Autor: Viviane Oliveira (Página 46 de 83)

Farmanguinhos e o Dia Mundial do Meio Ambiente

A Unidade aceitou o desafio e reitera os projetos sustentáveis, para que juntos possamos contribuir para a melhoria da qualidade do ar

No dia 5 de junho é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente, e neste ano, traz o tema “Poluição do Ar”, que é uma questão preocupante para o meio ambiente e para a saúde da população. A ONU Meio Ambiente e diversas instituições brasileiras promoveram ações de engajamento digital, com o intuito de conscientizar e debater alternativas para acabar com a poluição do ar.

Farmanguinhos, certificado na ISO 14001, aborda o tema sustentabilidade ambiental de forma muito responsável e atuante e aceitou o Desafio da máscara, publicado ontem nas Redes Sociais, e se comprometeu em reiterar os projetos sustentáveis implantados na Unidade.  

A instituição e a empresa terceirizada Serv call realizam o acompanhamento mensal dos gases emitidos pelas caldeiras da Produção. Este monitoramento permite controlar os níveis de monóxido de carbônico e gás carbônico e oxigênio, para ajustar os níveis dentro dos parâmetros aceitáveis pelas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente, do Ministério de Meio Ambiente.

Estação de Tratamento de Efluentes com o rejeito líquido antes e depois do tratamento

Desde 2010, a Estação de Tratamento de Efluentes trata o rejeito líquido usado na unidade, que é liberado em ótima qualidade no rio Arroio Fundo, na Curicica. Existe na área de Divisão de Meio Ambiente o projeto de reuso deste efluente para atividades de jardinagem e lavagem do pátio, a ser implementado. Somente em 2018, 36 milhões m³ foram tratados, com eficiência do tratamento de, aproximadamente, 96%.

Além disso, a instituição adota o conceito dos 3R: reduzir, reutilizar e reciclar e, por intermédio do Centro de Segurança do Trabalho e Gestão Ambiental (CSTGA), realiza coletas de papel, de óleo vegetal do restaurante, de pilhas e baterias, de descarte de medicamento em desuso (distinguindo entre semissólidos, líquidos e sólidos) e a coleta seletiva solidária.

Outra preocupação da Unidade é com o monitoramento e plantio de árvores e plantas nos jardins do campus, havendo sempre o reaproveitamento do material, quando ocorre a queda ou poda, para ornamentação de bancos, vasos e pisos para os jardins. Ao todo, foram implementadas cerca de 2000 unidades de plantas nos jardins do Complexo Tecnológico de Medicamentos desde 2018, com a empresa SM21 e, ainda, três árvores foram plantadas, sendo dois exemplares do pau-brasil e a canafístula, conhecida como chuva de ouro. O horto foi aprimorado no campus CTM e, atualmente, já conta com 900 mudas de plantas ornamentais. 

Farmanguinhos também deu início ao Programa de Eficiência Energética, em 2016, com a utilização de um Termoacumulador, cuja finalidade é armazenar água gelada e depois refrigerar os locais necessários na fábrica, gerando economia de energia.

A gestora da área, Denise Barone, faz um alerta sobre o meio ambiente. “Precisamos estar atentos à crise ambiental que estamos vivendo no mundo, com escassez de água e energia, pois os recursos naturais são finitos. A nossa atitude pode mudar o futuro do planeta! Façamos a nossa parte para um futuro melhor”, concluiu.

E você, o que está fazendo para cuidar do meio ambiente? Confira alguns exemplos, reflita e faça a diferença!

  • Use o transporte público ou caronas compartilhadas, ande de bicicleta ou a pé
  • Troque seu carro por um híbrido ou elétrico
  • Desligue o motor do carro quando estiver estacionado
  • Reduza seu consumo de carne e laticínios para ajudar a reduzir as emissões de metano
  • Faça a compostagem de alimentos orgânicos e separe o lixo não orgânico
  • Migre para sistemas e equipamentos de aquecimento doméstico de alta eficiência 
  • Poupe energia: desligue as luzes e os equipamentos eletrônicos quando não estiverem em uso
  • Escolha tintas e móveis não tóxicos

Clique e confira mais informações da ONU Meio Ambiente.

