Capacitação para profissionais e alunos de graduação e pós-graduação nas áreas de Ciências Farmacêuticas e Biológicas, Química e Engenharia Química. Aulas de 03 a 07 de fevereiro
(mais…)Ano: 2019 (Página 2 de 26)
Farmanguinhos, um dos sete laboratórios oficiais associados, situados no Rio de Janeiro, participou com informações e números de 2019
(mais…)Família. Esta palavra não só define o nosso entrevistado do Gente de Far, mas também é um dos motivos que o move. Em seu tempo livre, ele gosta de estar com os filhos, Bruna e Lucas, e com a esposa Luciana, com quem é casado há 22 anos. Sua fonte de inspiração? Nada menos do que seus pais, de quem ele tanto sente admiração. E se o assunto for legado? A resposta está em Eduardo, seu irmão caçula, que seguiu sua profissão (Químico). Conheça a história e a trajetória profissional de Alexandre Costa, do Serviço de Bioprocessos.

Nascido no Rio de Janeiro, o filho mais velho de Antônio e Ciléia teve uma infância normal, ao lado dos irmãos Leandro e Eduardo. Gostava de jogar bola na praça e de brincar de bola de gude, pique-esconde e de polícia e ladrão. Outra diversão era ir para o sítio do avô, no interior de Japeri, onde tomava banho de cachoeira, de rio e, ainda, subia em árvores.
Já na adolescência, Alexandre tinha outro hobby: consertar as coisas, principalmente eletrônicos. Ele tinha vários equipamentos em casa, como placas, alicates e ferro de solda. Costumava se distrair fazendo circuitos. Nesta época, ele pensava em seguir carreira nesta área. Entretanto, não foi o que aconteceu.
A paixão pela química, uma de suas matérias favoritas, ao lado de matemática e física, o levou a fazer o ensino médio técnico na Escola Técnica Federal de Química. Lá, fez o curso técnico de Biotecnologia, que estava sendo implementado no Brasil na época e era muito promissor, já que estava sendo considerada a profissão do futuro. E foi nesta área que Alexandre tem desenvolvido e consolidado a sua carreira. Além de Técnico em Biotecnologia, ele é Mestre em Polímeros pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Químico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Sobre sua experiência profissional, ele começou sua trajetória em um laboratório de genealogia, que realizava análise de DNA, onde ficou cerca de um ano. Em seguida, trabalhou na Merck, atuando por 15 anos, como pesquisador e desenvolvedor de produtos naturais.
Foi nessa indústria que viveu um dos momentos mais marcantes da sua profissão: um princípio ativo antiinflamatório que foi incorporado a um creme tem seu nome na patente do método de extração. Trata-se do tilirosideo. Na ocasião, ele participou de todo o processo de extração e purificação do princípio ativo da planta, desenvolveu a escala de laboratório e a piloto. Posteriormente, foi para a fábrica da empresa em São Luís, no Maranhão, para treinar os colaboradores para rodar o produto em escala industrial e produzir três lotes para avaliação, além de, em paralelo, estar envolvido com todos os trâmites que envolvia tal método (custos, matérias-primas, qualidade, logística etc).
“Foi um desafio muito grande, não somente por todo trabalho envolvido, mas também por ser a primeira vez que eu fiquei exposto a esse tipo de situação. Eu estive envolvido em todo o processo e fiquei responsável pela maior parte dele, inclusive em relação à produção. Eu agia como um ponto de interseção entre as áreas. No fim, de tudo certo Os lotes foram aprovados”, conta.

