Autor: Assessoria de Comunicação (Página 9 de 9)

Conheça a Manutenção Fabril

(Por Maritiza Neves)


O agrupamento de atividades fundamentais para reparar ou manter um equipamento, um sistema, uma peça, de maneira que se consiga uma boa condição operável e uma vida útil maior para o maquinário, se chama Manutenção.

Há algum tempo, a Manutenção Industrial vem assumindo um papel estratégico nas organizações. A busca de excelência operacional e a competitividade fez com que esta importante atividade atingisse esse status tático.

Em Farmanguinhos, a manutenção feita em equipamentos ligados diretamente à Produção / VDOP, se chama Fabril. E a grande missão desse setor é manter os equipamentos o maior tempo possível disponível para produção e prolongar sua vida útil mantendo as condições de quando foi feita a qualificação. “Não adianta eu levar mais tempo fazendo manutenção do que o equipamento leva para produzir”, informa o coordenador da área, Irwing Weinberg.

A Manutenção é classificada de diversas formas, a saber: corretiva, preventiva, preditiva… Na Unidade, a nomenclatura para as manutenções corretivas e preventivas são: Não Sistemática, aquela usada quando o equipamento falha ou dá algum defeito (Corretiva) e Sistemática, aquela que é programada (Preventiva).

Quando a Anvisa chega para inspecionar a nossa área, a primeira coisa que pedem é o plano anual de manutenção dos equipamentos – Irwing Weinberg

Como isso tudo funciona – Por meio do setor de Planejamento e Controle da Manutenção (PCM), é elaborado um planejamento anual com programação e controle das manutenções.  As tarefas para geração das manutenções preventivas que compõem o plano são baseadas em informações extraídas pelos profissionais da área dos manuais de operação e manutenção dos equipamentos, e cadastrado no sistema como Ordem de Manutenção (OM), empregando o tipo de manutenção adequada, considerando o grau de prioridades e criticidade de cada maquinário. Semanalmente são emitidas todas as OM sistemáticas dos equipamentos. Estas, por sua vez, serão distribuídas para cada supervisor que, em seguida, subdividirão com as esquipes de mecânicos e eletricistas que executarão a manutenção sistemática no decorrer da semana.

Está contido na estrutura da Manutenção Fabril de Far, a Oficina de Apoio e a Oficina de Automação. No primeiro local, se fabrica e se conserta peças dos maquinários fabris. Já, no segundo, se trabalha a parte eletrônica dos equipamentos.

Farmanguinhos tem uma média de 2.400 equipamentos. Os mecanismos são de última geração, com tecnologia de ponta, sensores em várias partes. Essa quantidade de maquinário é um grande desafio para os profissionais do setor, pois num tempo hábil precisam vistoriar e, se for necessário, fazer a reposição dos itens que quebraram, desgastaram ou deram defeito.

Um dos diferenciais da Manutenção Fabril é o staff destacado para ficar todo o tempo atento aos equipamentos da Produção. Essa equipe trabalha com manutenção não sistemática (corretiva). Os profissionais acompanham o desempenho dos dispositivos para, em caso de avaria, procederem com uma ação rápida. Naquele local, inclusive, tem uma oficina com mecânicos e eletricistas que dão apoio diretamente aos equipamentos instalados na fábrica, sempre atendendo as premissas das Boas Práticas de Fabricação (BPF).

Os colaboradores da Manutenção Fabril que atuam fora da fábrica são responsáveis por fazerem em suas oficinas as modificações ou adaptações no maquinário para que se possa executar formatos novos de peças caso tenha havido troca de frasco, tampa, embalagem, o que for. Pela quantidade de equipamentos, não é pouco o trabalho dos 30 profissionais que atuam na área.

Estocar sem ocupar espaço físico – Apesar da área de Manutenção ter uma estrutura física boa, com estoque básico e materiais emergenciais para uso no dia a dia, Farmanguinhos precisaria de um espaço muito maior para armazenar todo o material necessário para o reparo dos equipamentos. Ao invés disso, o uso do sistema de registro de preços tem sido uma alternativa importantíssima para Far. Por meio deste procedimento, onde são listados os materiais passíveis de uso, os itens são adquiridos no momento adequado da necessidade, não sendo necessário providenciar grandes áreas para armazenagem de materiais. 

