. “A cooperação entre a Fiocruz e a Servier é especial. Há vários pontos de conexão entre as instituições. São duas fundações comprometidas com a melhoria da assistência médica e com a excelência em pesquisa. A presença desta comitiva é uma demonstração da importância da nossa parceria com a Fiocruz”, apontou o diretor.

Em sua fala, Claude Bertrand deu uma breve visão institucional das atividades de pesquisa e parcerias da Servier no mundo e ressaltou que os beneficiários da instituição são os “pacientes”. “Nós estamos sempre em busca de excelência em pesquisa e, por isso, estamos aqui. É importante construir uma parceria de longo prazo e nós trabalhamos há muitos anos com a Fiocruz com os parâmetros da confiança e de competência de alto nível nos dois lados”, destacou. “Vamos ampliar nossos esforços na área da oncologia e, por isso, estamos realizando esse prêmio, que é parte da nossa missão de promover educação”.

Bertrand agradeceu ainda “pelo que foi feito no passado, pelos avanços construídos hoje e pelas futuras colaborações” entre a Servier e a Fiocruz em prol dos “pacientes ao redor do mundo que aguardam soluções terapêuticas melhores”. 

Primeira edição do Prêmio Fiocruz/Servier – Em 2018, foi realizada a primeira edição do Prêmio Fiocruz/Servier, voltado para pesquisa em neurociência. Os vencedores foram Stevens Rehen, do Instituto D’Or e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na categoria Neurociência e infecção por vírus zika, e Flávia Gomes, da UFRJ, na categoria Neuroinflamação e distúrbios de neurodesenvolvimento.

Farmanguinhos recebe menção honrosa em congresso internacional de Ciências Farmacêuticas

A colaboradora Flavia Furtado foi agraciada pelo estudo de uma nova abordagem em desenvolvimento analítico

Flávia Furtado recebeu menção honrosa pelo trabalho “Application of Analytical Quality by Design (AQbD) in Stability Indicating Method Development for Pharmaceutical Products” (Arquivo pessoal)

A colaboradora Flavia Furtado, que atua no Laboratório de Desenvolvimento e Validação Analítica (LDVA) de Farmanguinhos/Fiocruz, recebeu menção honrosa no 6º Congresso Internacional de Ciências Farmacêuticas, promovido pela Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF), realizado entre 04 e 06 de novembro em Brasília (DF).

O evento reuniu grandes nomes da pesquisa mundial com o objetivo de discutir ciência a fim de trocar experiências e estabelecer possíveis colaborações e parcerias. Cerca de 400 pessoas participaram do congresso, entre pesquisadores nacionais e internacionais, estudantes e profissionais, que apresentaram seus trabalhos científicos e trocaram experiências.

Flavia Furtado é mestranda do Programa de Pós-Graduação Profissional em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento na Indústria Farmacêutica, oferecido por Farmanguinhos. O estudo apresentado no congresso concorreu com 168 trabalhos divididos entre oito áreas relacionadas a Ciências Farmacêuticas.

Flavia Furtado (ao centro), com sua orientadora, Lívia Deris Prado, e Diogo Dibo, chefe do LDVA, e ex-orientador dela na pós-graduação em Tecnologias Industriais Farmacêuticas (Foto: Alexandre Matos)

A colaboradora explica que o estudo, “Application of Analytical Quality by Design (AQbD) in Stability Indicating Method Development for Pharmaceutical Products”, faz parte da dissertação que ela desenvolve no Mestrado Profissional da unidade.  Segundo ela, um dos objetivos do trabalho é a implementação de uma nova abordagem em desenvolvimento analítico.

“O projeto foi desenvolvido no Laboratório de Desenvolvimento e Validação Analítica (LDVA), da Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos (CDT), e implementado de forma pioneira na instituição, trazendo para o laboratório uma abordagem sistemática e científica de desenvolvimento analítico, baseada na avaliação dos riscos à qualidade, o que torna o processo mais ágil e eficiente. Como benefícios, conseguimos redução do tempo de resposta do setor, aumento na qualidade, redução dos desvios da qualidade analítica e de custos associados”, ressalta.

Flavia Furtado durante experimento no Laboratório de Desenvolvimento e Validação Analítica (Foto: Alexandre Matos)

O LDVA é responsável por desenvolver e validar métodos analíticos que geram resultados para apoiar as atividades de desenvolvimento farmacotécnico e controle de qualidade dos medicamentos desenvolvido e produzidos por Farmanguinhos. O AQbD (sigla em inglês para o método utilizado pela pesquisadora) é uma abordagem moderna de desenvolvimento analítico recomendada internacionalmente por guias de harmonização de práticas farmacêuticas, como, por exemplo, as Farmacopeis Americana e Europeia, além de outras entidades internacionais.

Flavia Furtado desenvolve a dissertação sob orientação das pesquisadoras Lívia Deris Prado e Karen Medeiros Gonçalves. “Além de agradecer minhas orientadoras, gostaria de fazer um agradecimento especial ao Diogo Dibo, pelo incentivo, apoio e oportunidade de cursar o mestrado. Ele que já foi meu orientador na especialização de Farmanguinhos, em Tecnologias Industriais Farmacêuticas, e é um chefe que fomenta a formação e capacitação de toda a equipe”, destaca.

Equipe do LDVA celebra mais essa conquista do Laboratório (Foto: Alexandre Matos)

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