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Atualização em extração e isolamento de produtos naturais

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Nísia Trindade adota postura conciliadora após imbróglio com o Palácio do Planalto em torno de sua nomeação
Por Mariana Alvim
Para a pesquisadora Nísia Trindade Lima, a virada de ano foi marcada por incerteza. Escolhida em eleição interna para a presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com 59,7% dos votos, derrotando a médica Tania Cremonini de Araújo-Jorge, a socióloga foi surpreendida, no final de 2016, ao saber que o Palácio do Planalto não acataria o resultado do pleito e nomearia a segunda colocada como presidente. Os dias seguintes trouxeram debate intenso na comunidade científica, levando a protestos e a uma petição on-line em seu favor que angariou quase 10 mil assinaturas. Finalmente, após reuniões em Brasília, seu mandato foi confirmado na última quarta-feira. Aos 58 anos, Nísia, que ficará à frente da instituição até 2020, deixa claro que o imbróglio foi superado e que vai trabalhar para integrar a cadeia de conhecimento da Fiocruz, aprofundando-se, também, nos trabalhos para conter a epidemia de zika e das outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
Como recebeu a notícia de que o Planalto nomearia Tania Cremonini como presidente da Fiocruz?
Com perplexidade, porque, até então, não havia indicativo disso por informações do Ministério da Saúde. A questão deixou de ser só da Fiocruz e traz um ponto de reflexão para que processos semelhantes não gerem essa instabilidade: os mecanismos de lista tríplice foram instituídos para haver um equilíbrio entre as comunidades e governos, mas cada vez mais, inclusive nas universidades, há a visão de que se deva encaminhar o nome do primeiro colocado na votação. Hoje, escrevi uma carta à comunidade da Fiocruz afirmando que a campanha acabou e que minha nomeação significa que vamos falar para a instituição como um todo.
Como foram as reuniões em Brasília? A senhora conversou com o presidente Michel Temer?
Na terça-feira, fui chamada para uma reunião na Casa Civil, coordenada pelo ministro Eliseu Padilha, com o ministro Ricardo Barros (Saúde), além do Moreira Franco (secretário-executivo do Programa de Parceria de Investimentos). O ministro Padilha expressou preocupação com a dimensão que a sucessão na Fiocruz tomou. Foi mencionada até mesmo a apreensão de que a instituição estivesse em uma conflagração. Mas não acho que a Fiocruz esteja conflagrada. Conversei com o presidente no mesmo dia. Ele sugeriu um acordo em que a representatividade da eleição fosse considerada e que a partir de indicações feitas pela Tânia, eu pudesse formar a minha equipe. Esse tipo de acordo acontece, muitas vezes, entre candidatos em uma disputa. Agora nós temos que cumprir com o nosso programa, quero trabalhar pela unidade institucional — de forma a não exacerbar conflitos, sem que isso signifique não haver espaço para o contraditório.
Segundo rumores, o governo resistiu à sua nomeação, entre outros motivos, porque a senhora se manifestou, no ano passado, contra a posse de Temer como presidente da República…
Na reunião na Casa Civil, não foi mencionada a questão de posicionamentos políticos, o que é o correto e saudável. O país está passando por crises econômica, política, institucional, que nos chamam uma responsabilidade enorme. A discussão política sempre deve ser feita, mas não estamos falando de composição de governo, e sim de uma instituição de ciência e tecnologia. Então, o presidente da instituição pode ter suas convicções, mas, no cargo, deve se pautar por sua missão e pelo diálogo. Ao longo da vida, manifestei muitas vezes minhas convicções, mas minha posição central é pela democracia, pela inclusão social, pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por uma política de ciência e tecnologia a serviço do desenvolvimento.
A senhora assume em meio a um verão que preocupa pela disseminação das doenças transmitidas pelo mosquito “Aedes aegypti”. Como pretende se posicionar nesse cenário?
Será no sentido de aprofundar, no campo da vigilância, as ações do comitê de emergência que a Fiocruz já constituiu, e de integrar mais as ações de controle de vetores, as discussões sobre os fatores ambientais, entre outros. Recentemente, na linha de diagnóstico, tivemos a aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de um kit que permite o discernimento entre zika, dengue e chicungunha. Estamos aguardando o ministério fazer os acertos finais para que ele possa ser produzido e distribuído. Precisamos de muitas ações conjugadas para dar conta de uma epidemia da gravidade da zika.
Sendo socióloga, como a leitura das ciências sociais pode contribuir para entender estas epidemias?
Eu coordeno a Rede de Ciências Sociais e Zika da Fiocruz, que envolve várias unidades da fundação, e discutimos todas as dimensões sociais envolvidas. Há toda uma discussão sobre o impacto da epidemia no SUS, uma vez que ela atingiu duramente não só o Nordeste, mas as mulheres em situação muito vulnerável. A Fiocruz teve 11 projetos aprovados em um grande edital do governo federal, em dezembro, e eu coordeno dois deles voltados para a importação da educação na prevenção e na promoção da saúde no caso dessas doenças, particularmente a zika.
