Download PDF
image_print

Profissionais de diversas áreas participaram da primeira turma do curso e já começaram a se comunicar com os colegas surdos na Língua Brasileira de Sinais

 

Promover a cultura da inclusão e ampliar a comunicação entre os colaboradores da unidade foram os principais objetivos do curso de Introdução à Língua Brasileira de Sinais (Libras), promovido pelo Departamento de Desenvolvimento de Recursos Humanos (DDRH), da Vice-diretoria de Gestão do Trabalho (VDGT). Ministrada de forma híbrida (algumas aulas presenciais e outras remotas) pelo professor e intérprete Gabriel Sampaio, a turma teve oito encontros e contou com a participação de 18 profissionais de áreas diversas e que atuam diretamente com os trabalhadores surdos.

Os alunos participaram de encontros presenciais e remotos. (Foto: Tatiane Sandes)

 

Durante a capacitação, os participantes aprenderam sobre a língua, cultura e identidade da comunidade surda. Para alguns esse foi o primeiro contato com a Libras, caso de Sônia Eveline, da Seção de Gestão de Documentos. Com a participação no curso, ela se sente mais preparada para se comunicar com Augusto Loureiro, seu colega de equipe.

“Convivi durante anos com ele, tentando me comunicar fazendo alguns sinais (muitas vezes errados). Agora tenho a oportunidade melhorar e me aperfeiçoar. Estou muito satisfeita com o aprendizado e empolgada cada dia mais para conversar com ele. É um aprendizado para levar para vida”, revela Sônia.

As aulas foram ministradas para colaboradores de diversas áreas da Unidade. (Foto: Tatiane Sandes)

Diferentemente, Saulo Silva, do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), já conhecia alguns sinais aprendidos no cotidiano. O curso, portanto, veio expandir esse conhecimento.

“Trabalho direto com o Laertti, que é surdo. Antes já tentava manter uma comunicação mínima em Libras, pedindo para que ele me ensinasse alguns sinais mais básicos de trabalho. Contudo, agora com o curso, consegui evoluir nos assuntos e integrar melhor o colaborador ao dia a dia da equipe”, frisa.

Os alunos puderam colocar em prática os conhecimentos obtidos nas aulas. (Foto: Tatiane Sandes)

Para Vera Oliveira, do Departamento de Gestão da Saúde do Trabalhador (DGST), mesmo tendo curta duração, o curso proporcionou a comunicação além da rotina laboral.

“Tenho certeza de que, a partir de agora, conseguirei me comunicar mais adequadamente com a comunidade surda e poder conhecer melhor seus estilos de vida, hábitos e sonhos”, expõe.

Os colaboradores surdos participaram de algumas aulas e interagiram com os alunos em Libras. (Foto: Tatiane Sandes)

O vice-diretor de Gestão do Trabalho, André Cordeiro, que também participou da capacitação como aluno, fez uma avaliação do curso e mencionou a sua importância para a instituição. 

“Como aluno foi uma experiência incrível. Estou muito feliz com a decisão de ter participado dessa imersão inicial. Como gestor, acredito que tenha sido um sólido movimento na direção certa. Precisamos ampliar nossos horizontes e aumentar a nossa capacidade de comunicação, além de incluir nossos trabalhadores surdos nas discussões internas, de elaboração e de melhoria nos processos de trabalho”, pondera.

Tainá Marini (DARH), na imagem com o professor Gabriel, vinha aprendendo alguns sinais com Adão Silva, seu colega de equipe, e expandiu seu conhecimento em Libras através do curso. (Foto: Tatiane Sandes)

Acessibilidade – De acordo com Cordeiro, o tema está na agenda da VDGT como uma prioridade. “Temos certeza de que com um ambiente de trabalho mais inclusivo poderemos ampliar as potencialidades organizacionais de Far”. Com isso, o curso passa a somar com as outras iniciativas que fazem parte da política institucional de inclusão desses profissionais na rotina da unidade, que já contempla participação no Coral, palestras com intérpretes e outras atividades corporativas.

A pauta é endossada pelos surdos Laertti Carpenter, do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), e Adão  Silva, da Vice-diretoria de Gestão do Trabalho. Esses profissionais, que participaram de algumas aulas do curso, destacaram a relevância dessa ação.

“Quando a gente aprende uma Língua, a gente dá valor a ela e também ao seu devido status. Passamos a conhecer a sua comunidade e a reconhecer os seus falantes. Espero que  continuem buscando mais conhecimento. Foi muito bom ter participado e ver que eles já conseguem se comunicar. Esse é o primeiro passo para que possamos construir a nossa base e criar uma troca. Agora, a partir desse conhecimento adquirido, eu poderei ajudá-los na Língua e eles poderão me ajudar no meu trabalho, além de conversar sobre a nossa vida, nossa rotina, por exemplo. A Língua define o ser humano, quem nós somos. Ver que eles estão aprendendo a minha Língua é muito importante. É muito bom eu estar aqui e ver que isso está acontecendo dentro da instituição”, relata Laertti.

Para Adão, o contato diário facilita o aprendizado.

“Eu tenho muito contato com a Tainá Marini e sempre ensino algum sinal para ela e com isso a gente consegue conversar. É muito bom ver que esse grupo está aprendendo Libras e assim eu posso conversar com eles também. Conheço muitos de ver no corredor, mas não sei onde ou com o que trabalham. Então, a partir desse curso, eles vão conseguir ter o básico para se comunicarem no idioma e, assim como a Tainá, também aprender no dia a dia com a gente. Qualquer dúvida, se quiser saber algum sinal, é só me perguntar”.

A partir de agora, os alunos se tornaram multiplicadores, levando para os seus setores os conhecimentos adquiridos dentro de sala de aula, como também para suas vidas pessoais.

18 profissionais da unidade já estão aptos a se comunicar com os colegas surdos em Libras. (Foto: Tatiane Sandes)

Próximas turmas – Sobre as perspectivas da capacitação, André Cordeiro analisa qual será sequência. “Vamos agora avaliar os resultados obtidos e também os impactos subjetivos nas áreas para determinar os próximos passos. Temos que saber o que será mais efetivo: se aprofundar/avançar com a turma já formada no módulo de introdução ou se devemos ampliar o número de trabalhadores de Far para adquirirem o entendimento básico”, salienta.