Além disso, a Instituição adotou uma tendência de mercado de contratação de Assistência Técnica. Iniciou com a empresa Fette Compacting um contrato de manutenção com fornecimento de peças. Com isso, passa a usar o estoque e as peças do fabricante sem ter a preocupação de ampliar o seu espaço físico. “Essa é uma prática crescente no mercado. Esse tipo de contrato só temos com a Fette. Estamos tentando estender para outros equipamentos. Assim, não precisamos imobilizar verba com estoques. Só se usarmos”, disse Irwing.

Assim funciona a Manutenção Fabril em Far. Manter, consertar, conservar são ações feitas diuturnamente na busca de soluções ideais para o contínuo crescimento institucional.  

‘Medicamento não deveria ser um luxo, é um direito’, diz diretora de campanha da ONG Médicos Sem Fronteiras

Els Torreele denuncia indústria farmacêutica por restringir acesso a remédios para obter lucro

O Globo / Ana Paula Blower

RIO- Medicamentos não deveriam ter preços exorbitantes, mas serem acessíveis aos pacientes e sistemas de saúde. Este é um dos preceitos da Campanha de Acesso a Medicamentos, um departamento de advocacy da ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF). Quando começaram, há 20 anos, o foco era nas doenças negligenciadas, como a de Chagas, que não recebiam atenção da indústria farmacêutica para terem melhores tratamentos. Hoje, o problema parece maior: pacientes com doenças crônicas, como diabetes, também sofrem com altos preços de drogas básicas em países ricos.

Ao GLOBO, a diretora da Campanha, Els Torreele, fala sobre a iniciativa e a importância de o Brasil seguir com ações de pesquisa e desenvolvimento de remédios.

A campanha completa 20 anos. Por que ela começou?

Começamos para assegurar que os pacientes dos projetos de MSF, e além deles, tivessem acesso aos medicamentos, diagnósticos e vacinas dos quais precisam. Naquele momento, surgiam novos tratamentos para HIV/ Aids em países ricos mas muito caros para os em desenvolvimento. Tentávamos, então, encontrar formas de dizer que medicamentos são um direito, não deveriam ser um luxo ou commoditie. Fomos atrás de formas de baixar os preços e percebemos os entraves nisso. Os valores não têm a ver com custo de produção ou pesquisa, mas com quanto as farmacêuticas podem lucrar. Há 20 anos, doenças negligenciadas, como de Chagas e leishmaniose, sequer tinham tratamento. As empresas não as achavam lucrativas o bastante. Sempre nos preocupamos em garantir que essas doenças tivessem a atenção necessária: se não fosse pelas grandes companhias, que encontrássemos outras ferramentas.

O foco da campanha mudou?

Tivemos avanços e os exemplos mudaram. Temos um tratamento para HIV/Aids acessível, 22 milhões de pessoas que hoje sobrevivem porque têm acesso a ele. Mas vemos que cada novo medicamento que entra no mercado passa pelo mesmo problema de preço. Antes a dificuldade de acesso a medicamentos era um problema de pessoas pobres vivendo em países em desenvolvimento, e, hoje, tornou-se uma questão global. Países como a Bélgica e outros da Europa Ocidental, por exemplo, estão tendo problemas com novas gerações de remédios para hepatite C, câncer, que estão inacessíveis para os sistemas públicos. A nossa luta pelo acesso se tornou global.

O problema se tornou maior?

Sim. A questão das patentes se tornou global e os tratamentos ficam cada vez mais caros. Quando começamos, o Brasil foi um caso piloto onde o governo decidiu que era responsabilidade pública oferecer tratamento gratuito para pessoas vivendo com HIV/Aids, além de produzir genéricos para baixar preços. Foi assim também em outros países, como Índia. Essa alternativa não é mais possível. Em 1995, com a Organização Mundial do Comércio e a assinatura do acordo tríplice (em que todos os países que assinassem teriam que reconhecer patente), decidiu-se que teria que esperar a patente expirar para produzir genéricos. Além disso, tratamentos para HIV/Aids estão mais caros. Os primeiros custavam US$ 10 mil, 15 mil por pessoa, por ano. Hoje, os novos custam US$ 100 mil, US$ 500 mil. Esse é o tipo de ganância da indústria farmacêutica, com preços exorbitantes. Hoje, até os países ricos terão seus sistemas públicos de saúde arruinados se continuarmos assim. Precisamos de uma solução global, não só uma “de caridade” para os países pobres.