Cientistas do país criticam cortes de verbas para pesquisa. Como a crise está afetando a Fiocruz?
Tivemos uma redução do orçamento em 2016 em relação a 2015. Mas conseguimos desenvolver nossos programas, mesmo tendo áreas com necessidade de reforço. A instituição não vive uma crise orçamentária. Mas vamos trabalhar no sentido de otimização dos resultados e na captação externa.
A senhora é a primeira mulher na presidência da Fiocruz. O que isto significa para a instituição?
Para mim é motivo de muito orgulho, e é também um fato valorizado por toda a comunidade. Somos hoje 56% dos servidores da Fiocruz, e 60% dos pesquisadores. Portanto, já era hora. Além disso, acho muito importante que a agenda de gênero e saúde seja bastante enfatizada na instituição.
Quais serão as suas prioridades à frente da fundação?
Passará por integrar toda a cadeia do conhecimento da Fiocruz com os desafios da saúde, da ciência e da tecnologia; no campo da vigilância, dar um salto de qualidade; trabalharemos também no desenvolvimento dos institutos nacionais de saúde. Além disso, um dos grandes compromissos é com a prospecção, preparando a Fiocruz para os grandes desafios do futuro.
Doutora em Sociologia e servidora da Fiocruz desde 1987, a pesquisadora, professora e gestora Nísia Trindade Lima será a primeira mulher a comandar a Fundação, em 116 anos de história. O decreto presidencial com a sua nomeação foi publicado nesta quarta-feira (4/1), no Diário Oficial da União (DOU). Assista ao vídeo, da emissora NBR, no qual o ministro da Saúde, Ricardo Barros, anuncia a nova presidente da Fiocruz.
Escolhida pelo presidente da República, Michel Temer, e pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, como a nova presidente da Fundação Oswaldo Cruz na gestão 2017-2020, Nísia Trindade Lima foi a candidata mais votada nas eleições internas da Fiocruz, realizadas em novembro de 2016, com 59,7% dos votos em primeira opção. No processo eleitoral que indica até três nomes para a escolha do Ministério da Saúde, a candidata Tania Cremonini de Araújo-Jorge alcançou 39,6% dos votos em primeira opção.
Durante o processo de escolha da nova presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima definiu dez compromissos centrais para o seu programa de gestão: defender o direito universal à saúde: compromisso com o SUS; promover a ciência, a tecnologia e a inovação em benefício da sociedade; valorizar os trabalhadores e promover relações de trabalho inclusivas e com respeito à diversidade; promover a qualidade e a integração na atenção, na vigilância e na promoção à saúde; fortalecer a saúde na agenda ambiental e do desenvolvimento sustentável; promover educação e divulgação cientifica para a ciência, a saúde e a cidadania; promover a informação e a comunicação como fatores estratégicos do desenvolvimento institucional e como direitos da sociedade; orientar a cooperação internacional para o fortalecimento de sistemas universais de saúde e o desenvolvimento científico e tecnológico; realizar uma gestão democrática comprometida com o papel de instituição pública estratégica de Estado; contribuir para a construção da Fiocruz do Futuro.
Perfil da presidente
Doutora em Sociologia, Nísia é servidora da Fiocruz há quase três décadas. Ingressou na instituição em 1987 como pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), assumindo a Direção da unidade de 1999 a 2005. Já na primeira década do novo milênio, Nísia atuou ainda como membro do conselho editorial da Editora Fiocruz, do comitê científico e da comissão executiva do 4º Congresso Mundial de Centros de Ciência e da comissão organizadora de eventos integrantes da comemoração do centenário da descoberta da Doença de Chagas. Participou da criação do curso de especialização em história da saúde na Amazônia, em parceria com o Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazonas), e do Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da COC.
Foi também uma das responsáveis pelo início da parceria com o governo federal para incrementar as políticas de preservação do patrimônio cultural da saúde, concentrado, em larga medida, nas próprias edificações da Fiocruz. Nesta década, Nísia foi indicada ainda como finalista do Prêmio Jabuti com a obra “Louis Pasteur e Oswaldo Cruz: tradição e inovação em saúde” e recebeu as medalhas do centenário da Fundação Oswaldo Cruz, Euclides da Cunha e em comemoração dos 110 anos de fundação da Academia Brasileira de Letras. Também foi agraciada com o prêmio “Destaque do Ano em orientação de iniciação científica”, do CNPq.
