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Fruto de campanha de arrecadação entre os trabalhadores da unidade, os mantimentos foram entregues à Associação Lutando para Viver Amigos do INI

O diretor exibe o certificado com número total de alimentos arrecadados. Somente a Diretoria doou 260 kg. Por conta de compromissos já agendados, os demais integrantes da Direção não puderam comparecer para a tradicional foto, aqui representada pela secretária Priscila Chaves, pela chefe de Gabinete, Vânia Buchmuller, pelo diretor Jorge Mendonça, pelo vice-diretor de Gestão da Qualidade, Rodrigo Fonseca, e pelo vice-diretor de Gestão do Trabalho, André Cordeiro (Foto: Alexandre Matos)
O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) entregou mais de 600 quilos de alimentos não perecíveis à Associação Lutando para Viver Amigos do INI, que apoia pacientes que vivem com HIV/Aids assistidos pelo Instituto Nacional em Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Tradição na unidade, a campanha de arrecadação de alimentos ocorre há 12 anos a partir da mobilização dos trabalhadores durante a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat).
Chefe do Centro de Segurança do Trabalho e Gestão Ambiental (CSTGA), setor responsável por capitanear a campanha de arrecadação, Denise Barone destacou a importância da ação, principalmente durante a pandemia. “Esse ano, assim como no ano passado, foi atípico. Muitos perderam seus empregos, estão com dificuldades financeiras, e os preços dos alimentos estão cada vez mais elevados. Portanto, a campanha de doação de alimentos realizada por Far se faz ainda mais importante para que a comida chegue no prato dessas pessoas”, ressaltou.
Reforço da Direção – Assim como ocorre todos os anos, a Diretoria demonstrou envolvimento com a causa, doando 260 quilos, reformando a campanha. Diante do cenário desafiador, Denise Barone comemora o resultado. “O que conseguimos neste ano foi bastante relevante, considerando a complexidade do momento econômico que o país atravessa. Os profissionais da unidade abraçaram a campanha e doaram 367,64 quilos de alimentos, totalizando 627,24 quilos com os que a Direção doou. Essa mobilização demonstra o espírito solidário da nossa instituição e o nosso comprometimento em cuidar do outro, de servir a população”, assinalou.

A partir da esquerda: Odílio Lino (chefe de Gabinete/INI), Denise Barone (chefe do CSTGA/Far), Sõnia Fonseca (vice-presidente da Associação), Valdeinei da Silva (colaborador da Associação), Solange Siqueira (vice-diretora de Gestão/INI) e Wagner Costa Brabo (chefe da Seção de Gestão de Contratos/INI) / Foto: Alexandre Matos
Para se ter uma ideia da dimensão que essas doações representam, Sônia Fonseca explicou que o quantitativo arrecadado atenderá aproximadamente de 30 e 40 famílias assistidas pela Associação. Atualmente, a Lutando para Viver atende cerca de 100 família por mês. Clique aqui para conhecer o trabalho realizado pela Associação e saber como ajudar.
Os mantimentos foram recebidos por pela vice-diretora de Gestão do INI/Fiocruz, Solange Siqueira, e pela representante da Lutando para Viver Amigos do INI, Sônia Fonseca. Solange Siqueira explicou que a campanha é realizada também no INI, e destacou a importância dessa corrente do bem. “Estamos muito felizes em receber as doações da unidade e poder dar continuidade nessa parceria de anos entre o INI e Farmanguinhos”, ressaltou a vice-diretora de Gestão do INI que destacou ainda os serviços que a Associação presta em benefício desses pacientes e seus respectivos familiares.


