O periódico científico de Farmanguinhos oferece informações sobre plantas medicinais sem custo para autores e usuários que consultam a plataforma
A Revista Fitos completa 17 anos de trajetória de pensamento crítico e inovação em biodiversidade e saúde. Editado pelo Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde (CIBS) de Farmanguinhos/Fiocruz, o periódico científico oferece informações sobre plantas medicinais gratuitamente para autores e usuários que consultam a plataforma.
A publicação tem como missão divulgar trabalhos científicos originais e inéditos que contribuam para o pensamento analítico em pesquisa, desenvolvimento e inovação em biodiversidade e saúde. O objetivo é promover a inter e a transdisciplinaridade das áreas do conhecimento (saúde, humanas e tecnológicas) necessárias para ampliar a compreensão das complexas interrelações entre biodiversidade e saúde humana, a fim de fortalecer a colaboração, entre os setores, no cumprimento dos compromissos globais do desenvolvimento sustentável, comprometidos com a conservação dos recursos naturais e redução das desigualdades sociais.
Trata-se da tese da pesquisadora Janine Boniatti sobre o desenvolvimento de praziquantel pediátrico com uso de tecnologia de impressão 3D
Pesquisa desenvolvida no Laboratório de Farmacotécnica Experimental (LabFE) de Farmanguinhos e parceiros internacionais recebe o prêmio José Pelegrino durante o International Symposium on Schistosomiasis, o principal evento científico dedicado exclusivamente à esquistossomose, que aconteceu de 21 a 23/11, em Ouro Preto (MG). Trata-se da tese de doutorado da pesquisadora Janine Boniatti sobre o desenvolvimento de praziquantel pediátrico com uso de tecnologia de impressão 3D.
Doutora do Programa de Pós-graduação em Vigilância Sanitária do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), Janine defendeu o tema Development and characterization of Praziquantel amorphous solid dispersions for paediatric use by Hot Melt Extrusion and 3D printing. O trabalho foi eleito o melhor dentre os quatro inscritos no evento.
O estudo busca uma nova formulação do medicamento praziquantel para ser administrado em crianças em idade pré-escolar. Produzida em impressão 3D, a dosagem pode ser personalizada de acordo com o perfil do paciente e com melhora no sabor, favorecendo sua administração e a adesão ao tratamento.
Janine recebeu orientação de Fábio Coelho Amendoeira e Maria Inês Ré, e co-orientação das pesquisadora Alessandra Viçosa (do LabFE) e Laís Fonseca, da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde (VPPIS/Fiocruz). Por este trabalho, a servidora recebeu diploma duplo: pelo INCQS/Fiocruz e pela Universidade de Toulouse, da França.
O tema foi ministrado pela pesquisadora Beatriz Grinsztejn, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) no Dia Mundial de Luta Contra a Aids
No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, Farmanguinhos recebeu a pesquisadora Beatriz Grinsztejn. A palestra foi transmitida pelo canal da unidade no YouTube e contou com tradução para Libras
No Dia Mundial de Luta Contra a Aids (1º de dezembro), o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) promoveu a palestra “Prevenção e tratamento de HIV – perspectivas para o futuro”. O tema foi ministrado pela pesquisadora Beatriz Grinsztejn, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), que abordou as conquistas alcançadas e os desafios para enfrentamento deste sério problema de saúde pública. O evento foi transmitido pelo canal da unidade no YouTube.
O diretor Jorge Mendonça agradeceu a participação e parabenizou Beatriz Grinsztejn pelos estudos sobre HIV/aids que ela vem conduzindo nos âmbitos nacional e internacional. “Quero parabenizá-la pelos seus estudos, e estender este agradecimento pelo fantástico trabalho que vocês realizam no INI. Tenha certeza de que as informações aqui apresentadas vão contribuir muito para Farmanguinhos e para o público. Aproveito para agradecer também à diretora do INI, Valdilea Veloso, por todo o apoio e cuidado que vocês sempre deram para nossa unidade ao longo desses anos”, destacou.