De 2011 a 2016, à frente da Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação (VPEIC/Fiocruz), torna-se membro do Conselho Consultivo do Sistema Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS), que tem como objetivo a educação permanente dos profissionais do SUS, e coordenadora das Semanas Nacionais de Ciência e Tecnologia da Fiocruz. Já em 2012, integra o grupo de trabalho para implementação da Fiocruz Piauí e inicia o trabalho de negociação para implementar a Rede SciELO Livros – hoje no ar com milhões de downloads e com forte protagonismo da Fundação. No contexto do compromisso com a democratização do conhecimento e do acesso à informação, sob sua gestão, são lançados o Programa de Apoio às Bibliotecas Virtuais em Saúde, o Repositório Institucional da Fiocruz (Arca) e as políticas institucionais de acesso aberto e de comunicação. Ainda nos anos 2010, a Fiocruz é designada como Centro Colaborador para Saúde Global e Cooperação Sul-Sul da Organização Mundial de Saúde (OMS), recebe o prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, é credenciada como Escola de Governo e lança o Campus Virtual de Saúde Pública e o Observatório em Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde. No período, também foi implementado o mestrado profissional em rede, em parceria com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), e a Fiocruz assumiu a coordenação da Rede de Apoio à Inovação do Ensino na Saúde, iniciativa governamental que tem como objetivo assegurar o apoio ao programa Mais Médicos. Em 2015, Nísia recebe o prêmio Nise da Silveira, na categoria mulher cientista, pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Em 2016, no contexto do enfrentamento à emergência sanitária global em decorrência do vírus zika, e com o objetivo de colocar centralmente a dimensão humana na busca de soluções para este problema, Nísia cria, no âmbito da Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação, o programa integrado de pesquisa Rede de Ciências Sociais e Zika da Fiocruz.
Premiado pelo Ministério da Saúde, estudo de pesquisadora de Farmanguinhos estimula uso de plantas medicinais em Paty do Alferes (RJ)

Amanda Valverde foi premiada pelo Ministério da Saúde por seu estudo sobre fitoterapia no SUS (Foto: arquivo)
A colaboradora do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), Amanda Valverde, foi agraciada com o Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS, oferecido pelo Ministério da Saúde, concorrendo com mais 110 dissertações de mestrado de todo o Brasil. Segundo a pasta, a iniciativa tem como objetivo valorizar os pesquisadores e suas pesquisas, indispensáveis para o desenvolvimento das políticas públicas de saúde no Brasil.
Neste sentido, a colaboradora do Núcleo de Gestão em Biodiversidade e Saúde (NGBS) foi premiada pelo estudo Introdução da Fitoterapia no SUS: contribuindo com a Estratégia de Saúde da Família na comunidade rural de Palmares, Paty do Alferes, Rio de Janeiro. Trata-se de sua dissertação do Mestrado Profissional em Ciência e Tecnologia Farmacêutica, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob orientação das professoras Nina Claudia Barboza da Silva e Mara Zélia de Almeida.
“O estudo que realizamos baseou-se na gestão participativa, possibilitando a integração e diálogo dos diferentes atores, de modo a valorizar o uso da biodiversidade. Com isso, buscamos sempre a discussão sobre plantas medicinais em seus diversos aspectos, tais como a otimização do uso popular, segurança de uso, certificação botânica, cultivo e sustentabilidade visando garantir a saúde ambiental, individual e coletiva da comunidade”, explica.
Lacuna e uso tradicional – Durante a investigação foi possível constatar que o conhecimento tradicional e popular está presente na comunidade de Palmares. Para se ter uma ideia, resultados preliminares mostraram que 82% da população fazem uso de plantas medicinais. A maioria utiliza em forma de chá.
Apesar desta constatação, todos os profissionais de saúde da Unidade Básica de Saúde da comunidade desconheciam as políticas de plantas medicinais e práticas integrativas e complementares para a introdução no Sistema Único de Saúde (SUS). “Assim, apresentaram demanda espontânea por capacitação para a atuação com plantas medicinais”, observa a pesquisadora.
A Plataforma Agroecológica de Fitomedicamentos (PAF), área de Farmanguinhos vinculada ao NGBS, contribuiu para a capacitação desses profissionais de saúde e na implantação de uma horta comunitária de plantas medicinais com caráter socioeducacional. “As mudas das plantas foram produzidas pelo setor de agroecologia, e determinadas botanicamente pela Coleção Botânica de Plantas Medicinais, ambas pertencentes à PAF”, explica.

Moradores da comunidade rural de Palmares, em Paty do Alferes (RJ), estão tendo contato com práticas integrativas relativas à PNPMF (Foto: arquivo)
Destaca-se também a elaboração de materiais didáticos socioeducacionais, dentre eles o Memento Fitoterápico da Comunidade Rural de Palmares, Paty do Alferes, Rio de Janeiro.
Segundo Amanda, essas iniciativas têm como objetivo estimular o uso de plantas medicinais na Estratégia de Saúde da Família como instrumento para a promoção de saúde na comunidade rural de Palmares. “Para a introdução desta prática como terapêutica no SUS, é essencial planejar e executar atividades voltadas para a educação em saúde, valorizando os usuários do SUS local, de forma participativa e dialógica”, assinala.
Ainda, de acordo com a pesquisadora, as ações corroboram a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), criada em 2006. “Este ano completamos 10 anos da Política, acredito que o prêmio é a concretização de que é possível termos a utilização desta prática na atenção básica de saúde. Espero que este trabalho incentive iniciativas para a inserção de práticas com plantas medicinais”, ressalta a pesquisadora.