
Autor: Viviane Oliveira (Página 2 de 74)

A IV Jornada da Pós-Graduação de Farmanguinhos começou nos dias 6 e 7 de outubro, no campus Manguinhos. O evento reúne alunos de pós-graduação, pesquisadores e representantes de indústrias farmacêuticas e farmoquímicas para conferências, debates, apresentações orais e avaliação de pôsteres.
Formaram a mesa de abertura a Vice-Presidente de Educação da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz (VPEIC), Marly Cruz, o vice-diretor de Gestão Institucional de Farmanguinhos/Fiocruz, Jonnathan Pereira, o vice-diretor substituto de Educação, Pesquisa e Inovação de Farmanguinhos/Fiocruz, Marcelo Tappin, o Coordenador do Departamento de Educação de Farmanguinhos/ Fiocruz, Eduardo Sousa, a representante da Comissão Organizadora da Jornada, Ana Paula Matos, e a Pesquisadora de Farmanguinhos/ Fiocruz, Núbia Boechat.
Marly Cruz enalteceu a qualidade do evento e falou sobre os programas que integram a educação da Fiocruz. “Estar aqui na quarta edição da Jornada e com 122 trabalhos inscritos, não é pouca coisa. É muita coisa pela quantidade e pela qualidade da iniciativa, que é de trazermos este espaço de reflexão em um momento tão necessário para o nosso país. E tudo isso que Farmanguinhos está fazendo faz parte do Ecossistema de Educação da Fiocruz, que tem 49 programas de pós-graduação, e Farmanguinhos está lá, com o seu mestrado e doutorado. Temos 35 programas de residência, cursos de especialização presencial e à distância e cursos de qualificação profissional. Hoje somos a instituição que mais forma para o SUS”, apresentou a vice-presidente.
Jonnathan destacou os diferenciais de Farmanguinhos, que contribuem para a formação dos participantes do evento. “Nossos estudantes têm a oportunidade de conviver com pesquisadores, laboratórios, tecnologias, processos, mas principalmente, profissionais comprometidos com a ciência e com a saúde pública. A Jornada representa justamente essa integração e é um espaço para apresentar pesquisas, compartilhar resultados, trocar experiências e aproximar pessoas. Em nome da Direção de Farmanguinhos, reafirmo o nosso compromisso com a Educação, a ciência, a formação de pessoas e o fortalecimento dos nossos programas de pós-graduação”, mensurou o vice-diretor.
Marcelo Tappin comentou sobre a importância do evento para a pesquisa e para o Instituto. “Para mim, já se tornou um evento fixo no calendário de Farmanguinhos e eu já considero um Congresso de Far, porque se tornou um espaço de troca e reflexão, não só para a VDEPI, mas para todos os setores da unidade, que têm a oportunidade de aprender e, muitas vezes, encontrar soluções, até mais próximos do que imaginavam”, disse.
Eduardo falou sobre a contribuição de vários atores para a construção da educação, independente do grau. “A jornada reúne o técnico, o graduado, o especialista, o mestre, o doutor, o residente, o Provoc. A Jornada é a união de todas essas pessoas, que fazem a educação. É um espaço democrático, onde todos podem e devem contribuir. E essa união faz com que o evento cada vez seja mais reconhecido e aguardado”, afirmou.
Integrante da Comissão Científica da Jornada de Pós-graduação desde a primeira edição, em 2023, Ana Paula relatou a trajetória do evento. “A cada ano, a Jornada vem crescendo mais, com mais números de participantes e mais trabalhos submetidos. Agradeço a participação dos membros que compõem a mesa de abertura e a presença de todos os participantes no evento”, afirmou.

Conferência e mesa redonda – A Conferência de Abertura contou com a apresentação de Núbia Boechat, que abordou o tema “Farmanguinhos 50 anos: da produção pública à inovação estratégica em saúde”. A pesquisadora que atua no Instituto desde 1986, destacou a sua trajetória na pesquisa e na síntese de fármacos e correlacionou com marcos institucionais, que contribuíram com avanços para a saúde da população brasileira e para o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis). A pesquisadora comentou sobre a internalização de tecnologias com parcerias público-privadas e comentou sobre a competência técnica em produção, controle de qualidade e assuntos regulatórios para atender ao programa nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis. Além de destacar desafios e conquistas na carreira profissional, Núbia citou projetos que estão em andamento, como um Laboratório de Aumento de Escala e Novas Tecnologias em Insumos Farmacêuticos Ativos (LAENTIFA), para obtenção de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) sintéticos para tuberculose, malária e outras doenças, e o desenvolvimento o IFA do benznidazol, para doença de Chagas.
