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Emoção marca formatura da 1ª turma da residência multiprofissional de Farmanguinhos

Após dois anos de aulas teóricas e práticas, a cerimônia celebra a conclusão do pioneiro curso para atuação na área de insumos para o SUS

No dia 23 de março, foi celebrada a formatura da primeira turma da Residência Multiprofissional em Tecnologias Aplicadas à Indústria Farmacêutica (ResidTAIF) do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), primeira do Brasil com um escopo voltado para atuação na área de insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS). A cerimônia virtual, transmitida pelo canal da unidade no Youtube, foi conduzida pela coordenadora de Educação da unidade, Mariana Souza, e contou com a participação das formandas Dandara Oliveira, Maria Luiza Oliveira, Mylla Santos, Naína Monsores e Paloma Losso, além da Diretoria de Farmanguinhos, representantes da Presidência da Fiocruz, coordenadores do curso, docentes, familiares e amigos das egressas.

A mesa da solenidade foi composta pela vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Machado, pela coordenadora-geral de Educação da Fiocruz, Cristina Guilam, pela coordenadora adjunta das Residências da Fiocruz, Adriana Coser, pela Diretoria de Farmanguinhos, representada pelo diretor Jorge Mendonça, pela vice-diretora de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI) da unidade, Núbia Boechat, pelo coordenador do curso, Eduardo Sousa, e pela coordenadora adjunta da Residência, Alessandra Viçosa.

De acordo com Eduardo Sousa, para chegar a esse grande momento final foi preciso percorrer uma longa jornada.

“É uma alegria muito grande estar aqui hoje, formando essa primeira turma. O tempo passou muito rápido, desde quando nós pensamos em conceber o curso, em 2019. A Mariana me ligou fazendo essa proposta desafiadora. Topei na hora, mesmo sem ter ideia de como começar. Fomos à luta. Criamos o curso, enfrentamos as dificuldades, conseguimos a aprovação e ainda conquistamos as bolsas. Tivemos apoio da diretoria de Far e da Fiocruz. Depois de tudo, veio a pandemia e com ela mais um desafio a ser enfrentado. Muitas dúvidas e ansiedade. Com o tempo, as coisas foram se encaixando e tudo deu certo“, lembra o coordenador da ResidTAIF.

A “madrinha do curso”, Adriana Coeser, contou um pouco de como foi esse de construção do curso.

“De pronto, vocês não só priorizaram junto à direção de Far, mas vocês se disponibilizaram a participar do fórum de coordenadores de residência. Então, antes de passarem pelo processo de credenciamento de oferta junto à submissão da comissão de residência multi do MEC, Mariana e Eduardo passaram a viver a dinâmica do que seria o curso, os trâmites, os processos e os desafios. Isso foi um aprendizado, já que a Residência tem suas peculiaridades e essa disponibilidade foi fantástica e nos permitiu apoiá-los e obter êxito. Os resultados que a gente pode vivenciar com a primeira turma é o efeito demonstração de que é importante, que é uma modalidade formativa que tem um valor de uso para o Sistema Único de Saúde”, expôs Adriana.

Cristiani Machado relatou a emoção de ver a primeira turma a se formar.

“Estou bastante emocionada de estar aqui hoje, pois acompanhei esse processo desde o início do projeto. Quero parabenizar a todos os envolvidos de Farmanguinhos neste curso, que é de tamanha relevância. Parabenizo também as especialistas por mais essa etapa na trajetória profissional de vocês. É um curso que me comove muito, pois eu fui residente e sei como é essa transição da nossa vida de graduada para o mercado de trabalho. É o primeiro momento que a gente se vê nesse lugar, que muitas vezes nos traz inseguranças e incertezas. Mas é um momento de profunda aprendizagem. Essa Residência é extremamente inovadora, única do país em Tecnologias Aplicadas à Indústria Farmacêutica. Tenho muito orgulho de ter acompanhado esse processo. Que venha a próxima turma!”, declarou Cristiani.

