Ano: 2019 (Página 13 de 26)

Conheça a Assessoria de Gestão Social

Desenvolver ações de caráter social para as comunidades no entorno do CTM, contribuindo para o processo de desenvolvimento local e para a redução das iniquidades ocasionadas pela pobreza, violência e exclusão social das populações. Este é um dos principais objetivos da Assessoria de Gestão Social, departamento subordinado à Diretoria, que segue as diretrizes da Cooperação Social da Presidência da Fiocruz.

A área está lotada no CTM, tendo como prioridade atender a população do território ao redor. Para realizar as ações, além de buscar parcerias externas, a AGS conta com o apoio dos colaboradores da Unidade, inclusive de outros Campi. É através de sua atuação que o departamento aproxima o Instituto da comunidade, construindo uma relação amistosa e cooperativa.

Dentre os programas desenvolvidos pela AGS, encontram-se: Se Essa Rua Fosse Minha, Fortalecimento do Fórum de Desenvolvimento Local da Baixada de Jacarepaguá, Páscoa e Natal Solidário.

Organograma do Departamento

Responsável pela área desde a sua implementação, em 2005, Magali Portela é assistente social e especialista em promoção da saúde e desenvolvimento social e em gestão de projetos para o terceiro setor. Com 25 de experiência em projetos e movimentos sociais, ela já atuou pela Prefeitura do Rio de Janeiro (Programa Favela Bairro), pelo Estado (Coordenação de Trabalho e Renda do Centro de Acolhimento de Benfica) e pela Secretaria de Assistência Social do Município de Duque de Caxias (Coordenação de projetos do município).

A AGS conta ainda com mais dois colaboradores na equipe: o servidor Jacob Portela, sociólogo e cientista político, e Fátima Aparecida Loroza, física e especialista em gestão pública e em promoção da saúde e desenvolvimento local. Todos com experiência em trabalhos sociais e culturais, bem como vocacionados para atuarem em territórios vulnerabilizados.

Magali, Jacob e Fátima durante o Natal Solidário 2018

Princípios

A Assessoria de Gestão Social segue alguns fundamentos, dentre eles estão:

  • Travar uma relação construtiva com a comunidade na promoção do bem comum;
  • Atuar na defesa do Estado de Direito e na recusa do Estado de Exceção e do autoritarismo;
  • Potencializar e capacitar instituições locais que atuem na defesa da democracia, que militem pela construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classes, etnia e gênero;
  • Contribuir com a ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de toda a sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis, sociais e políticos das classes trabalhadoras;
  • Posicionar-se em favor da equidade e justiça social, que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e políticas sociais, bem como a gestão democrática;
  • Atuar em parceria com as demais esferas de governo e com os movimentos sociais representativos da sociedade civil que partilhem dos mesmos princípios que defendemos.

Conquistas

Entre 2014 e 2019, o departamento executou 9 projetos, baseados nos eixos: comunicação e saúde, educação e cultura, esporte e cidadania e garantia de direitos. No total, 13.562 pessoas já foram beneficiadas.

Magali destaca que Farmanguinhos foi a primeira Unidade a instituir uma área de gestão social, com equipe especializada e com orçamento: “Antes, só a Presidência da Fiocruz tinha um setor semelhante. Implementar essa em Far foi uma vitória. Além disso, também publicamos o nosso Balanço Social e tivemos 4 projetos aprovados no 1º edital da Fiocruz para Projetos de Cooperação Social”.

Reconhecimento

O Projeto “Se Essa Rua Fosse Minha” foi apresentado e avaliado na 1ª Conferência de Promoção da Saúde da Fiocruz, realizada nos dias 02 e 03 de julho desse ano. O objetivo do projeto é transformar a área degradada pelo lixo na Av. Comandante Guaranys, em espaço de cultura, arte e lazer. Dentre os 160 projetos apresentados, o de Farmanguinhos foi um dos oito premiados com Menção Honrosa, na modalidade pôster, por sua relevância na Promoção da Saúde.

Desafios

Segundo Magali, neste momento, os principais desafios da Assessoria de Gestão Social estão relacionados a atuação do departamento mediante às mudanças do entorno: “Atuar no território da Cidade de Deus é um desafio, pois é um território conflagrado pela violência, por disputas políticas e Instituições frágeis”, ressalta.

