A parceria prevê o desenvolvimento de formulações com tecnologia inovadora de liberação diferenciada do fármaco no organismo, proporcionando maior comodidade aos pacientes
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Ao todo, mais de 64,5 milhões de unidades farmacêuticas deste importante medicamento serão enviados para o SUS ao longo do ano
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) iniciou a distribuição do Dolutegravir 50 mg. O antirretroviral é fruto da Aliança Estratégica com a GSK e ViiV Healthcare, firmada em julho de 2020. Em fevereiro, foi realizada a entrega da primeira remessa à instituição, um total de 16,5 milhões de comprimidos. Ao longo do ano, serão encaminhados mais de 64,5 milhões de unidades farmacêuticas deste importante medicamento ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Absorção de Tecnologia – A internalização da tecnologia do Dolutegravir se dará por meio de transferência reversa: começa pela etapa final (análise de controle de qualidade e embalagem) e, aos poucos, Farmanguinhos vai absorvendo as demais etapas do processo. Desta forma, o medicamento será totalmente fabricado no laboratório parceiro. Após esse período, o Instituto passa a produzir gradualmente a demanda. Ao final da transferência, toda a produção será executada no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) de Farmanguinhos.
Benefícios da Aliança Estratégica – Além da absorção do Dolutegravir 50mg, o projeto prevê ainda a colaboração para fabricação local de uma combinação deste antirretroviral com a Lamivudina 300 mg em dose única diária. A tecnologia será transferida para Farmanguinhos em fases. A parceria também vai gerar economia aos cofres públicos com redução dos custos de aquisição do medicamento, o que diminui a dependência do Programa de HIV/Aids por insumos importados, em médio e longo prazos.
De acordo com o diretor Jorge Mendonça, outro objetivo é trazer para o Brasil mais conhecimento na fabricação desses produtos estratégicos para o SUS, o que fortalece o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS).
“Farmanguinhos sempre busca o que tem de melhor em termos de tecnologia e adesão ao tratamento. Com essa aliança estratégica, passamos a fornecer os dois principais medicamentos para o tratamento do HIV, o dolutegravir, e mais a combinação de tenofovir com lamivudina. Nos próximos dois anos, com a transferência de tecnologia, esperamos já estar produzindo o dolutegravir dentro da nossa unidade e, no futuro próximo, fabricar a combinação dele com lamivudina, ou outras combinações que o Ministério da Saúde, por meio do programa de DST/Aids, aprove”, apontou Mendonça.
Sobre o medicamento – O Dolutegravir 50mg é considerado um dos mais modernos antirretrovirais utilizados atualmente no tratamento de HIV no mundo. O medicamento foi introduzido no SUS em 2016, e distribuído a mais de 300 mil pacientes, beneficiando aqueles que ainda não iniciaram o tratamento com outros antirretrovirais ou apresentaram resistência às formulações anteriores.
Protagonismo no tratamento de HIV/Aids – O Brasil se tornou referência mundial em sua política de acesso universal a antirretrovirais, e Farmanguinhos é o principal produtor público desta classe de medicamentos, atuando na ampliação da disponibilização do tratamento aos pacientes.
Atualmente, o portfólio do Instituto conta com nove produtos: dolutegravir, atazanavir, efavirenz, lamivudina, nevirapina, zidovudina, lamivudina+zidovudina e tenofovir+lamivudina, e o entricitabina+tenofovir, usado na Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP).
Colaboradores concluem o programa intercultural da Massey University e recebem o título de cidadãos globais
Os colaboradores Daniel Lopes (Serviço de Compras), Eduardo Sousa (Departamento de Síntese de Fármacos e Bioativos), Saulo Moura (Departamento de Tecnologia da Informação) e Tatiane Sandes (Centro de Comunicação) concluíram o programa intercultural Global Competence Certificate (GCC). O edital foi divulgado ano passado pelo Departamento de Educação de Far. Após avaliação dos inscritos, os quatro profissionais foram contemplados com bolsa de estudos, fruto de uma parceria entre a Fiocruz e a Massey University, universidade da Nova Zelândia, considerada uma das 300 melhores do mundo.

Servidor de Farmanguinhos, Jorge Magalhães, um dos responsáveis pela articulação do curso junto à universidade neozelandesa, informou que essa parceria faz parte de uma das estratégias da unidade com a diplomacia em saúde internacional, onde tem-se buscado identificar projetos de interesses comuns no exterior.
“Articulamos a possibilidade de oferecer esse curso aos nossos colaboradores, uma vez que é premissa para atuação no século 21 possuirmos habilidades para refletir e agir fora da caixa, extramuros, em um mundo em constante mudança. Espera-se que com mais esta iniciativa possamos colaborar em mais um passo na formação de profissionais com pensamento crítico construtivo local e global, para Farmanguinhos, Fiocruz, o SUS e o mundo”, destacou.