Qual a solução, envolvendo a indústria e os governos?

Essa é uma questão de poder. Temos uma sociedade capitalista global onde as indústrias farmacêuticas têm muito poder em assegurar que as regras do jogo se adequem ao negócio e consigam o máximo de lucro. O papel dos governos é ditar as regras do jogo. Eles podem dizer: “Chega, já é o bastante. Vocês não podem extrair o máximo que podem de pacientes que estão morrendo”. Os governos podem determinar regras sobre monopólio, preços, transparência, sobre como as indústrias gastam em pesquisa, as razões pelas quais cobram altos preços. E isso não está acontecendo.

Quem sofre os efeitos disso?

O tratamento para hepatite C é um exemplo, foi um desafio para países como Estados Unidos, Japão, e há uma batalha em curso em países da América Latina com relação à isso, por ser muito caro. Em alguns países da África, ele nem é disponível. Outro exemplo é o que ocorre nos EUA com diabetes. Há casos constantes na imprensa de jovens que não conseguem custear insulina, uma droga básica. As companhias põe preços cada vez mais altos, que fazem com que jovens que estavam no plano de saúde de seus pais não sejam mais autorizados a ficar e, por isso, não conseguem pagar o medicamento. As empresas sabem que as pessoas estão morrendo e farão de tudo para comprar esses remédios.

Como está o Brasil?

Há no país, nos últimos 20 anos, um setor público de saúde forte com a perspectiva de que o acesso deve ser para todos. O governo investiu na produção de medicamentos, criando iniciativas como a Farmanguinhos, e nas de pesquisa, como a Fiocruz, para garantir a produção local. Mas não está claro qual será o direcionamento dessas políticas. Fala-se em mais poder ao setor privado na saúde, o que não dá certo. Se deixá-los no comando, vão cobrar preços cada vez mais altos. O Brasil tem ótimos exemplos, como a vacina contra dengue sendo desenvolvida no Butantã e a produção do genérico sofosbuvir contra hepatite C, na Fiocruz. Seria fantástico se o país se mantivesse forte nesta produção local e promovesse o exemplo ao resto do mundo.

Fiocruz participa da 15ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (16 a 20/10)

O tema deste ano é ‘Ciência para a redução das desigualdades’. A Fundação participa com a promoção de atividades gratuitas de divulgação científica, cultura e lazer

 

 

Museu da Vida (COC/Fiocruz)

De 16 a 20 de outubro, a Fiocruz participa da 15ª edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovendo dezenas de atividades gratuitas de divulgação científica, cultura e lazer. Elas serão realizadas no campus de Manguinhos e também em outros lugares do Rio de Janeiro, bem como em unidades da Fiocruz em diferentes estados do Brasil. A SNCT é coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e, em 2018, tem como tema Ciência para a redução das desigualdades. A Fiocruz está preparando oficinas, experimentos, jogos, apresentações teatrais, exposições, rodas de conversa e muito mais. 

Na terça-feira (16/10), a abertura oficial da SNCT 2018 na Fiocruz contará com uma homenagem ao Museu Nacional. A conferência O Museu Nacional e seu papel na história das ciências e da saúde no Brasil será apresentada pela pesquisadora Magali Romero Sá, vice-diretora de Pesquisa e Educação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). A partir das 9h, no auditório do Museu da Vida, no campus da Fiocruz em Manguinhos (av. Brasil, nº 4.365, próximo à passarela 6).

Na segunda-feira (15/10), como evento especial da SNCT e parte da Semana de Educação da Fiocruz, ocorrerá a cerimônia de entrega do Prêmio Oswaldo Cruz de Teses 2018. A pesquisadora Euzenir Nunes Sarno receberá a Medalha de Mérito Educacional Virgínia Schall 2018, pelo reconhecimento de sua atuação no campo da biomedicina. O evento será realizado na Tenda da Ciência Virgínia Schall, às 14h.

 Confira a programação completa no site do Museu da Vida.

 

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