Quem seriam aquelas pessoas? Com que tipo de público estávamos lidando? Quem eram aquelas jovens que acreditavam no nosso curso? Essas foram algumas das perguntas que passavam pela cabeça de Mariana Souza. A coordenadora lembrou da fase das entrevistas, quando teve o primeiro contato com as egressas.

“O que me marcou mesmo foi o brilho nos olhos, a vontade de mudar o mundo, que estavam ali para atuar com e para a sociedade. O frescor e animação da juventude eram elas. E assim começamos a nossa residência multiprofissional: com coragem frente ao inédito, o desafio do cenário, a fé nas instituições, o foco no futuro e a certeza do SUS”, demonstrou Mariana.

Oradora da turma, Naína Monsores, contou como foi a experiência de participar dessa turma piloto.

“Foram dois anos de muitas lutas e muita coisa nova para todos nós. Ninguém sabia como ia ser. Nós entramos e saímos na pandemia. Enquanto todo mundo precisa se distanciar, nós estávamos tentando entrar na fábrica para poder, finalmente, fazer as aulas práticas e trabalhar para o SUS. Dessas cinco mulheres nasceu a primeira turma de residência e juntas nós crescemos pessoal e profissionalmente. Hoje eu vejo claramente que a gente conseguiu trilhar um caminho bem legal por todas as áreas que passamos. Eu só tenho a agradecer pela oportunidade. Parabéns a todas nós”, relatou a formanda.

Representando os docentes, Maraísa Gambarra parabenizou as formandas pela conquista de terem concluído a residência e pelo excelente trabalho desempenhado nesses dois anos de curso.

“Durante esse período, eu tive a oportunidade de participar ativamente como tutora da Naína, onde nós implementamos juntas o projeto de integridade de dados do campus CTM. Também atuei como orientadora, da Mylla Santos, que abordou a verificação continuada. Com essas atividades, eu pude acompanhar muito de perto o desenvolvimento das residentes e do próprio curso. Elas entraram em um ótimo momento, na implementação da RDC 301, em que Farmanguinhos estava repleto de muitos projetos, com muita coisa inovadora a ser instaurada. Com isso, grandes projetos foram implementados pelas residentes. Parabéns às formandas e a todos os envolvidos na estrutura do curso, que fazem a residência acontecer”, felicitou.

Bons frutos – O diretor Jorge Mendonça comentou as suas perspectivas em relação às formandas.

“Parabenizo as alunas por tamanha dedicação. É uma turma elogiada por todos. Espero que vocês levem um pouquinho daquilo que a gente acredita que seja o SUS, como compromisso, saúde, oportunidades de acesso aos medicamentos e às informações de qualidade, que a população tanto precisa e carece”, pontuou o diretor.

Cristina Guilam realçou os benefícios e as conquistas do curso.

“Esse é um exemplo de sucesso para todos. Para as residentes, para quem o curso abriu portas, já que todas estão recolocadas no mercado de trabalho. É para Farmanguinhos e para a Fiocruz. É a aplicação imediata do conhecimento acadêmico na realidade do SUS e no crescimento desse sistema. Também é um sucesso para a Coordenação-Geral de Educação, que cada vez mais se aproxima dessa modalidade tão preciosa de educação/trabalho. Então, é uma situação que temos muito a festejar. Desejo muito sucesso a todas”, evidenciou Cristina.

Núbia Boechat destacou o sucesso do curso.

“Fico muito satisfeita de a gente ter chegado até aqui. A Residência em Farmanguinhos traz um ótimo retorno para a fábrica. Parabenizo todas as residentes por terem sido brilhantes e fazerem com que nós tivéssemos fôlego para iniciar uma nova turma. Agradeço a toda equipe envolvida diretamente nesse curso por todo empenho e dedicação. O sucesso dessa primeira leva de residentes permitiu que nós recebêssemos mais uma turma”, assinalou Núbia.

