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Hortas comunitárias: combatendo a fome e gerando sustentabilidade e cidadania

Projeto de Farmanguinhos cria canteiro de hortaliças em comunidades do seu entorno para prover sustento de moradores e desenvolver responsabilidade socioambiental

 

Ao longo dos anos, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) tem desenvolvido ações para as comunidades do seu entorno que contribuem para o processo de desenvolvimento local e para a redução das iniquidades ocasionadas pela pobreza, violência e exclusão social das populações.


Com a pandemia, a unidade intensificou sua atuação neste cenário e tem promovido diversas iniciativas para combater o agravamento da situação de fome e vulnerabilidade na qual se encontram os moradores da Cidade de Deus e da Comunidade Guaranys. Assim, já foram distribuídos alimentos, álcool em gel e máscaras, bem como financiados materiais informativos para uma campanha de conscientização contra a Covid-19 capitaneada por organizações comunitárias da região, dentre outros.

A Comlurb é uma das instituições parceiras do projeto. (Foto: Thiago Lima)

Mais do que dar assistência, a instituição busca resgatar a dignidade desta população. Neste sentido, em 2018, a unidade desenvolveu, por meio de sua Assessoria de Gestão Social (AGS), o projeto “Se esta rua fosse minha” para transformar áreas próximas da fábrica, que eram bloqueadas pelo acúmulo de lixo despejado de forma irregular e entulhos, em espaço de cultura, arte e lazer. A iniciativa conta com parceiros de instituições públicas e privadas, como a Prefeitura do Rio.

O gestor executivo local da Cidade de Deus junto à Prefeitura do Rio, Diego Martins, diz se sentir honrado em fazer parte dessa parceria.

“É um prazer enorme fazer parte dessa articulação em benefício do nosso território. Fico lisonjeado de estar junto com uma instituição tão ligada às questões da favela como é Farmanguinhos. Sou morador da Cidade de Deus e por mais de 20 anos atuo em diversas causas. Hoje, enquanto gestor público, é muito gratificante poder de fato trazer melhorias, aprimorar serviços e decidir sobre a minha comunidade. O projeto “Se esta rua fosse minha” é uma iniciativa que visa trazer dignidade aos moradores, transformando nossos espaços e dando direito ao bom uso da rua”,  descreve.

Por conta da Covid-19, o programa precisou se readaptar. Além da revitalização da praça Guaranys, tornando-a um ambiente de convivência, que proporciona lazer e conforto, com brinquedos, bancos e mesas, foram inseridas ao escopo duas hortas comunitárias, um painel sensorial feito de sucata e oficinas online.

Moradores fazem a primeira colheita da horta comunitária. (Foto: ASG/Far)

Recentemente, foram entregues duas hortas comunitárias: uma dentro da Escola Municipal José Clemente, localizada na Cidade de Deus, e outra na comunidade Guaranys. A primeira colheita, feita no dia 23 de junho, permitiu aos moradores levarem para casa hortaliças, além de uma cesta de alimentos, que é fruto de uma parceria com a Cooperação Social da Fiocruz.

Além de hortaliças, os moradores também levaram uma cesta de alimentos para casa. (Foto: ASG/Far)

Segundo a coordenadora da Assessoria de Gestão Social, Magali Portela, as hortas dão suporte às demandas das comunidades onde estão inseridas.

“As hortas ocuparam o espaço degradado pelo lixo e também suprem algumas necessidades locais. Na escola, ela fortalece o trabalho socioambiental desenvolvido pela instituição, bem como apoia o aprendizado obtido nas aulas de Biologia, mostrando como essas ervas medicinais podem ser utilizadas. Na comunidade, ela serve de fonte de alimentação para as pessoas que não têm o que comer por conta pandemia”, assinala Magali.


Magali ainda ressalta que o espaço cria e resgata memórias afetivas.

“Há um resgate afetivo da população com a terra, já que muitos moradores tiveram contato com o plantio, seja na sua origem ou na sua infância, o que é algo difícil de acontecer na comunidade por ser um lugar compacto para esse tipo de atividade. Durante o processo de implementação, muitas pessoas perguntavam se podia trazer mudas, contavam suas histórias de vida com o cultivo e até davam receitas que poderiam ser feitas a partir daquelas plantas. Foi uma troca enriquecedora”, frisa.

A horta comunitária promove memórias afetivas. (Foto: ASG/Far)

Capacitação – A equipe responsável pela manutenção das hortas passou por um treinamento online com a empresa SM21, que cuida das áreas verdes de Farmanguinhos, e que aceitou colaborar com esta assessoria para ensinar sobre os cuidados e manejos do canteiro. Os educadores da creche também participaram de uma oficina online ministrada pela ONG Alfazendo, para aprenderem a desenvolver atividades que trabalhem o tato e a coordenação motora das crianças usando o painel sensorial.

Profissionais da Comlurb fazem a limpeza da Praça (Foto: Thiago Lima)

Próximas etapas – Outras iniciativas do projeto estão em andamento. Dentre elas, o reavivamento das cores do muro com painéis criados pelos artistas locais, na Avenida Comandante Guaranys. A obra, de cerca de 500 metros, retrata a origem da comunidade, personalidades, a continuidade do trabalho dos grafiteiros na extensão do restante do paredão e a construção de área de lazer, de transbordo e de um eco ponto.

