Ano: 2019 (Página 12 de 26)

Assessoria Técnica de Gestão de Projetos

Farmanguinhos é mais do que uma fábrica de medicamentos, é um verdadeiro Instituto de Ciência e Tecnologia em Saúde. Diariamente, os pesquisadores dos laboratórios trabalham em novas descobertas e no desenvolvimento de novas formulações. Atualmente, existem cerca de 50 projetos de pesquisa dentro da Vice-diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI). A Assessoria Técnica de Gestão de Projetos tem o intuito de gerenciar e auxiliar no desenvolvimento tecnológico dos principais projetos institucionais da pesquisa. Conheça um pouco sobre a importância do trabalho desenvolvido por essa equipe multidisciplinar.

Criada em 2009, a área passou por algumas modificações e acompanhava os projetos, dependendo da demanda dos próprios pesquisadores ou em situações em que existiam patente ou recurso financeiro alto ou, ainda, em situações específicas relacionadas a questões jurídicas ou estruturais. Sandra Aurora, chefe da assessoria, explica o novo foco do setor com um olhar mais estratégico.

“Vamos trabalhar com o que é prioritário, com um grau de maturidade de desenvolvimento tecnológico que vale a pena continuar o investimento e com um olhar institucional, tanto de Farmanguinhos quanto da Presidência. Daremos um olhar diferenciado para os projetos que entraram no Programa Inova Fiocruz”, explicou.

No edital de 2018 do programa, oito projetos de Farmanguinhos foram aprovados dentro de três principais eixos: ideias inovadoras, geração de conhecimento e produtos inovadores. Segundo Sandra, dez projetos já estavam sendo gerenciados e o momento atual é de conclusão de alguns desses projetos. Recentemente, um foi finalizado e outros três estão na etapa final.

Os profissionais da área atuam como facilitadores para a execução do projeto em consonância com os coordenadores, verificando cronograma, pontos mais críticos, e auxiliando na formação de redes. Para mapear as atividades do gerenciamento foi elaborada a modelagem de processos, a fim de detalhar o ciclo de vida do projeto, que passa pela iniciação, planejamento, execução, monitoramento e pelo encerramento.

Processos de Gestão – Um dos recursos utilizados pela área como ferramenta de gestão é o Formulário de Caracterização dos Projetos, produzido em conjunto com os pesquisadores da VDEPI. Nele, o pesquisador consegue apresentar o status de cada etapa, respondendo a perguntas relevantes dentro das fases de pesquisa exploratória, tecnologia em prospecção, prova de conceito laboratorial e, na última fase, de desenvolvimento tecnológico.

Sandra destaca a importância desse gerenciamento para os trabalhos que estão sendo acompanhados. “Fizemos uma comparação de como era o projeto antes e depois da intervenção do gerenciamento e é nítida a melhoria, tanto do ponto de vista da organização documental, quanto dos pontos a serem melhorados que, em algum momento, estavam sendo um impeditivo para o coordenador. O profissional da área faz as conexões para que as redes possam funcionar, registrando todo o processo para que tudo fique organizado, documentado e rastreado”, destacou. Ela ainda explica que trabalham de acordo com o perfil e o ritmo do coordenador do projeto, para verificar a necessidade de uma assistência mais próxima e rigorosa.

Para solicitação do gerenciamento, os coordenadores do projeto precisam encaminhar diversos documentos, como carta de intenção do projeto, formulários de análises críticas, de caracterização, plano de trabalho, cronograma, atas, relatório de análise crítica, entre outros. Cabe ao Comitê Gestor, formado pelos Chefes de Departamentos da VDEPI, e a Câmara Técnica de Pesquisa, com representantes das áreas, validarem os projetos que serão gerenciados.

Atualmente, a equipe da Assessoria Técnica é multidisciplinar e formada por cinco profissionais, com áreas de estudo diferentes, dentre eles, farmacêuticos e um engenheiro de produção, que auxilia nos processos. O grupo realiza uma reunião semanal e, quando necessário, com os coordenadores de cada projeto e a equipe.