Ministrado totalmente em Inglês, o curso ofereceu um ambiente virtual para acesso ao conteúdo programático, e foram realizados encontros semanais para debater os temas com alunos de diversos países com os quais a universidade mantém parceria. O programa desenvolveu nos alunos autoconsciência, empatia para lidar com os padrões de comportamento e valores de pessoas de diferentes contextos culturais e maneiras de construir pontes em ambientes multiculturais sem prescindir de questões locais, concedendo-os, ao final, o título de Cidadãos Globais. Aprovado por unanimidade, os alunos comentaram as suas experiências e aprendizados com o intercâmbio.
Para Eduardo Sousa, o intercâmbio possibilitou sair da zona de conforto. “Achei o curso muito interessante. Os assuntos abordados são de aplicação prática, não só na vida profissional, como também na vida pessoal. Penso que é um curso que nos tira da caixa e nos faz pensar no papel que temos na sociedade. Estar com pessoas de diferentes culturas é muito rico e motivador”.
“As aulas foram bastante dinâmicas, com muitas trocas em grupos menores sobre os temas pré-estudados. A mistura de participantes do Brasil, da Nova Zelândia e de outros países nesses grupos menores foi muito agregadora e nos permitiu observar na prática as diferenças culturais que nos foram apresentadas na teoria. Com isso, acredito que a maior aplicabilidade será no uso cotidiano das ferramentas aprendidas no curso, ajudando em pequenas mudanças nos diversos núcleos de convívio que estamos inseridos (trabalho, amigos, família, etc)”, avaliou Saulo Moura.
Para Daniel Lopes, o mais desafiador é a aplicação dos conhecimentos adquiridos.“Comunicar-se em outra língua que não seja a sua língua materna sempre apresenta desafios, mas colocar em prática o que aprendemos é muito mais difícil. O curso objetiva expandir sua visão, retirá-lo da sua zona de conforto, propor novas releituras, compreender a diversidade na sua sublimidade, mitigar as polarizações, perceber estereótipos e generalizações, aprofundar e não se precipitar, lidar com conflitos, etc, e tudo isto buscando formar profissionais e cidadãos para o futuro”, ponderou.
“Mesmo que realizado de forma remota, a experiência foi enriquecedora. Tivemos a possibilidade de estabelecer conexões valiosas com pessoas de diversos lugares do mundo, que nos proporcionou conhecer novas culturas e valores sociais, além de uma troca incrível. Como intercâmbio, constatei que precisamos ser capazes de nos comunicar de maneira eficaz com todas essas pessoas e garantir que a mensagem seja transmitida com clareza, apesar das diferenças culturais e de idioma. Ser um cidadão global é poder compreender essa multiculturalidade e aceitar as diversidades, sendo capaz de contribuir para a construção de sociedades mais justas, equânimes, inclusivas, empáticas e pacíficas”, analisou Tatiane Sandes.

A coordenadora do Departamento de Educação, Mariana Souza, falou sobre as suas expectativas após o êxito do programa.
“Esse curso me lembrou a frase ‘pense globalmente, aja localmente’. Em um momento histórico que estamos vivendo, em que o ser humano teve que se reinventar e, ao mesmo tempo, repensar a forma como se relaciona entre si e com o mundo, ter a oportunidade de fazer um curso como esse é a possibilidade de atuar em Far pensando globalmente. Esperamos, em breve, poder fazer alguns eventos internos com os concluintes para que o conhecimento seja compartilhado com toda a força de trabalho, além de oferecer novos cursos”, assinalou.

Desenvolvido pela Gestão Social da unidade, em parceria com a ONG Alfazendo, a nova fase do projeto Se Esta Rua Fosse Minha construi hortas em quatro escolas públicas da comunidade
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), por meio de sua Assessoria de Gestão Social (AGS), deu início à nova fase do projeto “Se Esta Rua Fosse Minha”, que criará hortas para educação ambiental em escolas municipais da Cidade de Deus. A iniciativa conta com a parceria de instituições públicas e privadas, além de artistas e organizações comunitárias da região, e reforça o compromisso da unidade com a promoção da saúde, da qualidade de vida e da dignidade da população do entorno do Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM).