Em encontro virtual, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, a pesquisadora Monica Bastos apresentou os novos desenvolvimentos para a erradicação da doença
Em mais uma ação pelo Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado no dia 1º de dezembro, o Centro de Estudos de Farmanguinhos recebeu a pesquisadora Mônica Bastos, do Laboratório de Síntese de Fármacos (LASFAR) da unidade, para debater o tema “HIV/AIDS: Uma visão dos novos desenvolvimentos para a erradicação da doença”. O encontro virtual, mediado pela coordenadora do Departamento de Educação, Mariana Souza, e pelo pesquisador Frederico Castelo Branco, também do LASFAR, foi transmitido pelo canal da unidade no YouTube.
Antes de iniciar sua exposição, Mônica Bastos explicou a diferença entre o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), salientando que ter o vírus não é a mesma coisa que ter a doença.
“A pessoa pode estar vivendo com HIV e não estar com Aids. HIV é o vírus causador da enfermidade. Então, há indivíduos que estão contaminados pelo HIV, mas não desenvolvem a doença. Essa é uma das grandes problemáticas, porque essas pessoas não desenvolvem os sintomas, a doença propriamente dita, e elas estão contaminadas, infectadas, e transmitindo para outras. A Aids só surge quando o indivíduo desenvolve infecções oportunistas, que podem ser tuberculose, pneumonia, hepatites virais e sífilis, por exemplo”, explanou.
A palestrante fez um panorama sobre a doença no mundo, apresentando números de pessoas infectadas, a estimativa de novas infecções no ano, a região mais afetada pela doença, o índice de mortalidade, dentre outros dados.
Durante a exposição, Mônica ainda abordou a iniciativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) para controlar a doença. Trata-se da “Meta 90-90-90”, uma estratégia que consistia em ter 90% da população mundial testada e diagnosticada, sendo 90% dessas pessoas em tratamento e 90% em tratamento em supressão viral. O único país que atingiu a meta foi a Inglaterra. O Brasil obteve 89% de pessoas diagnosticadas, 77% em tratamento e 94% em supressão viral, de acordo com dados do Ministério da Saúde em 2020.
Devido ao insucesso, a OMS estabeleceu uma nova meta para 2030: 95-95-95 em tratamento e reduzir o número de novas infecções em adultos, passando de 500 mil para 200 mil casos.
Como atingir a meta – Segundo a pesquisadora, um dos maiores entraves para o alcance está no tratamento. “No Brasil temos uma distribuição gratuita desses medicamentos pelo SUS, mas a realidade é outra no restante do mundo”, destacou.
Para combater a replicação e atingir a supressão viral, devido à complexidade do ciclo do HIV, é necessária uma combinação de fármacos que atuem em diferentes pontos. É isso que a terapia de antirretrovirais (ATR) atual oferece. Nesse sentido, Mônica apresentou os tratamentos vigentes.
“Hoje, o esquema preferencial é a associação entre as substâncias dolutegravir, lamivudina e tenofovir. Entretanto, nesta semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a combinação do dolutegravir com a lamivudina como novo esquema preferencial, tirando o tenofovir, que tem apresentado uma série de toxicidades para os rins. A previsão é que entre em vigor a partir do próximo ano. Também é administrada, especificamente para neonatos (crianças até 5 quilos), a combinação de zidovudina, lamivudina e raltegravir. A partir dessa idade, a OMS recomenda dolutegravir, lamivudina e abacavir”, informou a pesquisadora
Novos desenvolvimentos – Há vários fármacos em desenvolvimento e em fases distintas. A pesquisadora evidenciou as novidades que têm sido descritas, como os inibidores da gp120, do CD4, de Capsídeo e da proteína Rev, que faz o transporte do RNA mensageiro para o núcleo da célula.
“É muito importante que sejam desenvolvidos novos inibidores, com meios distintos, para serem adicionados na terapia por conta da possibilidade de ocasionar mecanismos de resistências advindos do uso da substância por um longo período”, alegou.
Mônica Bastos ainda reforçou que, apesar da pandemia, os estudos clínicos relacionados aos antirretrovirais não pararam, inclusive, com aprovações de trabalhos de substâncias que estavam em estágio avançado, reiterando a importância do tema. “No ano passado tivemos a aprovação do primeiro inibidor da gp120, o fostemsavir (FTR), que é um pró-fármaco, cujo ativo é o temsavir”, ressaltou.
De acordo com a pesquisadora, em 2018, foi aprovado o ibalizumabe, um inibidor de receptor de CD4 (anticorpos monoclonais). Nesta mesma linha, há outros estudos em andamento com previsão de serem aprovados em uma média de três anos.
Profilaxia Pré-exposição (PrEP) – Segundo a especialista, a maioria das ações desenvolvidas anualmente está relacionada à PrEP, indicada ao indivíduo soronegativo exposto à contaminação do HIV. Para essa profilaxia está disponível a combinação de entricitabina + tenofovir produzida por Farmanguinhos, que conta com outros oito antirretrovirais para enfrentamento de HIV/Aids. Clique aqui e confira todas as iniciativas do Instituto nesse segmento.
“Temos resultados positivos, como a redução da taxa de novas contaminações e a prevenção do HIV em grupos de risco. Entretanto, ainda há muitas questões a serem respondidas. No Brasil, por exemplo, nós distribuímos gratuitamente a PrEP e isso tem um custo. Imagina o investimento do Ministério da Saúde ao oferecer medicamento para um paciente que não está doente. Também há questões da resistência aos inibidores, apesar de ser muito discutido que isso não impactará no paciente que precise de tratamento caso seja contaminado futuramente, e do diagnóstico nas pessoas que fazem uso da PrEP e são contaminadas pelo vírus. São questões que ainda estão sendo respondidas, mesmo com o uso da PrEP em andamento”, salientou.
Novos sistemas de entregas de medicamentos – A especialista também apresentou alguns exemplos de tecnologia de entrega de fármacos em fases de desenvolvimento, pré-clínicos e clínicos, para o tratamento e prevenção de infecção pelo HIV, como implantes, injetáveis de ação prolongada, adesivos de microagulhas e anéis vaginais e anais, apontando as vantagens e as desvantagens de cada um.
Solução – A pesquisadora assinalou que o HIV possui inúmeros aspectos que o diferem de outros vírus que dificultam a execução de estratégias para a cura ou desenvolvimento de vacinas.
“O HIV tem uma taxa de mutação dez vezes maior do que o da Influenza e vinte vezes mais do que o SARS-coV-2, por exemplo. Além disso, no HIV, o alvo do vírus são os principais controladores do nosso sistema imune e ele se incorpora ao DNA, com um longo período de latência. Todas essas condições são barreiras que dificultam a cura e a encontrar uma vacina que seja efetivamente eficaz. Já tivemos muitas vacinas testadas, mas que não atingiram a eficácia mínima para serem disponibilizadas para a população. Então, apesar dos esforços, o HIV continua sendo um grave problema de saúde pública. A vacina segue sendo um desafio, novas formulações, opções de PrEP e sistema de liberação de fármacos estão sendo autorizados e o desenvolvimento de novos antirretrovirais ainda é a única alternativa para conter o aumento do número dos casos”, concluiu.
Ao final da apresentação, a palestrante interagiu com o público e respondeu as perguntas encaminhadas pelos participantes no chat.
Clique aqui e assista ao encontro na íntegra.
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Totalmente automatizado, o sistema aumentou a capacidade de armazenamento e de pontos de distribuição, suprindo todas as demandas da fábrica

