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Tecnologia 3D ao alcance das mãos

Farmanguinhos debate os desafios e as perspectivas desse novo segmento tecnológico na área de fármacos

O público pôde conferir os comprimidos de plástico fabricados pela impressora 3D de Farmanguinhos, usada pela equipe do Laboratório de Farmacotécnica Experimental, liderada pela servidora Alessandra Viçosa (Foto: Alexandre Matos)

Na manhã desta terça-feira (10/3), O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) promoveu a palestra Impressão 3D de medicamentos: desafios e perspectivas, proferida por Caio Paranhos, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A atividade abre oficialmente o ciclo 2020 dos Seminários do Programa de Pós-graduação Translacional em Fármacos e Medicamentos da unidade.

Neste sentido, alunos, pesquisadores (de Far e de outras unidades da Fiocruz) e colaboradores de outras instituições públicas e empresas farmacêuticas privadas lotaram o auditório da Vice-diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI), a fim de se aprofundar mais neste novo segmento tecnológico na área de fármacos e medicamentos. Durante o encontro, o público presente pôde conferir alguns produtos fabricados pela impressora 3D e esclarecer dúvidas sobre essa tecnologia.

Caio Paranhos abriu o ciclo 2020 dos dos Seminários do Programa de Pós-graduação Translacional em Fármacos e Medicamentos de Farmanguinhos (Foto: Alexandre Matos)

De acordo com o professor, um dos benefícios dessa nova tecnologia é a liberação diferenciada dos fármacos no organismo do paciente. “Pode-se abrir um campo de liberação controlada de diferentes fármacos, ou formas farmacêuticas únicas, por exemplo”, ressalta. Ainda segundo Paranhos, dentre as propostas está a democratização dos tratamentos com foco na medicina personalizada. Em outras palavras, devido a suas características, a impressão 3D pode ser voltada para atender as necessidades de grupos especiais de pacientes, não somente para fabricação em escala industrial.

Para o palestrante, dentre os desafios, o principal é a falta de regulamentação, o que se tornou um entrave para avançar nos estudos. “Ainda estamos longe da escala industrial, porque, primeiramente, deve-se atender a regulamentação. Mas as agências reguladoras ainda não dispõem de protocolos para esse tipo de equipamento. Por esta razão, só podemos trabalhar com protótipos”, observa o professor.

O público lotou o auditório, localizado no campus Manguinhos (Foto: Alexandre Matos)

Trabalhamos com o conceito de medicina personalizada, portanto, a ideia é disponibilizar medicamentos de acordo com o perfil de cada grupo de pacientes – argumenta Caio Paranhos.

Enquanto as leis não caminham no mesmo ritmo da tecnologia, que avança vertiginosamente, um grupo de pessoas aguarda os frutos da impressora 3D de medicamentos. Este público-alvo é composto por pacientes pediátricos e geriátricos assistidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mais especificamente indivíduos afetados por doenças negligenciadas. Esse tipo de tecnologia pode ser bastante útil para produzir medicamentos com mais de um fármaco. Um exemplo é o tuberculostático 4 x 1 de Farmanguinhos, que reúne quatro princípios ativos em um único comprimido.

Durante o encontro, o palestrante apresentou alguns exemplos de aplicação da tecnologia 3D no segmento farmacêutico (Foto: Alexandre Matos)

Atuação da Fiocruz – A falta de uma regulamentação retrata um pouco o cenário: a tecnologia 3D para impressão de medicamentos ainda é uma área incipiente em todo o mundo, mas vem avançando significativamente.  A Fiocruz, por exemplo, conta com uma plataforma exclusivamente para estudos com essa tecnologia. Trata-se da Plataforma de Impressão 3D, cujo objetivo é servir à comunidade científica da Fundação em suas necessidades de prototipagem, provas de conceito, componentes sob medida e modelos anatômicos que possam utilizar esse tipo de tecnologia.

Caio Paranhos é professor associado do Departamento de Química da UFSCar e também pesquisador visitante do Laboratório de Farmacotécnica Experimental de Farmanguinhos (Foto: Alexandre Matos)

Farmanguinhos possui um grupo de pesquisa que desenvolve estudos exclusivamente com impressão 3D de medicamentos. Trata-se do Laboratório de Farmacotécnica Experimental, que vem recebendo reconhecimento junto à comunidade científica, inclusive sendo um dos vencedores do Programa Inova Labs da Fiocruz.  

Sobre o palestrante – Caio Paranhos é Engenheiro de Materiais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com ênfase em Polímeros. É Doutor em Ciência e Tecnologia de Polímeros pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pós-doutorado pela UFSCar. É Professor Associado do Departamento de Química da UFSCar e também é pesquisador visitante do Laboratório de Farmacotécnica Experimental de Farmanguinhos.