Médica infectologista, Beatriz Grinsztejn possui um currículo extenso com inúmeras publicações sobre o segmento. Neste ano, foi eleita presidente da International Aids Society. É a primeira mulher da América Latina a ocupar o cargo da entidade desde a sua criação, em 1988. Trata-se da maior associação de profissionais da área e reúne mais de 12 mil pesquisadores, profissionais de saúde, gestores e representantes de movimentos sociais de 170 países que trabalham em todas as frentes na busca da redução global do impacto do HIV.
Na abertura do evento, a pesquisadora Mônica Macedo, que atua no Laboratório de Síntese de Fármacos da unidade, ressaltou a importância da presença de um dos principais nomes em pesquisa sobre prevenção e tratamento de HIV/aids no mundo. “Neste Dia Mundial de Luta Contra a Aids, não temos melhor pessoa neste país para participar deste evento. Sabemos da importância da Dra. Beatriz no cenário nacional. Portanto, é uma grande honra recebê-la aqui em Farmanguinhos”, frisou Mônica Macedo.
Beatriz Grinsztejn destacou o trabalho realizado pelas duas unidades da Fiocruz: o INI/Fiocruz é referência na área de medicina, especificamente em infectologia, pesquisa clínica; Farmanguinhos é referência na produção pública de antirretrovirais e pesquisa e desenvolvimento de novas formulações farmacêuticas. “É muito significativo Farmanguinhos e o INI estarem fazendo juntos este evento para inaugurar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Por toda a trajetória de vocês, por todo o trabalho fundamental que vocês realizam por este país, eu gostaria de agradecer a oportunidade de estar aqui”, frisou Beatriz.
Opções de prevenção ao HIV – A palestrante apresentou dados de estudos recentes relacionados à prevenção da infecção por HIV. Segundo a pesquisadora, houve uma redução significativa no número de mortes em todo o mundo a partir da incorporação da terapia antirretroviral. No entanto, o número de infecções tem se mantido estável na América Latina. “Houve um certo crescimento de novas infecções na nossa região entre 2009 e 2019. Esse aumento se dá mais em populações vulneráveis, como homens que fazem sexo com homens, por exemplo, principalmente os mais jovens (18 a 24 anos). Este é um problema muito sério nessa epidemia”, avaliou.
Em relação ao Brasil, quase 1 milhão de pessoas vivem com HIV/aids no país, mais de 700 mil das quais estão em uso de terapia antirretroviral. “Temos um programa de muito sucesso, com acesso universal à terapia antirretroviral. Não somente à terapia, como também ao monitoramento de carga viral CD4 e acesso a testes de resistência. Este é um dos programas de saúde pública de maior sucesso no combate ao HIV no mundo. É uma das marcas mais importantes da saúde pública no Brasil”, enfatizou.
Dados da Unaids revelam que, na população global, 85% das pessoas que vivem com HIV sabem que estão com o vírus. Destas, 75% estão em tratamento antirretroviral. Farmanguinhos é o principal provedor desta categoria de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS), com nove produtos no portfólio institucional. Um deles é o entricitabina+tenofovir, utilizado na Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP). A especialista explicou ainda que, desde 2018, essa estratégia de prevenção foi incorporada ao SUS. A inclusão desta opção de prevenção resultou de estudos coordenados pela Dra. Beatriz Grinsztejn, como o IPrEP, por exemplo, que apresentou resultados favoráveis e deram sustentação para o registro do entricitabina+tenofovir em 2014.
Segundo a palestrante, a adoção da PrEP ainda é um desafio global. Pouquíssimos países da américa Latina têm políticas públicas em relação a essa estratégia de prevenção. O Brasil é o principal país da região com uso desse esquema na rede pública de saúde. “O Brasil foi pioneiro na região, com a implantação deste programa de saúde pública. O INI/Fiocruz contribuiu significativamente, pois, logo após o registro do tenofovir+entricitabina no FDA para prevenção, nós tivemos o estudo PrEP Brasil, que subsidiou o Ministério da Saúde na incorporação da PrEP como uma política pública em nosso país a partir de 2018”, destacou.