A atual fase prevê a criação de quatro hortas, sendo três com finalidade pedagógica e uma voltada à produção de alimentos para os estudantes. Os espaços servirão também de quintal de aprendizado e de educação socioambiental. Para isso, o projeto conta com a expertise e o protagonismo dos jovens educadores ambientais da ONG Alfazendo. Eles serão os responsáveis por planejar as atividades de plantio e a formação de professores e funcionários das instituições beneficiadas.
“Nosso pontapé inicial foi a Escola Municipal Joaquim Fontes, que ganhou uma horta e uma nova fachada com o tema rosas e poesia, em homenagem ao seu patrono (poeta e roseirista). As demais contempladas serão a Escola Municipal Monsenhor Cordioli, a Escola Municipal Avertano Rocha e o Espaço de Desenvolvimento Infantil Perciliana. O projeto contribuirá para que se amplie a consciência da importância de preservar o meio ambiente e os recursos naturais, além de oferecer soluções metodológicas para as escolas trabalharem o tema da educação ambiental de forma transversal, estimulando a mudança de hábitos alimentares das crianças e de seus familiares”, explica Magali Portela, coordenadora da Assessoria de Gestão Social de Farmanguinhos.

Magali ainda definiu a atividade socioambiental como um trabalho construído por muitas mãos, destacando a participação de diversos parceiros durante as etapas.
“Se Esta Rua Fosse Minha é fruto de um trabalho desenvolvido em conjunto e com parcerias que fazem nascer no lugar do lixo um espaço de confraternização, encontros, formação e lazer. Nas fases anteriores, realizamos a limpeza e revitalização da Avenida Comandante Guaranys, utilizando a arte do grafite para dar cores aos muros; a construção do espaço de convivência e lazer, com artesanato de pneus, troncos e paletes; e a criação da horta comunitária. Todas essas ações tiveram o apoio de parceiros, como a Sociedade de Promoção da Casa de Oswaldo Cruz, a Associação de Servidores da Fiocruz (ASFOC), Amil Saúde, BR-Log Empreendimentos e Logística, Subprefeitura de Jacarepaguá, Projeto Tia Ruthe e o artista plástico Nélio Fernando”, ressaltou.

Unidade promove encontro virtual de três gerações da ciência Farmacêutica. Núbia Boechat, Lívia Prado e Aryella Correa falaram sobre suas respectivas trajetórias neste segmento
Em mais uma ação em comemoração ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, Farmanguinhos realizou uma roda de conversa com as cientistas e colaboradoras da unidade Núbia Boechat, Lívia Prado e Aryella Correa. De gerações distintas, elas discorreram sobre suas trajetórias, conquistas e perspectivas para o segmento. O encontro virtual foi mediado pela coordenadora do Departamento de Educação, e também cientista, Mariana Souza, e transmitido pelo canal da instituição no YouTube.

Durante no encontro, Mariana Souza justificou a necessidade de ter um dia dedicado ao tema, apresentando dados e curiosidades relacionadas à participação das mulheres na Ciência, como a quantidade ainda inexpressiva de ganhadoras do Prêmio Nobel, uma das principais premiações mundiais para reconhecimento de pessoas que desenvolvem trabalhos, ações e pesquisas em benefício da humanidade nas categorias de Medicina, Física, Química, Literatura, Paz e Economia.
“Hoje é um dia especial. E para mostrar a importância de se ter esse Dia das Mulheres e Meninas na Ciência, eu trago um dado, que é a quantidade de mulheres laureadas pelo Prêmio Nobel. Quando a gente pensa que dos 975 contemplados até hoje apenas 59 são mulheres, a gente consegue entender a dimensão dessa desigualdade e a necessidade de falar sobre a mulher na Ciência”, esclareceu.
Mariana, ainda, explicou como a data foi criada e motivo da escolha do tema da live. “Para corrigir um pouco essa desigualdade, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs um objetivo de desenvolvimento sustentável que inclui o combate à desigualdade de gênero. Uma das ações sugeridas é fortalecer e estimular a participação de mulheres na Ciência. E por isso foi criado, no dia 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. E para mostrar que o lugar de mulher também é na Ciência Farmacêutica, convidamos três mulheres que se destacam nessa área, de diferentes gerações e atuações dentro do segmento”, elucidou.