Fiocruz esclarece sobre contratos de PDP

Leia a nota divulgada pela Fundação acerca dos contratos de aquisição de medicamentos advindos de parcerias

Em relação às suspensões de contratos das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs) efetuadas pelo Ministério da Saúde e veiculadas pela imprensa, a Fiocruz vem esclarecer que, entre as 19 PDPs em fase de suspensão, há quatro do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) e duas de Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos). Mais de 80% das PDPs da Fiocruz permanecem ativas. No caso das PDPs suspensas, uma avaliação criteriosa está sendo feita em conjunto com o Ministério da Saúde.  

No caso de Farmanguinhos, o Ministério da Saúde suspendeu as PDPs dos medicamentos pramipexol (Doença de Parkinson), cabergolina (para controle hormonal, entre outras indicações) e sevelâmer (para pacientes com doença renal crônica sob diálise). A unidade deixou de fornecer estes produtos, mas continuou os processos de absorção tecnológica, que se encontram em fase avançada. Neste sentido, já foram finalizadas a fabricação dos lotes-piloto de sevelâmer e cabergolina no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) de Farmanguinhos, que já produziu também em seu parque industrial lotes de teste do pramipexol. 

A previsão é de que, até o fim de 2019, Farmanguinhos seja local de fabricação nacional do sevelâmer, da cabergolina e do pramipexol. Estas tecnologias estão sendo absorvidas em áreas totalmente modernizadas e Farmanguinhos estará pronto para atender às demandas do Ministério da Saúde. Em relação ao sofosbuvir (Hepatite C), cuja PDP foi formalizada no ano passado, a mesma encontra-se em processo de disputa judicial com outra farmacêutica. No momento, a unidade aguarda definição da Justiça para seguir com o projeto de absorção tecnológica.

No caso das duas PDPs suspensas de Bio-Manguinhos, relativas à vacina tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba e catapora) e ao biofármaco Alfataliglicerase, os contratos assinados entre Bio-Manguinhos e as empresas detentoras das tecnologias, GSK e Protalix, respectivamente, são anteriores à Portaria 2.531/2014 do Ministério da Saúde que regulamentou as PDPs, bem como a Portaria de Consolidação nº 5, de 28 de setembro de 2017. O enquadramento dos respectivos projetos como PDPs foi decidido posteriormente ao estabelecimento dos projetos de transferência de tecnologia. 

Assim, o Ministério da Saúde entende que esses projetos não devem ser enquadrados no marco das PDPs. A partir do monitoramento realizado pelo MS, identificou-se que alguns critérios previstos no marco regulatório da PDP divergem das características de ambos os projetos. Esta situação vem sendo objeto permanente de discussão entre Bio-Manguinhos e o Ministério da Saúde, desde o início do monitoramento destas PDPs. 

Cabe ressaltar que ambos os processos de absorção tecnológica continuam, com vistas à incorporação plena destas tecnologias para garantia de capacidade de fornecimento ao SUS. Visando garantir este abastecimento, o Ministério da Saúde vem realizando compras destes produtos de Bio-Manguinhos, que é o detentor dos registros junto à Anvisa. Cabe ressaltar que as PDPs suspensas referentes aos produtos etanercepte (artrite reumatoide) e infliximabe (artrite reumatoide, doença de Crohn, psoríase) não dizem respeito às parcerias de Bio-Manguinhos. As PDPs do Instituto para estes produtos estão em andamento, com fornecimento regular do infliximabe e início do fornecimento do etanercepte ainda no mês de julho.

A Fiocruz mantém seus esforços para avançar na absorção tecnológica destes produtos, que fazem parte do conjunto de insumos produzidos nas suas unidades de modo a garantir e ampliar o acesso da população, ao mesmo tempo em que contribui para a autossuficiência nacional no desenvolvimento e fornecimento de insumos estratégicos pelos laboratórios públicos.

Portanto, a Fiocruz manifesta seu irrestrito apoio à política do Complexo Econômico Industrial da Saúde, que tem garantido a autonomia e sustentabilidade do SUS, o desenvolvimento científico, tecnológico e industrial dos laboratórios públicos oficiais.