Atualmente, o país conta com 600 serviços de distribuição gratuita espalhados por todas as regiões. “É uma estratégia de prevenção bastante eficaz. Se a PrEP for utilizada adequadamente, no mínimo quatro vezes por semana, previne em 96% a infecção pelo vírus. Quase 50 mil pessoas fazem uso de PrEP, na sua maioria homens que fazem sexo com homens, que é a população mais afetada pela epidemia de HIV”, observou.
Durante a palestra, a pesquisadora Beatriz Grinsztejn abordou, dentre outros temas, a Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP)
Uso de injetáveis – A pesquisadora explicou que, embora a PrEP oral seja um grande avanço na prevenção do HIV, não é uma estratégia para a vida inteira. Além disso, tem alguns percalços relacionados a acesso, custo, adesão, evento adversos, embora poucos, pode haver algum incômodo. O uso de um comprimido diário pode não ser adequado para algumas pessoas. Há outras questões, inclusive relacionadas a estigma e discriminação, que permeiam todos os aspectos do controle da epidemia de HIV. “Por isso, são muito bem-vindas novas opções que exijam um compromisso menor em relação à adesão, ressaltou Beatriz.
Algumas já estão em via de desenvolvimento para que a PrEP possa atingir pessoas que não têm a facilidade e a possibilidade do uso da medicação oral. Dentre as opções, a possibilidade de injeções intramuscular e subcutânea. “O cabotegravir injetável é desenvolvido com nanotecnologia e está sendo testado em 43 centros de pesquisa em diferentes países, o INI é um desses centros. Essa medicação já foi submetida a agências regulatórias em vários países, inclusive na Anvisa. Já está aprovada nos Estados Unidos, Austrália, Zimbábue e ontem saiu a aprovação pela agência regulatória da África do Sul, o que é um avanço inigualável”, observou.
O Brasil aguarda a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “Enquanto isso, continuamos nosso compromisso no INI/Fiocruz de realizarmos estudos grandes de implementação dessa estratégia. Além do PrEP Brasil, conduzimos um enorme estudo denominado inPrEP, que aconteceu no Brasil, Peru e México com quase 10 mil indivíduos. A partir desse estudo, o México adotou recentemente a PrEP como política pública.
“Dando sequência a essas estratégias, começaremos no ano que vem um estudo de implementação do cabotegravir em seis centros do Brasil (Rio, São Paulo, Salvador, Campinas, Florianópolis e Manaus). Vamos avaliar o seu uso na população de homens que fazem sexo com homens. Pela primeira vez vamos incluir a população de não binários e trans como um todo, com restrição de idade entre 18 a 30 anos, faixa que acontece o maior número de infecções por HIV no Brasil”, revelou a pesquisadora.
Além da injeção intramuscular de cabotegravir, outro estudo previsto é a injeção subcutânea de lenacatavir. A pesquisadora explica que os injetáveis conferem ação prolongada, o que pode melhorar a adesão a longo prazo. Essa estratégia dispensa a necessidade de comprimidos diários. Por outro lado, o desafio será a implementação nos serviços de saúde pública, bem como o monitoramento de injeções para HIV.
Opções de tratamento – A palestrante apresentou a evolução do tratamento a partir da terapia antirretroviral. No final da década 80 e início de 90, predominava a monoterapia, que evoluiu para a terapia dupla. Entre 96 e 97, foram incorporados os inibidores de protease. Na sequência, os não nucleosídeos, formando, assim, a terapia tripla menos potente. Em seguida, a terapia tripla com os inibidores de integrase e maior potência que, hoje, são a base da terapia antirretroviral nos diferentes guias terapêuticos do mundo.
A pesquisadora explicou que os principais guias de terapia antirretroviral da União Europeia, dos Estados Unidos, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Brasil usam em seus protocolos um inibidor de integrase, o dolutegravir, com um fármaco principal. “No mundo, o dolutegravir é a base, mas usamos outros dois nucleosídios com esse medicamento para compor essa primeira linha de tratamento. Em 2020, tínhamos no mundo 10 pílulas, de marca e genéricas, que trabalhavam com essa associação, ou seja, três drogas em um único comprimido. Atualmente, temos um número significativo de medicamentos em desenvolvimento para uso de drogas parenterais que vão lidar com a adesão a longo prazo. No entanto, o uso de associações em uma única pílula ainda tem limitações baseadas na disponibilidade e preços”, avaliou.