De acordo com Mariana Souza, a intenção era que as residentes pudessem vivenciar e experimentar a indústria farmacêutica, além de deixar um legado a partir de um projeto de intervenção.

“Não queríamos que as profissionais passassem passivamente pela experiência da fábrica, sem se integrar e sem fazer parte dela. De alguma forma, elas tinham que deixar um pedacinho de si. Foi uma aposta alta, mas que as formandas bancaram e fizeram com maestria. Ouso dizer que elas colocaram o sarrafo lá em cima, deixando um legado e uma responsabilidade grande de superação para a próxima turma”, concluiu Mariana.

Eduardo Sousa enfatizou os resultados obtidos com a Residência.

“Três das residentes foram efetivadas em Farmanguinhos. A Maria Luiza, como bolsista Fiotec do LDVA (CDT), e a Mylla e Dandara como analistas da Qualidade, no Departamento de Controle de Qualidade da VDGQ. Agora, a minha expectativa é ainda maior para a próxima turma”, frisou.

Os novos residentes foram recebidos na unidade pelo coordenador do curso, Eduardo Sousa.

Nova turma – No início de março, Farmanguinhos recebeu os cinco alunos que compõe a segunda turma da ResidTAIF. Ao longo de dois anos, Catarina Caetano, Emanuelly Tameirão, Nathália Campos, Lucas Magalhães e Lucas Porto passarão por áreas como Qualidade, Produção e Desenvolvimento e escolherão a de maior interesse para o Trabalho de Conclusão de Residência.

A cerimônia completa pode ser assistida no canal de Farmanguinhos no YouTube: clique aqui e confira!

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Abertura do ano letivo em Farmanguinhos

Transmitida pelo canal da unidade no Youtube, Dr. Rui Ferreira fez um panorama da Química Medicinal no século XXI, mostrando sua evolução, desafios e perspectivas

No dia 09/03, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) promoveu a aula inaugural online, para dar início ao seu ano letivo. Ministrada pelo Dr. Rui Ferreira Alves Moreira, do Departamento de Ciências Farmacêuticas e do Medicamento da Universidade de Lisboa, a apresentação teve como tema a Química Medicinal no século XXI: onde está e para onde vai, exibindo um retrospecto da matéria e as suas perspectivas. O evento foi transmitido pelo canal da unidade no YouTube e contou com mais de 100 participantes.

A mesa de abertura foi composta pela coordenadora da área de Educação de Farmanguinhos, Mariana Souza, pela vice-diretora de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI) da unidade, Núbia Boechat, pela pesquisadora e líder do Laboratório de Síntese de Fármacos (LASFAR) do Instituto, Mônica Bastos, pela Pró-reitora da Fundação, Eduarda Cesse, e pela vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Machado.

Mariana Souza abriu o evento avaliando o ano letivo anterior e apontando suas perspectivas para 2022.

“É um momento extremamente importante, onde realmente estamos olhando para os desafios que tivemos em 2021 e com a esperança do que encontraremos em 2022, apesar do cenário ainda ser muito incerto. Motivo de orgulho porque nós fomos além de Farmanguinhos. Nós passamos o muro da unidade e atuamos ativamente com os nossos colegas da Fiocruz, compartilhando e criando inovações pedagógicas e de gestão educacional. Esperamos que, em 2022, possamos continuar plantando as sementes e colhendo os frutos. Eu queria aproveitar e destacar uma conquista, que é a conclusão da primeira turma de Residência Multiprofissional em Tecnologias Aplicadas à Indústria Farmacêutica, agora em março. Nós, do Departamento de Educação, desejamos a todos um bom ano de 2022”, evidenciou.

Núbia Boechat agradeceu ao palestrante por ter aceitado o convite para ministrar a aula, apresentou os cursos ofertados por Farmanguinhos e destacou a relevância do tema.