O evento contou com debates importantes que destacaram os processos e equipamentos que permeiam a cadeia produtiva de medicamentos. A primeira mesa redonda, mediada por Ana Paula Matos, de Farmanguinhos/Fiocruz, apresentou o tema “Tecnologias Farmacêuticas emergentes: do laboratório à escala industrial Mediadora”. A pesquisadora Livia Prado, responsável pelo Departamento de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico, da Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos/Fiocruz, falou sobre Qualidade por concepção: o risco como eixo estruturante da inovação, do desenvolvimento tecnológico e da produção de medicamentos. A representante da Pharma & Cosmetics/Netzsch, Ligia de Souza, apresentou a empresa e falou sobre as ferramentas mais aplicadas para desenvolvimento nas indústrias farmacêuticas, com o tema “Reologia e Análise Térmica: Ferramentas para o desenvolvimento Farmacêutico”.


Apresentações orais e avaliação de pôsteres – O primeiro dia de evento contou ainda com apresentações orais dos alunos selecionados, que falaram sobre novos derivados contra tuberculose, sistemas de cultivo celular na plataforma de bioensaios antitumorais, etapa de pré-formulação para obtenção de biossimilar para tratamento de câncer, desenvolvimento de método para tratamento para doença de Chagas e indicadores para decisões estratégicas de portfólio farmacêutico público.
Os pôsteres dos participantes estão sendo avaliados ao longo dos dois dias de evento e serão premiados durante a cerimônia de encerramento. Confira a programação do segundo dia e a lista de pôsteres inscritos, no link.






O Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa (IHMT NOVA), o Instituto de Tecnologia em Fármacos – Farmanguinhos/Fiocruz, e a Wolbito do Brasil assinaram um Memorando de Entendimento que amplia a cooperação científica e internacional entre as instituições.
O acordo estabelece um marco de colaboração nas áreas de ensino, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e políticas de saúde, estruturado em quatro eixos estratégicos: o fortalecimento de projetos de inovação voltados ao combate das doenças transmitidas por vetores, no âmbito da Coalização Global em Dengue; a promoção da mobilidade acadêmica e da formação de estudantes e pesquisadores; a criação de canais para intercâmbio técnico e realização de eventos científicos; e a disseminação dos resultados alcançados por meio de publicações conjuntas.
O memorando também coincide com visita da comitiva de Farmanguinhos ao IHMT NOVA para fazer um “balanço” da parceria exitosa com o instituto português. Celebraram, também, a conclusão da segunda edição da disciplina internacional conjunta Dinâmica da Inovação em Saúde e Empreendedorismo Social e Industrial, realizada entre abril e julho de 2026. A iniciativa reuniu estudantes de Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Ao todo, participaram 19 alunos, sendo 10 ligados aos Programas de Pós-graduação Profissional em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento na Indústria Farmacêutica (PPG-GPDIF) e Acadêmico Translacional de Medicamentos (PPG-PTFM), de Farmanguinhos/Fiocruz, e nove integram o Doutorado em Doenças Tropicais e Saúde Global, do IHMT.

Para a diretora de Farmanguinhos/Fiocruz, Silvia Santos, as iniciativas estão alinhadas à política institucional da unidade e às diretrizes estratégicas da Fiocruz. “As parcerias entre Farmanguinhos e o IHMT fortalecem a relação existente entre as instituições. Nossa missão é materializada, também, por ações integradas e sustentáveis como estas, que envolvem ciência, saúde e difusão do conhecimento. É uma oportunidade de atuarmos como protagonistas com nossos amigos-irmãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), para refletir o empreendedorismo nos sistemas de saúde da lusofonia”, destacou. Mais detalhes no vídeo, abaixo, da diretora.
Durante quatro meses de atividades síncronas e assíncronas, os estudantes desenvolveram Produtos Técnico-Tecnológicos (PTTs) voltados para temas estratégicos da saúde global. As equipes produziram podcasts, videoaulas e artigos sobre impressão 3D de medicamentos, dengue, transformação digital no setor biofarmacêutico e soberania tecnológica na África.