Equipe da Assessoria Técnica é multidisciplinar e acompanha todas as etapas do gerenciamento diretamente com os coordenadores dos projetos

Além disso, a participação nos fóruns da Gestec e as visitas externas agregam mais experiências e estreitam as parcerias com institutos de pesquisa para prestação de serviços. Por exemplo, para os projetos de leishmaniose, Farmanguinhos conta com a colaboração do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e do Instituto Gonçalo Muniz (Fiocruz Bahia). Há também a colaboração de outros departamentos que se envolvem em determinadas etapas, como o setor financeiro da VDEPI, que faz a administração dos projetos que contam com verbas externas de editais.

A atuação da gestão de projetos está cada vez mais estratégica para a contribuição do desenvolvimento tecnológico da pesquisa da Unidade. A junção do olhar inovador dos pesquisadores com a expertise e o direcionamento da gestão dos projetos é fundamental para o futuro de Farmanguinhos e da saúde da população brasileira.

Mais uma PDP concluída

Farmanguinhos é incluído como local de fabricação do genérico do Duplivir (Fumarato de Tenofovir Desoproxila + Lamivudina)

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) foi incluído como local de fabricação do Fumarato de Tenofovir Desoproxila + Lamivudina (300+300) mg, genérico do Duplivir, assim denominado por reunir os dois princípios ativos em um único comprimido. A confirmação foi emitida nesta quinta-feira (8/8) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com isso, o Instituto passa a executar todo o processo produtivo deste importante antirretroviral, usado por pessoas que vivem com HIV/Aids.

 

Trata-se de uma grande conquista para a unidade, já que representa a conclusão de mais uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP). No ano passado, o Instituto já havia finalizado a absorção tecnológica do imunossupressor Tacrolimo.

 

Segundo o diretor Jorge Mendonça, a inclusão da unidade como local de fabricação do Duplivir significa que a instituição cumpriu o objetivo integral da parceria, uma vez que absorveu todo o processo fabril do medicamento em suas instalações. “Além disso, a absorção inclui também a nacionalização dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA) utilizados na fabricação deste antirretroviral, o que fortalece a indústria farmoquímica nacional”.

 

O medicamento é fruto de uma parceria assinada em 2014, na qual a indústria privada nacional Blanver transferiu a tecnologia para Farmanguinhos. Ao longo desse período de PDP, o Instituto distribuiu mais de 368 milhões de unidades farmacêuticas do Duplivir. O total previsto para este ano é de mais de 75 milhões de comprimidos para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). A previsão é de mais de 140 milhões de unidades farmacêuticas para 2020.

Benefícios dessa parceria – Vários são os benefícios a partir da PDP. Segundo o diretor Jorge Mendonça, a produção pública significa a garantia do abastecimento do SUS; economia aos cofres públicos; ampliação do acesso aos programas de saúde; fortalecimento das indústrias farmoquímica e farmacêutica nacionais, uma vez que prevê a internalização do princípio ativo (principal substância do medicamento, responsável pelo efeito terapêutico); e geração de renda e emprego no país.

 

Neste sentido, o diretor destaca ainda o empenho de todas as áreas envolvidas para a conclusão dessa PDP. Afinal, a internalização da tecnologia foi um processo longo, e envolveu vários setores de Farmanguinhos, requerendo grande esforço dos profissionais para tornar esse projeto uma realidade para o país. Desta forma, mais uma vez Farmanguinhos cumpre seu papel essencial para o país, atuando sempre em defesa da vida.

Farmanguinhos/Fiocruz produz lotes-piloto de Cabergolina

Mais um fruto de Parceria de Desenvolvimento Produtivo, medicamento será ofertado no SUS para pacientes que sofrem de hiperprolactinemia, isto é, produção elevada de prolactina

A produção dos lotes-piloto de cabergolina tem como objetivo formalizar a inclusão de Farmanguinhos como local de fabricação de mais este fruto de PDP (Foto: Alexandre Matos)

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), unidade da Fiocruz responsável pela fabricação de medicamentos, finalizou a produção de lotes-piloto do Cabergolina 0,5mg, indicado para controle da hiperprolactinemia. Trata-se de mais um fruto de Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) que a unidade conclui este ano. Com isso, a instituição passará a ofertar na rede pública de saúde esse importante fármaco para pacientes que sofrem dessa anomalia causada pela produção elevada de prolactina, também conhecida como hormônio do leite – quando está presente no sangue em alta dosagem, pode trazer várias consequências à saúde da mulher, como o bloqueio da menstruação, causando infertilidade.