Caio Paranhos com a equipe do Laboratório de Farmacotécnica Experimental de Farmanguinhos (Foto: Alexandre Matos)
Funcionários e pesquisadores de Farmanguinhos e outras unidades da Fiocruz (Foto: Alexandre Matos)
Durante o encontro, Alessandra Viçosa entregou um kit institucional ao pesquisador Caio Paranhos (Foto: Alexandre Matos)

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Farmanguinhos abre inscrições para residência multiprofissional

Aprovado pelo Ministério da Educação, o curso oferecido pela instituição abrangerá profissionais para atuação na área de insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS)

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) divulgou o edital para Residência Multiprofissional em Tecnologias Aplicadas à Industria Farmacêutica (ResidTAIF). Serão oferecidas cinco vagas com bolsas de R$3.330,46, a serem concedidas pelo Ministério da Saúde a profissionais recém-formados em Farmácia, Biologia e Medicina Veterinária. Os interessados podem se inscrever de 3 a 6 de fevereiro na plataforma Sigals da Fiocruz.

Aprovada recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), a residência multiprofissional de Farmanguinhos é a primeira do Brasil com um escopo voltado para formação intensiva de profissionais para atuarem na área de insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

“As primeiras residências eram uniprofissionais, principalmente aquelas com especializações médicas. Mas devemos lembrar que o SUS é mais do que somente assistência primária, abrange também a área de insumos para a saúde, como é o caso dos laboratórios farmacêuticos oficiais. Nesse sentido, a proposta do nosso curso é formar profissionais para atuarem neste segmento”, ressalta a coordenadora de Educação da unidade, Mariana Conceição de Souza.

Ainda segundo a coordenadora, a criação dessa residência no Rio de Janeiro, especificamente em Farmanguinhos, é estratégica, uma vez que poderá atender aos laboratórios farmacêuticos oficiais (públicos) que, em sua maioria, localiza-se no sudeste do país. “Esse curso consolida ainda mais Farmanguinhos como hub educacional na área de indústria farmacêutica brasileira, um campo de estudo que é tão negligenciado, mas ao mesmo tempo extremamente importante para o nosso desenvolvimento econômico e social”, frisa.

Parceria com outros laboratórios – O plano de estudo teórico-prático acontecerá dentro dos setores de Gestão da Qualidade, Produção e Desenvolvimento Tecnológico da instituição. Além das dependências de Farmanguinhos, os residentes terão a oportunidade de usar estruturas de outros laboratórios públicos, que se uniram à unidade, como campo de prática, para ajudar na formação desses profissionais.

Dentre eles estão o Instituto Vital Brazil (IVB), localizado em Niterói, o Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM) e o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx), ambos na cidade do Rio de Janeiro. “Essa iniciativa será ótima para os residentes e também para estreitar as relações entre esses laboratórios oficiais”, observa Mariana.

Essa iniciativa demonstra a preocupação de Farmanguinhos em preparar profissionais cada vez mais qualificados para atuarem na indústria farmacêutica – Eduardo Sousa, coordenador da residência multiprofissional.

Bolsas e seleção – Segundo o coordenador da Residência Multiprofissional em Tecnologias Aplicadas à Indústria Farmacêutica de Farmanguinhos, Eduardo Gomes Rodrigues de Sousa, o processo seletivo contará com provas objetivas e entrevistas. Os aprovados deverão fazer matrículas nos dias 27 e 28 de fevereiro para iniciarem as atividades no dia 2 de março.

 “Serão oferecidas cinco vagas no total. Destas, três são para farmacêuticos, sendo uma destinada às ações afirmativas da Fiocruz – 10% das vagas são destinadas a candidatos que se declararem pessoa com deficiência ou que se autodeclararem negros (pretos e pardos) ou indígenas”, afirma.

As bolsas de R$3.330,46 para pagamentos dos residentes serão concedidas pelo Ministério da Saúde, por meio de edital nº 2 de 16 de janeiro, já que se trata de um curso de dedicação exclusiva e, por esta razão, é obrigatória a concessão desses recursos para os profissionais. 

O coordenador explica que a Residência terá duração de dois anos, num total de 5760 horas. Essa carga horária será dividida entre atividades práticas e teóricas. “Esses profissionais estarão inseridos na unidade, tanto no campo prático (treinamento em serviço), como no teórico, de forma a possibilitar a problematização da realidade por meio de orientações específicas, seminários, estudos de caso, aulas dialogadas e expositivas além de outras abordagens de ensino, como o Campus Virtual Fiocruz”, ressalta Eduardo Sousa.

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