Os coordenadores da disciplina em Farmanguinhos, Jorge Magalhães e Alessandra Viçosa, destacaram o diferencial inovador da capacitação e os desdobramentos da cooperação internacional, com uma formação internacional que une a lusofonia pela ciência, pela inovação e pela saúde e demonstra que a internacionalização pode gerar intercâmbio científico e novas formas de ensinar, aprender e comunicar ciência.
Para o coordenador do Departamento de Educação de Farmanguinhos, Eduardo Sousa, a disciplina vai ao encontro dos objetivos da área, que desenvolve trabalhadores de maneira profissional e acadêmica, contribuindo para a formação de profissionais capacitados para atuar em diferentes áreas e frentes de trabalho, com impacto positivo para a sociedade.
No âmbito do IHMT NOVA, a disciplina conhecida como Rotação Temática é coordenada pelo professor Henrique Silveira, que salienta o impacto prático e estruturante deste projeto. “A experiência voltou a revelar-se extremamente enriquecedora e inovadora, orientada para a promoção da mobilidade, da internacionalização e da colaboração científica, reforçando também a criação de redes de conhecimento no espaço lusófono”.
A parceria contou também com o suporte técnico do Canal Saúde da Fiocruz para as gravações. Todos os materiais desenvolvidos pelos estudantes desta edição quanto de 2024 encontram-se disponíveis na plataforma Educare da Fiocruz.
Outro desdobramento da cooperação foi a submissão de um artigo científico ao Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences, sobre o panorama global de patentes relacionadas a medicamentos para diabetes, elaborado com a participação de estudantes e docentes das duas instituições.
Os alunos formados concorrerão a 10 vagas para o XV Congresso Mundial de Farmacêuticos de Língua Portuguesa, que acontecerá de 25 a 27 de novembro, em Maputo, Moçambique. A Fiocruz é uma das patrocinadoras do evento, que é coordenado pela Ordem dos Farmacêuticos em Portugal, e abordará o tema “Juntos na transformação da Saúde”.


Elaborado por Farmanguinhos, este livreto propõe o acesso rápido de conceitos importantes para conscientização sobre capacitismo, contribuindo para a disseminação de uma cultura organizacional anticapacitista, com respeito à diversidade humana, valorização de pessoas e em cumprimento da Lei Brasileira de Inclusão (LBI, Lei 13.146/2015).
O que é o Capacitismo?
É um sistema de opressão estrutural que reproduz crenças, processos e práticas que normatizam um padrão como o “ideal”, resultando na discriminação, distinção ou exclusão de pessoas por conta de sua deficiência.
Esse sistema ignora a pluralidade natural de todas as pessoas, resultando em barreiras invisíveis e na exclusão social diária.
⚠️ Aviso Importante e Jurídico: praticar, induzir ou incitar a discriminação contra pessoas em razão de sua deficiência é crime. A Lei Brasileira de Inclusão (LBI, Lei 13.146/2015, art. 88) prevê pena de reclusão de um a três anos e aplicação de multa para quem cometer essa infração.
A deficiência como produto social
Historicamente, a deficiência foi tratada como uma tragédia pessoal ou como uma “doença” a ser curada. O Modelo Social da Deficiência propõe outra perspectiva: a deficiência não deve ser encarada como algo individual, pois promover a inclusão e a acessibilidade é uma responsabilidade coletiva.
• A deficiência é influenciada pelas barreiras do ambiente: a deficiência resulta da interação entre as características da pessoa e as barreiras existentes ao seu redor. Combater o capacitismo também significa identificar e eliminar essas barreiras, como uma escada sem rampa, uma informação sem Libras ou um sistema que não funciona com leitor de tela são exemplos de barreiras. Quando eliminadas, amplia-se a autonomia e a participação das pessoas.
• A deficiência não define quem a pessoa é: pessoas com deficiência são diversas e têm diferentes personalidades, interesses, habilidades, defeitos e qualidades. Não devemos tratá-las como “anjos”, “heróis”, frágeis ou agressivas por causa da deficiência. Antes de tudo, são pessoas.
Identificando e combatendo o Capacitismo Institucional
O capacitismo institucional pode se manifestar de diversas formas:
• Falta de acessibilidade nas informações: produzir comunicações internas ou externas em formatos que dificultam ou impedem o acesso de pessoas com deficiência visual, auditiva, intelectual, entre outras.
• Presunção de incapacidade: negar autonomia de escolha às pessoas com deficiência, tomar decisões por elas ou subestimar suas competências.