Prorrogação de prazo – Chamada Pública 04/2019 – Everolimo

O Instituto de Tecnologia em Fármacos – Farmanguinhos/Fiocruz prorrogou o prazo para a apresentação de propostas e documentações bem como àquelas inicialmente agendadas para abertura de envelopes e assinatura de termos de confidencialidade. Por consequência, fica alterada a data de divulgação dos resultados da chamada pública, conforme cronograma abaixo:

Divulgação da chamada pública – 24/06/2019
Data final para apresentação das propostas e documentação adicional – Até 26/08/2019, às 10h00min
Abertura dos envelopes e assinatura dos termos de confidencialidade – 26/08/2019, a partir das 11h00min.
Divulgação dos resultados da chamada – 03/09/2019

 

Também foram retificadas informações constantes dos subitens 6.1, 6.2 e 7.3 do instrumento convocatório, relacionadas ao e-mail de contato. No caso, onde se lê: “direcao@far.fiocruz.br.”, leia-se “correio eletrônico diretoria@far.fiocruz.br.”.

Clique aqui e confira o edital na íntegra.

Farmanguinhos distribui Pramipexol a pacientes com Parkinson

Ao todo, mais de 20 milhões de comprimidos serão enviados para suprir a falta momentânea do medicamento no SUS

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) iniciou a distribuição do dicloridrato de pramipexol, medicamento usado no tratamento de pacientes com Doença de Parkinson. No total, serão enviadas mais de 20 milhões de unidades farmacêuticas para atender a uma demanda emergencial solicitada pelo Ministério da Saúde a fim de suprir a falta momentânea no Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa distribuição emergencial demonstra a capacidade técnica da instituição, que, mais uma vez, atua de forma estratégica para o país, possibilitando o acesso dos pacientes ao tratamento na rede pública de saúde. O pramipexol é fruto de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), em que a farmacêutica multinacional Boehringer Ingelheim transfere a tecnologia para Farmanguinhos.

Segundo o diretor de Farmanguinhos, Jorge Mendonça, além de garantir o abastecimento do SUS, a PDP tem como objetivo ampliar o acesso de mais pacientes ao tratamento. A iniciativa visa, ainda, a fortalecer as indústrias farmacêutica e farmoquímica nacionais, contribuindo para reduzir o desequilíbrio da balança comercial, gerando renda e emprego no país.

“Essa PDP trouxe muitos benefícios, tanto em tecnologia, quanto pela ampliação do acesso ao tratamento de ponta por usuários do SUS acometidos por esta enfermidade. O medicamento oferece benefícios ao paciente, uma vez que estabiliza a doença e propicia melhor qualidade de vida. Por outro lado, a nacionalização deste IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) por uma farmoquímica nacional garante o fornecimento de um produto de qualidade, seguindo as regras sanitárias da Anvisa, fortalecendo nossa capacidade de absorção de tecnologias e gerando emprego e mão-de-obra qualificada no Brasil”, ressalta Mendonça.

Atenção especial à Doença de Parkinson – A enfermidade já é considerada a segunda doença neurodegenerativa progressiva mais frequente no mundo, perdendo apenas para o Alzheimer. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 1% da população mundial acima de 65 anos tem o Mal de Parkinson. No Brasil, a estimativa é de que essa patologia acometa mais de 200 mil pessoas.

Mendonça destaca ainda que, para produzir o pramipexol nas instalações do Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM), Farmanguinhos passou por uma reforma de sua planta fabril. Além de contar com profissionais altamente qualificados, foram adquiridos equipamentos de última geração. Desta forma, o Instituto continua atuando de forma estratégica para o país, lutando sempre em defesa da vida e de uma saúde pública de qualidade.

Jacob Portela é Gente de Far

“Quem não gosta do samba bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé”, já cantava Dorival Caymmi, em “Samba da minha terra”.

E não tem como falarmos do nosso entrevistado gente boa, sem falar do samba. Logo ele que é muito fã desse gênero musical, que desfila no carnaval, toca instrumentos de percussão, e, ainda, leva nome de escola no sobrenome. Rufam os tambores porque Jacob Portela, da Assessoria de Gestão Social, pede passagem na sua telinha.

Filho de português com pernambucana, Jacob foi criado no subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro de Vista Alegre, e teve uma infância simples, mas feliz:

“Naquele tempo, éramos livres, já que podíamos brincar na rua sem essa preocupação que há hoje por conta da violência. Eu era ‘rueiro’, gostava de jogar bola, de correr atrás de doce de São Cosme e São Damião… época que não existia também todas essas tecnologias, como o celular, então pude viver uma infância interessante“, retrata.

Diferente desse período, hoje, como parte do seu trabalho, ele precisa se preocupar com a criminalidade. Atuando há 10 anos na área de Gestão Social de Farmanguinhos, desde que tomou posse como servidor, Jacob tem visto os impactos causados pela violência de perto. 

