Pesquisador de Farmanguinhos passa a ocupar lugar definitivo na história da Fundação pelas contribuições à ciência
O químico Benjamin Gilbert atua na Instituição desde 1986. Tornou uma das principais referências do país na área de Química de Produtos Naturais, com mais de 120 publicações científicas e importantes estudos sobre fitoterapia (Arquivo)
O pesquisador Benjamin Gilbert, que atua no Centro de Inovação em Biodiversidade em Saúde de Farmanguinhos (CIBS), passa a ocupar a Galeria de Honra da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O inglês, que completa 92 anos nesta segunda-feira (27/9), recebeu o título de Pesquisador Emérito da Instituição em fevereiro deste ano em reconhecimento às contribuições dele para a ciência, em especial no campo das plantas medicinais.
A Galeria de Honra é reservada a personalidades nacionais e estrangeiras que tenham contribuído de modo notável para o progresso da humanidade e do país ou que tenham prestado relevantes serviços à Instituição. Tratam-se de pesquisadores e professores de mérito excepcional, de dentro e de fora dos quadros da Fiocruz, já agraciados com honrarias pelo Conselho Deliberativo da Fundação.
Neste caso, em reconhecimento por todas as contribuições de Benjamin Gilbert à pesquisa nacional, o diretor Jorge Mendonça encaminhou a proposta para apreciação do CD-Fiocruz, que avalia, dentre outros critérios, qualidade da obra, da referência e continuidade do trabalho. A relatoria ficou a cargo da diretora da Fiocruz Pantanal, Jislaine Guilhermino, ex-funcionária de Farmanguinhos, que conviveu com Benjamin Gilbert em boa parte de sua vida profissional.
Durante a cerimônia, o diretor Jorge Mendonça apresentou a trajetória do pesquisador desde a chegada ao Brasil, em 1958, e as contribuições dele na área de biodiversidade.
Aos 92 anos, Dr Gilbert ainda trabalha conosco em Farmanguinhos. Com uma bela trajetória e vasta produção acadêmica, o professor é referência no Brasil e no exterior por uma vida dedicada ao avanço da química, da fitoquímica e da ciência, pela defesa da produção pública de medicamentos, por uma luta incansável pela fitoterapia desenvolvida com todo rigor e também pela valorização do conhecimento tradicional, destacou Mendonça.
A unidade foi homenageada pela sua atuação na região, promovendo saúde e cidadania junto às comunidades locais
O diretor Jorge Mendonça recebeu da subprefeita de Jacarepaguá, Talita Galhardo, o certificado Amigo de Jacarepaguá, pela atuação de Farmanguinhos para desenvolvimento da região (Foto: Prefeitura do Rio)
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) foi agraciado com o selo “Amigo de Jacarepaguá”, concedido pela Subprefeitura do bairro a empresas e personalidades que ajudam a escrever a história da região. A cerimônia foi realizada na tarde desta quinta-feira (23/9), no Teatro Sesc, localizado no eixo metropolitano.
Acompanhado da chefe de Gabinete, Vânia Buchmuller, e da coordenadora do Núcleo de Gestão Social, Magali Portela, o diretor Jorge Mendonça recebeu a homenagem da subprefeita de Jacarepaguá, Talita Galhardo. Além de Farmanguinhos, o evento contou ainda com a presença de outras 12 organizações e secretários de diferentes pastas da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro.
A placa representa todo o trabalho social que o Instituto vem desenvolvendo ao longo dos 16 anos de sua instalação em Jacarepaguá
Farmanguinhos foi homenageado por toda a sua atuação desde a instalação do Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) na região, em 2005, destinado à fabricação de medicamentos para o Sistema único de Saúde (SUS). Ao longo desses 16 anos, o Instituto vem desenvolvendo ações sociais em várias frentes, além de assumir um papel protagonista na articulação com diferentes entidades públicas e privadas para urbanização e desenvolvimento local e promovendo educação, cultura e lazer.
Desde a sua instalação do CTM em Jacarepaguá,em 2005, o Instituto promove inúmeras ações a fim de melhorar a qualidade de vida da população local (imagem: Centro de Comunicação)
O Instituto desenvolve projetos sociais importantes com a participação voluntária de sua força de trabalho, tais como Páscoa Solidária e Natal Solidário; campanha de vacinação Fiocruz pra Você, além de doação de alimentos, kits de higiene e roupas em situações pontuais. No âmbito educativo, a instituição já realizou projetos com escolas da região, com destaque para Turismo Pedagógico, Jornada Jovem de promoção da Saúde e as exposições itinerantes: Aventura no Corpo humano, e Biodiversidade e saúde.
Segundo o diretor Jorge Mendonça, o objetivo dessas e outras ações é reduzir as desigualdades ocasionadas pela violência, falta de oportunidades, educação e pobreza. Ele destaca ainda o protagonismo de Farmanguinhos em algumas conquistas para as comunidades do entorno do CTM, como a clínica da família, a horta comunitária e a urbanização da Avenida Comandante Guaranys, com iluminação, coleta de lixo e promoção de atividades culturais.
“A instituição participou do processo que viabilizou a construção da Clínica da Família Lourival Francisco de Oliveira, o que beneficia mais de 15 mil moradores. Farmanguinhos tem ainda grande representatividade nas ações emergenciais junto a populações vulneráveis durante esta pandemia de Covid-19, atuando sempre em parceria com instituições públicas e ONGs. Concentramos esforços para promover meios de oferecer mais qualidade de vida para a população local. Além de cumprirmos nosso papel técnico de produzir, pesquisar e desenvolver medicamentos estratégicos para o Ministério da Saúde, somos Fiocruz e temos um compromisso com a sociedade, atuando sempre em defesa da vida”, ressalta o diretor.