A fabricação pública foi viabilizada por uma PDP, na qual a indústria nacional Cristália transfere a tecnologia para o instituto. Neste sentido, a produção desses lotes tem como objetivo a inclusão pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de Farmanguinhos como local de fabricação. A previsão é de que, até outubro deste ano, a unidade esteja executando todo o processo produtivo em sua planta fabril, que foi totalmente modernizada para absorção tecnológica de medicamentos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

A inclusão de Farmanguinhos como local de fabricação reitera o comprometimento da unidade, que cumpriu o objetivo integral da parceria, isto é, absorveu todo o processo fabril em suas instalações – Jorge Mendonça

Benefícios para o país – O diretor Jorge Mendonça explica que a internalização da tecnologia significa fortalecer a produção pública de medicamentos e o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (Ceis). Ele observa ainda que a fabricação de Cabergolina por Farmanguinhos garantirá o abastecimento do SUS, além de gerar economia aos cofres públicos, o que permitirá a ampliação do acesso de mais pessoas ao tratamento.

“A inclusão de Farmanguinhos como local de fabricação reitera o comprometimento da unidade, que cumpriu o objetivo integral da parceria, isto é, absorveu todo o processo fabril em suas instalações. Outro ponto a destacar é a garantia da nacionalização dos Insumos Farmacêuticos Ativos (IFA) utilizados na fabricação deste medicamento, o que diminui a dependência por produtos importados. Desta forma, Farmanguinhos contribui para a sustentabilidade ao SUS”, ressalta o diretor.

Para produzir a Cabergolina, e outros medicamentos advindos de PDP, nas instalações do Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM), Farmanguinhos passou por uma reforma de sua planta fabril. Além de contar com profissionais altamente qualificados, foram adquiridos equipamentos de última geração. Desta forma, o Instituto continua atuando de forma estratégica para o país, lutando sempre em defesa da vida e de uma saúde pública de qualidade.

Representantes do Ministério da Saúde visitam Farmanguinhos

Durante o encontro, a coordenadora-geral do Complexo Industrial da Saúde disse que vai propor a inclusão de medicamentos da unidade na lista do Mercosul

A partir da esq: José Carlos Aleluia, Jorge Mendonça, Mirna Poliana Furtado de Oliveira, Marco Aurélio Krieger, Bárbara Ferreira Trigueiros, Sílvia Santos, Mario Santos Moreira, Vânia Dornellas, Núbia Boechat e Rodrigo Fonseca (Foto: Alexandre Matos)

Na última semana (10/7), o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) recebeu a visita do assessor especial do Ministério da Saúde, José Carlos Aleluia, e da coordenadora-geral do Complexo Industrial da Saúde, Mirna Poliana Furtado de Oliveira. O encontro teve como objetivo apresentar as instalações fabris, mostrar o fluxo de produção para atender as demandas do Ministério e dialogar sobre a possibilidade de criação de uma agenda estratégica para produção e distribuição de medicamentos na rede pública de saúde.

O Brasil tem um braço estratégico de pesquisa, desenvolvimento e de produção na Fiocruz, e deve ser tratado com muita atenção e prioridade pelo Ministério – José Carlos Aleluia, referindo-se à opinião do ministro da Saúde sobre Farmanguinhos

Os visitantes foram recepcionados pelo diretor Jorge Mendonça, pela vice-diretora de Operações e Produção, Elda Falqueto, pela vice-diretora de Gestão Institucional, Sílvia Santos, pela vice-diretora de Pesquisa, Educação e Inovação, Núbia Boechat, pela chefe de Gabinete, Vânia Dornellas, pela gerente da Assistência de Gestão de Projetos de Absorção Tecnológica, Bárbara Ferreira Trigueiros, e pelo vice-diretor de Gestão da Qualidade, Rodrigo Fonseca. Representando a Presidência da Fiocruz, estiveram presentes o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger, e o vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Mario Santos Moreira.