Beatriz Grinsztejn explicou que o tratamento injetável (carbotegravir e rilpivirina) já vem sendo adotado em países ricos. A indicação é para pessoas de carga viral suprimida com manutenção justamente para facilitar a adesão. Dentre os benefícios, uso menos frequentes, a cada dois meses. “Infelizmente, os injetáveis ainda são uma miragem para nós, pois não há estudo em desenvolvimento no Brasil, nem em outros países da nossa região”.
Mais investimento, menos discriminação – A especialista ressaltou que muito se avançou no enfrentamento da epidemia de HIV/aids, mas a disponibilidade de recursos é limitada em países mais pobres. É importante reservar orçamento adequado para tratamento e prevenção do HIV. Não podemos abrir mão do avanço, tanto na prevenção, quanto no tratamento, na manutenção do que já temos e no desenvolvimento das novas opções para diminuir o avanço da epidemia sobre as populações mais vulneráveis. Neste caso, a gente cai numa questão fundamental que faz a epidemia avançar nessas populações mais vulneráveis: o estigma e a discriminação”, observou.
Dados apresentados revelam que morre um indivíduo LGBTQIA+ a cada 36 horas no Brasil por causas relacionadas a estigma e discriminação. Desse grupo, 76% são pessoas trans. “Além disso, com a pandemia de covid, aumentou o número de pessoas em necessidades críticas, houve um aumento da pobreza em nosso país. Sabemos que sem lutar contra as desigualdades em nosso país, não vamos conseguir avançar também no controle da epidemia de HIV/aids”, assinalou.
Farmanguinhos reafirma seu compromisso com pessoas que vivem com HIV/aids. A unidade fornece nove antirretrovirais, dentre os quais, o entricitabina+tenofovir, utilizado na PrEP (Arte: André Nogueira)
A plataforma reúne informações bibliográficas disponíveis sobre as espécies a partir do conhecimento tradicional
Integrante do banco de dados, o camapú é uma planta medicinal com propriedades para diferentes aplicações, inclusive antibiótico (Acervo CBPM)
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) disponibiliza mais um benefício para a comunidade científica e a sociedade. Trata-se do banco de dados que reúne as informações bibliográficas disponíveis sobre plantas medicinais a partir do conhecimento tradicional. A plataforma resulta de um estudo realizado pelo herbário “Coleção Botânica de Plantas Medicinais” (CBPM), do Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde da unidade (CIBS), com o apoio da Vice-Presidência de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB/Fiocruz).
A iniciativa tem como objetivo valorizar o conhecimento popular e a pesquisa etnobotânica a fim de estimular a repartição de benefícios com comunidades provedoras. Além disso, visa também a subsidiar pesquisas voltadas para a comprovação dos usos populares de plantas medicinais e estimular o desenvolvimento de produtos e políticas de saúde que priorizem a biodiversidade brasileira.
Exsicata do camapú (Acervo CBPM)
O projeto foi idealizado pelo biólogo Marcelo Galvão, curador adjunto da CBPM-Fiocruz. O levantamento bibliográfico foi realizado pelo técnico do CBPM-Fiocruz, Marco Antonio Filho. O site foi desenvolvido pelo analista computacional da VPPCB/Fiocruz, Carlos Henrique da Silva. Galvão explica que a nova ferramenta pode ser útil para profissionais que trabalham com produtos naturais e buscam novas espécies para estudar ou precisam comprovar tradicionalidade de uso para notificar produtos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Este banco pode subsidiar pesquisas na área farmacêutica de produtos naturais, auxiliar registros de produtos tradicionais fitoterápicos na Anvisa, fomentar questões de repartição de benefícios junto ao CGEN (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético), além de outros benefícios”, destaca.
O Brasil possui aproximadamente 40 mil espécies vegetais conhecidas, inúmeras dessas plantas são consideradas medicinais por povos originários e diversas comunidades tradicionais. No entanto, as listas oficiais de plantas medicinais possuem um número muito inferior ao já registrado por estudos etnobotânicos. Desta forma, o trabalho realizado pela instituição é contínuo, ou seja, à medida que uma nova espécie entre no acervo da CBPM, o levantamento bibliográfico sobre ela será incluído no banco, além da atualização das espécies já catalogadas.