“A aula inaugural de hoje contempla todos os cursos da unidade. Agradeço ao professor Rui pela disponibilidade de nos trazer esse tema tão importante, que é a Química Medicinal hoje e o que se espera para o futuro, pois temos uma grande quantidade de pessoas que trabalham nesta área em nosso Programa Acadêmico”, assinalou.

Eduarda Cesse reforçou a atuação da Fundação para oferecer condições seguras para os alunos e lembrá-los que o Centro de Apoio ao Discente (CAD) está à disposição para todos.

“É uma felicidade iniciar mais um ano com vocês. Estamos vivendo um momento de transição, devido à pandemia, que tem nos desafiado bastante. Agora, no novo cenário, estamos tentando organizar esse momento de início de ano letivo na Fiocruz, de tal forma que possamos oferecer condições aos alunos de estarem entre nós com segurança, já que estamos em um quadro muito melhor da pandemia. É muito importante lembrar que temos o CAD, que está de portas abertas para recebê-los e, em conjunto com vocês, estar atento às questões que trazem vulnerabilidade aos nossos alunos e tentar remi-las”, ressaltou.

Cristiani Machado ressaltou a atuação do Instituto no âmbito educacional e deixou um recado para os professores e alunos dos cursos da unidade.

“Farmanguinhos tem um trabalho fundamental para o Sistema Único de Saúde, é uma unidade da qual a Fiocruz se orgulha muito, como um laboratório de produção de medicamentos e que está atrelada à pesquisa, ao desenvolvimento, à inovação tecnológica e às atividades educacionais. A Educação está presente em todas as unidades da Fundação, inclusive nas que são produtoras, pois não só fabricamos medicamentos, como também formamos pessoas. É muito importante formar pessoas qualificadas nessa área, com tantos desafios e relevância estratégica para qualquer sistema de saúde do mundo e para o bem-estar da população. Sejam muito bem-vindos e aproveitem todo o potencial que Farmanguinhos tem para o desenvolvimento profissional de vocês. Contem conosco”, frisou.

O palestrante foi apresentado pela pesquisadora Mônica Bastos, que apresentou o currículo do convidado e destacou algumas de suas conquistas profissionais.

No início de sua apresentação, Dr. Rui abordou a diferença entre a Química Medicinal (Medicinal Chemistry) e a Biologia Química (Chemical Biology), mostrando os pontos divergentes e convergentes entre elas.

“Existe um contínuo entre as duas e isso já foi assumido pela Integração Europeia de Química Medicinal, que agora destinou Química Biológica ao seu nome. De fato, existe uma incorporação da biologia de uma maneira estruturada na química, mas com focos diferentes”, explicou.

Com relação as estratégias de identificação de hits, o convidado fez uma comparação entre a avaliação fenotípica e a avaliação baseada em alvos moleculares, além de dar exemplos de ensaios relevantes para descobrir novas moléculas e avanços em estudos clínicos, como Fulvestrant (Faslodex®) para o câncer, Lubiprostone (Amitiza®) para o tratamento gastrointestinal, Ranolazin (Ranexa®) para problemas cardiovasculares e Ridisplam para desordem neuromuscular. Dr. Rui também apresentou as tecnologias de identificação de alvos moleculares.

“Os aspectos de identificação de hits são apresentados em estudos de avaliação biológica, de média e alta cadência, em duas vias principais. A avaliação fenotípica, que olha a função em primeiro lugar, normalmente em célula, ou eventualmente em organismos, e depois realiza a convolação do mecanismo de ação. Em sentido oposto tem a análise baseada em alvos moleculares, cuja preocupação é logo identificar compostos com mecanismos de ação”, elucidou.

O palestrante também expôs as novas modalidades terapêuticas. Trata-se das moléculas quiméricas dirigidas a O palestrante também expôs as novas modalidades terapêuticas. Trata-se das moléculas quiméricas dirigidas a proteínas (Proteolysis-Targeting Chimaera), conhecidas como PROTACS. Elas podem ser utilizadas como novos agentes terapêuticos para a eliminação de proteínas envolvidas com patologias, como o câncer e doenças neurodegenerativas.