A vice-diretora Elda Falqueto guiou os visitantes em cada linha de produção a fim de mostrar o fluxo de fabricação de medicamentos e a capacidade produtiva instalada no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM). Eles conheceram as novas linhas reformadas recentemente para atendimento das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Jorge Mendonça explicou que, no caso da linha de tacrolimo, o objetivo é incluir outros imunossupressores, a fim de aproveitar a capacidade produtiva. “A vantagem de se trabalhar em plataformas é poder usar determinada área para outros medicamentos de mesma classe terapêutica, o que evita novos gastos com obras, como é o caso dos imunossupressores, por exemplo”, argumentou.

Durante a visita, Mendonça explicou que o objetivo é trabalhar em plataformas, usando a capacidade produtiva para fabricar numa determinada linha medicamentos de mesma classe terapêutica, caso dos imunossupressores, por exemplo (Foto: Viviane Oliveira)

Protagonismo da Fiocruz – O assessor do ministro da Saúde, José Carlos Aleluia, disse ter ficado bem impressionado com o parque fabril da unidade. “A visita apenas confirmou a visão que o ministro Mandetta (Luiz Henrique) tem sobre Farmanguinhos. E eu, como assessor, também compartilho essa opinião: de que o Brasil tem um braço estratégico de pesquisa, desenvolvimento e de produção na Fiocruz, e deve ser tratado com muita atenção e prioridade pelo Ministério”, frisou.

Ele ressaltou ainda que, além de atender as demandas de saúde pública, Farmanguinhos, e a Fiocruz como um todo, devem protagonizar uma política industrial no âmbito da saúde pública. “Durante esta visita, hoje aqui, pude perceber que Farmanguinhos é uma instituição que tem capacidade de contribuir bastante para a saúde pública. Claro que tem que se articular com outras instituições públicas e privadas. É importante trazer a iniciativa privada a fim de alavancá-la também”, observou Aleluia. “Esta instituição não é somente de pesquisa, desenvolvimento e produção, Farmanguinhos, e a Fiocruz como um todo, podem sim chegar à fase de criar condições de desenvolvimento de outras instituições, fortalecendo o complexo industrial de saúde no Brasil”, salientou.

Krieger ressaltou que Farmanguinhos tem capacidade de produzir medicamentos estratégicos para o Ministério da Saúde e formulações para doenças negligenciadas (Foto: Viviane Oliveira)

Medicamento tipo exportação – Já a coordenadora-geral do Complexo Industrial da Saúde, Mirna Poliana Furtado de Oliveira, informou que vai defender a inclusão de medicamentos de Farmanguinhos na lista de produtos para o Mercosul, principalmente o tacrolimo. A partir de 17 de julho, o Brasil assumirá a presidência pró-tempore (rotativa) do bloco econômico, o que, segundo Mirna, deve favorecer o diálogo no campo da saúde.

Diante desse cenário positivo, a coordenadora afirmou que uma das intenções da Pasta no Mercosul é apoiar, por diferentes mecanismos, a exportação de medicamentos produzidos por instituições públicas brasileiras, a fim de fortalecer o complexo industrial, dentre elas, Farmanguinhos. “Precisaremos ainda definir como vamos fazer isso, ou seja, que mecanismos legais vamos utilizar. Mas é importante frisar que existe a intenção, que está sendo discutida no Ministério para a inclusão desse medicamento no Mercosul”, disse.

Produção versátil – Ambos os visitantes demonstraram ótima impressão com as instalações de Farmanguinhos e destacaram as condições da unidade para atender a diferentes classes terapêuticas. O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger, também destacou essa versatilidade de Farmanguinhos a partir da adequação da planta fabril. “Conseguimos chegar ao equilíbrio entre medicamentos para doenças negligenciadas e medicamentos estratégicos para o Ministério da Saúde”.