“Com o passar dos anos, a situação tem piorado. Novas ocupações têm surgido no entorno do CTM e nós, da Gestão Social, temos nos adequado para articular com a comunidade, ter uma atuação mais direta e estratégica, não somente assistencial. Além dos projetos, apoiamos e fortalecemos as políticas já existentes na comunidade, visando planejar em conjunto, em sintonia com os anseios locais e das pessoas que vivem ali”, enfatiza.

Formado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e mestre em Ciências Políticas pela Universidade Federal Fluminense (UFF), antes de ingressar em Farmanguinhos, foi bolsista na Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP) e também professor de Sociologia e História em escolas públicas e universidades privadas, dedicando-se 20 anos ao magistério. Foi na Unidade que ele teve o primeiro contato com a área de responsabilidade social:

“Eu nunca havia trabalhado nesta área, não tinha inserção em projetos sociais. A minha atuação, até antes de entrar na Fiocruz, como Sociólogo, como Cientista Social, era na prática docente. Essa nova fronteira se abriu quando passei no concurso e fui trabalhar na área de Gestão Social.  A partir daí, de fato, eu comecei a me inteirar nos projetos sociais do setor para o entorno da CDD, ampliei minha ideia, e passei a ser um articulador junto à comunidade”, conta.

“Não devemos servir de exemplo para ninguém, mas podemos servir de lição“. Mario de Andrade

Sobre a sua trajetória profissional, Portela destaca alguns momentos:

“Todos os projetos são especiais, mas existem dois que me marcaram. O primeiro deles é o Turismo Pedagógico, realizado em 2011, onde levávamos um grupo de alunos de três escolas públicas da comunidade para conhecer alguns pontos turísticos do Rio e que tinham a ver com os conteúdos que eles estavam aprendendo em sala de aula, tais como o Museu Histórico Nacional, a Ilha Fiscal e a Biblioteca Nacional. A maioria dessas crianças não nunca tinham saído da comunidade e a tinham como única referência. Com o projeto, elas puderam ver que há um mundo aqui fora a ser explorado, que é muito diferente da realidade deles. Um aluno, inclusive, ficou encantado ao ver a Perimetral, algo tão normal para a gente. Outro foi o Natal Solidário do ano passado (2018), quando trouxemos a proposta do Papai Noel tropical. Eu pensei que haveria rejeição, por fugir do padrão daquela roupa vermelha, mas, pelo contrário, as crianças me receberam com tanto carinho, me abraçavam e conversavam comigo. Percebi que para elas era mais do que um personagem, aquilo simbolizava harmonia e afeto, algo diferente do contexto violento que elas vivem”, relata emocionado.

Acerca do futuro, ele revela que seu desejo é se aperfeiçoar ainda mais na área de gestão social para poder oferecer, cada vez mais, um trabalho adequado à comunidade do entorno e com qualidade:

“Procuro sempre participar dos cursos oferecidos pela Instituição para me manter atualizado, ainda mais neste mundo dinâmico que vivemos, onde as mudanças ocorrem de forma rápida. Percebo isso aqui no entorno, com o avanço das ocupações, com as mudanças das lideranças, com a crise que assola o país e que com a escassez de recursos. É preciso se manter antenado, se reinventar e se adaptar para encarar os novos desafios e os diferentes contextos”.

“Antes de me despedir, deixo ao sambista mais novo, o meu pedido final: Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar. O morro foi feito de samba. De Samba, pra gente sambar”. Não deixe o samba morrer – Edson Conceição e Aloísio Silva.

Jacob durante desfile (Foto: Arquivo pessoal)

Como dito no início desta matéria, não há como falar de Jacob e não falar de samba. Portelense, ele não só gosta de ouvir músicas desse gênero, mas também de tocá-las. Há anos ele tem como hobby tocar instrumentos de percussão:

“Toco tamborim, cuíca e pandeiro. Sou apaixonado por carnaval e costumo sair em várias escolas e blocos. Também participo dos Discípulos de Oswaldo e do Sons de Far”, conta. 

Quando questionado sobre tamanha paixão, ele responde:

“Ah, o samba é alegria. É a identidade do nosso povo, representa as nossas raízes, principalmente do carioca. Vários estilos surgiram e desapareceram, mas ele permanece. O samba nunca morre”.

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