Laboratório de Micro e Nanotecnologia

Beatriz Patrício, doutora em Biofísica, realiza análises de estabilidade de emulsões e suspensões na Turbiscan, na área analítica

O advento da tecnologia surgiu com equipamentos grandes, robustos, para oferecer novas descobertas, praticidade e conectar a população. Com o passar dos anos, a inovação proporcionou máquinas muito menores, com diversas funções compactadas, mais agilidade, exatidão e conexão. Pensando nessas dimensões cada vez muito menores, as micro e nanopartículas estão sendo muito utilizadas em variados segmentos, inclusive para os medicamentos, sendo consideradas a nova revolução industrial.

Em Farmanguinhos, o Laboratório de Micro e Nanotecnologia (LMN), ligado ao Departamento de Inovação Galênica, da Vice-diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI), realiza pesquisa e atua no desenvolvimento tecnológico, através destes elementos que são medidos em nanômetros, sendo um nanômetro equivalente a um bilionésimo de metro.

O responsável pelo LMN, Helvécio Rocha, explicou a utilização destas partículas na área farmacêutica.

“A nanotecnologia opera tanto na inovação incremental, de trazer melhorias para algo já existente, quanto na inovação radical, onde é fundamental para existência do desenvolvimento de uma determinada molécula. Ela é muito utilizada para poder direcionar a molécula para o alvo em que se deseja a atuação e, por exemplo, no tratamento do câncer, isso faz toda a diferença para tratar direto no foco e diminuir os efeitos colaterais e a toxicidade.  É aplicado para as mais diversas patologias, doenças de alto custo e negligenciadas e ainda nas mais variadas vias de administração, como intravenosa, oral, tópica,…”, descreveu.

Helvécio ainda revelou que a nanotecnologia é aplicada em diversos segmentos, como nas áreas de petróleo, militar, automobilística, para peças de avião, pelo fato de ser mais leve e resistente que o aço e, até mesmo, para coletes à prova de bala.

No Instituto, o laboratório, criado em 2011, era ligado à Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico, chamado de Laboratório de Sistemas Farmacêuticos Avançados (LaSiFA). Após aprovação de dois projetos de maior aporte financeiro, conseguiu um espaço próprio no Prédio da Expansão, em Manguinhos. O espaço foi montado com mais de 20 equipamentos modernos, distribuídos nas áreas analítica e de processamento.

Marcelo Chaves, mestre em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento na Indústria Farmacêutica, durante o processo de moagem no Moinho Coloidal, na área de processamento do laboratório

Linhas de pesquisa e números – Atualmente, o LMN possui três linhas de pesquisa: Ciência e engenharia de materiais, Micro e nanotecnologia e Regulação, voltada para o desenvolvimento de fármacos e medicamentos. Além disso, o laboratório é uma plataforma de prestação de serviços e já realizou mais de 100 análises externas. São realizadas parcerias com seis unidades da Fiocruz, como Bio-manguinhos, IOC, INCQS, entre outras, e com 22 laboratórios de instituições diferentes, como UFRJ, UFF, entre outras instituições do Rio de Janeiro, Minas Gerais e da Bahia.

É importante destacar que, hoje em dia, o laboratório conta com o trabalho de três doutores, dois mestres e os bolsistas de iniciação científica, mestrado e, em breve, doutorado. O laboratório tem sete projetos aprovados, com fomentos para pesquisa ou bolsas e seis alunos internos e externos em orientação. Ao todo, 25 alunos de mestrado já foram orientados e, desde 2011, foram publicados mais de 25 artigos. O laboratório também conquistou 19 prêmios nacionais e internacionais.

Micropartículas de nanocristais de efavirenz, produzidos por moinho de pérolas e secagem por spray dryer

Helvécio destaca uma pesquisa que tem a perspectiva de produto mais forte, que é a anfotericina B, utilizado para tratamento de leishmaniose e outras doenças fúngicas. “Atualmente só existe via injetável, onde o paciente deve ser internado para que possa ser medicado. Estamos desenvolvendo ele para administração via oral, na fase de formulação de protótipo e na fase pré-clínica, os testes in vivo já estão sendo realizados. Além do produto em si, o domínio da tecnologia é muito importante para que possa ser aplicado em outras pesquisas”, contou.