A roda de conversa, dividida em três blocos, teve como primeiro tema a motivação para atuar na Ciência Farmacêutica.
Aryella Correa fez questão de frisar que a Farmácia é que a escolheu. “Participei de um congresso e, quando eu apresentei o meu trabalho, um professor da USP me perguntou se eu sabia o que eu iria fazer. Respondi que não. Ele falou: Então, a Farmácia te escolheu. E mais ainda, a Farmacologia. Depois disso, eu pesquisei a grade do curso e percebi que era mesmo isso que eu queria. Encontrei a minha vocação. A diversidade de atuação e possibilidades, desde a pesquisa ao resultado final, é o que mais me motiva”, contou.
Já Lívia Prado encontrou sua vocação desde a época da faculdade de Farmácia, quando começou a iniciação científica em Farmanguinhos. “Eu fiquei muito encantada pela pesquisa e pela possibilidade de propor determinadas soluções a partir de um estudo teórico ou experimental. Eu sempre trabalhei em laboratório, na área de desenvolvimento de medicamentos. E essa foi a minha maior motivação. Hoje, um dos meus maiores estímulos é entender que o meu trabalho tem um impacto, de fato, para que sejam distribuídos medicamentos de qualidade para a população”, ressaltou.
Diferentemente delas, Núbia Boechat iniciou a carreira na área química e só passou a ter contato com o segmento farmacêutico depois que veio para a unidade.
“Apaixonada pela Química Orgânica, fui fazer iniciação científica no Instituto de Pesquisa de Produtos Naturais, onde comecei a desenvolver a minha carreira. Quando eu comecei a trabalhar na Fiocruz, vim para Farmanguinhos, que é uma unidade farmacêutica, e mudei a minha atuação. Eu deixei de trabalhar exclusivamente com química e fui mesclando com a ciência farmacêutica, atuando com química medicinal”, relatou.

No segundo bloco, as convidadas explicaram como o fato de ser mulher influencia na atuação profissional dentro das Ciências Farmacêuticas.
Núbia destacou a versatilidade feminina e a capacidade de lidar com muitas atribuições ao mesmo tempo, o que ajuda a superar as barreiras que surgem. “Ainda hoje a mulher encara muitas atividades: trabalho doméstico, carreira, cuidar dos filhos, dar atenção ao marido, lidar emocionalmente com tudo e ainda ter tempo para o autocuidado. É um desafio muito grande! Mas estamos vencendo, dia após dia, e ocupando o nosso espaço”, observou.
Aryella ressaltou a inteligência da mulher e a presença feminina na Ciência, que prova o quanto são competentes, apesar do descrédito que ainda sofrem. “No meu primeiro congresso de iniciação científica, além do meu pôster, também tive que apresentar o do meu coorientador porque ele teve um problema com o vôo. Embora eu fosse a segunda autora, o avaliador disse que eu era uma menina e duvidou da minha capacidade de apresentar o trabalho. Quando eu terminei a exposição, ele disse que não esperava esse resultado de uma garotinha. Eu respondi que garotinhas faziam milagres e que também podiam surpreender. Ele não esperava que eu soubesse o conteúdo e que eu fosse responder todas as perguntas dele. Eu e o meu coorientador trabalhamos juntos no projeto. Naquele congresso eu ainda recebi menção honrosa pelo meu pôster”.
Lívia reiterou a importância da representatividade feminina em qualquer ambiente de trabalho, exemplificando o quanto isso é fundamental no segmento farmacêutico.
“A mulher tem capacidade de trazer novas perspectivas para uma determinada questão. Na cadeia de desenvolvimento de um produto, por exemplo, há medicamentos que são usados em tratamentos de doenças tanto em homens quanto em mulheres, mas se utilizados por elas na mesma dose podem gerar eventos adversos muito maiores. Por isso que é importante tê-las pensando sobre isso e participando dos processos, para que tragam uma nova perspectiva do estudo”, argumentou.

No terceiro bloco, finalizando o encontro, as convidadas deixaram uma mensagem de incentivo para meninas e mulheres que querem entrar na área.
“Venham! Não deixem de fazer algo que vocês tenham vontade por medo ou pela dedicação que precisarão ter. A gente se une, se ajuda e vai construindo um caminho para alcançarmos os nossos desejos!”, encorajou Lívia.
“A Ciência Farmacêutica é uma área maravilhosa! É uma oportunidade imensa de desenvolver e com um leque enorme de opções de atuação. Estamos aqui abertas para recebê-las”, enfatizou Núbia.
“Nunca desistam dos sonhos de vocês. São eles que nos movem. Então, que esses sonhos possam direcioná-las à vocação de vocês. Independentemente das dificuldades encontradas pelo caminho, vocês vão conseguir superá-las e chegarão ao lugar desejado. Aproveitem todas as oportunidades que surgirem e acompanhem páginas de divulgação científica, para que vocês conversem com as cientistas a fim de se certificarem caso se identifiquem com a área”, aconselhou Aryella.
Para assistir ao encontro na íntegra, clique aqui.