• Invisibilização de especificidades: ignorar necessidades de acessibilidade e adaptações razoáveis, além das diferentes experiências relacionadas a gênero, raça, etnia e outros marcadores sociais.
• Romantização do esforço: tratar conquistas profissionais de pessoas com deficiência como exemplos de “superação”, como se realizar atividades cotidianas ou profissionais fosse algo extraordinário por causa da deficiência.
Guia Prático de Vocabulário:
As palavras que usamos moldam a realidade e podem causar sofrimento. Assim, é fundamental identificar expressões que possam reforçar preconceitos.
Veja algumas formas de substituir expressões capacitistas por alternativas mais adequadas:
| EVITE | PREFIRA |
| “Se fazer de surdo” | Parece que não ouviu / entendeu |
| “Parece que é cego” | Não entendeu ou percebeu algo |
| “Dar uma de João sem braço” | Fugir das obrigações |
| “Surdo-mudo” | Pessoa surda |
| “Está muito autista” | Está distraída, alheia |
| “Fingiu demência” | Se fez de desentendido |
| “Sem pernas/braços para isso” | Sem condições de executar |
| “Está mal das pernas” | Está com algum problema / em crise |
| “Igual a cego em tiroteio” | Está perdido / desorientado |
| “Retardado” | Imaturo / sem compromisso |
| “Portador de deficiência” ou “Vítima de deficiência” | Pessoa com deficiência |
| “Preso a uma cadeira de rodas” | Pessoa que usa cadeira de rodas |
| “Pessoa normal” | Pessoa sem deficiência |
Dica de ouro: A deficiência é apenas uma das características de uma pessoa. Evite defini-la pela deficiência e, na dúvida, pergunte de forma respeitosa como ela prefere ser chamada.
Nem todo capacitismo parece ofensa
Evite: “Nossa, você é tão bonita! Nem parece que tem deficiência.”
Elogie a pessoa sem tratar a deficiência como algo incompatível com beleza ou competência.
Evite: “Você é um exemplo de superação!”
Reconheça a conquista sem transformar a deficiência em uma história de superação.
Evite: “Posso fazer por você?”
Não presuma que uma pessoa com deficiência precisa de ajuda. Pergunte antes de agir e respeite a resposta. Se ela aceitar, pergunte como você pode ajudar.
Recomendações Práticas
O combate ao capacitismo institucional exige atitudes proativas e contínuas.
- Mude sua atitude: crie ambientes acessíveis e receptivos, favorecendo a participação e a autonomia das pessoas com deficiência nos diferentes espaços da organização.
- Promova a escuta ativa: respeite a autonomia, as escolhas e a voz das pessoas com deficiência. Considere suas experiências e necessidades na construção de soluções inclusivas.
- Pergunte antes de agir: não presuma que uma pessoa com deficiência precisa de ajuda. Se identificar uma possível barreira, pergunte diretamente: “Como podemos adaptar este espaço ou atividade para melhorar sua experiência?”
- Pesquise e implemente recursos de acessibilidade: informação só é inclusiva quando pode ser acessada por todas as pessoas. Sempre que possível, utilize recursos como legendas, Libras, audiodescrição, linguagem simples, bom contraste, fontes legíveis e descrição de imagens.
Canais de Denúncia
• Canais de Denúncia Nacional: em caso de presenciar ou sofrer discriminação por capacitismo, ligue para o DISQUE 100 (Direitos Humanos). Se a violência for direcionada a mulheres com deficiência, utilize o canal de suporte DISQUE 180. Denunciar é dever ético e cívico de todas as pessoas.
Referências
• Cartilha Fiocruz “Combata o capacitismo: orientações para o respeito à diversidade humana”:
COSTA, L. S. et al. Combata o capacitismo: orientações para o respeito à diversidade humana. 5ª reimpressão. Rio de Janeiro: ENSP, Fiocruz, 2026.
• Cordel Fiocruz “Combata o capacitismo”:
OLIVEIRA, Edson. Cordel baseado em COSTA, L. S. et al. Combata o capacitismo. 4ª reimpressão. Rio de Janeiro: ENSP, Fiocruz, 2026.
• Link de Acesso Oficial: acesse os documentos no repositório institucional Arca da Fiocruz.
Instituto integrou programação da 61ª edição do Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, que reuniu especialistas para discutir desafios e inovações no enfrentamento das doenças tropicais
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