Além do LMN, dentro da Fiocruz, outros laboratórios estudam a micro e nanotecnologia. Por isso, foi criado um grupo chamando de FioNano, para que houvesse mais integração entre as Unidades. Para Helvécio, na área da saúde, principalmente nas vacinas e no diagnóstico, a tecnologia já é muito utilizada e a complementariedade entre os parceiros é fundamental.

“Podemos dizer que a nanotecnologia é multidisciplinar ou transdisciplinar, porque dificilmente conseguimos fazer sozinho. Nós, por exemplo, fazemos somente testes in vitro no laboratório e, quando precisamos de testes in vivo ou microscopia, contamos com nossos parceiros”, esclareceu Helvécio. 

Prospecções e desafios – Como objetivos a curto e longo prazo, o laboratório pretende finalizar os projetos que estão em fase de desenvolvimento, consolidar o serviço de plataforma de prestação de serviço, devido à importância deste trabalho para Farmanguinhos e para a Fiocruz como um todo, e dar encaminhamento para o Sistema da Qualidade do laboratório, com a conquista de certificações, como Boas Práticas de Laboratório e a ISO 9001.

Helvécio destaca a industrialização como um dos desafios da nanotecnologia. “Na maioria das vezes temos bons resultados em laboratório, mas nem todas as empresas tem domínio e tecnologia suficiente para aplicar em uma escala de mercado. O Brasil precisa ainda avançar nesse sentido. Na área farmacêutica é sempre um pouco mais lento, pelo fato do processo regulatório ser mais complexo”, revelou.

Mesmo enfrentando alguns gargalos do país, o laboratório acredita na tecnologia portadora do futuro e no alto potencial de mercado que ela apresenta. Farmanguinhos possui uma equipe altamente especializada no assunto, equipamentos de ponta, que poucos laboratórios têm, e abordagens e tecnologias absorvidas para diversas aplicações.

Equipe do LMN, formada por Beatriz Patrício, Helvécio Rocha, Livia Prado, Marcelo Chaves, Francisco Júnior e Flávia Paiva

Cursos de sistemas de patentes e química medicinal

Inscrições encerradas

Programação e inscrições:

Sistema de patentes como subsídio à Pesquisa e Desenvolvimento

Tecnologia e Estratégias em Química Medicinal

Livia Prado é Gente de Far

A olho nu, ela tem um jeitinho de menina, mas quando começamos a aprofundar o processo de separação dos componentes, da mistura da profissional e mulher Livia Prado, desvendam-se os muitos cristais que a formam. A partir dessa associação ao processo de cristalização, tão estudado e vivenciado por ela, podemos começar a falar da mais nova doutora e servidora da Fiocruz, coordenadora de um dos cursos Lato sensu de Farmanguinhos, orientadora de alunos de Iniciação Científica e ainda mãe de primeira viagem, do pequeno Felipe.

A farmacêutica realiza atividades de cristalização e caracterização do estado sólido no Laboratório de Micro e Nanotecnologia, no Prédio da Expansão, em Manguinhos

Há 12 anos, Livia Prado iniciou na carreira científica, pelo interesse em pesquisas e na área de Farmácia Industrial. Inicialmente, em 2007, ingressou no Departamento de Síntese, como aluna de Iniciação Científica. Em 2010, formou-se em Farmácia Industrial e já emendou no mestrado em Química, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Na época, Livia contou com Helvécio Rocha, então coordenador do Laboratório de Sistemas Farmacêuticos Avançados (LaSiFA), como coorientador na dissertação,com uma parceria com o Laboratório de Tecnologia Farmacêutica (LTF), que cedia o espaço para o desenvolvimento do projeto.

Livia e a equipe do Laboratório de Micro e Nanotecnologia no campus Manguinhos

Contratada em 2012, a farmacêutica integrou o LaSiFA, onde pôde aprofundar os conhecimentos obtidos sobre a pesquisa relacionada à cristalização e caracterização do estado sólido e aplicou para dois fármacos. “Realizamos diversas pesquisas na área dos estados sólidos, para avaliação de estruturas cristalinas e melhorias de propriedades farmacêuticas, as quais, no mestrado, apliquei em dois fármacos: o antiparasitário mebendazol e o anti-hipertensivo carvedilol”, explicou.