Depois da Merck, Alexandre trabalhou por dois anos e meio numa indústria química de polímeros. Logo após, em 2012, chegou em Farmanguinhos para compor a equipe do Serviço de Bioprocessos, ligado a Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico (CDT), lotado no campus Manguinhos.
“Eu vim com a proposta inicial de atuar no Projeto Insulina, uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo com a empresa Indar para absorção de tecnologia. Com isso, eu e meus colegas de equipe fomos algumas vezes para a Ucrânia para recebermos treinamento dos processos. Foi uma experiência enriquecedora. Em Far, minha rotina é dinâmica e ligada aos projetos do laboratório. Nossa equipe é multidisciplinar e altamente qualificada, o que permite uma troca de experiência engrandecedora. Hoje, além do projeto insulina, que já se encontra em fase de finalização, eu também atuo em dois novos projetos do setor, onde pesquiso métodos de purificação e de análises dessas biomoléculas”, enfatiza.

Alexandre com a equipe do Serviço de Bioprocessos
Além da química, o que mais faz os olhos de Alexandre brilharem? Acertou quem disse sua família! Como dito na introdução, são essas pessoas que fazem a vida dele ter sentido… “Eu vivo o meu sonho, que era ter uma família bem constituída. Não há prazer maior pra mim do que estar com a minha família, de curtir meus filhos, de viajar com eles. Todas as noites nos reunimos para agradecer a Deus e também para pedir graças para o dia seguinte”, revela.
E a gratidão não para por aí, Alexandre também se orgulha de seus pais e comenta o quanto eles o inspiraram: “Tenho muita admiração pelo meu pai, por toda sua determinação e luta. Já a minha mãe, muito me influenciou a ser quem eu sou hoje, no que diz respeito aos estudos e em meu caráter.
Por fim, após conhecer a história de Alexandre, não há como não lembrar do autor britânico Sir John Bowring, que disse: “Uma família feliz nada mais é que o paraíso antecipado”. Sem dúvidas, a maior riqueza do nosso entrevistado.
Antes de chegar às mãos dos pacientes, o medicamento passa por rígido controle de qualidade a fim de garantir sua segurança e eficácia. Para isso, são coletadas amostras para análise de cada etapa do processo produtivo. Além do medicamento em si, são também avaliados matérias-primas, materiais de embalagem, água, equipamentos e o ambiente. As análises seguem as legislações brasileiras, principalmente as dispostas na Farmacopéia nacional.

Para assegurar todo esse rigor, Farmanguinhos conta com o Serviço de Controle Microbiológico, ligado ao Departamento de Controle de Qualidade, da Vice-diretoria de Gestão da Qualidade (VDGQ). O setor, que atende aos requerimentos de Boas Práticas de Fabricação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desempenha uma atividade extremamente importante, uma vez que garante a qualidade dos insumos e dos demais elementos, como também a eficácia e a segurança do medicamento durante todo o seu ciclo de vida.
Localizado no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM), o Laboratório Microbiológico possui uma rotina bem agitada e diversificada, seguindo cronogramas com atividades diárias, semanais e bimestrais.

Atuação
Dentre as atribuições da área, encontram-se:
- Análises de pureza microbiológica em produtos (terminados, graneis e em estudo de estabilidade) e insumos (matérias-primas e material de embalagem primária);
- Monitoramento microbiológico ambiental nas áreas produtivas;
- Amostragens e análises físico-químicas e microbiológicas nas águas de processo (purificada e potável);
- Suporte técnico e/ou analítico aos processos de validação que exigem a análise microbiológica, tais como: limpeza, sistema de água purificada, sistema de ar comprimido, sistema de ar condicionado (HVAC), processos produtivos e de tempo de estocagem.
- Análise de todos os lotes de produtos advindos das Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP), sendo essa uma das grandes demandas recebidas no laboratório atualmente. Dentre os de maior volume de análises estão Duplivir (Fumarato de Tenofovir Desoproxila + Lamivudina) e Tacrolimo.
Organograma do Departamento
Responsável pela área desde junho de 2019, Ângela Senna lidera uma equipe composta por cinco colaboradores, sendo quatro deles formados em Ciências Biológicas e um técnico em Química.