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) concluiu a implementação de seu novo Sistema de Geração e Distribuição de Água Purificada. Mais moderno e totalmente automatizado, o sistema aumentou significativamente a capacidade de armazenamento e de pontos de distribuição de água, suprindo todas as demandas da fábrica. Mais do que a utilização nos processos de limpeza dos equipamentos, a água purificada é uma matéria-prima essencial na produção de medicamentos.
Na cerimônia de descerramento da placa de inauguração, realizada nesta quarta (1º/12), o diretor Jorge Mendonça ressaltou a importância que o novo sistema representa para a unidade. “A estratégia de investir em infraestrutura, como um novo sistema de geração e distribuição de água purificada, visa não só atender a legislação sanitária, como também prover a sustentabilidade de Farmanguinhos a médio e longo prazos, garantindo, assim, nossas atividades fabris”, destacou.

Além do diretor Jorge Mendonça, da vice-diretora de Operações e Produção, Elda Falqueto, e de representantes das áreas envolvidas no processo de implementação do novo sistema, a solenidade contou com a presença da chefe de Gabinete, Vânia Buchmuller, da vice-diretora de Gestão Institucional, Silvia Santos, e do vice-diretor de Gestão do Trabalho, André Cordeiro.
Responsável pelo Serviço de Águas Industriais, vinculado à Vice-diretoria de Operações e Produção (VDOP), Ivaneide Brandão explica que o sistema de água tem um grau elevado nas auditorias de Boas Práticas de Fabricação (BPF), visto que esse elemento tem contato direto com os Insumos utilizados na formulação, o que pode influenciar na qualidade do produto. Dentre os benefícios, o sistema conta com monitoramento online de todos os 34 pontos de utilização que a Produção dispõe atualmente, além de controle de integridade de dados e outros requisitos preconizados na RDC 301 (Resolução da Diretoria Colegiada da Anvisa).
“Trata-se de um sistema prioritário no processo da indústria farmacêutica, uma vez que, sem a água purificada, não há como fabricar o medicamento e lavar os equipamentos dentro dos parâmetros de qualidade exigidos. O sistema anterior atendia aos requisitos, mas, além de bastante antigo, a atual legislação trouxe novas exigências. Hoje, temos um sistema completamente modificado e dentro do que é preconizado pela legislação vigente (RDC 301), com os pontos de uso automatizados e instalação em aço inox 316, por exemplo”, frisa.