Neste sentido, os visitantes reforçaram que o Instituto deve sim internalizar tecnologia de produtos estratégicos, e que, paralelamente, precisa dar continuidade à produção de   medicamentos para doenças negligenciadas. “Farmanguinhos tem plenas condições de assumir a produção de medicamentos estratégicos, ou seja, de componentes especializados, chamados de medicamentos de alto custo, por meio de PDP. E, ao mesmo tempo, aproveitar a mesma área fabril, adequando algumas linhas, para fabricar medicamentos para doenças negligenciadas”, argumentou Mirna de Oliveira.

Os representantes do Ministério da Saúde puderam conferir de perto as instalações fabris de Farmanguinhos, cuja capacidade suporte demandas por medicamentos de diferentes classes terapêuticas (Foto: Viviane Oliveira)

Ela ressaltou que o Ministério da Saúde está trabalhando nessa possibilidade. “Esse é um projeto prioritário para a gestão atual do Ministério da Saúde e da Secretaria de Ciência e Tecnologia. Então, estamos identificando e apoiando instituições públicas que tenham condições de atender essas demandas. E como comentei, Farmanguinhos, na minha opinião, é a instituição que mais tem condições de assumir a produção de alguns desses medicamentos”, assinalou.

Sob esse aspecto, Elda Falqueto reiterou que Farmanguinhos tem estrutura para atender grandes demandas e destacou como exemplo o atual volume de produção. A previsão é de produzir cerca de 300 milhões de unidades farmacêuticas até o fim deste ano.

Elda Falqueto explicou detalhes sobre o potencial técnico de Farmanguinhos e ressaltou os altos volumes de produção nos últimos meses (Foto: Viviane Oliveira)

Sandra Aurora é Gente de Far

Iniciação científica no IOC, com Renato Cordeiro, Vivian e Dr. Haity Moussatche

São 32 anos de muita dedicação às pesquisas científicas, noites em claro em laboratórios e fins de semana voltados para estudos e resultados. O termo workaholic, uma gíria em inglês para alguém viciado em trabalho, se encaixa perfeitamente para a pesquisadora de Farmanguinhos, Sandra Aurora. Com uma bonita trajetória na Fundação, desde bancada à gestão de projetos, a servidora participa de vários eventos para divulgação científica e ainda leva o conhecimento para crianças e jovens em escolas e projeto social. Sandra ainda arruma tempo para passear com o marido, a mãe e o filho e declara o seu amor à escola de samba Mangueira, em ensaios e desfiles no Carnaval.

Formatura da graduação em Biologia, em 1990, ao lado dos pais, Márcia Coronha, Marco Aurélio Martins e Patrícia Silva (pesquisadores do IOC)

Atualmente, Sandra atua na Assistência Técnica de Gestão de Projetos, da Vice-diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI), em Manguinhos. Junto à equipe, faz o gerenciamento de projetos da Unidade, em fase de ensaios pré-clínicos.

“Conforme o projeto vai ganhando complexidade, no ponto de vista da cadeia de desenvolvimento, mais atores participam. E nós intermediamos com esses atores, com a Vice-Diretoria, Direção, Presidência. Temos um cronograma e as etapas do ciclo de vida dos projetos e fazemos o gerenciamento, junto aos coordenadores dos projetos”, explicou.

Só em Farmanguinhos, Sandra já está há 12 anos, mas a sua história na Fiocruz começou em 1987, quando ingressou como bolsista de Iniciação Científica no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), e cursava Biologia na Universidade Gama Filho. Depois, continuou com os estudos como bolsista de aperfeiçoamento, de mestrado e doutorado, realizados também no IOC, e pós-graduação no curso de Biologia Celular e Molecular com especialização em Farmacologia.

Em Boston, durante o pós-doutorado, com Josiane Sabadinni, Madalena e Rosanna Melo.