Magali Portela (de branco), com o gestor executivo Local CDD da Prefeitura, Diego Martins (de azul) e profissionais da Comlurb (Foto: Thiago Lima)

Palestra da Anvisa abre Centro de Estudos de Farmanguinhos

Com novo formato, a edição de abertura destacou os desafios regulatórios no tratamento das doenças negligenciadas e foi transmitida pelo canal da unidade no Youtube

O Centro de Estudos do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) retomou suas atividades com a palestra “Os desafios regulatórios no tratamento das doenças negligenciadas”, proferida pelo gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes. Mediada pela coordenadora da Divisão de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico, Juliana Johansson, a mesa de abertura foi composta pelo diretor de Farmanguinhos, Jorge Mendonça, pela coordenadora da área de Educação, Mariana Souza, e pela vice-diretora de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI), Núbia Boechat.

O encontro virtual foi realizado no dia 2 de junho com transmissão pelo canal de Farmanguinhos no YouTube. Neste sentido, dada a importância do tema, o evento recebeu uma audiência expressiva, o que incluiu, além de trabalhadores da Fiocruz e estudantes dos cursos de pós graduação da unidade, profissionais de diferentes instituições nacionais, tais como universidades, institutos pesquisa, ciência e tecnologia, órgãos públicos, empresas privadas e pessoas interessadas no assunto.

Durante a abertura, Jorge Mendonça ressaltou a importância desse ambiente para a troca de conhecimento e aprendizado.

“Os seminários possibilitarão aos participantes obter um grande aprendizado com os palestrantes por meio de suas experiências e conhecimento. Agradeço ao Gustavo Mendes por ter aceito o nosso convite para ministrar esse primeiro encontro e por nos permitir entender o ponto de vista da Agência Reguladora em relação aos seus desafios, em especial aos de doenças negligenciadas, que é uma das missões de Farmanguinhos”, frisou Mendonça.

O Centro de Estudos surgiu da necessidade de criar um espaço para que pós-graduandos, discentes e estudantes pudessem debater assuntos relativos à indústria farmacêutica e ao Complexo Econômico Industrial da Saúde (Ceis). Neste sentido, diante da nova conjuntura mundial, Farmanguinhos retomou essa atividade de forma online.

“Com os encontros no formato virtual, reunimos estudantes e profissionais que atuam em outros campi da unidade, o que não ocorria presencialmente. Além desse público, podemos alcançar interessados no assunto, bem como convidar palestrantes de qualquer lugar do mundo, enriquecendo as discussões”, observou a coordenadora de Educação, Mariana Souza.

Segundo a coordenadora, este tema inicial do novo ciclo foi uma demanda colocada pelos próprios profissionais do Instituto.

“Esse tópico surgiu como reivindicação dos nossos trabalhadores, alguns dos quais são estudantes dos nossos cursos de pós-graduação. A questão em si já é um importante tema de debate, e a possibilidade de ter o gerente-geral de medicamentos e produtos biológicos da Anvisa como palestrante tornou o encontro ainda mais rico”, frisou Mariana.

 

Desafios regulatórios – Gustavo Mendes fez um panorama sobre as atividades da Anvisa, apresentando sua missão institucional e atuação, além de mostrar as etapas dos seus principais processos. Sobre os desafios regulatórios nos tratamentos de doenças e as tendências para os próximos dez anos, o palestrante apontou que é preciso encarar as novas perspectivas que surgem para a tomada de decisão, dentre os quais, utilização de ferramentas digitais e inteligência artificial.

“Os dados gerados na área farmacêutica, de segurança e de eficácia dos produtos, estão sendo produzidos em grande quantidade e com uma rapidez cada vez maior. A utilização desses dados, que são chamados de big data, representa um grande desafio para a ação regulatória. É necessário desenvolver ferramentas que consigam transformar esse big data em dados científicos que possam auxiliar a regulação de medicamentos”, observou Mendes.

O palestrante destacou que os pacientes são atores importantes na área de medicamentos por apresentarem experiências de vida real, expectativas e pontos de vista que possam contribuir para delineamento de estudos. Mendes ressaltou ainda a relevância do uso de evidências de vida real para fins regulatórios, o que alavanca pesquisas e inovação em ciência regulatória (que contempla parceria e interação entre a Anvisa, universidades e centros de estudos) a fim de ter acesso a medicamentos o quanto antes, especialmente no caso de doenças negligenciadas que a grande indústria não tem interesse. Cabe às instituições envolvidas com as questões de saúde pública enfrentar esses desafios e desenvolvê-los cada vez mais.

Ao final da apresentação, Mendes interagiu com o público e respondeu as perguntas encaminhadas pelos participantes no chat.

Próximos seminários – A previsão é de que aconteça toda primeira quarta-feira do mês, entre 9h e 10h, pelo canal de Farmanguinhos no YouTube. Os encontros são abertos ao público, sem necessidade de inscrição prévia. Para receber o certificado de participação do evento, os interessados deverão assinar a lista de presença virtual, disponibilizada durante a live. As apresentações serão gravadas e ficarão disponíveis no Youtube. Inscreva-se no canal e ative o lembrete (sininho) para notificar o início da atividade.

Clique aqui para assistir à apresentação de Gustavo Mendes.

 

 

 

 

 

 

 

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