Equipes envolvidas – A vice-diretora de Operações e Produção, Elda Falqueto, fez questão de agradecer a todas as áreas envolvidas para tornar o projeto uma realidade. “Além do Serviço de Águas Industriais, responsável pela operacionalização do sistema, a conclusão do projeto só foi possível porque teve a união e o comprometimento de várias áreas de Farmanguinhos. Projetos Industriais atuou na elaboração e execução da obra, o Serviço de Validação vem trabalhando no processo de certificação, além de outras áreas administrativas da unidade, que apoiaram em todas as etapas fundamentais”.
Elda Falqueto destacou ainda que, com o novo sistema, é possível otimizar o trabalho, além de reduzir a possibilidade de falhas. “Temos um sistema de geração e distribuição de água para manter ligado 24 horas por dia para não haver contaminação biológica. Hoje, podemos dizer que estamos no mesmo nível das multinacionais”, ressalta a vice-diretora.
A matéria-prima para a fabricação é comprada de outros laboratórios, mas a água purificada é gerada na própria unidade. Farmanguinhos recebe a água potável e a purifica para garantir a eficiência do processo sem perda de etapas, desperdício de matéria-prima ou atraso na entrega do produto final.

Neste sentido, a vice-diretora explicou que esse investimento no parque fabril teve como objetivo principal atender as exigências regulatórias e garantir a certificação em BPF. “Com um sistema de água purificada dentro das condições sanitárias, atendendo os a unidade, evita-se a interrupção do processo produtivo e, consequentemente, eventuais perdas de lote ou atraso na entrega dos medicamentos para o Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Benefícios – Ao todo, a implementação do novo sistema demorou pouco mais de um ano para ser concluída. Foi elaborado em 2019 e começou a ser executado já em 2020. Apesar de alguns atrasos decorrentes da pandemia, foi possível concluir sem prejuízos. “O projeto veio justamente para suprir a necessidade de entregar água purificada automaticamente em pontos específicos, principalmente na Produção. Agora, o operador não precisa mais sair da sala para buscar água em outro ponto. A coleta é feita no próprio ambiente onde o medicamento está sendo produzido”, observa Elda Falqueto.
O aumento da demanda e o funcionamento da fábrica nos três turnos aceleraram a necessidade de aquisição do novo sistema mais robusto e capaz de atender a variedade de linhas produzindo simultaneamente e em diferentes pavimentos. Para se ter uma ideia da dimensão que essa conquista representa, Farmanguinhos saltou de 14 para 34 pontos de distribuição. O tanque anterior tinha capacidade de 2,3 mil litros, o atual é de 7 mil. O sistema anterior gerava mil litros de água purificada por hora, o atual gera 3 mil litros.

O engenheiro Lucas Mattos, que atua no Departamento de Projetos Industriais, elenca outros benefícios a partir da implantação do novo sistema. “O processo foi totalmente automatizado com sistema comandado por painéis. Isso confere mais praticidade e segurança. Se a tubulação estiver passando por sanitização, por exemplo, um sistema computadorizado gerencia essa manutenção e não permite que os pontos sejam abertos, já que a água estará imprópria para uso. Nossa capacidade aumentou substancialmente, conseguindo suprir a fábrica como um todo. Caso tenha pouca água e se for necessário racionar para atender uma demanda alta (com muitos pontos abertos), o sistema define uma prioridade de uso e não permite que novos sejam abertos”, explica.
Questão de qualidade – A qualidade da água adquire algumas funções importantes na indústria farmacêutica. Mesmo sendo considerada própria para o consumo, a água potável ainda possui substâncias que podem comprometer as propriedades das formulações. Com isso, é preciso passar por um sistema purificador a fim de evitar que essas impurezas alterem o resultado final.
Portanto, o processo de purificação da água para uso farmacêutico é baseado na eliminação dessas impurezas físico-químicas, biológicas e microbianas até se obter níveis preestabelecidos pelas autoridades sanitárias, como a Anvisa, por exemplo. O cumprimento das normas está dirigido à diminuição dos riscos, em qualidade e especificidade, associados a cada elemento da cadeia produtiva. A validação e qualificação de sistemas de água é a garantia de que toda essa cadeia não será comprometida e que os produtos finais terão a qualidade assegurada