Tela do site do banco de dados sobre plantas medicinais
O banco também é voltado para indústrias, provedores do conhecimento popular, gestores públicos que busquem ampliar listas oficiais de plantas medicinais no âmbito do SUS, seguindo a Política e Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, e a população em geral.
Ao todo, o acervo atual conta com 300 espécies. Para consultar basta acessar a página da Coleção de Botânica de Plantas Medicinais. As buscas podem ser feitas por família botânica, nome popular ou científico.
Organizado no âmbito da parceria com a Universidade NOVA de Lisboa, o curso apresenta uma nova perspectiva de desenvolvimento digital voltado para a sociedade
O curso foi ministrado pela especialista Cláudia Alexandra Pernencar, da Universidade NOVA de Lisboa (Foto: Alexandre Matos)
Na semana passada, Farmanguinhos promoveu o curso Saúde Digital – Construindo sistemas de informação centrados no ser humano: o Design como meio de convergência para inovação em saúde. A capacitação foi realizada no âmbito da parceria entre Farmanguinhos e a Universidade NOVA de Lisboa, coordenada pelo servidor Jorge Magalhães, com fomento da Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz (VPEIC), por meio da Chamada Interna de cursos internacionais de curta duração.
Com carga horária de 40 horas, as aulas foram ministradas pela especialista Cláudia Alexandra Pernencar, da instituição portuguesa. Designer e doutora em mídias digitais, a especialista explicou que tem trabalhado a transformação digital, abordando alguns procedimentos que impactam no usuário final, ou seja, o paciente.
“Com a pandemia, centramos muito esse trabalho de saúde digital no paciente. Isso é normal, porque a pandemia despertou este caminho. Mas, efetivamente, há muito trabalho paralelo, com pesquisadores de bancada, em pesquisa translacional, cujos processos ainda em papéis podem e devem mudar. Portanto, o objetivo é que os pesquisadores olhem para a saúde digital, principalmente sistemas e aplicativos, de modo a inovar também em seus processos de trabalho”, observou.
De acordo com a professora, é importante que alunos percebam o panorama geral da saúde digital, e o que podem fazer dentro desta área. Trata-se de uma turma multidisciplinar, composta por 25 profissionais de diferentes unidades da Fiocruz e diferentes áreas de atuação.
Um desses alunos é Antonio Fernando Golinelli, analista do Departamento de Tecnologia da Informação de Far (DETI). O que despertou o interesse dele para o curso foi a importância de criar um sistema a partir do contexto em que o ser humano está inserido.
“As aulas atingiram as expectativas. A professora, Drª Cláudia Pernencar, apresentou estudos de caso, metodologias projetos tendo o ser humano como chave para um sistema bem desenvolvido, seja ele o próprio usuário ou a equipe de profissionais envolvida no projeto. Posso usar as metodologias propostas no curso para desenvolver sistemas com foco na experiência do ser humano, como pesquisa de perfil de usuário, a jornada do usuário no processo atual, pesquisa etnográfica e observação sombra, por exemplo”, ressalta Golinelli.
Parte da turma multidisciplinar que participou do curso de Saúde digital. Profissionais de diferentes unidades da Fiocruz, e formações distintas (Foto: Alexandre Matos)
O curso terminou, mas a ideia é analisar a possibilidade de promover nova edição. “Aplicamos exercícios diários a fim de fazermos uma avaliação contínua. É desafiador por se tratar de uma turma multidisciplinar. Mas vamos aferir os resultados e avaliar se organizamos nova turma no ano que vem”, frisou Cláudia Pernencar.
O coordenador do projeto, Jorge Magalhães, concorda em estimular esse tipo de iniciativa. “A tecnologia da transformação digital que vivemos, ela não influencia apenas a vida individual de cada pessoa, como também interfere diretamente nos processos das organizações e indústrias. Portanto, estarmos abertos em mudar a mentalidade das instituições, no sentido de tornar os processos mais céleres e confiáveis com a tecnologia digital, permite que elas estejam em sintonia com as tendências mundiais”, destacou.