Além de agregar a linha de caracterização do estado sólido ao laboratório de nanotecnologia, agora chamado de Laboratório de Micro e Nanotecnologia, ligado à Vice-Diretoria de Educação, Pesquisa e Inovação (VDEPI), uma das competências que despertam o interesse da Livia é fazer parcerias e conseguir bolsas para os projetos do departamento.

A aproximação dos bolsistas e alunos de iniciação científica, que estão ainda no ensino médio e superior, renova e gratifica a profissional, que é orientadora e coorientadora de muitos projetos do Programa de Vocação Científica (Provoc) e de Iniciação Científica (PIBIC).

O envolvimento e a contribuição na área da educação ainda cresceram quando Livia se tornou, em março de 2017, coordenadora da Especialização em Tecnologias Industriais Farmacêuticas, trazendo novos conceitos, métodos e atualizações do contexto nacional e internacional na área para o curso Lato sensu de Farmanguinhos.

“Para esses jovens, tudo é novidade e eles demonstram um encantamento no olhar. É muito bom poder transmitir conhecimento e ver o quanto eles confiam na gente. Depois da orientação, ainda continuamos fazendo parte da vida deles, dando apoio e sugestões”, destacou Livia.

Além das conquistas profissionais, em julho de 2018, o Felipe, filho da Livia, veio ao mundo, trazendo outras novas experiências, desafios e adaptações, até mesmo para o retorno à rotina de trabalho. “É cansativo, mas é muito prazeroso. Estou vivendo esse momento de dedicação à maternidade e às novas descobertas. Adoro ir à praia com ele, meu marido, amigos, para relaxar e passar o dia”, contou. Mesmo com a correria e as muitas responsabilidades, ela ainda encontra um tempo para curtir uma música, que, por sinal, ela mesma a considera bem eclética. Inclusive, a profissional ainda lembra de uma das muitas coisas boas que a farmácia deixou, que foi o gosto pelo samba e pagode, desde os encontros com a banda formada pelos colegas de faculdade da época.

Posse como pesquisadora da Fiocruz no dia 13 de maio

E engana-se quem acha que parou por aqui… 2019 veio com mais duas grandes conquistas! No início de maio, a nova doutora em Química, pela UFF, defendeu a tese “Estudos avançados de caracterização de cristais do carvedilol” e concluiu mais uma importante etapa.

Além disso, após uma longa espera, a profissional que era terceirizada da Unidade tomou posse como servidora pública da Fiocruz e atuará no Laboratório de Desenvolvimento e Validação Analítica (LDVA), da Coordenação de Desenvolvimento Tecnológico. Livia foi aprovada no concurso de 2016 e comemora a convocação. “Depois de tanta luta, é uma realização. Essa nossa área requer muito estudo para sempre se atualizar em novas técnicas, equipamentos e metodologias. Agora é continuar focada no trabalho, como pesquisadora, orientar novos alunos, conseguir financiamentos e desenvolver cada vez mais a Educação em Farmanguinhos”, concluiu.

Chamada Pública 03/2019

Seleção do insumo farmacêutico (excipiente) cápsulas duras de gelatina vazias

PERÍODO: 28/05/2019 A 27/06/2019

A Comissão de Padronização do Instituto de Tecnologia em Fármacos – Farmanguinhos/FIOCRUZ, no uso de suas atribuições, faz saber que, está realizando CHAMAMENTO PÚBLICO PARA SELEÇÃO DO INSUMO FARMACÊUTICO (EXCIPIENTE) CÁPSULAS DURAS DE GELATINA VAZIAS, PARA POSTERIOR PROCEDIMENTO DE PADRONIZAÇÃO, através do Processo nº 25387.100166/2019-87. Período de divulgação e retirada do edital: 28/05/2019 a 27/06/2019, no site www.far.fiocruz.br, ou no endereço: Av. Comandante Guaranys, 447 – Curicica – Jacarepaguá – Rio de Janeiro – RJ – CEP 22775-903. Neste mesmo período e endereço, estará recebendo documentação dos interessados, descrita no edital.

Edital 03/2019

RODRIGO FONSECA

COMISSÃO DE PADRONIZAÇÃO

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