Por fim, Dr. Rui concluiu a aula fazendo um resumo de tudo o que foi dito durante o encontro. Em seguida, interagiu com o público e respondeu às perguntas encaminhadas pelos participantes no chat.

Clique aqui e confira a aula na íntegra.Aproveite para se inscrever no canal de Farmanguinhos no Youtube e ativar o sininho para receber as notificações de novos vídeos e atualizações dos conteúdos.

Farmanguinhos obtém registro da Primaquina 5mg

Fruto de desenvolvimento interno, a concentração desse importante medicamento contra a malária traz inovações incrementais para mercado farmacêutico e contribuirá para o tratamento da doença no Brasil

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) acaba de obter o registro da nova formulação do antimalárico Primaquina 5mg junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Fruto de desenvolvimento totalmente interno, o medicamento é considerado inovador por apresentar uma nova concentração no Brasil. Com essa chancela, além de ampliar o portfólio do Instituto, a iniciativa garantirá que a população tenha acesso ao tratamento completo da doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária (PNCM), que contempla Cloroquina, Artesunato+Mefloquina (ASMQ) e a Primaquina nas duas concentrações (5mg e 15mg), todos fabricados e distribuídos por Farmanguinhos.

Inovação –   A Primaquina é uma molécula que já vem sendo utilizada no Brasil há mais de 60 anos. Inclusive, o produto já fez parte do portfólio institucional e comercializado por outros laboratórios. Com o avanço da ciência, o advento de novas tecnologias e as recentes alterações nas legislações, surgiu a necessidade de atribuir melhorias ao fármaco e ofertar um produto que gerasse melhor desempenho para o tratamento da patologia. Essa foi a motivação da servidora Juliana Johansson, responsável pelo Departamento de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico da unidade, para se debruçar sobre o estudo de uma nova formulação como objeto da sua dissertação para o Mestrado Profissional em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento na Indústria Farmacêutica, oferecido por Farmanguinhos.

O trabalho teve como foco o aprimoramento do produto de Farmanguinhos na concentração de 15mg, que foi englobado pelo portfólio de projetos da instituição. Em paralelo, eram realizados estudos do desenvolvimento da concentração de 5mg, que não existia no mercado, mas era de interesse mundial para um tratamento mais adequado em determinados casos da enfermidade.

“A primaquina é um fármaco que de longa data é utilizado no protocolo de tratamento da malária. Ao longo dos anos, os requisitos de qualidade progridem e novas técnicas analíticas se tornam disponíveis, permitindo que sejam construídas estratégias para elevar a qualidade do medicamento. Essa é uma característica encantadora da ciência: as ferramentas tecnológicas evoluem e permitem que se amplie o entendimento sobre algo que, em um passado, considerava-se completamente conhecido. Isso possibilita que melhorias contínuas sejam estudadas e implementadas, sempre propiciando que se atinjam patamares superiores de qualidade. O resultado é entregar um produto que gere melhor desempenho do medicamento para o tratamento da patologia”, observa a farmacêutica.

Estratégia regulatória – Além de oferecer mais qualidade aos pacientes, a nova formulação atendeu a uma necessidade de ampliar a relação de medicamentos contra malária, tanto da OMS quanto do Ministério da Saúde.

Segundo a chefe de Assuntos Regulatórios da unidade, Soraya Mileti, a Primaquina é primordial no combate a essa doença negligenciada.

“É o único medicamento que trata a cepa vivax e a recidiva (recorrente), sem o qual não é possível eliminar a malária. Ou seja, possibilita a cura total. Mesmo sendo uma molécula antiga, a Primaquina tem uma relevância muito grande, tanto que consta no Guia da OMS. Trouxemos a inovação pela formulação e por uma necessidade regulatória para comparar a bioequivalência do produto. Com isso, vamos contribuir para o tratamento no Brasil e, futuramente, com a aprovação na OMS, no mundo”, observa.