Os números impressionam. No Fiocruz pra Você, de 2006 a 2019, foram aplicadas quase 20 mil doses de vacinas em crianças na região. Isso foi possível graças à parceria com a Unidade de Saúde Hamilton Landi e Coordenadoria Regional de Assistência Social. Além da imunização, a instituição abre as portas para a população, oferecendo serviços sociais e jurídicos, tais como emissão de documentos, atendimento com Defensoria Pública, por exemplo.
A horta comunitária é outro projeto que já começa a dar frutos. Atualmente, são três espaços de cultivo: na comunidade, na creche e na escola (Foto: Núcleo de Gestão Social)
Ações assistenciais – Durante a pandemia, quase 10 mil famílias já foram beneficiadas com cestas básicas e kits de higiene e limpeza.
Na Páscoa solidária, a força de trabalho de Farmanguinhos doa ovos de chocolate para crianças de diferentes creches comunitárias da localidade. Com esta iniciativa, a instituição já conquistou o sorriso de 1.378 crianças.
Já o Natal Solidário, os trabalhadores contribuem anualmente com kits específicos para esses públicos, que incluem roupas, calçados, produtos de higiene pessoal, brinquedos (crianças), pijamas e camisolas (idosos). Neste caso, a unidade já adotou 498 crianças e 76 idosos da Casa de Santa Ana.
Ao todo, os trabalhadores da unidade já adotaram 498 crianças na campanha Natal solidário (Arquivo)
Intervenções sociais – Graças à articulação do Instituto, os moradores da região estão testemunhando uma transformação no território onde vivem, a partir do Projeto Se essa rua fosse minha. Trata-se de uma iniciativa socioambiental de revitalização de áreas degradadas pelo lixo. Dentre as ações relativas ao projeto estão o Festival de Arte urbana, revitalização da praça, criação de três hortas comunitárias (comunidade, creche e escola) e quatro mutirões comunitários para limpeza e pintura de ruas e outras atividades de melhoria para a comunidade, transformando lixo em arte a partir de materiais reciclados.
Se essa rua fosse minha é uma iniciativa socioambiental de revitalização de áreas degradadas pelo lixo. O projeto articulado por Farmanguinhos envolve parceiros públicos e privados (Foto: Alexandre Matos)
Todas essas iniciativas são desenvolvidas de forma integrada com múltiplos atores da região. Além de colaborar para elevação da autoestima dos moradores da região, as ações articuladas procuram envolver toda a comunidade, estimulando assim o trabalho colaborativo.
Aplicação de vacina durante o Fiocruz pra Você 2018Zé Gotinha faz a alegria da criançada no Fiocruz pra VocêSímbolo do bairro de Jacarepaguá, que completa 427 anos neste mês de setembro
A cooperação técnico-científica pretende unir o conhecimento tradicional e o científico com o objetivo de desenvolver a fitoterapia com espécies do maior bioma do país
Em entrevista à TV Globo, Jefferson Caldas explica mais detalhes sobre a cooperação para criação do Jardim Terapêutico
O Centro de Inovação em Biodiversidade e Saúde (CIBS) de Farmanguinhos/Fiocruz assinou, na última terça (21/9), acordo de cooperação técnico-científica com a prefeitura de Macapá, capital do Amapá, para instalação do Jardim Terapêutico do Bioparque Tucuju. O projeto tem como objetivo realizar pesquisas com plantas medicinais da Amazônia.
Pesquisador do CIBS/Farmanguinhos e coordenador do Sistema Nacional da Redesfito, Jefferson Caldas explica que as equipes da Fiocruz e da Redesfito ficarão responsáveis pelas ações de implantação do projeto e outras decorrentes da parceria, tais como identificação de espécies medicinais arbóreas para revitalização da fitoterapia amazônica e resgate do conhecimento tradicional das ervas medicinais nativas do maior bioma do país.
“A Fiocruz entrará com aporte técnico científico para construção do Jardim Terapêutico, que busca o resgate do uso tradicional das plantas medicinais. Iremos juntar os dois diferentes saberes: das populações amazônicas e o acadêmico. No início, será agregado à literatura já existente do bioma amazônico, que é riquíssimo. Depois seguiremos para o estudo da bioprospecção, com o levantamento étnico botânico”, ressalta Jefferson Caldas.
Neste sentido, o projeto contempla identificação do perfil químico das espécies selecionadas e, dentre outras, a realização de oficinas voltadas para cultivo e manejo de plantas medicinais e produção de fitoterápicos. Além disso, capacitará agentes de saúde para inclusão da fitoterapia na rede de saúde pública local.
Além de Jefferson Caldas, representando Farmanguinhos/Fiocruz, a cerimônia de assinatura do termo de cooperação contou também com a participação do prefeito de Macapá, Antônio Paulo de Oliveira Furlan, e do diretor-presidente do Bioparque, Marcelo Oliveira.
Além de Jefferson Caldas, a cerimônia contou com a presença do prefeito Antônio Furlan (segurando o documento), diretor-presidente do Bioparque, Marcelo Oliveira (o segundo a partir da direita) Foto: Adevaldo Cunha
Em seu perfil nas redes sociais, o prefeito Antônio Furlan destacou a troca de conhecimentos e valorização da sociobiodiversidade. “Pretendemos com esse projeto estimular a fitoterapia complementar através da criação de canteiros de espécies medicinais e aromáticas da nossa região. Buscaremos identificar espécies medicinais arbóreas para servirem de instrumento didático para revitalização da fitoterapia amazônica, muito conhecida pelo uso de cascas, folhas e raízes das nossas árvores e plantas locais”, afirmou.
Clique aqui e confira a reportagem veiculada no Jornal do Amapá, da Rede Globo local.