Com estudos voltados aos eosinófilos, células que participam da imunidade protetora contra certos parasitas e processos alérgicos, a pesquisadora teve a oportunidade de fazer o pós-doutorado, em Harvard, nos Estados Unidos. Inicialmente, os planos eram aprofundar os estudos no Canadá, porém, após a ida a um congresso em Banff, teve a oportunidade de conhecer o pesquisador Peter Weller e após um convite especial, foi a terceira convidada brasileira a fazer parte do grupo de estudo.

“Foi uma experiência única estar lá, trabalhar com o filho de um vencedor do Prêmio Nobel, em um ambiente científico super-rico, com infraestrutura e materiais adequados. Lembro que toda quarta-feira tinha o Lab Meeting, que era um encontro para apresentação dos resultados, favoráveis ou não, questões estruturais e troca de experiências. Era muito dinâmico e enriquecedor e tive a oportunidade de interagir com chineses, indianos, africanos, com trocas culturais incríveis”, recordou Sandra.

Sandra Aurora, Cecília (Anvisa) e Tereza Santos, em 2011, em um workshop, no PDTIS.

Quando retornou ao Brasil, a pesquisadora que lidava com um único projeto na bancada, começou a trabalhar no acompanhamento de vários estudos e em áreas diversificadas, no Programa de Desenvolvimento Tecnológico em Insumos para Saúde (PDTIS). “Esta transição foi assustadora, pois antes era um projeto em andamento e mudou para 10 a 15 projetos e em um universo de várias doenças. Como a maioria dos projetos era de Farmanguinhos, a aproximação com a Unidade cresceu e o contato com novas áreas de estudo também”, contou.

Após muitos anos de estudos, de aventuras nas madrugadas para experimentos, que duravam 12 horas, e de trabalhar na Fundação como bolsista e terceirizada, em 2014, a pesquisadora ingressou como especialista no concurso da Fiocruz.

Mariana de Souza e Sandra Aurora, no Domingo com Ciência na Quinta, que aconteceu em julho de 2019

Novas vivências- Para quem sempre busca novas aventuras, Sandra ainda teve a oportunidade de dar aula de desenvolvimento tecnológico na Escola Oga Mitá, na Tijuca, e ainda levou colegas da Fiocruz para passar os conhecimentos para os alunos, como Helvécio Rocha, Maria Behrens, Elizabeth Sanches, Wanise Barroso. Além disso, toda sexta-feira à noite, ela encontra disposição para ministrar aulas de Biologia em um pré-vestibular social, com o projeto “Brota na Laje” e a escola Oga Mitá, para jovens dos Morros do Salgueiro, Formiga e Borel.

“É uma grande satisfação poder colaborar na formação desses alunos da comunidade. Ao mesmo tempo é revigorante e um aprendizado, porque no pré-vestibular é mais completo e eu estudo também para ampliar e planejar aulas”, ressaltou.

Benjamin Gilbert, do Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde, e Sandra no stand de Farmanguinhos, no Green Rio 2018

A pesquisadora participa de diversos encontros científicos, workshops e eventos nacionais, como GreenRio, Abrascão, a 71ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontecerá de 21 a 27 de julho, no Mato Grosso do Sul, entre outros. Além de apresentar o portfólio do Instituto, Sandra fala dos projetos científicos, inclusive do biolarvicida Denguetech, desenvolvido por Farmanguinhos.

A música é uma grande paixão para Sandra, que ama o Carnaval e acompanha todos os ensaios da sua escola de coração, que é a Mangueira, e do Paraíso do Tuiuti. Desde pequena, frequentava os ensaios com o pai e o irmão.

Ainda em relação à música, ela lembra de um momento especial que viveu na Instituição, quando participou do Coral da Fiocruz e se apresentou nos 100 anos da Fundação e em eventos externos, na Candelária e até em Belo Horizonte.

Falar da Sandra é isso, misturar pesquisa, mundo científico e tantas histórias vividas na Fiocruz, com família, origens chilenas e o samba mangueirense. É uma combinação de paixões vividas intensamente.

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