Soraya explica que a conquista só foi viabilizada porque a Primaquina de 15 mg de Farmanguinhos já era referência no país.

“Foi um desafio obter esse registro, pois tínhamos que introduzir uma nova concentração no país de uma molécula que já é conhecida. A Primaquina não é inédita, mas a Anvisa reconheceu a inovação que Farmanguinhos trouxe e transformou nosso produto em um processo de medicamento novo. A estratégia foi tornar a nossa Primaquina de 15mg uma referência no Brasil (o que aconteceu em outubro de 2020) para que fosse feito um desenho de estudo de segurança e eficácia comparando as duas concentrações, procedimento este previsto na legislação brasileira. Assim, submetemos o registro em abril do ano passado e, no início deste mês, recebemos a aprovação”.

Com esse registro, o Programa Nacional de Controle de Malária (PNCM) completará o seu guia de tratamento da doença. Por vários anos a Pasta teve de comprar produtos importados e não qualificados pela OMS por meio do fundo rotatório como procedimento emergencial, sem comprovação de segurança e eficácia no país. No entanto, ultimamente nem os importados estes estavam disponíveis.

Referência no combate à malária – Farmanguinhos atua com uma série de iniciativas para enfrentamento da enfermidade. Um dos seus diferenciais é contar com grupos de pesquisa que elaboram novos estudos sobre o tema, trabalhando de forma integrada, desde a concepção de um medicamento até sua disponibilização no SUS.  

Essa expertise torna a unidade um laboratório ímpar no Brasil, o que fornece o maior número de medicamentos para o Ministério da Saúde e referência da maioria dos que são indicados no Guia de Tratamento da Malária no Brasil, cuja finalidade é otimizar o trabalho dos profissionais de saúde e garantir a padronização dos procedimentos necessários para o tratamento da enfermidade. O documento apresenta todas as orientações relevantes sobre a indicação e uso dos antimaláricos preconizados no Brasil de acordo com a espécie parasitária, o grupo etário, a toxidade e o peso dos pacientes.

Atualmente, Farmanguinhos é referência no ASMQ e na Primaquina 15mg. A meta é que a concentração de 5mg também seja submetida à Anvisa e se torne modelo. Com isso, as empresas interessadas em registrar medicamentos genéricos ou similares deverão utilizar obrigatoriamente o produto do Instituto como parâmetro, seguindo seus critérios para realizar testes e estudos.

“Agora que conseguimos aprovar esses dois novos produtos, com segurança e eficácia, Farmanguinhos poderá fornecer todos os medicamentos que compõe o PNCM ao SUS: Cloroquina, Artesunato+Mefloquina (ASMQ) e Primaquina nas duas concentrações (5mg e 15mg). Além disso, estamos aptos a ofertar também o produto para o tratamento da malária em outros países, bem como se torne referência para os laboratórios oficiais”, assinala Soraya Mileti.

Panorama endêmico no Brasil – A malária é considerada um grave problema de saúde pública no mundo, sendo uma das doenças de maior impacto na morbidade e na mortalidade da população dos países situados nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. De acordo com a OMS, 229 milhões de novos casos da doença foram notificados no mundo em 2019, resultando em mais de 409 mil óbitos.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou um total de 145.188 casos da doença no ano passado, sendo endêmica na região amazônica (composta pelos sete estados da Região Norte, além do Maranhão e Mato Grosso).

A produção de medicamentos com qualidade, segurança e eficácia é fundamental para atender às demandas nacionais e internacionais, com o objetivo de subsidiar a assistência farmacêutica no âmbito da saúde pública. Deste modo, seja por meio da pesquisa de novas formulações terapêuticas ou da produção de medicamentos essenciais para o tratamento dessa doença negligenciada, Farmanguinhos tem cumprido seu papel estratégico para o país, destacando-se como o maior laboratório público nacional e contribuindo ao longo dos anos para a saúde pública no Brasil.

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