Maria José Alves, Ângela Senna, Patrícia Costa, Carla Mororó, Márcia Fernandes e Alexandre Cardoso.
Resultados
Nos meses de julho, agosto e setembro deste ano, o setor realizou 3.225 análises, no total, conforme mostra o gráfico abaixo:

Desafios e Perspectivas
Segundo Ângela, os principais desafios da área tem sido dar suporte aos múltiplos projetos em andamento e atender aos prazos de liberação das análises de rotina, principalmente os que tange a validação de limpeza dos equipamentos produtivos.
Já as metas, ela revela que, para o próximo ano, a área tem como objetivo a execução das validações de metodologia analítica dos produtos e matérias-primas. “Os métodos analíticos utilizados para avaliar a presença de contaminação microbiológica precisam ser validados quanto à sua efetividade”, assinala.
Para marcar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, o Instituto divulga suas iniciativas para o enfrentamento da doença
No próximo domingo (1º/12) será celebrado o Dia Mundial de Luta contra a Aids, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de chamar a atenção para a doença. No Brasil foram notificados mais de 980 mil casos desde o início da epidemia, em 1980, a junho de 2018, conforme boletim epidemiológico do Ministério da Saúde divulgado no ano passado. Apesar dos números elevados, o país é uma referência mundial na política de tratamento de HIV/Aids. E para tal feito, tem contado com a atuação do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), principal produtor público de antirretrovirais.
A militância da unidade na luta contra a Aids começou em 1999, quando iniciou a produção do Zidovudina, mais conhecido como AZT. A partir de então, o Instituto passou a ser referência nacional na produção dessa classe de fármaco. O portfólio atual conta com oito desses produtos que compõe o coquetel Antiaids: Zidovudina, Lamivudina, Efavirenz, Lamivudina+Zidovudina, Nevirapina, Fumarato de Tenofovir Desoproxila + Lamivudina, Atazanavir e Entricitabina+Tenofovir.
Durante toda essa trajetória, há de se destacar também o grande marco alcançado pela instituição em 2007, com a produção e distribuição do Efavirenz, fruto do primeiro caso de licenciamento compulsório realizado no Brasil. Tal feito garantiu a soberania nacional quanto a esse medicamento, que antes era importado.
Para se ter uma ideia da relevância de Farmanguinhos na saúde pública nacional, só neste ano, a unidade já enviou mais de 118 milhões de unidades farmacêuticas ao Ministério da Saúde para serem distribuídas a todos os estados, de acordo com a necessidade de cada unidade federativa, a fim de garantir o acesso ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). No total, serão remetidas cerca de 170 milhões até o final de dezembro.
As conquistas não param por aí. Em agosto desse ano, o Instituto foi incluído como local de fabricação do Fumarato de Tenofovir Desoproxila + Lamivudina (300+300) mg, genérico do Duplivir, assim denominado por reunir os dois princípios ativos em um único comprimido. Com isso, Farmanguinhos passa a executar todo o processo produtivo deste medicamento, após conclusão de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) com a empresa Blanver.
Outro ganho referente à PDP está relacionado à Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP), uma vez que a unidade assumiu a distribuição de Entricitabina+Fumarato de Tenofovir Desoproxila no terceiro trimestre desse ano. Vale destacar que a PrEP foi adotada como política pública com intuito de oferecer mais uma opção de prevenção à infecção pelo vírus, sendo o Brasil o pioneiro na América Latina a aderir tal terapia. Até o final de 2019, serão remetidas cerca de 2,2 milhões de unidades farmacêuticas para o Ministério da Saúde, visando o abastecimento do SUS.
Para 2020, a demanda será ainda maior. Para garantir o enfrentamento da doença, está prevista a produção de mais de 218 milhões de unidades farmacêuticas de antirretrovirais.
Todos esses feitos só reafirmam o potencial técnico e o caráter essencial de Farmanguinhos, tanto na luta contra a Aids quanto no fortalecimento da saúde pública brasileira.






